terça-feira, 10 de março de 2015

#VNPDSS: 2x19 - Patricia Coelho entra em musical sobre a vida de Chorão


Trinta e duas músicas do Charlie Brown Jr — entre elas, sucessos como ‘Te Levar’, ‘Zóio D Lula’, ‘Tudo Que Ela Gosta de Escutar’ e ‘Proibida Pra Mim’ — ajudam a contar a movimentada história do cantor do grupo, Chorão (1970-2013), no musical ‘Dias de Luta, Dias de Glória’. Agendada para estrear sexta-feira no Teatro Gamara, em São Paulo, a peça vem para o Rio no segundo semestre. “Talvez em agosto”, diz o diretor Bruno Sorrentino. E temas polêmicos como álcool e drogas (o cantor morreu de overdose de cocaína) não ficam de fora.

“Isso fez parte da vida dele. Não tapamos o sol com a peneira”, conta Bruno, dividindo o comando dos 25 atores (mais um balé de skatistas) com o pai, Luiz Sorrentino. O musical é pródigo em altos e baixos do vocalista. “Ele podia cantar para dez mil pessoas e, em seguida, se sentir completamente sozinho. Um dos momentos mais emocionantes é o que mostra os últimos minutos de vida do pai dele.”

Chorão era um sujeito de temperamento forte, o que o levou a ter brigas, documentadas pela imprensa. Em 2012, fez um longo discurso humilhando o baixista Champignon (que se suicidou no ano passado) em pleno palco, durante um show em Apucarana (PR), acusando-o de ter voltado para a banda apenas por dinheiro.

“Isso está na peça. E também como, pela amizade, passaram por cima disso”, afirma Bruno. Os diretores preferiram não manter no roteiro a briga com Marcelo Camelo — o cantor do Los Hermanos foi atingido com um soco e uma cabeçada por Chorão em 2004 num aeroporto. “Algumas cenas precisaram sair, até para o musical não ficar imenso. Ele teve uma carreira de 20 anos, há coisas mais importantes na história dele.”


É, Chorão tinha mesmo um estilo bem peculiar de resolver problemas. Mas Bruno avisa: na peça há outras facetas, bem mais humanas, do cantor. “Os fãs passaram muito disso para a gente, do quanto ele era ligado à família e tinha valores nobres”, conta o diretor. “Um produtor disse que ele chegava marrento ao estúdio, mas que depois estava de boa, conversando. Um dia, chegou para ele e disse: ‘Pô, Chorão, você é fofo!’, e ele: ‘Fofo é o c...!’. Era como se o Chorão vendesse uma coisa que ele não era”, acredita.

Personagens importantes da vida do cantor aparecem no musical, como suas ex-mulheres Thaís (Carolina Oliveira, que na infância fez a série ‘Hoje É Dia de Maria’) e Graziela (a cantora Patrícia Coelho, que na década passada participou do reality ‘Casa dos Artistas’) e o filho, Alexandre Abrão (Gustavo Mazzei). A formação clássica do Charlie Brown Jr é representada por Julio Oliveira (Champignon), Murilo Armacollo (Marcão), Rodolfo Martins (Thiago Castanho) e Matheus Severo (Pelado).

O personagem principal fica com o rapper catarinense DZ6, encontrado pela equipe via YouTube. “Sou muito fã, desde moleque. Parece um sonho o bagulho, né, meu?”, diz o rapper, já adaptado ao jeito de falar santista. O cantor-ator já tinha participado do programa ‘Máquina da Fama’, do SBT, e trouxe os músicos de sua banda, Billy Nugget (que faz covers do Charlie Brown Jr e hoje leva apenas seu nome, DZ6), para tocar no musical. “Ficamos impressionados com a semelhança dele com o Chorão. E ele não é um cover. A peça é um tributo. Queríamos alguém que tivesse personalidade”, conta Bruno. Deu trabalho até chegar ao time final: a produção recebeu cerca de quatro mil currículos para avaliar.

Retratado na peça, Alexandre, 24 anos, filho do vocalista, ajuda como pode. “Achava que musical não combinava com rock, mas vi que estava errado. Hoje mostro alguns dos trejeitos do meu pai para o DZ6. Ainda não assisti à peça, mas sei que vou me emocionar muito”, conta ele, que já dirigiu três clipes da banda e pré-produz o segundo filme com roteiro de Chorão, ‘O Cobrador’, que traz o ator Milhem Cortaz como protagonista.

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