segunda-feira, 28 de abril de 2014

Centro de Comando: 2x11 - Aquele com os Pratinhos


Há cerca de dois meses, numa noite chuvosa com duas gatas (uma humana, e outra felina), trocamos desabafos (a humana e eu, que fique claro) sobre algumas questões que nos intrigavam: O monstro da sinceridade assustadora, diálogos enigmáticos, a transparência borrada, e uma prática que depois descobrimos chamar “Rodar pratinhos” - Eu já te explico! 

Inspirado nessa conversa, e nesse post AQUI , resolvi escrever este texto que foge até mesmo do cronograma da dona do blog (desculpa, Bru!). [Carrie Bradshaw] Será que optamos por multiplicar relações superficiais por medo de chegarmos ao fim de nossas vidas sem uma companhia? [Carrie Bradshaw]



Primeiro, vou te introduzir ao termo “Rodar Pratinhos” - serei o mais didático possível, essa é uma parte importante do texto.

Em algum momento da sua vida, você deve ter esbarrado no poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade. É simples, curto, e até pra quem não gosta de literatura não dói, tanto que segue transcrito abaixo:
“João amava Teresa que amava Raimundo 

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 

que não amava ninguém. 

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, 

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, 

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 

que não tinha entrado na história” 

Poema fácil de entender, né? Mas ele só está contando a história por cima. O que Drummond escondeu de nós é que amar Raimundo não impede Teresa de flertar com João. Assim como o próprio Raimundo, enamorado pelos belos traços de Maria, tinha em Teresa uma espécie de backup, imaginando uma possível rejeição de sua amada. O mesmo vale para todos da lista (talvez não para Lili, que era meio blasé, mas até mesmo para J. Pinto Fernandes, que nem da história fazia parte), que diante das circunstâncias agiam como verdadeiros equilibristas, rodando os pratos de seus pretendentes, com mais ou menos intensidade, de acordo com uma escala pessoal (que pode ser sentimental, ou puramente física), movidos por aquele medo inerente a todo ser humano (mesmo que alguns neguem em voz alta): O DE FICAR SÓ.


Mas Drummond fala de outra época. Em tempos de mensagens de texto, quando não podemos identificar o tom daquilo que foi dito, e emojis que mascaram emoções que seriam denunciadas por um olhar ou por um toque, vivemos cada vez mais numa guerra fria, pisando em território inimigo – desejando que aquilo vire um campo de paz – com medo de que uma bomba exploda na nossa cara em forma de frustração, exposição de vulnerabilidade, ou rejeição, só pra citar exemplos. Isso porque nem citei a explosão de aplicativos de encontros, o que me faz questionar: Será que ficamos mais carentes E dissimulados ao mesmo tempo? 

Rodam os pratos.

Daí construímos barreiras. A partir do menor contato, o prazer da aproximação e da descoberta é substituído pela principal delas, a tensão. A tensão por ser o que se é, o medo absurdo do não, o desejo de ficar por cima, e aquele vômito, quase saindo pela boca, só por cogitar demonstrar qualquer sinal de “fraqueza”. Numa queda de braços imaginária, a sutileza é a arma certa a se usar. Quem vai dar o primeiro “like”? Quem vai mandar a melhor indireta? Quem irá sustentar por mais tempo a postura gélida e se tornará o novo líder da competição?

Será que eu sou o primeiro prato?

E não pense que os problemas param por aí! Nesse momento da caça, uma sinceridade mal empregada pode espantar a sua preza que se perde na floresta escura do chat-com-outras-opções-do-facebook. É importante se certificar que conseguirá aquele jantar esta noite, porque no menor sinal de instabilidade *PUFF* o bicho arredio foge pra nunca mais voltar. Verdade, vi no Discovery!

E o prato fica bambo.

Em resumo: Cruzar a linha de chegada de um relacionamento hoje em dia pode configurar uma corrida de – MUITOS – obstáculos (Viu só? Equilíbrio de pratos, queda de braço, caça, corrida de obstáculos...A ~paquera~ se converteu de arte para esporte, use esse argumento quando te chamarem de sedentário!) e, no menor deslize...

*PLOFT* seu prato caiu.

Agora eu te pergunto, meu amigo: Porque a gente está fazendo tudo isso? A caixa de som do meu computador, enquanto os caras do Two doors cinema club embalam minha inspiração, dá a dica. “And I can tell just what you want, You don't want to be alone” a melodia dançante da música diz. Mas pra mim ainda não ficou claro! Afinal, terminada essa maratona, o que temos além de algumas opções e nenhuma resposta?


Vocês sabem, eu sou o Glauber, um cara todo errado que bate cartão todo mês aqui no blog da Bruna pra te escrever essas e outras besteirinhas. E eu ficaria felizão de receber um feedback seu sobre meus textos – Pode tentar responder a pergunta do texto, me xingar, ou só dar um “Oi”. Como você consegue isso? Taca “monteiroglauber” nas redes sociais (Twitter, Facebook e Instagram) que você me acha! A ilustração da moça girando os pratos é da minha querida amiga Carla Davi, a gata humana que citei no início do texto, a quem dedico esta obra – e outras coisinhas. Até mês que vem!

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