quinta-feira, 8 de março de 2012

Centro de Comando: 1x14 - Aquele sobre o dia das Mulheres

Dia das mulheres né? Então ta, isso aqui não é bem uma matéria, é mais um monte de palavras juntas que pode ou não dar em alguma coisa concreta no fim da conclusão ou não, eu posso muito bem me perder na linha de raciocínio e ficar completamente incoerente, porque Né? Eu sou mulher, mulheres são assim mesmo. Provavelmente a maioria das pessoas pode não concordar com o meu ponto de vista, mas isso é normal, já que não sou famosa por agradar a todos e nem por um segundo o tento fazer. Mas de qualquer forma, vamos lá:

Nós mulheres já nascemos com algumas certezas nessa vida: Que vamos desenvolver TOC ao longo da vida por conta de organização e limpeza, que vamos odiar futebol (e agora essas lutinhas de mariconas que se pegam e chamam de esporte, que está na moda agora) porque não somos capazes de competir contra pela atenção dos homens (aparentemente é melhor ver um bando de homem na televisão, do que passar um tempo com sua mulher), que devemos casar, ter filhos e ser a melhor mãe e esposa do mundo, que em algum momento vamos deixar nossas carreiras e vidas sociais de lado e vamos nos dedicar única e exclusivamente para nossas casas, e com tudo isso, temos a promessa do famoso “felizes para sempre” que tanto ouvimos nas historias quando crianças. Mesmo em 2012, tenho certeza que acabei de descrever a vida de muitas das mulheres que estão lendo isso, e que muitos dos homens, esperam que sejamos assim. Porém, aquelas mesmas historias infantis que escutamos quando crianças, nos ensinam também que isso é muito pouco para se esperar de uma vida. A gente quer mais que um castelo e um príncipe encantado, é só olhar e ver exemplos como Princesa Diana, Amelia Earhart (algum dia saberemos o que aconteceu com essa mulher?) e até mesmo Miss Piggy dos Muppets.

Por outro lado, vivemos num mundo em que essas mulheres e tudo pelo qual elas lutaram, não são nada valorizados. Estamos numa época em que um par de silicone e ganhar o nome de uma fruta, como se estivéssemos numa feira livre, é o que tem de melhor. Crianças de cinco anos, ao fazer aniversário já querem ser misses, usar salto alto, maquiagem e adolescentes cada vez mais engravidam de um transa de uma noite, só pra ser a mais legal do colégio. Elas acreditam piamente que essa é a chave do sucesso, que quando falamos de direitos iguais com os homens, falamos de dormir com um estranho e sair beijando 20 homens numa micareta, e que isso é apenas diversão. Particularmente falando (e os homens que vão ler isso aqui, vão me dar razão), esse tipo de atitude torna a garota mais bonita do mundo o maior lixo, esse é o tipo de garota que não vai passar de uma noite do lado de um cara, se bobear ela nunca nem vai saber o nome verdadeiro dele, porque na cabeça de um homem, se a mulher não se dá o devido valor, porque ele vai dar? Se os homens são do jeito que são hoje em dia, provavelmente é nossa culpa por termos nos perdido em algum momento no caminho. Já aconteceu coisas do tipo de um cara falar que queria se acertar comigo e dois dias depois dormir com uma aleatória e depois voltar dizendo que não passou disso, que ele não ligava a mínima para a menina.

