O vento uivava pelas torres do castelo, carregando o frio da noite até os ossos. No salão vazio, os três se moveram como sombras, cada passo calculado. Olhares trocados diziam mais do que palavras jamais poderiam: Quem ousaria trair primeiro? Assim que os três retiram seus capuzes, Bianca diz que tinha certeza que Dora seria uma das traidoras. Dora passa a mão no cabelo e diz que agradece, dando risada, mas o riso é curto, quase nervoso. Rafael observa as duas, cruzando os braços, e solta um suspiro pesado antes de comentar que deveria estar surpreso, mas achava que já desconfiava delas duas desde que os traidores foram escolhidos. O silêncio que se segue é carregado de significado. Nenhum deles precisa explicar as razões, mas cada olhar trocado transmite planos não ditos, estratégias ocultas e a consciência do perigo que agora compartilham. Dora se aproxima da lareira apagada, os dedos roçando o metal frio, tentando controlar a ansiedade que insiste em subir pelo peito. Bianca dá um passo à frente, firme, como se quisesse marcar território, enquanto Rafael mantém a postura descontraída, mas a tensão nos ombros denuncia que ele também sente o peso da situação. Dora quebra o silêncio questionando o que eles devem fazer agora, tentando soar casual, mas a urgência em sua voz trai a verdade. Bianca sorri de um jeito frio, olhando de um para o outro e diz que chegou o momento deles agirem, que não havia mais tempo para hesitar e não teria como eles voltarem atrás. Rafael, por sua vez, joga a cabeça para trás e ri baixinho, um som que mistura medo e excitação dizendo que eles vão agir e jogar o jogo deles contra eles mesmos. E naquele instante, enquanto a sombra dos candelabros dançava nas paredes de pedra, algo mudou. Eles não eram apenas traidores por acaso, eram cúmplices de um plano que começava a tomar forma, e cada passo a partir dali carregaria o peso da traição e da ousadia.
O sol da manhã atravessava as altas janelas do castelo, iluminando o salão de café da manhã com uma luz tímida. O cheiro de pão fresco e café recém passado misturava-se com o frio das pedras, criando um clima de expectativa. O silêncio era cortado pelo tilintar de louças e o arrastar de cadeiras. O primeiro grupo entrou: Amélie, Leandro, Nathaniel e Rosiane. Conversavam casualmente, trocando cumprimentos e comentários sobre a noite anterior. Amélie desviou os olhos rapidamente para Leandro, mas Rosiane, posicionado mais à frente, captou o gesto e retribuiu com um leve aceno imperceptível. Nathaniel e Leandro riam baixo, sem perceber a tensão silenciosa que já começava a se formar. O segundo grupo trouxe Bernardo, Dimas, Icaro e Mauricio. Bernardo comentou sobre o café recém passado, e Dimas respondeu com uma risada. Icaro olhou ao redor da sala, curioso, tentando identificar aliados ou possíveis ameaças, mas Dora ainda não havia chegado, ele nem podia imaginar que logo encontraria um traidor ao seu lado. Mauricio se inclinou discretamente, avaliando as reações dos outros grupos, sem perceber os sinais sutis que se formavam entre os competidores. O terceiro grupo era formado por Bianca, Marcela, Sharon e Verônica. Bianca caminhava com passos calculados, trocando um olhar rápido e discreto com Dimas, que se mantinha atento em outro canto do salão. Marcela olhou para Bianca, achando-a concentrada demais, mas não suspeitou do que se passava. Sharon conversava animadamente com Rosiane, que gesticulava, sem notar o sorriso cúmplice que Bianca lançou na direção de Dimas.
