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terça-feira, 23 de julho de 2024

Bruna Entrevista: 13x36 - Eduardo Pelizzari


Olá, olá... Tudo bem, queridos leitores? Então que hoje é dia de conferir mais uma entrevista inédita aqui no blog, olha que bacana? E o nosso convidado de hoje é bem conhecido da galera que acompanha cinema, teatro, novelas, etc... Convidamos o querido ator Eduardo Pelizzari, para conhecer um pouco mais da sua trajetória artística e algumas de suas experiências. Vem conferir comigo como foi esse papo!

Bruna Jones: Você começou a sua carreira como ator ainda muito jovem, mas antes da gente falar sobre alguns projetos, vamos voltar um pouco no início... Qual foi o seu primeiro contato com esse mundo das artes cênicas e o que te motivou a buscar uma carreira nela?
Eduardo Pelizzari: Eu tive uma avó que era pedagoga, ela teve um colégio, né? Ela fundou um colégio chamado "Colégio Santos e Udinha". E lá atrás quando eu ia dormir na casa dela, ainda muito jovem, em vez de ela me colocar para assistir desenho, ela me colocava para assistir "Mazaropi", me colocava para assistir "O Gordo e o Magro", me colocava para assistir "Chaplin", "Os Três Patetas". Então eu acho que de alguma forma eu comecei a me encantar pela ideia de contar histórias de uma forma artística desde muito cedo, graças à inspiração dessa minha avó. Eu acho que, de alguma forma, ela percebeu em mim um lugar artístico como pedagoga durante tantos anos, e começou a me inspirar e a me motivar a consumir arte nesse âmbito. Eu comecei a fazer teatro objetivamente na igreja, para fugir da missa, rs.... A companhia de teatro ensaiava enquanto a missa acontecia para as apresentações da própria igreja. Então eu comecei a experimentar a sensação do palco, do teatro, na igreja. Contando histórias religiosas. E aí a partir disso eu percebi a paixão real que existia pelo teatro, pelas artes cênicas, pela interpretação. Sempre gostei muito de Ariano Suassuna também. Gosto da forma que ele conta histórias, gosto da forma que ele enxerga a narrativa. E aí eu comecei a estudar teatro, quando eu tinha 15 anos, foi em 2000 no Teatro Escola Macunaíma ali da Marechal Teodoro. Foi o meu primeiro contato real com o teatro. 

Bruna Jones: Como eu disse, você começou a carreira bem jovem e rapidamente acabou fazendo sucesso por se tornar um dos personagens principais de uma novela popular adolescente. Como foi para você essa experiência de já entrar na televisão em um projeto de audiência e ter que saber lidar com toda a atenção que de repente começou a obter entre os fãs e até mesmo a mídia?
Eduardo Pelizzari: Eu comecei a estudar com 15 anos teatro, me formei no Teatro Escola Macunaíma com 18 para 19 anos e realmente comparado a muitos amigos, muitos colegas de profissão, eu fui muito abençoado em ter um retorno rápido midiático, um retorno rápido da profissão. Com 21 anos eu comecei a fazer "Malhação" graças a esses três anos, entre 18 e 21 anos fazendo publicidade, no começo dos anos 2000 as publicidades eram muito populares na televisão, tinham narrativas, tinham roteiro e isso era um ótimo cartão de visita para jovens atores. Muitos atores foram encontrados através das agências de publicidade. Enfim, através de uma campanha muito grande que eu fiz do "Guaraná Kuat", eu fui convidado no ano seguinte para fazer o teste da "Malhação". E aí eu fui para o Rio de Janeiro pela primeira vez, sozinho, muita gente, muitas pessoas, gente de todo o Brasil. Eu acho que na época era o grande sonho dos jovens atores era fazer "Malhação" e eu fui escolhido no meu primeiro teste na Globo, eu fiz "Malhação", o que foi um ótimo cartão. Um ótimo cartão de visitas para a profissão, assim, né? Eu era muito jovem, confesso que eu era muito jovem, confesso que eu poderia ter aproveitado melhor a oportunidade, embora seja um momento de chegada também para todos os artistas, né? Todos os atores jovens. Me faltou um pouco de maturidade para aproveitar melhor a oportunidade, mas ainda assim eu guardo boas recordações e foi uma experiência muito bacana, meu primeiro contato na televisão, assim. Foi muito importante fazer "Malhação".

Bruna Jones: Aliás, uma dinâmica que mudou bastante desde o momento em que você começou a sua carreira para os dias de hoje, é a maneira como fãs e a mídia se relacionam com os artistas. Antigamente era preciso que revistas, programas de televisão e jornais acabassem ajudando o ator a divulgar seus projetos ou até mesmo esses veículos eram capazes de trazer desinformação e o ator não ter como se defender pelos veículos limitados... Hoje tudo mudou com as redes sociais, principalmente pelo Instagram. Como é para você, ter esse canal direto com o seu público onde você pode compartilhar tudo, desde projetos até mesmo momentos mais íntimos e coisas do tipo?
Eduardo Pelizzari: Primeiro em relação a essa ideia de fã, eu nunca alimentei o fã, porque o fã é uma abreviação da palavra fanatismo, e eu acho que qualquer tipo de fanatismo é prejudicial, não só a quem recebe, porque cria uma falsa sensação de idolatria própria, mas na pessoa que também está direcionando toda a sua energia à vida de uma outra pessoa que ela mal conhece e deixando de olhar as próprias questões, então quando eu era mais jovem, desde muito cedo eu tive essa consciência, então eu não alimentei muito e isso pode ser bom como pode ter sido ruim pra minha carreira, porque em algum momento eu vi muitas pessoas alimentando essa ideia de fã, de fã-clube, enfim, mas eu nunca gostei muito disso, não é que eu nunca gostei, mas nunca alimentei muito justamente por esse motivo que eu expliquei. Alguns anos depois eu comecei a perceber pessoas que não eram fãs, mas que gostavam do meu trabalho e acompanhavam o meu trabalho, num lugar humano mesmo, num lugar não fanático. E eu tenho uma história muito boa em relação a isso, que são duas irmãs, que é a Bruna e a Bianca. Meninas que me acompanham desde os 12, 13 anos, todas as peças que eu fazia elas iam, na época acho que era o Orkut, me mandavam mensagem, e eu lembro que elas não conseguiam conversar comigo, elas ficavam muito bloqueadas, impactadas. E um dia eu olhei para elas e falei assim: "Vamos fazer um piquenique amanhã no Ibirapuera? Se vocês gostam do meu trabalho, eu quero que vocês me conheçam, e eu também quero conhecer vocês." E hoje elas são mulheres formadas, né, com o próprio trabalho delas, com a vida delas, e a gente tem um contato, um carinho, tem o WhatsApp delas, elas me mandam um recado, eu mando um recado pra elas, mas deixou de ser fã e virou parceiros de jornada, onde eu acompanho também o processo delas e elas me prestigiam no teatro, veem minhas novelas e a gente fala sobre isso. Agora, em relação à internet, em relação à divulgação do próprio trabalho, eu acho que a internet vem de uma forma muito positiva para democratizar o acesso das pessoas ao consumo artístico. Enfim, hoje em dia você não fica muito co dependente do eixo Rio-São Paulo para poder ser escalado para um trabalho. Hoje existem algumas plataformas de divulgação, o próprio Instagram, o próprio YouTube que democratiza um vídeo que você faça no interior da Paraíba por exemplo, pode chegar grandes produtores não tem mais essa centralização da divulgação do trabalho da arte, por outro lado a internet tem um lugar muito perigoso também, que é essa falsa sensação de vidas utópicas, onde as pessoas se espelham ou se comparam com uma vida mentirosa de pseudo celebridades, rs... Que colocam a vida como um estado perfeito, como uma "família margarina", como se diz. Eu tento usar a internet de uma forma muito tranquila, sem expor muito a minha vida, sem abusar muito dessa necessidade de compartilhamento, mas uso de forma profissional pra divulgar meus trabalhos, pra divulgar meus espetáculos, minhas novelas, compartilhar com as pessoas que gostam, meu processo com meu filho, também, que eu acho importante esse movimento da paternidade, da paternidade solo, onde se fala tanto do abandono, mas compartilho com certas limitações, assim.

Bruna Jones: Apesar de uma longa carreira na televisão e no cinema, você também é bem engajado com o teatro. Você acredita que o teatro é o local onde os atores realmente podem se colocar à prova do que são capazes, muito pelo fato de não ter como refazer uma cena e ter que lidar com os imprevistos de uma apresentação ao vivo?
Eduardo Pelizzari: Sim, sim, o meu berço é o teatro, a minha bússola artística são as artes cênicas, é o tablado, é o palco, é a cortina, é o terceiro sinal, eu vivo muito a base do teatro, é o que me provoca. Eu passei alguns anos no Teatro Oficina, que é uma grande companhia de teatro, faço teatro frequentemente, inclusive ontem, vou aproveitar o espaço, ontem comecei a ensaiar um novo projeto chamado "Mercador de Veneza", é uma peça do William Shakespeare, que muito provavelmente a gente vai estrear no Sesc Santana, agora em agosto, com o Dan Stuba, um elenco super, super bacana. Então eu também aproveito esse espaço para divulgar o espetáculo. Eu sempre falo no final de todas as apresentações, quando eu sou designado a agradecer a presença do público é dizer que mesmo uma obra de arte como teatro, que se repete todas as noites, nunca é igual, sempre é diferente, porque é uma arte viva. A respiração de alguém na plateia muda, uma risada no momento que nunca acontece muda, alguém que sai no meio da peça muda, e nós atores também estamos vivos, vivendo diariamente se transformando, cada dia nós estamos diferentes, cada acontecimento na vida de um artista no dia de apresentação ou na semana da apresentação muda o seu estado de espírito e o personagem muda como o ser humano muda.