Exemplo atual disso temos Renata e Monique da décima segunda edição do Big Brother Brasil. Renata, jovem de 22 anos não satisfeita em ter relações sexuais com um dos participantes da atração para o Brasil todo ver, teve relações sexuais com três deles! Monique que de tanto que bebeu na primeira festa do programa, se envolveu na polemica do estupro, porque não se lembrava do que tinha feito na noite anterior, e o caso chegou até a policia. Ambas meninas bonitas, aparentemente de boa família, com um futuro brilhante pela frente e com famas de “putas” por conta dessa coisa de se “igualar aos homens”, não é machismo da minha parte, mas isso não é o tipo de coisa que deveríamos tirar graça e apoiar que nem o apresentador Pedro Bial insiste em fazer todos os dias em rede nacional. Ambas desperdiçam suas vidas com bebidas, drogas, cigarros, sexo com pessoas aleatórias e tudo isso pra que? Pra que colocar sua vida em risco e passar por ela completamente inconsciente e sem boas memórias e vínculos com pessoas reais? Outro caso envolvendo Monique, é o relacionamento dela com Jonas, ele já deixou claro que só fica com ela quando está afim, e quando isso não acontece ela se desfaz em lagrimas e bebidas, e quando ele chama ela vai correndo. A própria já chegou a dizer que o lance dela com ele é puro álcool, e o que a faz se submeter a esse papel ridículo para o Brasil inteiro assistir? Será que ela não sabe que pode ter o homem que quiser, se deixar pequenas coisas de lado, ou se aprender a conhecer os homens de forma sóbria?

Eu sou filha única e por conta disso todo mundo deve achar que eu fui (sou) mimada porque né? Filha única e mulher, quais pais não fariam isso? Mas na verdade, eu não fui (sou). Meus pais me deram toda a liberdade do mundo para ir e vir a hora que eu quisesse desde muito cedo, sempre me explicando sobre as coisas da vida na hora certa, e enchendo de muita música e filmes. Segundo meu pai, eu escuto música antes mesmo de nascer e provavelmente até hoje eu não tenha passado um dia se quer sem ouvir uma música pelo menos. Já o cinema, eu me lembro da primeira vez que entrei em um, foi com pouco mais de dois anos, para assistir A Pequena Sereia, e essa é a lembrança mais antiga que tenho da minha vida, porque foi algo que realmente me marcou, aquele carpete vermelho do cinema, as pessoas todas vestidas com suas melhores roupas, e hoje em dia os cinemas não são mais assim né?

Meus pais nunca mentiram pra mim, sempre falaram sobre tudo da melhor forma possível de acordo com o meu crescimento, talvez isso tenha feito de mim a pessoa responsável que sou hoje em dia. Foi com eles me mostrando o que era “certo e errado” que eu fui crescendo e criando minhas expectativas de vida, meus sonhos, meus preconceitos, meus ideais, meu caráter, minha vida profissional e tudo aquilo que se encontra no meio disso tudo. Dos meus pais definitivamente eu herdei o bom humor, todo o resto de mim foi criado aos poucos, com o que eles ofereciam para mim. O fato de eu no colégio ter decidido ser jornalista não pegou ninguém de surpresa, já que desde pequena eu trocava as bonecas por um caderno e canetas coloridas, sem contar que desde que eu me lembre eu tenho um diário no qual escrevo sobre o meu dia e mantenho esse habito até hoje, perto dos meus 25 anos de idade, e sempre escrito a mão, nunca pelo computador. Porém, meus pais achavam que eu teria uma carreira mais solida, indo contra a isso eu me tornei atriz. Tem carreira mais instável que isso? Claro, se a gente deixar de lado a carreira de apostador profissional!

Isso certamente foi uma surpresa, já que eu nunca fui uma das meninas mais sociais, na verdade até hoje eu não me envolvo muito com as pessoas do meu trabalho, já que temos idéias de diversão completamente diferentes. Na verdade, eu sempre fui a garota dos livros, eu na faculdade lia (além dos livros do curso) três livros diferentes, um na ida, um no intervalo e outro na volta. Minha vida toda eu me preocupava com aprender sobre coisas, lugares, opiniões diferentes das pessoas, do que com a festinha do fulano ou com a balada sensacional do final de semana e com que roupa eu iria para chamar a atenção “daquele gatinho”, isso pra mim sempre foi muito pouco. Então, quando a gente escolhe ser atriz, as pessoas já imaginam altas orgias regadas a vodka o tempo todo, e não é bem assim. Está bem, em alguns casos é sim, mas isso não é exclusividade desse ramo, isso é quase que o final de semana de qualquer pessoa da minha idade. Só que eu sempre fui mentalmente mais velha que minha idade, então talvez por isso, meus relacionamentos amorosos (pessoais e familiares) tenham sido/são melhores com pessoas mais velhas que eu.