O quarto grupo entrou: Estela, Helena, Penélope e Rafael. Rafael mantinha a postura calma, avaliando cada expressão e gesto dos fiéis. Penélope lançou um olhar curioso para Bianca, desconfiada de algo que ainda não podia definir. Estela e Helena se acomodavam nas cadeiras, conversando sobre o frio da manhã, sem perceber a tensão silenciosa que preenchia o salão. O quinto grupo trouxe Caio, Fabricio, Lorena e Matheus. Caio comentou sobre a noite anterior, enquanto Fabricio e Matheus riam. Lorena lançou um olhar rápido em direção à entrada, percebendo que Dora ainda não tinha chegado. Cada gesto aparentemente banal era observado com atenção pelos traidores, que buscavam oportunidades de manipulação silenciosa. O grupo de duas pessoas fechou a entrada: Dora e Núbia. Dora caminhava com passos calmos, mas seus olhos captavam cada detalhe da sala, registrando cada reação e cada pequeno gesto suspeito dos fiéis. Núbia sorria discretamente, alheia à tensão que a presença de Dora carregava, enquanto Dora discretamente avaliava posições e possíveis pontos de vantagem para os traidores. Enquanto todos se acomodavam, pequenas tensões surgiam: Um franzir de sobrancelhas aqui, um olhar rápido ali, um sorriso contido que passava despercebido. Bianca trocava gestos quase imperceptíveis com Rafael, Dora observava cada reação, e mesmo entre os fiéis, Penélope e Lorena sentiam uma pontada de desconfiança. O café da manhã começava, mas o jogo silencioso já estava em andamento, e cada xícara levantada carregava a tensão de segredos prestes a serem revelados.
O burburinho no salão de café da manhã diminuiu quase instantaneamente quando a grande porta de madeira se abriu com um rangido seco. Todos ergueram os olhos, curiosos e surpresos, enquanto Selton Mello atravessava a soleira, passos firmes e olhar intenso. O frio da manhã parecia evaporar diante da presença dele, o silêncio se fez completo, apenas o tilintar de louças na ponta da mesa quebrava a quietude. Selton parou no centro do salão, cruzou os braços e deixou o olhar percorrer cada grupo de participantes, como se pudesse enxergar não apenas o que estavam fazendo, mas o que pensavam. Sua voz, calma e carregada de autoridade, ecoou pelas pedras frias: "Bom dia, pessoal. Ou melhor... Bom dia para quem ainda pode se considerar seguro." Um leve sorriso se formou em seus lábios, quase imperceptível, enquanto os olhos cintilavam por entre os participantes. "A partir de hoje, não existe mais volta. Cada escolha, cada gesto e cada palavra vai contar. O jogo que vocês pensavam conhecer... Acabou. Daqui pra frente, nada será mais o mesmo." Os participantes trocaram olhares nervosos. Alguns sorriram de forma nervosa, outros engoliram seco, e os traidores mantiveram o semblante impassível, mas os olhos deles brilhavam com excitação e cálculo. Eles sabiam que essa era a hora de começar a agir, de jogar de verdade. Selton deu um passo atrás, deixando que suas palavras ecoassem pelo salão. O café da manhã, que antes era apenas um momento de rotina, se transformava agora em um campo minado de estratégias, segredos e suspeitas. Finalmente, Selton ergueu a mão, chamando a atenção de todos: "Terminem o que tiverem para comer, se acomodem, mas não demorem. Espero todos vocês no pátio do castelo. O jogo continua lá, e a partir deste momento, cada movimento conta." Um silêncio pesado percorreu o salão enquanto os participantes assimilavam a ordem. O pátio do castelo os aguardava, e ninguém podia mais se dar ao luxo de errar.