Bruna Jones: Inclusive, você já passou por alguma situação inusitada enquanto estava nos palcos? Ou então algum momento engraçado do qual você acabou saindo do personagem ou precisou "lutar" muito para permanecer concentrado no que estava fazendo? Pode compartilhar com a gente?
Eduardo Pelizzari: Sobre algum imprevisto... Eu fiz um espetáculo ano passado, né, lá no Tuca Arena, uma adaptação de um conto do Luiz Fernando Veríssimo, que pela primeira vez em 20 anos de teatro, eu tive um branco, um branco total, assim. E as pessoas sempre me perguntavam, Dudu, por acaso já teve algum branco? Eu falo: "Cara, impressionantemente, não". O que que aconteceria se você tivesse um branco aí? e "Acho que eu ficaria calmo, respiraria..." e aí eu entendi o verdadeiro significado da palavra branco porque um branco é um é um BRANCO assim, você não lembra o texto, você entra em estado, assim, é muito interessante, rs... Eu nunca tinha vivido isso, assim, foi um branco total, porque você não sabe o texto, você não sabe como agir, eu travei, eu tive que parar, e aí eu olhei pra minha colega de cena, ela percebeu que tinha acontecido alguma coisa, ela parou também, ficou olhando pra minha cara, eu tive que respirar, olhar em volta e voltar e obviamente que as pessoas não percebem, mas dentro de nós acontece um... Assim, sabe quando dizem que antes de você morrer passa um filme da sua vida na sua cabeça? Foi o que aconteceu, passou um filme da minha vida e eu pensando "uau, eu não tenho ideia o que eu falo agora" mas o teatro é uma arte viva, como eu disse anteriormente.

Bruna Jones: Ainda sobre o teatro, você acabou ganhando bastante destaque na mídia por causa da peça "O Banquete do Platão", principalmente por causa de cenas de nudez. Como foi para você ver alguns veículos meio que resumindo a noticiar somente sobre esse assunto? E o que você pensa sobre a nudez em cena, seja ela no teatro, cinema ou televisão?
Eduardo Pelizzari: Eu fiz "O Banquete do Platão", um texto clássico que é estudado em universidades de filosofia, artes cênicas. É um texto muito importante da nossa história. O Teatro Oficina é uma das companhias mais importantes do Brasil, acho que não só do Brasil, mas do mundo, com uma sede lindíssima, que é uma obra da Lina Bubardi, considerada um dos teatros mais bonitos do mundo. E achei interessante como o que mais se falou sobre essa obra, ou sobre o meu trabalho nessa obra, foi sobre a nudez. E aí a gente entende o momento que talvez não só o Brasil, mas o mundo está vivendo, sobre a transformação do ser em produto, e como esse produto é mais vendável ou menos vendável, como o corpo se torna cada vez mais uma embalagem atrativa na prateleira da vida. Foi um trabalho tão importante, tão significante para mim como artista, em entendimento, contato com o Zé Celso. Mas sim, o que fez... O que fez esse trabalho se tornar reconhecido nacionalmente foi a nudez do projeto, que na verdade era um detalhe dessa narrativa, era um processo de transformação do personagem. Mas provoco a resposta com essa indagação, né? No porquê o Brasil consome tanto isso, o que falta internamente dentro de cada um de nós para buscar tanto a pornografia, para buscar tanto a vulgarização do corpo feminino nas campanhas publicitárias. Porque é tão desejado, né? Porque é tão... Enfim, acho que é uma pergunta que eu refaço ao entrevistado.

Bruna Jones: Falando um pouco agora sobre os seus personagens... Você já teve a oportunidade de interpretar diversos tipos de papéis e acredito que para cada um você teve uma preparação diferente, não é mesmo? Como costuma ser o seu processo criativo quando recebe um personagem novo? 
Eduardo Pelizzari: Em relação ao processo criativo, é um campo muito interessante da construção teatral e da visão que o ator tem daquele personagem, a visão que o ator tem do mundo, a visão que ele tem de si mesmo. Eu transitei muito, eu fiz muitos papéis diferentes em muitos tipos de produções diferentes, eu fiz um traficante de droga na série "Dom", preso, usuário de cocaína, fiz uma novela infantil, "Carinha de Anjo", acabei de fazer "Dona Beija", um delegado gay, na "Malhação" eu fiz um bad boy, no teatro eu fiz um homem político de direita agora, agora eu vou fazer um criado. As transições... Acho que é uma das coisas que mais me interessam na profissão, o fugir da mesmice do ser, o deixar de ser um pouco si e também ser mais si, porque eu acredito que a construção não é a imitação de alguém ou a imitação de algo, mas é um cavoucar dentro de si e entender o que... O como você seria se fosse aquilo, sabe? O Eduardo, o Eduardo ator, que... Como ele seria se ele fosse um traficante de droga realmente, não olhar um traficante de droga e imitar esse traficante de droga, porque mais que eu tente imitar alguém eu não conseguiria porque tem traços meus. Então ao invés de imitar alguém, por que não vasculhar dentro de mim? Todos são muito difíceis, assim, todos exigem muita dedicação, muito empenho. Eu gosto muito desse processo, assim, e me apaixono pelos personagens quando eles vão se revelando, e nem eu tenho total consciência e controle do tempo que eles demoram a serem revelados, assim, que eles se revelam. É um processo muito gostoso, assim, que eu acredito que seja muito semelhante à composição de uma música para um compositor ou a pintura de uma tela para um artista plástico. Isso vai se revelando conforme a manipulação das sensorialidades, dos entendimentos que vão se materializando.

Bruna Jones: Agora em junho você estreou uma série na Record chamada "A Rainha da Pérsia", como foi a preparação para esse projeto?
Eduardo Pelizzari: "A Rainha da Pérsia" foi um presente, eu fui convidado no início da novela para fazer um outro personagem, só que como eu estava encerrando as gravações de "Dona Beija" para a HBO, eu não consegui fazer essa produção desde o início, então eu fui convidado pelo Léo Miranda, que é o diretor-geral, um grande amigo, um artista fantástico, para fazer essa participação, ele chama de participação afetiva, e enfim, eu sempre fico muito feliz em fazer parte das produções bíblicas, porque me volta à origem de onde eu comecei a fazer teatro, na igreja, como uma forma de transformação, então eu tive o privilégio de poder contar um pouco mais dessa história, através da direção sensível e fabulosa do Léo, que assume a direção geral. Ele é o principal da Record, da dramaturgia, e mostra o quão ele é talentoso, o quão ele é visceral e sensível, em poder contar essas histórias bíblicas, que é um veículo de transformação para tanta gente, salva tantas vidas, modifica tantas histórias, então para mim é um processo muito, muito, muito feliz, de olhar para esses personagens e me imaginar como ser eles.

Bruna Jones: Mudando um pouco o assunto, em 2018 você participou do "Dancing Brasil". Como foi essa experiência de participar de uma competição de dança? Qual foi o momento mais difícil que você teve ao longo desta competição?
Eduardo Pelizzari: O "Dancing Brasil" foi uma das experiências mais divertidas e desafiadoras da minha vida, foi muito legal, foi um processo muito intenso, acho que eu passei três meses, quatro meses, vivendo a dança em contato com aquela parceira, Dani De Lova, que foi uma grande artista que me ensinou muito sobre arte, sobre entrega, sobre sensibilidade. Então, eu amei, era muito desafiador para mim, e gerava um estado de compensação também muito satisfatória no fim de cada apresentação, com as notas, quando eu via que não era desclassificado, eu entrei para participar num lugar de "Eu não sei dançar, vai ser uma experiência para aprender, para se divertir." E aí, conforme as semanas foram passando e as pessoas foram eliminadas, eu fui permanecendo, então, acho que foi acendendo em mim um desejinho de, "Será que eu consigo ganhar isso?" Mas, obviamente, tinham pessoas muito mais bem preparadas, enfim, foi muito bacana, foi uma experiência muito, muito, muito feliz.

Bruna Jones: Já estamos no segundo semestre do ano, mas ainda assim, tem novidades vindo por aí? Algo que possa compartilhar com a gente?
Eduardo Pelizzari: Estou começando a ensaiar "O Mercador de Veneza", uma das poucas comédias do William Shakespeare. É a minha primeira vez montando um Shakespeare, então estou muito feliz. Acho que é um grande desafio para todos os grandes atores, é um dia subir no palco e encenar um Shakespeare, pela relevância, pela importância do dramaturgo em toda a história e pela complexidade dos personagens. 

Bacana a nossa conversa, não é mesmo? E ele ainda deixou um recadinho antes de ir, olha só: "Um recado para os meus fãs é isso, acompanhem o meu trabalho, eu faço com muito carinho, com muito afeto, com muita dedicação. É uma das coisas mais importantes da minha vida, então tudo que eu entrego, eu entrego com muita paixão. Eu vibro muito com cada conquista, com cada novo desafio. Então o que eu posso prometer e desejar aos meus fãs é isso, é que sigam acompanhando. E eu agradeço todo o carinho, todo o afeto depositado nessa arte, que eu faço com tanto amor." e se vocês quiserem continuar acompanhando ele nas redes sociais, basta procurar por @dudupelizzari no Instagram, beleza?

Espero que vocês tenham gostado da entrevista de hoje, em breve retornarei com novidades. Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?

terça-feira, 11 de junho de 2024

Bruna Entrevista: 13x29 - Jo Werner


Olá, olá... Tudo bem, queridos leitores? Então que hoje é dia de conferir mais uma entrevista inédita aqui no blog, olha que bacana? E o nosso convidado de hoje é alguém que trabalha na área da saúde, mas que recentemente esteve entre os 100 confinados da segunda temporada de "A Grande Conquista" da Record, estou falando do querido Jo Werner, que aceitou vir compartilhar um pouco de suas experiências com a gente. Vem conferir!