Não tenho vergonha nenhuma em dizer que a primeira vez que me senti mulher de verdade não foi depois do meu primeiro sutiã, ou primeiro sapato de salto, primeiro vestido ou namorado, primeira menstruação... Na verdade não foi a muito tempo, foi a quatro anos atrás, quando eu disse e escutei pela primeira vez a frase: “EU TE AMO” de alguém que não fosse meu pai ou minha mãe. Quando eu escutei e disse isso pela primeira vez, eu tive certeza que valeu a pena não ter ido “naquela festa” do fulano quando eu era adolescente e eu tivesse ficado com o garoto mais bonito da escola, que eu não precisava vestir um biquíni que na verdade é apenas uma corda enfiada no meio da bunda, pra chamar atenção de um rapaz. Que acreditar em relacionamentos sólidos, me fariam ter um. E que eu nunca teria que ser como uma dessas mulheres, que precisa ser burra, sem opinião própria e que o homem precisa ler o cardápio de um restaurante porque ela não sabe o que significa e que na verdade, eu poderia até ser levemente mais inteligente que o cara, que ainda assim, eu teria um amor digno do Nicolas Sparks.

Foi quando eu percebi o quão incrível eu poderia ser, comecei a procurar por empregos melhores, subi de cargos, comecei a me preparar pra fazer uma vida com essa pessoa. Fiz minhas escolhas, decidi o que estava disposta a abrir mão para que eu tivesse o meu “final feliz”, infelizmente esse final não saiu como o planejado e a relação não sobreviveu, embora isso tenha acontecido alguns anos atrás, até alguns meses atrás eu ainda acreditava que isso se resolveria um dia, até que simplesmente deixou de ter importância pra mim. Quando esse relacionamento terminou, eu fiquei com vergonha da mulher que eu tinha me tornado, me achei fraca e me odiei por muito tempo por ficar deprimida por meses e por ficar correndo atrás dele e só ter recebido patadas em troca. Esse era o tipo de garota que eu achava patética, afinal eu já tinha tido outros relacionamentos antes e segui em frente numa boa, porém eu nunca tinha amado ninguém, e eu não esperava que esse fator fosse pesar tanto assim.

Então depois de ouvir muito “Crazy for You” da Madonna, e decorar as falas de “Simplesmente Amor”, decidi que estava na hora de passar pra The Clash, Wham! e Kim Wilde e tirar proveito dessa situação. Muitas no meu lugar acharia mais pratico ser uma Renata da vida, lidar com os homens da mesma forma que lidaram comigo, mas achei melhor fazer a Adele e lucrar com essa historia. Não, eu não gravei um cd e vendi milhões! Porém, eu me descobri um lado cômico para stand-up e humor rápido e inteligente que eu nem sabia que existia em mim, e assim nasceu dois stand-ups meus, um sobre (é claro) términos de relacionamentos e outro sobre reality shows. Comecei a ter mais idéias para a escola que trabalhava (trabalho ainda), e fui ganhando prestigio do meu chefe, em seguida eu já estava no meio de um palco fazendo cantando Celine Dion para concorrer a vaga de Rachel Berry (da série Glee), brasileira, numa versão da série para o teatro (e aonde eu estou até hoje), comecei a fazer campanhas de moda, voltei a ativa com esse blog e fui que fui. Obviamente no inicio dessa loucura toda, eu fiz isso como forma de vingança, pra mostrar ao meu ex que eu me tornei uma pessoa melhor depois que ele foi embora, só que depois, eu já estava fazendo tudo isso, porque foi pra isso que eu nasci. Essa sou eu!