Missão #01: Todos os participantes se reuniam ao redor da enorme estrutura metálica no centro do pátio: Um brasão apagado, imponente, símbolo do prêmio coletivo que poderiam conquistar ou perder. Selton Mello caminhava lentamente diante do grupo, observando cada rosto, cada expressão, enquanto falava com a calma que carregava autoridade. "Hoje, o desafio acontece aqui, neste pátio." começou Selton, apontando para o brasão central. "No centro, vocês veem esta enorme estrutura metálica. Ela representa o prêmio coletivo. Mas, para acendê-la, é preciso mais do que força ou sorte. É preciso coordenação, estratégia... E atenção aos detalhes." Ele gesticulou para as estações espalhadas pelo terreno. "Cada um de vocês terá uma estação individual, idêntica às outras. Em cada estação, há uma pederneira, um pedaço de aço, corda de sisal, palha e um pequeno recipiente de carvão. A tarefa de cada jogador é acender sua própria chama, forte o suficiente para acender uma tocha pessoal." Os participantes se entreolharam, alguns franzindo a testa, outros respirando fundo. Selton continuou: "O objetivo oficial é simples: Pelo menos quinze tochas precisam estar acesas ao mesmo tempo. Só assim o grupo poderá transferir o fogo para os quatro pilares que cercam o brasão central. Quando os quatro pilares estiverem queimando simultaneamente, o brasão se acenderá e o prêmio integral será conquistado." Ele fez uma pausa, olhando para cada jogador, deixando o silêncio pesar sobre o grupo. "Mas nem tudo é fácil" disse, a voz ficando mais grave. "Se o número de tochas acesas cair abaixo de dez, cinco minutos serão automaticamente retirados do cronômetro. E lembrem-se: Vocês terão apenas meia hora para completar a missão." Selton caminhou em círculos, aproximando-se do grupo mais uma vez: "Durante a execução, vocês podem circular livremente depois de acender a própria chama. Podem ajudar os colegas... Ou sabotá-los. Cada decisão terá consequências imediatas. Coordenação, paciência e atenção aos outros serão tão importantes quanto a habilidade de acender a própria tocha." Ele parou no centro, com o brasão apagado atrás de si, olhando para os participantes com intensidade. "Agora, respirem fundo, alinhem-se com suas estações e lembrem-se: Daqui pra frente, nada será como antes. O tempo começa a contar assim que vocês estiverem prontos. Boa sorte!" disse Selton, deixando a tensão pairar no ar, e recuou para dar espaço à ação. O pátio inteiro parecia prender a respiração. Cada participante se preparava, olhos atentos aos colegas, mãos prontas para acender, ajudar... Ou sabotar. O jogo, novamente, mudava de tom: Agora, a chama de cada um podia decidir o destino de todos.
O sinal de Selton ecoou pelo pátio, e os participantes correram para suas estações. Cada um examinava rapidamente os materiais: Pederneira, aço, corda de sisal, palha e carvão. Alguns respiravam fundo, mãos trêmulas de nervosismo, outros pareciam confiantes, já testando movimentos e posições. Bianca, Dora e Rafael se espalharam estrategicamente. Bianca inclinou-se discretamente sobre sua estação, acendendo a primeira faísca com rapidez, mas mantendo os olhos atentos aos colegas próximos. Um olhar rápido para Marcela e Sharon mostrou que estavam observando cada detalhe, prontas para agir se alguém precisasse de "uma ajuda"... Ou de um pequeno atraso. Rafael, com calma calculada, começou a esfregar a pederneira contra o aço, enquanto observava o movimento de Penélope e Estela, que lutavam para manter suas tochas acesas. Um sorriso sutil passou pelos lábios de Rafael, ele sabia que um pequeno gesto podia decidir a diferença entre quinze tochas acesas e um desastre. Dora, por sua vez, caminhou rapidamente entre as estações já acesas, oferecendo ostensivamente um "conselho" a Lorena e Matheus. Lorena agradeceu, sem perceber que cada movimento de Dora era medido, cuidadosamente calculado para ganhar confiança enquanto manipulava discretamente o ritmo da prova. Enquanto isso, a tensão se espalhava entre os fiéis. Nathaniel e Amélie batiam o carvão com força, tentando manter a chama viva, enquanto Rosiane olhava para os lados, percebendo os olhares rápidos trocados entre os traidores, mas sem saber exatamente o que significavam. O som das faíscas, do estalar da palha e o cheiro da fumaça preenchiam o pátio, tornando tudo mais intenso e palpável. O cronômetro começava a contar, e logo quinze tochas começaram a brilhar simultaneamente. Alguns participantes comemoraram discretamente, aliviados, mas Selton observava de longe, impassível. Ele sabia que a verdadeira prova não era apenas acender o fogo, era manter a chama, coordenar o grupo e resistir às pequenas sabotagens que poderiam surgir a qualquer momento. Bianca inclinou-se sobre Marcela, sussurrando uma sugestão aparentemente inocente. Marcela seguiu o conselho, mas a ação atrasou ligeiramente sua tocha. Rafael se aproximou de Penélope, oferecendo um gesto de ajuda que fez com que ela ajustasse a palha de forma desnecessária, perdendo preciosos segundos. Dora, por fim, fez uma pequena distração com Núbia, chamando sua atenção para um detalhe irrelevante, apenas para verificar a reação dos outros ao redor. No pátio, cada chama acesa não era apenas um símbolo de progresso, era um campo minado de decisões, olhares e intenções ocultas. Os traidores já mostravam sinais sutis de manipulação, enquanto os fiéis lutavam contra o tempo e contra si mesmos, tentando manter o ritmo e a coordenação do grupo. O jogo realmente não tinha mais volta. Cada passo, cada faísca, cada interação podia mudar o rumo da prova... E do prêmio que dependia de todos eles.