Bruna Jones: Esse ano você ganhou fama nacional após participar da segunda temporada do "A Grande Conquista" da Record, mas antes da gente falar mais sobre isso, vamos voltar um pouco... Você é estudante de medicina, certo? O que te chamou atenção nesta profissão e lhe fez decidir que buscaria uma carreira nessa área?
Jo Werner: Busquei a medicina porque sempre me interessei pela área da cardiologia no começo do curso e depois acabou virando uma homenagem para a minha avó que acabou falecendo por erro médico, prometi a ela dar o meu melhor para os meus pacientes não passarem por isso. 

Bruna Jones: Sabemos que uma carreira na medicina não é para qualquer um, pois depende de muitos fatores, principalmente investimento nos estudos. O que você diria para alguém que está pensando em prestar vestibular na área?
Jo Werner: Se é o teu sonho, se joga, foca que o resultado vem, mas caso a aprovação não venha, levante a cabeça e veja as outras oportunidades da vida, como por exemplo estudar fora do Brasil. 

Bruna Jones: Como eu disse anteriormente, você acabou participando do "A Grande Conquista" da Record. O que te motivou a fazer parte do elenco do reality show e ficar confinado ao lado de outras 99 pessoas? Você chegou a assistir a temporada passada para se informar e se preparar para a sua?
Jo Werner: Eu sempre quis participar de um reality show, ter a experiência de ficar confinado e gravado 24 horas por dia e principalmente ser o primeiro participante da minha cidade a ir em um programa como o que eu participei e sim, assisti muito "A Grande Conquista" do ano passado, foi onde me deu mais vontade de participar, porque na primeira temporada quando fui me inscrever já tinha encerrado o período de inscrições. 

Bruna Jones: Em algum momento você acreditou que essa exposição poderia acabar prejudicando de alguma forma a sua carreira na medicina ou você estava preparado para quaisquer que fossem as consequências dessa experiência?
Jo Werner: Pelo contrario, a exposição me fez fazer amizades incríveis e na área da medicina, e eu fui ciente que poderia sair amado como odiado. 

Bruna Jones: Aliás, falando sobre consequências... Para participar do reality show, você precisou pausar um certo tempo da sua vida aqui fora, como por exemplo, os estudos. Olhando agora, você acha que essa sua participação, valeu a pena em termos pessoais ou profissionais?
Jo Werner: Acredito que eu precisava desse tempo, não estava me sentindo muito bem em relação a faculdade, minha cabeça estava cheia, então não me atrapalhou em nada, essa experiência só me fez crescer como pessoa e amadurecer. Sim valeu para a vida pessoal (realização de um sonho) e profissional pelas amizades que eu fiz como o doutor Fábio. 

Bruna Jones: Um reality show comum com 20 pessoas, já costuma ser bastante difícil e estressante entre os concorrentes, então, imagino que ficar confinada com outras 99 deve ser ainda mais complicado, certo? O que foi mais difícil?
Jo Werner: Além de ter pessoas insuportáveis como o Hadad, acredito que a pior coisa era a divisão na hora de dormir, já que era muito frio por causa do ar e não tinha cama, edredom e travesseiro para todos. 

Bruna Jones: Ali na vila você estava concorrendo contra outros anônimos e algumas pessoas que já eram conhecidas da mídia, seja pela internet ou realities passados... Você acredita que por se tratar de pessoas previamente conhecidas, foi uma disputa injusta contra você naquele momento da sua eliminação?
Jo Werner: Não diria injusta, mas acredito que já tinha sim os preferidos, visto que as câmeras focavam somente em algumas pessoas em específico e não tinha microfone para todos, eu mesmo dei um depoimento e nem ao ar foi. 

Bruna Jones: Infelizmente você acabou ficando pouco tempo no programa e por causa do formato ter confinado 100 pessoas de uma vez, os participantes tiveram pouco tempo de tela para se mostrarem ao público, o que você acha que ficou faltando o público saber sobre o Jo Werner?
Jo Werner: Acredito que ficou faltando meu lado vida louca e briguento mesmo, entrei no programa já meio doente porque estava com muita tosse desde que cheguei em São Paulo, quando comecei a me soltar já era tarde, porém o povo pôde ver meu lado carinhoso, amigo, e brincalhão. 

Bruna Jones: Nos últimos anos, a reciclagem de participantes de realities virou algo comum na televisão. Você aceitaria um convite para participar de outro confinamento como "A Fazenda" ou "BBB", por exemplo?
Jo Werner: Com toda a certeza, estou aberto a convites para outros realities principalmente de "A Fazenda" que tem animais que eu tanto amo. Podem me chamar que eu vou, haha... 

Bruna Jones: Já estamos no segundo semestre do ano, mas ainda assim, tem novidades vindo por aí? Algo que possa compartilhar com a gente?
Jo Werner: Tenho alguns projetos em vista que quero por em prática no Paraguay que é o país que vivo hoje, principalmente de abrir minha rede de panquecaria. 

Bacana a nossa conversa, não é mesmo? E ele ainda deixou um recadinho antes de ir, olha só: "Muito obrigado pelo carinho, por me acompanharem nas redes sociais, obrigado a todos que mandaram energia positivas e forças agora no falecimento da minha mãe e JAMAIS PAREM DE LER O BLOG, um beijo enorme para cada um de vocês." e para quem quiser continuar acompanhando ele nas redes sociais, basta procurar no Instagram por @jptalamini, no TikTok é @joaotalamini e no YouTube é Joao Talamini, beleza?

Espero que vocês tenham gostado da entrevista de hoje, em breve retornarei com novidades. Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?

terça-feira, 4 de junho de 2024

Bruna Entrevista: 13x28 - José Trassi


Olá, olá... Tudo bem, queridos leitores? Então que hoje é dia de conferir mais uma entrevista inédita aqui no blog, olha que bacana? E o nosso convidado de hoje é bem conhecido da galera que acompanha cinema, teatro, novelas, etc... Convidamos o querido ator José Trassi, para conhecer um pouco mais da sua trajetória artística e algumas de suas experiências. Vem conferir comigo como foi esse papo!

Bruna Jones: Você possui uma vasta experiência como ator, trabalhando na televisão, teatro e cinema por tantos anos, mas antes da gente falar mais sobre isso, vamos voltar um pouco no passado? Como foi que você acabou descobrindo as artes cênicas e decidiu que iria buscar uma carreira nela?
José Trassi: Eu na verdade não busquei as artes cênicas, foi ela quem me encontrou, rs... Ela passou por cima de mim mudando toda a minha vida quando eu tinha uns 13 anos. Foi uma daquelas situações em que são divisores de água na vida... Eu estudava em um colégio em São Paulo, "Colégio Equipe", e decidi naquele dia cabular aula pela primeira vez na vida, naquela sexta-feira, era aula de artes, eu saí pra cabular aula, pulei o muro do colégio com os amigos, cheguei no bar, que estava com aquele cheiro amanhecido de bar, falei: "Nossa, é aqui que o pessoal gosta de ficar? Que lugar estranho, eu vou pra casa", fui pra casa mais cedo e descobri que minha família tinha ligado na escola pra me buscar, mas eu não estava lá, então quase que eu não vou no teste, era justamente pra um teste, pro programa "Sandy & Junior", a produtora de elenco era amiga do meu irmão, e ele era coreógrafo de comerciais e ator, então essa minha amiga chamou o meu irmão pra fazer o teste, meu irmão declinou e me indicou, e ela mandou me levar, só que aí eu estava cabulando aula, ninguém me achava, cheguei em casa, fomos até o hotel do teste, onde tinha muitas pessoas, acho que mais de 500 pessoas e meu irmão foi me dirigindo, eu nunca tinha atuado, mas antes, como meu irmão era dançarino, eu tinha feito aula de street dance e já tinha me apresentado como dançarino, no Teatro Itália, numa apresentação, então meu irmão me dirigiu falando: "Ó, você vai falar o texto que eles pediram pra você falar, vai dar uma giradinha, vai abrir um espacate, vai dar aquela dançada que você sabe..." falei: "Beleza", aí veio o texto, "Oi, meu nome é Dodô, eu sou amigo do Júnior, tô na rádio, não sei o que", dei a giradinha, voltei pra câmera, fiz aquela gracinha, e passei, e assim começou minha carreira, sem eu nem saber o que era minha profissão, e fiquei no "Sandy & Júnior" por 3 anos, no final do terceiro ano a gente montou uma peça de teatro, um musical, e aí eu comecei a entender que aquela iria ser minha profissão, mas até então sem muita consciência, né?  

Bruna Jones: Já aos 15 anos de idade, você estreou em um dos grandes projetos daquela época, o seriado "Sandy & Junior", como foi para você já chegar em um programa que possuía uma grande audiência e que tem fãs até hoje? 
José Trassi: Pra mim foi uma sorte, porque é uma espécie de selo de qualidade, né? Quando você está numa emissora grande, num programa de sucesso... Eu já comecei minha carreira com esse selo de qualidade de bom ator, afinal de contas eu estava na Globo e tal, pra mim chegar em um programa assim, não teve tanto impacto, porque eu não sabia o valor disso, eu não sabia o que era, o tamanho disso, não tinha nem rede social na época, então a gente também não tinha ideia de como o programa iria repercutir no Brasil, só quando a gente andava na rua, só quando a gente saía que tinha esse retorno, então, pra mim, eu agradeço de não ter tido essa consciência do que era, porque poderia travar de alguma forma e tal, e no decorrer eu fui vendo o tamanho de onde eu estava e o valor que aquilo tinha, porque todos os atores em volta de mim, eles davam muito valor, muito, muito, muito valor, era o papel da vida deles, então era o papel da minha vida também, foi muito, muito interessante. Foi muito interessante mesmo e eu sou muito agradecido.

