segunda-feira, 3 de março de 2014

Centro de Comando: 2x07 - Aquele com Cartas & What's Up?


01 K3R TC?

Vencedor do Oscar de melhor roteiro original na cerimônia de ontem, "Ela" (Her, Spike Jonze) é uma ficção científica futurista que segue a vida de Theodore (Joaquin Phoenix) e reflete sobre o rumo das relações humanas. Na trama, o protagonista ganha a vida escrevendo cartas de amor para terceiros e, solitário, decide se render ao mais novo produto tecnológico lançado: Um sistema operacional de inteligência artificial que se molda ao usuário, a belíssima voz Samantha (Scarlett Johansson) por quem ele acaba se apaixonando.


Ao construir um universo verossímil e sugerir um futuro não tão distante, o filme nos deixa com uma ~pulga atrás da orelha~. Num mundo onde dispositivos são desenvolvidos para limitar o alcance da internet e estimular a interação pessoal, estaríamos rumando para um futuro de sentimentos terceirizados, e trocando a experiência presencial pelo "comodismo" das relações virtuais?


Há um veredito sobre a geração Y: Sabemos lidar melhor com a tecnologia que com a rejeição. Essa combinação poderia ser a responsável por aquilo que o sociólogo Zygmunt Bauman define como conceito de rede, relações atrativas, fáceis e superficiais, que se mantém vivas por meio de duas atividades principais, conectar e desconectar. E não é por acaso. Na rede estamos sempre no melhor ângulo, expomos nossos melhores gostos, opiniões, nossos sucessos e nunca o contrário. Podemos disparar nossos absurdos de forma anônima, e quando somos seletivos não machucamos ninguém diretamente. Sem bater muito a cabeça, encontramos aqueles com quem temos afinidade de maneira relativamente fácil, e sem limites físicos.


Se voltarmos ao filme, podemos identificar alguma dessas características em Theodore. Ainda sentindo o fracasso de sua mais duradoura relação amorosa - por não saber lidar com seus sentimentos, como acusa a ex - e rodeado de tecnologia, encontra a saída ao desenvolver uma relação de afeto com aquele sistema operacional que se adéqua a seus gostos com a facilidade que encontra as informações que ele mesmo disponibilizou online. Samantha nada mais é do que sua projeção de um relacionamento ideal, sem os percalços do descompasso que encontramos nas relações corpo a corpo.


Eu, particularmente, sou defensor da comunicação online. Não fosse o twitter, por exemplo, eu não estaria aqui, no blog da Bruna, uma vez que nos conhecemos na rede. E eu poderia listar aqui um punhado de gente que eu conheci na internet, através das mais diversas redes sociais e fóruns, e com alguns mantenho uma relação estreita. Sem a internet, também, não conseguiria manter contato com amigos que tenho em outros estados e países. Então, qual o problema?


Será que ao substituirmos as cartas pelo whatsapp, estamos transformando os meios de comunicação online em uma realidade paralela? Numa fuga de relacionamentos "reais"? Estaríamos criando nossas Samanthas? Talvez. Eu também sou um defensor das relações um pouco além do "like", e que de perto é bem melhor que há "million miles away". E como vamos lutar contra a realidade de Theodore? Meu palpite: Engolindo um pouco a vaidade e se permitindo relacionar além do “desconectar”. Você tem outro?

E como esse assunto dá ~pano pra manga~ segue alguns links:

Sobre as relações virtuais: Clique Aqui!
As palavras de Bauman: Clique Aqui!
O trailer de "Her": Clique Aqui!

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