O pátio fervilhava com o calor das tochas, mas a tensão estava longe de diminuir. Quinze tochas haviam sido acesas, mas a coordenação ainda era frágil. Cada participante corria entre o vento, a fumaça e o calor, tentando manter suas chamas firmes. Um descuido podia custar preciosos segundos, ou pior, minutos do cronômetro. Bianca se aproximou de Marcela, sorrindo de maneira amigável, e sugeriu ajustar a posição da palha. Marcela fez o que parecia um pequeno ajuste inocente, mas sua tocha oscilou por um instante. No canto do pátio, Rafael observava Penélope e Estela tentando reacender suas chamas vacilantes. Ele se ofereceu para ajudá-las com um gesto discreto, mas em vez de simplesmente estabilizar, Rafael apontou ligeiramente o carvão de forma a dificultar o contato da palha com a faísca. A tocha tremeluzia, e o tempo perdido foi suficiente para reduzir o número de tochas acesas para quatorze. Dora, por sua vez, circulava entre Núbia e Lorena, oferecendo conselhos e ajudando com o carvão. Mas cada gesto de ajuda era calculado: Quando Núbia ajustou sua tocha, Dora propositalmente se inclinou sobre o lado oposto da chama, provocando uma pequena corrente de ar que ameaçava apagar a faísca. Lorena olhou para Dora, desconfiada, mas não conseguiu identificar o que havia de errado. O cronômetro sinalizou uma perda de cinco minutos automaticamente, porque o número de tochas havia caído abaixo de dez por alguns segundos em outra ponta do pátio. Os fiéis começaram a murmurar preocupados, acelerando os movimentos e tentando reacender cada chama instável. A tensão se espalhou como o fogo que eles lutavam para controlar. No centro, o brasão ainda permanecia apagado. Cada pilar, ainda intacto, parecia mais distante a cada oscilação das tochas. Enquanto alguns participantes colaboravam genuinamente, outras interações sutis dos traidores criavam hesitação, pequenas falhas e dúvidas. Um olhar rápido de Bianca para Rafael indicava que eles estavam coordenando silenciosamente os próximos passos, decidindo quem "ajudaria" e quem poderia ser distraído. Os fiéis, por sua vez, tentavam se concentrar, sem perceber que cada gesto, cada conselho aparentemente inocente e cada aproximação sorridente podia estar sendo manipulada. A prova, que no início parecia apenas sobre habilidade e coordenação, se transformava agora em um jogo psicológico: Cada tocha acesa era uma vitória momentânea, mas também uma oportunidade de traição cuidadosamente calculada. O cronômetro corria, o fogo tremeluzia, e o pátio inteiro parecia respirar junto com cada participante.