Bruna Jones: Você acabou ficando por três temporadas no seriado, mas quem acompanha as redes sociais sabe que o elenco possui uma boa relação até hoje, não é mesmo? O que esse programa significou para você tanto na sua vida profissional quanto na pessoal?
José Trassi: Sim, fiquei três temporadas, eu costumo falar que a temporada de Campinas é a verdadeira, rs... Depois o programa foi pro Rio de Janeiro e acabou perdendo força por mudar o formato, por sair daquela magia, aquela história contada do jeito que estava sendo contada, foi assim que eu entendo, até puxando um pouquinho de sardinha pro meu lado, aquela magia que tinha no colégio em Campinas, todo mundo, aquela galera, acabou quando o programa foi pro Rio de Janeiro, né? Esse programa significa pra mim o início da minha carreira, o encontro com os meus amigos de infância, que é como eu chamo meus amigos do elenco, como eu sinto eles. São os meus amigos que mais me conhecem, a gente sim tem uma boa relação até hoje, pessoalmente me deu muita segurança, né? Porque quer queira ou não, eu pertencia e pertenço a algo que foi muito especial e de conhecimento de todos, e no profissional foi muito bom, porque eu já comecei na Rede Globo, né? Então só alegria, só... São coisas boas agregadas, né?

Bruna Jones: Saindo do seriado, você começou a ter experiências em outros formatos das artes, como o teatro, que é um ambiente completamente diferente de uma série/novela na qual você pode se permitir errar algumas vezes e refazer uma cena. Além disso, muita gente considera o teatro como a principal plataforma que vai mostrar se você leva jeito na atuação pelo fato do "ao vivo" com o público. Você concorda que todo ator precisa passar por essa experiência? 
José Trassi: Sim. Sim. Um ator que não faz teatro, dificilmente... É um ator. Pode ser um intérprete. Pode ser... Alguém que está atuando. Mas um ator realmente precisa passar pela plataforma do teatro. Eu saí do "Sandy & Junior" e lembro... Engraçado que eu estou até no lugar em que eu fiquei... Que eu estou na casa da minha mãe, aqui no lugar que era meu quarto, e eu fiquei um ano assim, olhando pra cima, me questionando o que iria fazer, quem eu era, qual era a minha profissão, até eu ter o clique que eu já tinha uma profissão, que aquela era a minha vocação, que eu devia seguir em frente. Só que tem aquela coisa de onde está o mercado, quem é o mercado, onde está o mercado... E aí eu lembro que eu comecei a procurar o teatro para poder exercer meu ofício de ator. A primeira peça realmente que eu fiz foi "Tutti Frutti", o musical com parte do elenco. E ali eu descobri que eu tinha jeito para o teatro. Que eu conseguia comunicar ao vivo com o público e trocar com eles, e não amarelar, e lembrar o texto, e dançar, e cantar, e tudo. Então eu segui em frente nisso. Eu segui em frente e fiz muito teatro, muito teatro. Principalmente teatro alternativo, teatro escola, teatro institucional. Então, tem uma questão assim que eu... Eu não tinha noção daquela estrutura que a gente tem, né? Que é empresário, assessoria de imprensa, stylist, hoje, assim, toda aquela equipe em volta. Eu não tinha. Então eu ia eu mesmo abrindo minhas frentes, procurando minhas peças, estando nos lugares. E foi assim que eu construí minha carreira. Depois da televisão eu fui para o teatro. Teatro e cinema.

Bruna Jones: Ainda sobre o teatro, como dito anteriormente, não é possível refazer cenas e a peça precisa seguir independente do que aconteça. Tendo isso em mente, já aconteceu alguma coisa inusitada ou fora de script com você no palco? Poderia compartilhar uma história? 
José Trassi: Sim. O próprio "Tutti Frutti", o musical que a gente fez com direção do Marcelo Caridade, que tinha todos no elenco, menos a Sandy e o Júnior. A gente foi apresentar para 1.200 pessoas no Teatro Vivo, no Rio de Janeiro. E eram 10 no elenco, 12 no elenco, e microfones. lapela, aquele microfone sem fio. Até que começou a peça e o microfone falhou. Todos os microfones de lapela falharam. Você imagina que era a apresentação da nossa vida, porque tinham todos os diretores da Globo, todo mundo da Globo estava lá e a gente ia mostrar nosso trabalho pra poder trabalhar mais e tudo falhou, e tudo deu errado, e aí entrou todo mundo pros camarins, a gente parou o espetáculo, gente chorando, gente desesperada, e aí entrou um dos diretores do seriado e falou: "Espera, calma, o que que, vamos fazer? Tem microfone de bastão, quantos tem, oito?" E a gente fez a peça, com os microfones de bastão. Eu sei que era um tal de joga pra lá o microfone, boia o microfone dentro da calça, coça a cabeça com o microfone, tudo pra peça acontecer. E a peça aconteceu, maravilhosamente. E isso é uma das situações mais mágicas que aconteceu no teatro. Tiveram outras. Inusitado, assim, eu não diria, mas eu fiz parte de um grupo de teatro chamado "Atores de Francisco Carlos", que era uma amazonense surrealista, que fez uma tetralogia tupinambá, algo bem específico. E a minha mãe escreveu parte do texto do meu personagem, porque minha mãe, ela trabalhava com menores e adolescentes, ela ajudou a escrever o Estatuto da Criança e do Adolescente, e o personagem que eu fazia era um adolescente, menino de rua, nessa história surrealista, que chamava "Namorados da Catedral Bêbada". Então ela contribuiu com esse texto, eu falei o texto escrito pela minha mãe no teatro, isso foi muito especial. Ela tinha escrito um monólogo com 18 anos, foi atriz, então daí eu descobri que eu herdei essa parte dela, foi muito bonito. Tem essa história inusitada no microfone, tem essa história bonita do texto que minha mãe escreveu, tem... Nossa, e tem mais uma história que é assim, o Sérgio Guizé me apresentou o Francisco Carlos, dessa trupe de atores, a gente fez primeiro uma trilogia, "Namorados da Catedral Bêbada", "Românticos da Idade Mídia" e "Banana Mecânica". E eu fiz duas dessas peças, a "Namorados" e a "Banana Mecânica" na Praça Roosevelt, e a gente foi pro Festival de Curitiba, 2010, acho. E aí eu queria muito estar em cartaz e fazer três apresentações no mesmo dia. Estar em cartaz com três peças ao mesmo tempo. E eu estava com essas duas, então eu comecei a ensaiar uma outra que chamava "Imprestáveis", e aí teve um dia na minha vida em que eu fiz três apresentações ao mesmo tempo. Apresentei "Imprestáveis" às seis, apresentei "Namorados da Catedral Bêbada" às nove e apresentei "Banana Mecânica" à meia-noite. Esse dia foi o dia que eu me realizei no teatro. Esse dia foi um dia, assim, sensacional na minha vida.

Bruna Jones: Como ator você já teve a oportunidade de interpretar diversos tipos de papéis e acredito que para cada um você teve uma preparação diferente, não é mesmo? Como costuma ser o seu processo criativo quando recebe um personagem novo? 
José Trassi: Olha, de verdade... Quando recebo um personagem novo, eu leio e procuro entender o mundo que esse personagem vive. As três primeiras motivações, os três primeiros problemas. Eu gosto muito do número três pra essas coisas. E começo a fazer um gráfico da trajetória dele, né? Na história. Procuro coisas concretas, tipo se ele é... Se a voz é mais grossa, se a voz é mais fina, se ele tem alguma deficiência física, se não, se tem algum tique, não. E eu também... Trabalhei muito com preparadores de atores. No começo lá, com o método da Fátima Toledo, depois foi evoluindo pra outros métodos. Então, na hora de receber um personagem, eu procuro... Sair daquela questão antiga de que "vamos construir um personagem". Não. Eu sou o personagem. O personagem se usa de mim. Do meu repertório, do meu corpo, da minha temperatura, do meu humor. Só que, deslocando eu, tudo que é meu, no espaço e tempo, colocando dentro daquela história, eu começo a encontrar repertórios que não servem a mim, José. Que servem ao personagem. Então, sou eu em situação. Eu vou fazer um Shakespeare. Sou eu em situação. Naquela idade da história, naquele contexto, naquela situação. E esse conjunto de novas situações, reações... Intrincadas naquela história, dão o nome do meu personagem. Então, hoje, se você vê, é muito isso. É o ator em situação que, naquele conjunto, se chama aquele nome. Isso é o que eu vejo como personagem. Aquela construção... Distante, não... Nunca mais vi fazerem, sabe? É... Não uso. Fica muito longe. Eu até tenho uma má experiência com isso, que foi o primeiro curta-metragem que eu fiz, que foi com o Mário Bortolotto. Chama "Enjaulados", do diretor Luiz Montes. A produtora é... Especine em 2006. Teve uma preparadora que me deixou assim... Travado. Eu precisava estar num corpo que não era o que eu fazia. E aí o Mário olhou assim pro diretor e falou: "Deixa o Trassi ir trabalhar, pô. O menino tá todo torto aí." Eu olhei no espelho, eu tava realmente todo torto. Sem conseguir dar um texto, porque eu não era... Não... Tava errado, rs... Eu tava fora de mim. Fizeram um trabalho em que meu corpo e eu não estávamos desconectados um do outro. Não foi muito certo. E aí, quando ele falou isso, eu relaxei e pude ser eu. Em situação. E aquilo deu o nome do personagem, que era... Era Luiz, na época, acho. Era a história de um policial e um bandido que cai num buraco e um precisa ajudar o outro pra sair. E ali me deu um estalo. De que não adianta buscar fora. Não adianta você fazer um corpo que você vai precisar sustentar. Você tem que fazer de dentro pra fora. Se esse corpo diferente vai ser diferente é porque você sentiu a necessidade de fazer aquele corpo diferente. De fora pra dentro é muito, muito, muito, muito mais difícil de ficar bom. Porque tem que ter muito estudo. Né? É... Mas dá também. Mas é uma história inusitada. Meu processo criativo... Eu gosto muito de encontrar esses três, né? Encontrar três coisas que ele gosta, três coisas que ele não gosta. Três... Três... Cores, texturas, padrões favoritos. Três padrões que não são favoritos. É... Tudo isso, né? Em oposição, em contraste. Gênesis eu faço às vezes. Às vezes não. Eu gosto muito de estar no presente da situação. Então meu... Meu processo criativo envolve fazer um gráfico da cena, né? Ah... Com parâmetros mesmo. Mais nervoso, menos nervoso. Mais irônico, menos irônico. E aí vai criando um desenho. E eu aprendi também uma das peças é ensaiar sem usar o corpo. Que você... É um ensaio mental em que você bota uma caneta, um papel, desenha um palco e faz a sua trajetória com a caneta dando a fala. Então é um jeito de estudar marcação e texto sem levantar da mesa. E você pode fazer isso em qualquer lugar. É ótimo. É ÓTIMO. Posso te dizer. 