O que eu estou querendo dizer com essa mini biografia, ou se acharem melhor, depoimento de novela do Manoel Carlos, é que é possível ser uma mulher incrível nos dias de hoje, que se a gente consegue sobreviver a usar calça branca no primeiro dia da menstruação, o primeiro corte ao raspar os pelos, nossa saia grudar nas meias de náilon numa entrevista de trabalho, ser a ultima escolhida para o time em qualquer esporte, ficar sem gasolina numa tempestade, tingir o cabelo na véspera do baile de formatura e a cor sair completamente diferente e a ter o coração partido pela primeira vez. Então a gente pode se sentir como a Angelina Jolie e lutar diariamente por uma vida melhor, por uma qualidade de vida melhor, pra rever nossos conceitos diariamente e se aceitar por aquilo que somos. Neste momento, eu sou uma mulher com:

Quase 25 anos de idade, que teve apenas 6 namorados nesses anos todos, que nunca beijou e muito menos teve um caso de uma noite com um aleatório, que adora assistir o programa da Luciana Gimenez, assiste todos os reality shows que consegue e ainda assim le dois jornais diferentes antes de ir trabalhar, que nunca ficou bêbada, que nunca fumou ou cogitou usar qualquer tipo de drogas, porque sei que a vida é uma merda e ainda assim prefiro encarar ela de cara limpa, que pode cantar músicas aleatórias desde Pepe e Neném, sendo que tenho músicas até do Marilyn Manson em meu computador. Que não é fã da cor cor-de-rosa, que viajou sozinha de férias para a Irlanda e depois sozinha também para New York para participar de um teste para o programa The Glee Project, por méritos próprios. Que sabe a diferença entre o sensual e o vulgar, que não para de falar um instante e escreve textos enormes, que faz quatro coisas diferentes ao mesmo tempo, que quer que as coisas sejam pra ontem, mesmo que o prazo seja pra daqui um mês. E que neste momento, tudo o que deseja é continuar recebendo prestigio pelos trabalhos realizados, ser amada por um homem que de valor a cada uma dessas coisas e pelos meus defeitos, e poder ensinar tudo o que eu sei para o maior numero de pessoas e para um dia, meus filhos, que vão chegar na hora certa, assim como eu cheguei neste mundo.

Eu poderia ter feito uma matéria falando sobre a Madonna, Anjelica Huston ou a Amelia Earhart (eu realmente queria saber o que aconteceu com essa mulher), mas preferi falar sobre mim mesma, afinal, qual mulher melhor pra que eu pudesse dar uma opinião? Então se você chegou até aqui, com paciência e depois de ter ido no banheiro umas duas vezes, porque aqui já está contando que escrevi 2.518 palavras... Escutou tudo o que eu tinha a dizer, e agora me ama ou odeia, ou os dois (que não é muito estranho de se acontecer), vou pedir para você postar o link dessa matéria no seu facebook, twitter ou qualquer outra rede social, que você comente com alguém próximo a você, que mostre a alguém diferente ou faça até uma corrente dizendo que trás a pessoa amada em duas semanas, mas passe pra frente.

Pode não ser a melhor das historias, mas talvez faça com que uma mulher se sinta melhor com ela mesma, ou uma adolescente comece a pensar melhor sobre os seus valores, ou até mesmo que um homem deixe suas atitudes de babaca e vire homem, nunca se sabe! Se eu fizer a diferença com pelo menos uma pessoa, já vou estar mais que feliz. Que todas as mulheres aproveitem bem esse dia maravilhoso que eu sinto que vai fazer, que vocês homens comprem flores para elas e as convidem para jantar num restaurante bacana e que o amor seja real para vocês, assim como é para mim. Obrigada pelo carinho de vocês, e é isso! Beijos e mais beijos.

(Música do titulo: I Feel Pretty / Unpretty, Glee)

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