O pátio estava em ebulição. Quinze tochas firmes piscavam aqui e ali, mas várias já oscilavam perigosamente. O calor do fogo misturava-se ao calor da ansiedade, cada participante estava concentrado, suor escorrendo pela testa, mãos trêmulas, tentando manter o fogo aceso. Bianca se aproximou de Marcela mais uma vez, desta vez com um sorriso aparentemente encorajador dizendo que era para ela lhe deixar a ajudar a estabilizar a chama, enquanto se inclinava sobre a tocha. Mas enquanto ajustava a palha, ela tocou levemente o carvão de um jeito que provocou pequenas faíscas voarem para o lado, fazendo a chama de Marcela vacilar e quase apagar. Marcela arregalou os olhos e reagiu rápido, mas os segundos perdidos foram suficientes para reduzir o número de tochas acesas. Rafael circulava pelo centro do pátio, ainda observando atentamente Estela e Penélope, que lutavam para manter suas chamas. Ele se aproximou, oferecendo ajuda, e com um gesto sutil ajustou a corda de sisal de Estela, que agora tremeluzia mais do que antes. Penélope olhou para ele com uma pontada de desconfiança, mas Rafael sorriu de maneira convincente e recuou, deixando a sensação de dúvida se espalhar pelo grupo. Dora aproveitou o momento de confusão para circular novamente perto de Núbia, que ainda tentava reacender sua tocha instável. Com um gesto quase imperceptível, Dora soprou levemente na direção da chama, desviando o fluxo de ar e fazendo o fogo tremer. Núbia franziu a testa, sem entender o que havia acontecido, enquanto Dora se afastava calmamente, mantendo a expressão neutra. O número de tochas acesas começou a cair perigosamente. Alguns fiéis corriam de um lado para o outro, ajudando colegas, acendendo palhas, empurrando carvão, enquanto outros tentavam manter a calma. O brasão central continuava apagado, os quatro pilares ainda intactos, e cada oscilação de uma tocha parecia aumentar a tensão no ar. Selton Mello observava de longe, impassível, como sempre. Mas seus olhos percorriam cada gesto, cada olhar, cada decisão. Ele sabia que aquele era o ponto crítico da prova: Ou os fiéis se coordenavam perfeitamente para reacender todas as tochas e ativar os pilares, ou os traidores conseguiriam manipular pequenas falhas para minar o resultado coletivo. O cronômetro marcava os últimos minutos. O pátio inteiro parecia prender a respiração. Cada chama acesa se tornava um símbolo de esperança, mas cada pequena falha, cada gesto suspeito, podia significar a diferença entre o prêmio total ou a perda parcial. O jogo chegava ao limite, todos correndo, ajudando, vacilando... E os traidores, sorrindo silenciosamente, observando cada oportunidade de virar o resultado a seu favor.
O cronômetro marcava os últimos segundos, e o pátio estava em completo caos: Tochas tremeluzindo, participantes correndo, mãos queimando, respiração ofegante. Quinze tochas precisavam estar acesas simultaneamente, mas agora eram apenas doze. O tempo estava se esgotando. Bianca, Rafael e Dora trocavam olhares discretos. Um leve gesto de Bianca para Rafael e eles avançaram estrategicamente para os pilares. Com mãos firmes e movimentos calculados, ajudaram a direcionar o fogo das tochas que ainda brilhavam. Aos poucos, os quatro pilares começaram a pegar fogo, um após o outro, até que, finalmente, o brasão central acendeu, lançando uma luz quente e dourada sobre todo o pátio. Um suspiro coletivo percorreu o grupo. Alguns participantes comemoraram discretamente, aliviados, outros simplesmente caíram de joelhos, exaustos. Mas, no meio da multidão, os traidores mantinham a expressão serena, quase triunfante. Eles sabiam que haviam controlado pequenos detalhes, aproveitado hesitações e manipulado distrações para garantir que o brasão fosse aceso, sem que ninguém suspeitasse de sua intervenção. Nathaniel e Amélie se abraçaram rapidamente, sorrindo de alívio, sem perceber os olhares trocados entre Bianca e Rafael. Penélope franziu a testa, estranhando alguns gestos que passaram despercebidos pelos demais, mas não conseguiu identificar o que havia acontecido. Dora, discretamente, se afastou, deixando Núbia olhar para a chama estabilizada, enquanto mantinha o semblante neutro. Cada traidor sabia que aquele momento de vitória coletiva era, na verdade, fruto de uma manipulação silenciosa. A tensão agora se tornava ainda maior, os fiéis comemoravam, mas a presença invisível da traição pairava sobre eles como uma sombra. Selton Mello permaneceu observando, com a expressão calma de sempre. Ele cruzou os braços e depois de alguns segundos, falou: "Parabéns a todos que conseguiram acender o brasão. Mas lembrem-se: Nada será como antes. Hoje, o fogo mostrou que cada decisão conta e que a cooperação pode ser frágil diante de intenções ocultas." O pátio, antes marcado pela correria e pelo caos, agora respirava uma tensão diferente. O jogo seguia adiante, e todos, fiéis e traidores, sabiam que dali em diante cada passo, cada escolha e cada gesto seriam decisivos. O prêmio havia sido conquistado, mas a verdadeira batalha entre confiança e traição apenas começava.