Bruna Jones: Falando sobre personagens, tem algum que tenha sido mais difícil de você se conectar ou simplesmente de interpretar por algum motivo? E poderia compartilhar com a gente, qual é o personagem que você possui mais carinho? 
José Trassi: Cara, o personagem mais difícil é sempre o que a gente está fazendo, né? Então agora eu estou fazendo um personagem que eu ainda desconheço ele. Eu ainda estou buscando em mim, assim, o repertório dele. Criando a Gênesis. É... Eu tenho dificuldade de conectar quando a motivação do personagem é mais emocional do que mental. Porque pra disparar um sentimento em mim eu preciso entender... Entender pra identificar o sentimento disparado. Então fazendo essa logística reversa... Pra eu ativar um sentimento, eu preciso passar pelo entendimento do que leva ele ao sentimento. E depois a ativação física ocorre naturalmente. Depois que eu entendo, né? Então eu preciso racionalizar. Coisa de virginiano. Mas... Eu passo por aí. Um personagem que foi muito difícil de conectar... Muito, que eu sofri um pouco pra fazer, assim... Porque até eu encontrar ele... Foi um marinheiro... Na peça "Honey: O Gosto do Mel". De Shelagh Delaney. Em que eu atuei junto com a Lavinia Panunzio. Fernanda Gama. João Fábio Cabral. Que a gente apresentou no Festival da Cultura Inglesa em 2010. Isso foi, acho que um personagem bem difícil. Assim, porque... Ele era meio frio, meio calculista. Ao mesmo tempo eu não queria fazer ele... Ele era meio flat, né? O que a gente chama quando a pessoa é fria e calculista. Ela fala sem emoção. Mas eu acho que depois eu me dei bem com ele. Com esse marinheiro. Um personagem que eu tenho carinho especial realmente é o Dodô. Realmente eu tenho um carinho muito especial pelo Preto, que é o personagem que eu faço em "Arigó". O Dr. Fritz. Um personagem que eu tenho muito carinho também é outro que chama Luiz. Que é o Luizinho do "Carandiru: Outras Histórias". Eu tenho muito carinho pelo personagem Tito que é o que participa do filme "My Friend Penguin". Que vai estrear agora do David Shurman. É... Cinema, né? Com Jean Reno. Esse é um filme muito especial. Esse Boy Marrom é um personagem que eu tenho muito carinho. Que foi esse moleque de rua que eu interpretei. Falando o texto que minha mãe escreveu pro autor. Esse personagem era muito bom. É... Não. Mas o que eu tenho mais carinho... Assim... Esse e o Dodô. É o Adonis, moleque indigesto da peça "Banana Mecânica". Ele é filho da Chiquita Bacana, da Martinique. que é um moleque de rua também e ele faz mil peripécias nessa peça surrealista, eu tenho um carinho muito especial, até hoje eu tenho saudade de fazer ele, é isso... É difícil porque todos são filhos meus, você gosta de um filho mais que outro? É difícil, tem filho que dá mais trabalho, tem filho que dá menos trabalho, tem filho que você ri mais, mas é difícil falar de qual gosta mais. Mas o Dodô sem dúvida, porque foi meu primeiro personagem.

Bruna Jones: Hoje em dia os realities de confinamento estão cada vez mais em alta, atores inclusive acabam aceitando a oportunidade de participar pra fazer conexões futuras... Pensando nisso, se você fosse convidado para participar de algum, você aceitaria? 
José Trassi: Antigamente eu falaria com muita força que não, até por preconceito, hoje eu acho que eu aceitaria dependendo da emissora, do reality, da proposta do reality, eu acho que eu aceitaria porque eu me conheço mais, conheço mais meus gatilhos, sei o que eu posso oferecer, sei as minhas limitações e acho que seria uma experiência interessante. Eu aceitaria mas com ressalvas porque acho que esse é um outro assunto, mas eu estudando minha arte, estudando a sociedade, a gente vê uma engenharia social em que a gente tem que ter uma sociedade social em que os programas de televisão eles realmente empurram uma agenda de comportamento de reações de repertório, criam um repertório para o público de coisas boas e não tão boas assim, a grande coisa de ser um ator, de ser um artista é: Estou a serviço do que? Minha mensagem está a serviço de que? Até por isso, durante muito tempo eu não fiz publicidade pela prepotência juvenil de falar: "Não vou me vender ao sistema, não vou vender minha arte", depois eu falei: "Imagina, eu sou ator, eu sou um ator que interpreta um vendedor, peraí, eu vendo o que você quiser" e hoje eu já passei de 30 comerciais, sei lá quantos eu fiz... Então eu aceitaria, por esse motivo eu aceitaria, hoje em dia eu consigo integrar o lugar da arte o lugar como artista comercial, hoje eu consigo, acho que vem mais da gente do que a nossa repulsa ou aceitação, vem mais dos nossos entendimentos de si próprio.

Bruna Jones: Sabemos que atualmente você está gravando o filme de terror/policial "Caipora: O Filme", não é mesmo? Inclusive atuando ao lado do nosso querido Pedro Pauley. Você poderia adiantar um pouco sobre a história e o personagem que você vai dar vida neste projeto? 
José Trassi: A gente terminou a filmagem do "Caipora" e eu comecei a filmagem do "Por um Fio" que é um filme do David Sherman, agora há pouco eu fiz uma cena para o David Aquática para esse filme, não como meu personagem, mas como dublê, então aí está outra coisa do ator, né? "Ai, eu só faço o meu personagem" Não, eu faço cena. Ele precisava fazer e por essa parceria que existe no teatro eu consigo transbordar a parceria para o cinema, a parceria para a televisão, às vezes se a cena for muito boa eu faço sem cachê, sabe? Se a cena for muito, muito, muito boa eu abro uma exceção porque eu creio, eu estava falando isso ontem no novo projeto que eu estou, que é uma peça, eu creio que a base do nosso trabalho é espiritual, é mais que social e política é algo de propósito de vida, é algo que é comunicar uma imagem que vai ser utilizada como repertório para as pessoas reproduzirem nas vidas delas, está provado por cientistas que o que você pensa e o que você vive para o cérebro e para o corpo é a mesma coisa. As descargas hormonais são as mesmas, então através de uma tela você consegue ter alterações no seu pH do corpo, eu acho que é muito importante esse trabalho nesse sentido, por isso que quando eu falei do reality de que eu tenho minhas ressalvas, porque eu sempre fui e sou filho de intelectual de psicóloga, de jornalista, de professor de yoga ,eu sei que meu ofício ele está para além do comercial está para além da sociedade ele serve para conectar a gente a algo mais complexo, mais tácito, mais sagrado e o sagrado está no cotidiano e nas ações, nas intenções as pessoas vão evoluindo em suas consciências, então esse é o grande propósito da minha arte e eu sou muito agradecido por trabalhar com o meu propósito, mas às vezes a gente vende leite condensado, cotonete e nesse caso eu descobri que eu consigo integrar essas duas partes, então eu estava falando justamente isso com o pessoal, que eu acho que o nosso trabalho ele tem um lugar do sagrado... Mas voltando a pergunta, nesse filme "Caipora" eu faço o personagem Kuarai que é um indígena que se relaciona com uma não indígena, que é a personagem da Renata Brás, a Bárbara, e tem essa peripécia, isso que acontece, que são os jovens que vão para um ritual numa aldeia e acabam mexendo onde não deve e libertam coisas que não deveriam ser libertadas e coisas horríveis acontecem que não deveriam estar acontecendo. Então, eu faço nessa história de terror baseada numa mitologia indígena, um indígena que mora na cidade também, que me interessou muito porque é esse indígena que não é nem da tribo e nem o indígena, não existe indígena da cidade, porque os indígenas não são absorvidos pela sociedade, então fica nesse não lugar e sofrem até preconceito na própria aldeia. Então, é esse indígena, nesse não lugar de pertencimento, que vê a sua enteada ser violentada, que busca vingança, que ao mesmo tempo busca ter uma vida melhor, que ao mesmo tempo está entregue aos vícios da civilização, celular, bebida, videogame... Essa história é muito boa, eu amei fazer a "Caipora", porque precisamos falar sobre a mitologia indígena, precisamos falar e incluir os indígenas no nosso cinema brasileiro, a gente precisa dar voz a eles, a gente precisa dessa interação, não por eles, pela gente. Então, é um projeto que eu achei muito lindo, a gente foi com os índios de Guarulhos, deu muito certo, assim, os índios de Guarulhos, os índios da reserva, o Açú, experiências maravilhosas, de roda, de troca, até hoje eu converso com eles, dou força para alguns, boto uma pilha para que eles se movimentem no sentido do audiovisual, foi maravilhoso, maravilhoso mesmo. 

Bruna Jones: Além do "Caipora: O Filme", tem mais novidades vindo por aí? Algo que possa compartilhar com a gente?
José Trassi: Esse filme, "Por um Fio", do David Sherman, que eu faço, que eu filmei depois do "Caipora", tem agora essa peça de teatro que eu não posso falar o que é, nem como é, nem com quem é, nem quando é, mas assim que eu puder, vocês vão saber, estreia em 1º de agosto, no rooftop do Santander. A gente vai fazendo testes, né? E vai tendo oportunidades. Tem oportunidades que às vezes se concretizam, às vezes não, então agora, nesse momento, eu aguardo o lançamento do filme do Silvio Santos, em que eu faço um franco atirador, o longa se chama "Silvio, o Filme", eu estou aguardando a estreia do "Por um Fio", a estreia do "My Friend Penguin", estou aguardando a estreia de uma série que chama "Sutura", que é uma série do Amazon Prime, onde eu faço o irmão do protagonista, a primeira série com a Cláudia Abreu, fora da Globo, uma série médica sensacional. E por enquanto é isso, logo mais virá mais coisas. Eu faço muita locução, dublagem, comecei a fazer voz original pra game, então a coisa está se abrindo de um jeito maravilhoso. 

Bacana a nossa conversa, não é mesmo? E ele ainda deixou um recadinho antes de ir, olha só: "Gente, primeiro eu quero agradecer quem acompanha o meu trabalho, quem é entusiasta da arte, as pessoas que admiram e acompanham o meu trabalho, o fã é uma parte essencial porque é o nosso termômetro, nosso feedback, é a nossa conexão real com outro ser humano, através da arte. Eu tive questões antes com os fãs, assim, na minha cabeça, lógico, sempre tudo certo, mas na minha cabeça assim eu ficava pensando, meu, porque eu não sou fã de ninguém, assim, nesse sentido de pedir autógrafo, de ficar suando de ninguém mesmo, assim, coisa da idolatria, eu não tenho, acho que por ter crescido nesse meio, né? Tanto que na época do "Sandy & Junior" eu não era fã deles, eu andava de skate, gostava de hip hop, não era meu estilo de música. Mas depois eu comecei a ver que eram famosos e aí hoje, posso falar disso, hoje eu sou fã deles por admirar o propósito e a forma como fazem e aí eu entendi o que é um fã. Então eu sou fã agora de muita gente, sou até fã dos meus fãs, de verdade, porque é preciso sensibilidade pra você parar nesse mar de informação e olhar alguém e se identificar e querer se conectar com aquela pessoa. Então, meu recado pros meus fãs, é: Faça o que faz vocês felizes, o que faz você sentir que você tá alinhado com o seu propósito, que pode ser seu talento, ou pode ser sua vontade, ou pode ser as suas vivências que você não planejou, aceita você e o seu momento e a sua vida, o outro está pra ser um exemplo, mas a maior força criativa tá dentro de cada um. Então, eu acho que é muito importante que a gente tenha essa sensibilidade, que a gente tenha essa oportunidade de ser fã. Eu converso muito com fãs assim, de verdade, de igual pra igual, porque é de igual pra igual, é horizontal, ninguém é mais que ninguém, apenas são ofícios diferentes. Então eu sempre falo assim, cara, eu sou um farol aqui, mas você também é um farol aí, vamos junto. E eu acho que é por aí." e se vocês quiserem continuar acompanhando ele nas redes sociais, também tem um recadinho: "Meu contato profissional é através da Oyá Odé. Minha empresária é a Monique Samartini. Minhas redes todas são @jtrassi, tanto no Facebook como no Instagram. No TikTok eu não uso, no Twitter também saí de lá, mas é isso." bora seguir ele?

Espero que vocês tenham gostado da entrevista de hoje, em breve retornarei com novidades. Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?

terça-feira, 26 de março de 2024

Bruna Entrevista: 13x15 - Creo Kellab


Olá, olá... Tudo bem, queridos leitores? Então que hoje é dia de conferir mais uma entrevista inédita aqui no blog, olha que bacana? E o nosso convidado de hoje é o queridíssimo ator Creo Kellab, que possui uma carreira incrível e acabou topando vir compartilhar com a gente um pouco da sua história e experiências que ele teve ao longo dos anos. Bora conferir o nosso papo?

Bruna Jones: Você começou a sua carreira como ator ainda muito jovem, após participar na seleção de elenco de uma novela aos 16 anos. Como foi para você sendo tão novo e já estando atuando em uma novela na maior emissora do país ao lado de pessoas tão talentosas?
Creo Kellab: Foi uma experiência completamente nova, eu não tinha experiência com televisão, tinha feito apenas alguns comerciais na minha cidade que é Juiz de Fora, mas foi um sonho, acho que é um sonho para qualquer pessoa que tenha arte na veia e tenha essa oportunidade de fazer aos 16 anos uma novela na maior emissora do país e comigo não seria diferente. Estar ao lado de tantos talentos que eu cresci assistindo ou que meus pais cresceram assistindo e falavam muito, e essas pessoas com o tempo acabarem se tornando meus grandes amigos e mentores, para que eu pudesse continuar vivendo e trabalhando até hoje, são pessoas que eu tenho contato, que tenho uma troca e converso de amigo para amigo. Então foi uma experiência única na minha vida, um momento muito importante que até hoje quando estou trabalhando, eu quero buscar o frescor do primeiro momento, eu busco na minha memória exatamente esse primeiro momento de seleção, eu com quase nenhuma experiência... Esse ano inclusive foi a primeira vez que eu entrei num grupo de teatro infantil da academia, eu tinha feito a seleção e passei, então estava fazendo teatro e televisão pela primeira vez ao mesmo tempo, era tudo muito novo e algo dentro de mim me falava pra continuar indo e fazendo, usando muita atenção nas coisas para não cometer tantos erros, embora foram necessários passar por eles, mas o que mais senti foi uma emoção única, algo que não senti novamente, claro que vieram outras emoções, mas nada comparado com a primeira, foi tudo muito novo pra mim que vim de uma cidade menor. Foi tudo muito emblemático na minha carreira e na minha vida.          

Bruna Jones: Aliás, antes de fazer essa novela, você já tinha esse desejo de trabalhar com as artes cênicas? Era algo que você planejava fazer carreira ou foi uma descoberta enquanto você já estava trabalhando na área?
Creo Kellab: Como eu te disse, aquele foi o meu primeiro ano trabalhando com isso, mas eu sempre quis trabalhar com arte, sempre dancei muito e gostava de artes num modo geral, só que o acesso era mais difícil naquela época, hoje a gente tem a internet, você consegue acessar as informações muito mais rápido, então naquele ano foi tudo muito novo pra mim, eu já tinha feito algumas coisas na área artística, mas como modelo, fazia fotos, comerciais e campanhas na minha cidade, mas a minha carreira começou mesmo com o esporte, eu era bicicross, competia no campeonato mineiro, campeonato carioca, vindo mesmo do esporte... Mas sempre tive a arte nas minhas veias, eu amava dançar, era a minha porta de entrada para tudo e como era muito jovem, eu sempre sonhei em trabalhar com arte, mas acho que fazer novela... Não sei seu eu sonhava em fazer novela exatamente, mas com teatro sim, pois foi o meu primeiro momento de fazer teste e trabalhar, tinha isso muito fresco na minha memória e novela ainda era algo bem distante, pois naquela época não era tão fácil. Então assim, eu tinha a arte comigo, estava no meu primeiro ano trabalhando com o teatro e teve um teste no qual eu não fui chamado pra fazer, mas um ator dessa companhia foi chamado e me levou como companhia apenas, o nome dele é Elias, chegando lá ele me falou pra fazer o teste também, mesmo eu falando que não tinha experiência, que tinha acabado de entrar no teatro, mas enfim... Mesmo sem ter o nome na lista, fiz o teste e fui o único da companhia que passou no teste, na cidade foi muito louco, pois não é uma cidade muito grande e foi tudo muito assustador, pois todos os canais da região estavam me procurando, matérias nos jornais, as pessoas me olhando na rua, era muito estranho. Hoje em nível nacional e até internacional, pois já estou trabalhando fora do país em alguns projetos dos quais sou reconhecido, mas naquele momento foi tudo muito novo, mas graças a Deus, entre altos e baixos deu tudo certo, mas faz parte, não foi só comigo, outras pessoas que eu conheço também tiveram esses altos e baixos, viver em um país que não valoriza a arte é complicado, mas deu tudo certo. Foi tudo seguindo como deveria ter sido seguido.          

Bruna Jones: Todo inicio de carreira costuma ser um pouco mais complico, ainda que após a novela você já tenha sido encaminhado para outros projetos e até mesmo começado a trabalhar como modelo, como foi para você esse inicio de jornada até conseguir se estabilizar na área?
Creo Kellab: Inicio de carreira é sempre muito complicado, ainda mais naquela época. Eu acho que hoje seria muito mais fácil do que naquela época, por mais que hoje todo mundo tenha acesso mais fácil e o mercado de trabalho mais cheio, acho que seria mais fácil do que antigamente, principalmente pelo fato que hoje tem profissões novas que acabam te levando até esse lugar, como os influencers de TikTok, que eu não compreendo muito bem como funciona, rs... Então assim, no inicio foi muito complicado e difícil, terminei a novela e ai eu tinha a minha imagem, mas não tinha um novo trabalho novamente, até pelo fato de que eu era de outro estado, tinha que estudar, fazer tablado, passei até um tempo morando no Rio até me estabilizar, mas a moda sempre me ajudou muito, as pessoas me achavam diferente, eu me achava muito igual, me achava simpático na verdade, mas as pessoas me achavam diferente, com um tipo de beleza diferente e eu comecei a ouvir muito mais sobre isso de beleza no Rio, talvez pelo fato das pessoas terem um pouco mais de cabeça aberta e onde eu vivia era uma cidade pequena onde ser negro, jovem, não tinha esse negócio de beleza, eu também estudava em escola particular, com amigos brancos, então era mais visto como o simpático que dançava muito bem, mas como eu era jovem e muito pequenininho as meninas nem olhavam muito na minha cara, rs... Mas enfim, aqui no Rio de Janeiro descobri a moda e isso me ajudou muito, onde consegui trabalhar fazendo campanha mundial para a Coca-Cola, Antártica, fiz fotos para o Tommy Hilfiger que foi para o mundo inteiro e então os produtores e fotógrafos começaram a me procurar e eu fui juntando a moda para pagar as minhas contas e o teatro e a televisão como o exercício da profissão, mas o que me mantinha vivo no inicio era a moda, eu costumo falar que eu era um ator atuando como modelo e não um modelo atuando como ator, eu sempre fiz o caminho contrário, eu sentia que eu era ator do que modelo, mas a moda me deu muito mais estrutura no inicio da carreira do que o teatro e a televisão que oscilava muito, já na moda eu tinha mais trabalho publicitários as vezes.                 