Enquanto o brasão continuava queimando no centro do pátio, os participantes começaram a se reunir aos poucos, ofegantes e suados, trocando comentários sobre a prova. Nathaniel disse que nunca pensou que seria tão difícil manter todas as tochas acesas, olhando para o chão, ainda recuperando o fôlego. Amélie, segurando a mão sobre a testa e rindo nervosamente respondeu que quase desistiu quando a sua começou a vacilar, mas que por fim eles conseguiram! Penélope, ainda apreensiva, olhou para os lados, desconfiada e questionou se alguém mais achou estranho como algumas tochas "recuperaram" a chama tão rápido, quase parecendo que alguém ajudou de propósito. Rosiane ergueu as sobrancelhas e Dimas riu baixo dizendo que achava que ela estava vendo conspirações em tudo e que eles apenas tiveram sorte. Do outro lado, Bianca, Dora e Rafael trocavam olhares rápidos e discretos. Pequenos sorrisos surgiam nos cantos da boca deles. Sussurrou Bianca disse para Rafael que eles conseguiram e o rapaz completou que conseguiram sem que ninguém percebesse. Enquanto alguns comemoravam e outros ainda tentavam entender cada detalhe da prova. Em seguida eles foram liberados para dispersar pelo castelo. Enquanto caminhavam de volta para dentro do castelo, Matheus dizia que esperava que a hidromassagem estivesse disponível para eles.
A noite caiu pesada sobre o castelo. As tochas nos corredores projetavam sombras alongadas nas paredes de pedra enquanto Bianca, Dora e Rafael caminhavam em silêncio até a porta do Conclave. Nenhum deles falava, mas o som dos passos ecoando denunciava o peso do que estava por vir. A porta se abriu lentamente. O salão estava à meia-luz, iluminado apenas por velas altas dispostas em círculo. No centro, a mesa redonda aguardava os três. Ali, não eram mais participantes misturados aos outros. Ali, eram Traidores. Bianca foi a primeira a entrar, mantendo o olhar firme. Dora passou os dedos pela superfície fria da mesa antes de ocupar seu lugar. Rafael fechou a porta atrás de si, o clique da madeira soando quase definitivo demais. Segundos depois, outra porta se abriu. Selton Mello surgiu das sombras, expressão séria, passos calculados. Ele parou diante dos três e deixou o silêncio se instalar, pesado, denso, quase sufocante. "Parabéns pela atuação de hoje" começou ele, a voz calma, mas carregada de intenção. "O brasão foi aceso. O prêmio coletivo foi protegido. Mas esta noite... O jogo deixa de ser coletivo." Os três mantiveram o semblante neutro, atentos. Selton caminhou lentamente ao redor da mesa. "A tarefa de vocês é simples. E definitiva. Vocês deverão escolher um dos fiéis para ser morto.". Ele fez uma pausa. "Sem votação pública. Sem direito de defesa. Sem segunda chance." O ar pareceu mais frio. Selton colocou sobre a mesa um pergaminho envelhecido e uma pena tinteiro. "Escrevam o nome da pessoa que desejam matar. Assinem juntos essa decisão. O pergaminho será entregue ao participante escolhido... E ele deixará o jogo imediatamente." Bianca respirou fundo. Dora manteve o olhar fixo no pergaminho. Rafael cruzou os braços, avaliando mentalmente as possibilidades. "Lembrem-se" completou Selton, aproximando-se "Cada eliminação muda o equilíbrio do jogo. Escolham com estratégia. Escolham com frieza. Porque a partir deste momento... Vocês não estão apenas reagindo. Estão conduzindo o destino do castelo." Ele deu um passo atrás. "O Conclave é de vocês." A porta se fechou. E o silêncio voltou a dominar o salão. A pena aguardava. O nome de alguém estava prestes a ser escrito. E, com ele, a primeira morte da temporada.