Bruna Jones: Como ator, você esteve em diversos projetos diferentes: Novelas, séries, cinema, etc... E com isso, você já teve a oportunidade de interpretar diversos papéis diferentes. Como costuma ser o seu processo criativo quando recebe algum roteiro novo?
Creo Kellab: Eu sou um cara da música, então quando eu recebo um roteiro eu tento primeiro entender a espinha dorsal dessa história e quem é essa personagem na história, qual é a sua engrenagem para que o todo da história funcione. Eu acho que cada um tem a sua engrenagem para que o todo funcione, que nem um carro, cada um é uma peça que faz com que esse carro ande, não é somente as rodas que fazem ele andar, então eu tento entender isso. Após essa compreensão, eu tento achar uma música para esse personagem, eu sou um cara muito musical, escuto música quase que 24 horas por dia, mais do que vejo televisão, então eu preciso da música, eu associo o personagem com a música e ai eu vou lendo, vou decorando e pesquisando, achando o tom, a voz e o corpo desse personagem. Quando estou no set e preciso me conectar rápido com os elementos que me levam a essa personagem, eu escuto essa música e entro no clima. Meu processo é quase meio que musical e corporal, é por esses caminhos que eu vou conseguindo chegar na personagem.     

Bruna Jones: Entre os personagens que você fez, teve algum que acabou sendo mais difícil de compor ou se relacionar?
Creo Kellab: Teve uma personagem no teatro que foi mais complexo de compor, me relacionar até que foi ok, mas pra compor foi um pouco mais difícil. O nome do espetáculo era "Quarta Companhia", era uma companhia que eu fazia parte e contava a história de um garoto que se suicidou em um colégio militar e a gente tinha família desse personagem que participava dos ensaios dando informações, o autor que era o Desmar Cardoso que já é falecido e eu o tinha como um segundo pai, foi quem escreveu esse texto. Então essa personagem foi complicado pois ele era o melhor amigo da personagem que se suicidava, tinha nuances do colégio militar muito duras com eles e ai foi difícil ouvir certas palavras em cenas e achar o tom certo para a personagem, que tinha uma revolta e um medo ao mesmo tempo e próximo ao final ele acaba explodindo ao ponto de se tornar uma surpresa para quem está assistindo em entender de onde que ele tirou essa força, então acho que foi o mais difícil, não de se relacionar, mas sim em viver essa personagem.    

Bruna Jones: Atualmente, o cenário de atuação evoluiu muito graças às inúmeras plataformas que surgem a cada ano, como Netflix, Disney+, HBO Max, etc... Dando audiência em todo o mundo. Sabendo disso, como é para você ter essa noção de que sua imagem é influente mundo afora, que nesse momento alguém fora do Brasil, por exemplo, pode estar conferindo um de seus projetos e se emocionando de alguma forma?
Creo Kellab: Isso é uma coisa incrível, poder estar vivendo esse momento, sendo que eu vim de um lugar que não tinha esses streamings e novos canais e possibilidades, apesar que, uma emissora como a Globo de uma forma de menos alcance de um streaming, ela vende muita novela para muitos países, então eu consegui viver isso de reconhecimento e emocionar pessoas em outros países com personagens feitos aqui no Brasil, mas com os streamings é muito mais rápido, você tem mil possibilidades, portas e janelas gigantes, é muito rápido, as pessoas acessam e dão uma resposta muito rápida. Eu acho isso formidável, isso só facilita e aumenta as possibilidades de trabalho para toda a classe, eu posso dizer que isso é a melhor coisa que existe. Entre fazer uma novela e um seriado, prefiro o seriado, entre novela e cinema, prefiro o cinema... Mas eu amo estar no palco, o teatro é uma espécie de igreja pra mim, terreno de candomblé. É o lugar onde me sinto inteiro.        

Bruna Jones: Inclusive, um dos seus projetos mais atuais vem na plataforma "Star+" da Disney, na série "Impuros". Como foi para você entrar nesse projeto?
Creo Kellab: Esse projeto foi o inverso que me conectou a ele. Eu tenho um grande amigo, o André Gonçalves que faz essa série e eu nunca nem tinha assistido, mas sabia que ele e outros amigos estavam no elenco, mas o André eu tenho como um irmão, e eu estava no Brasil, tinha recebido o convite para fazer uma novela em uma emissora que eu já tinha trabalhado em algum momento atrás, mas eu não estava me sentindo seguro nessa emissora e a proposta era que eu precisava raspar o meu cabelo para a novela com um contrato de três meses, mas meu empresário não conseguiu achar um meio termo de ambas as partes, eu tinha algumas questões, uma parte deu certo e outra nem tanto e acabei que decidi não fazer esse projeto, mas nesse meio tempo, no máximo em duas semanas, recebi o convite para fazer o "Impuros" e o André disse para que eu fizesse e que não iria me arrepender, fomos indicados ao Emmy inclusive, na mesma hora topei, entrei na quarta temporada e foi incrível, viramos uma família, respeito todos os profissionais que estão lá, fui bem recebido e dentro das minhas possibilidades eles me entenderam, pois não trabalho aqui e tive que fazer algumas mudanças de datas ou fazer dublagens na Califórnia. Eu amo estar em "Impuros", é um sucesso no país e fora dele também. É um prazer fazer parte desse projeto.        

Bruna Jones: Hoje em dia, os realities se tornaram uma grande aposta das emissoras tanto no Brasil quando fora dele, temos realities de competição física, confinamento, musical, etc... Se você fosse convidado, aceitaria participar?
Creo Kellab: Na verdade o primeiro reality show que existiu foi o "Hipertensão", antes de chegar o "Big Brother Brasil" a Endemol que são os donos desses programas, criou esse formato de competição e eu participei desse, que tinha a direção do Boninho, como eu vim do esporte e isso tinha a ver, acabei participando desse reality show, não ganhei, mas eu gostava da competição, fui arrastado por um cavalo em uma prova, foi incrível. Eu acho que participaria, as vezes eu falo que não, mas em outros momentos eu acredito que sim, o "Big Brother Brasil" é uma exposição gigantesca que pode te levar para cima ou para baixo, mas ninguém é perfeito, acho que seria um lugar para se testar e se ver num outro ponto de vista, as atitudes que talvez no dia a dia você não perceberia, mas eu acho que sim. É algo para se pensar, depende do reality show, tem alguns que eu acho que é muito caos e eu não gostaria disso, mas acho que participaria sim.        

Bruna Jones: Falando um pouco da sua vida pessoal agora, você tem o hábito de ajudar em projetos sociais, não é mesmo? Para você, qual é a importância de ter essa oportunidade de retribuir um pouco com aqueles que precisam? 
Creo Kellab: Projetos sociais e humanitários são tão importantes na minha vida quanto atuar, em alguns momentos foram até mais importantes pra mim. Hoje é o que me faz ver brilho na vida, eu acho que o universo me deu coisas, mas também me emprestou outras, eu tive esse entendimento alguns anos atrás. O grande lance é passar esse bastão, eu também participei de projetos sociais quando criança e muitas coisas foram passadas para mim, então agora era o momento de passar o bastão como uma corrida, você corre e passa o bastão pro próximo até que no fim todos acabam se tornando campeões. Então o projeto social é o estilo de vida que quero pra mim, vou sempre ter o olhar social para tudo, sempre vou doar o meu tempo, o meu raciocínio, contatos, para um bem maior de um todo, seja no meu país ou fora dele. Eu passei 20 dias a uns dois meses em um campo de refugiados na Eslováquia, tenho experiências grandes em outros países com essas ações que me levaram a conhecer pessoas incríveis e nada disso eu me arrependo, pelo contrário, eu só agradeço pois me tornei uma outra pessoa.         

Bruna Jones: Já estamos quase no segundo semestre do ano e felizmente podemos viver uma vida relativamente mais tranquila novamente, dito isso, tem novidades vindo por aí? Algo que possa compartilhar com a gente? 
Creo Kellab: Eu tenho uma coisa muito boa para compartilhar com vocês! No próximo semestre, a partir de julho estarei em Marrocos, pela primeira vez em um continente africano, dirigindo um projeto que eu já fazia na Polônia chamado "Brave Kids", que é um festival que envolve 50 países, com crianças de 8 até 14 anos, fui convidado pelo governo marroquino para dirigir esse projeto de maneira geral e o show final. Estou indo para lá, já estou me preparando aqui no Brasil com essas férias, mas vou sair da Califórnia e vou pra lá dirigir esse projeto que é um desafio para mim, pois é a primeira vez que faço a direção geral de um projeto tão grande. Estou nessa expectativa e também da estreia da quinta temporada de "Impuros".       

Bacana a nossa conversa, não é mesmo? E ele ainda deixou um recadinho antes de ir, olha só: "O recado que eu queria deixar para você é: Sempre que puderem ajudar o próximo, ajude ou então escute. As vezes elas não querem dinheiro, só querem ser ouvidas ou receber um bom dia. Em alguns momentos passamos pela rua e encontramos pessoas sentadas ou deitadas e estão ali como se não existissem na sociedade, então um bom dia para elas muda o dia e pode mudar a vida, dar a esperança para buscar mudar de situação, então eu nunca nego um bom dia. Mesmo que a pessoa não me retorne o bom dia, eu o faço do mesmo jeito independente do que vem de volta. Eu tenho experiências reais de como um bom dia pode mudar a vida de pessoas, então façam isso. Tenham também um olhar mais sensível, vivemos hoje em um mundo de likes onde se tem muito likes é bom e se não tem é ruim. Então, acho que é isso. Um bom dia muda a vida de qualquer pessoa." e se vocês quiserem continuar acompanhando ele nas redes sociais, é só procurar por @creokellab tanto no Facebook quanto no Instagram, mas ele avisa que talvez em breve venha ai um TikTok, que é para ficarem de olho.

Espero que vocês tenham gostado da entrevista de hoje, em breve retornarei com novidades. Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Bruna Entrevista: 13x04 - Vitor Dendena


Olá, olá... Tudo bem, queridos leitores? Então que hoje é dia de conferir mais uma entrevista inédita aqui no blog, olha que bacana? E o nosso convidado de hoje atuou por muitos anos como ator de produções adultas, se tornando um dos nomes mais famosos do Brasil e agora ele está lançando um livro contando sobre como foi essa etapa da sua vida, estamos falando do querido Vitor Dendena, que aceitou vir aqui compartilhar um pouco da sua jornada com a gente, confira!

Bruna Jones: No inicio dos anos 2000, você acabou atingindo fama nacional ao se tornar um dos atores mais populares da indústria adulta. Mas antes da gente falar mais sobre isso, vamos voltar ao inicio. Como era a sua vida antes de entrar nesta profissão? 
Vitor Dendena: Olá Bruna, primeiramente quero agradecer pelo convite em participar dessa entrevista para seu blog e espero contribuir com algo positivo para com os seus leitores. Hoje vejo que esse momento é apropriado para essa conversa, pois aproveitando esse ensejo, também posso divulgar o livro que escrevi, onde relato essa experiência que  tive na indústria do entretenimento adulto. Respondendo sua pergunta, antes de entrar nessa profissão posso dizer que eu fugia de relacionamentos afetivos mais sérios e buscava por relacionamentos mais casuais e a indústria de filmes adultos foi convidativa pra mim pois oferecia aquilo que eu buscava que era o sexo pelo sexo. No livro eu relato as fases da minha vida do antes, durante e depois do pornô.

Bruna Jones: Muita gente possui uma ideia sobre como funciona as gravações deste filme, mas acredito que todo mundo deve passar por um período de adaptação até se sentir plenamente confortável ao desempenhar o seu papel em cena. Como foi para você no inicio disso tudo? 
Vitor Dendena: Na época em que filmei não havia tempo de adaptação, o ator tinha que funcionar bem já na primeira cena ou caso contrário era dispensado, vi vários homens tentar ser ator pornô, mas era ligar a câmera pra iniciar a gravação e a esmagadora maioria deles não conseguiam ter ereção (mesmo fazendo uso do viagra) pois era muita pressão em cima do ator, por não poder broxar e da obrigatoriedade de ter boa performance e isso mexe muito com o emocional.  No meu caso eu conseguia administrar essa pressão, mas com o passar do tempo começavam a surgir as consequências negativas se manifestando nos campos emocionais e psicológicos que relato em meu livro.

Bruna Jones: Rapidamente você acabou se tornando um dos maiores nomes do cenário brasileiro nesta indústria, participando dos principais projetos de grandes produtoras. Como foi para você se adaptar ao universo da fama e do sucesso, sem acabar se perdendo no próprio ego?
Vitor Dendena: Fui sim um dos principais atores nacionais desta indústria, acredito que muito disso ocorreu por conta da minha boa aparência física pois na época também haviam outros atores com boa performance sexual, e vejo que alguns apresentam uma performance até superior a minha, mas eu estava entre os mais renomados e eu não tinha essa vaidade, essa preocupação de ter que ser o melhor, pra mim o importante era gravar e entrar dinheiro na conta. Já em relação a fama ocorreram e ainda ocorrem episódios de pessoas me abordarem e pedirem pra fazer fotos comigo e fazem perguntas sobre essa experiência que tive nessa indústria, e na medida do possível sempre busco ser cortes com elas.

Bruna Jones: Como eu disse, você acabou fazendo parte de grandes projetos, inclusive na era em que celebridades do meio artístico passaram a migrar para a indústria adulta. Como foi esse período em que você passou a atuar com pessoas que eram famosas por outros motivos e que não tinham tanta experiência quanto você neste ramo? 
Vitor Dendena: Em relação em ter que atuar com mulheres famosas que trabalharam na mídia tradicional e migraram pro pornô, pra mim em termos de cache era o mesmo que eu recebia para atuar com as atrizes que já eram da indústria, então financeiramente não alterou praticamente em nada e aumentava ainda mais a responsabilidade por boa performance. Durante essas cenas procurava ter um cuidado a mais pra tentar deixar elas mais a vontade e mesmo assim algumas dessas celebridades com quem gravei tiveram crises de choro antes e durante a gravação, pois não era a praia delas, eu ficava compadecido com aquela situação mas não tinha outro jeito a não ser fazer a cena.

Bruna Jones: Aliás, falando de bastidores. Acredito que você deve ter boas histórias para compartilhar com a gente, não é atoa que você escreveu um livro que foi lançado recentemente, mas antes da gente falar mais sobre ele, poderia compartilhar algo inusitado que você tenha vivenciado numa gravação? 
Vitor Dendena: Tenho sim algumas histórias engraçadas e inusitadas que aconteceram dentro e fora dos bastidores. Mas prefiro aguçar a curiosidade de vocês e sugerir que leiam o livro pra saber algumas dessas histórias, rs...

Bruna Jones: No final do ano passado você acabou lançando o livro "Entre a luz e a sombra: O lado A e B de um ex-ator pornô". O que te motivou a escrever e lançar este livro, estando afastado da mídia fazia algum tempo?
Vitor Dendena: O que me motivo a escrever este livro foi a compreensão dessa experiência que tive como ator de filmes adultos. Além disso, por ser um tema que chama bastante atenção, muitas pessoas me abordam e me pedem pra falar sobre esse assunto. Por conta disso, senti a necessidade de compartilhar esse vivência, contando algumas histórias que vivi e presenciei dentro e fora dos sets de gravações. Falo também sobre as consequências e os aprendizados que obtive, buscando assim contribuir para que as pessoas  possam ter uma consciência mais ampla sobre o que é realmente a indústria pornográfica, assim como compreender a importância da energia sexual e dos relacionamentos afetivos em nossas vidas.

Bruna Jones: Como foi para você a experiência de sentar e escrever este livro, revivendo memórias das quais você compartilha e momentos que presenciou ao longo das mais de mil gravações que você realizou ao longo dos anos? 
Vitor Dendena: Escrever este livro foi uma experiência bem gratificante, pois também serviu como um processo terapêutico de auto análise, onde fui buscando aprender com meus erros e acertos do passado e extrair os ensinamentos dessas lições e assim adquirindo mais consciência, despertando os bons valores humanos dentro de mim.

Bruna Jones: Hoje a gente vive numa era em que o consumo de conteúdo adulto é completamente diferente da experiência que você vivenciou anos atrás. Hoje os atores possuem liberdade criativa de fazer apenas aquilo que realmente querem e como querem, tendo como ferramenta plataformas como o "OnlyFans". O que você pensa sobre isso? Já passou pela sua cabeça em algum momento voltar a ativa nessa nova era digital? 
Vitor Dendena: Em relação ao Onlyfans me parece que não tem aquela mega pressão que os atores e atrizes da época que gravei sofriam das produtoras. Mas vejo que o propósito é praticamente o mesmo, pois esse conteúdo pornográfico estimula as pessoas a se viciarem nesse tipo de conteúdo e por consequência disso acabam se prejudicando em vários setores da vida, além do mais, esses vídeos tendem a banalizar o sexo e distorcem a verdadeira essência da troca sexual entre duas pessoas. Por esses motivos e dentre outros, não existe a menor possibilidade de eu querer voltar a gravar esse tipo de conteúdo, pois hoje o meu propósito é promover coisas que possam agregar algo positivo na minha vida e na vida de outras pessoas, e não mais contribuir com coisas que degradam o ser humano. Busquem no dicionário o significado das palavras vicio e pornografia.

Bruna Jones: Hoje em dia também temos um grande foco nos realities, principalmente os de confinamento, como "A Fazenda" e o "BBB". Se você fosse convidado para participar de alguma dessas atrações, você aceitaria?
Vitor Dendena: Confesso que já fazem anos que parei de assistir esses realites. Mas vindo a ser uma boa proposta financeira e eu podendo contribuir com algo de bom através da minha participação, não vejo mal algum, estou aberto para as coisas boas que a vida venha a me proporcionar.

Bruna Jones: Apesar de estar afastado da mídia faz algum tempo e de recentemente ter lançado um livro, existem novos projetos vindo por ai? Algo que possa compartilhar com a gente? 
Vitor Dendena: Atualmente moro no interior de São Paulo e tenho uma rotina mais tranquila. Já em relação a ter um projeto futuro em relação a mídia nesse momento estou mais focado na divulgação do meu livro e existem possibilidades de eu ir em alguns podcasts pra conversar sobre o tema.

Bacana a nossa conversa, não é mesmo? E ele ainda deixou um recadinho antes de ir, olha só: "Espero ter contribuído com algo positivo com essa entrevista e agradecer pela admiração que alguns dos seus leitores possam ter pela minha pessoa. A mensagem que deixo é que podemos recriar e modificar o nosso destino pra melhor. Tenho carinho pelo personagem "Vitor Gaúcho" pois adquiri aprendizados com essa vivência mas o "Vitor Gaúcho" é um personagem do meu passado e hoje sou uma versão melhor de mim mesmo. E para finalizar, pra quem tiver o interesse em saber um tantinho mais sobre esta parte da minha história adquiram o livro que eu escrevi. Um fraterno abraço a todos." quem tiver interesse em conferir o livro, pode buscar em sites como a Amazon que já está disponível, hein?

Espero que vocês tenham gostado da entrevista de hoje, em breve retornarei com novidades. Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?