Bianca quebrou o silêncio primeiro. "Nathaniel é uma opção óbvia." disse, apoiando os cotovelos na mesa. "Ele atrapalhou na prova. Ficou nervoso, deixou a tocha apagar duas vezes. Dá para construir uma narrativa fácil em cima disso." Rafael assentiu lentamente. "É justificável. Se ele sair, ninguém estranha. Mas também pode parecer conveniente demais... Eliminar quem já estava fragilizado pode levantar suspeitas de manipulação." Dora inclinou a cabeça, pensativa. "Concordo. Ele é uma saída segura... Mas talvez segura demais." O nome pairou no ar por alguns segundos antes de Bianca continuar. "Bernardo" sugeriu ela. "Ele ainda não se encaixou totalmente com o grupo. Está meio à margem. Não criou alianças fortes." "Justamente por isso pode ser perigoso eliminar" rebateu Rafael. "Quando alguém fora do grupo sai cedo demais, as pessoas começam a questionar por quê. Pode gerar investigação." Dora tamborilou os dedos na mesa. "Mas ele também não deixa rastro. Não tem quem o defenda com força. É uma eliminação limpa." O silêncio voltou a crescer. "Rosiane" disse Rafael, finalmente. "Ela observa demais. Fala pouco, mas percebe muito. Hoje, durante a prova, ela ficou analisando tudo." Bianca assentiu imediatamente. "Ela pode virar uma rival estratégica. Não é emocional. É analítica." "Exato!" completou Dora. "Se alguém pode juntar peças cedo demais é ela." O clima mudou. Pela primeira vez, a escolha parecia mais preventiva do que conveniente. Mas Bianca ainda não havia terminado. "Tem a Verônica." Rafael ergueu os olhos. "Se Verônica sair, a suspeita pode cair automaticamente sobre Sharon. Existem algumas faíscas acontecendo ali. Pode gerar conflito entre os fiéis." Dora abriu um leve sorriso. "Criar ruído interno... Dividir antes que eles se organizem. É uma jogada mais ousada" ponderou Bianca. "Não é a opção mais fácil. Mas pode ser a mais estratégica." O pergaminho continuava vazio. A pena repousava ao lado da tinta, como se aguardasse apenas um impulso. Nathaniel seria a escolha segura. Bernardo, a eliminação silenciosa. Rosiane, a ameaça preventiva. Verônica, o caos calculado. Quatro nomes. Uma decisão.
Conheça os personagens: Amélie Claveaux, Bernardo Azevedo, Bianca Nogueira, Caio Montenegro, Dimas Hadlich, Dora Machado, Estela Martins, Fabricio Molinaro, Helena Brandão, Icaro Figueiredo, Leandro Vasconcelos, Lorena Bastos, Marcela Coutinho, Matheus Lacerda, Mauricio Campos, Nathaniel Puig, Núbia Bianchi, Penélope Falcão, Rafael Pacheco, Rosiane Seta, Sharon Sheetarah e Verônica Lux.
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