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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Bruna Entrevista: 14x06 - Vandré Silveira


Olá, olá... Tudo bem, queridos leitores? Então que hoje é dia de conferir mais uma entrevista inédita aqui no blog, olha que bacana? E o nosso convidado de hoje é bem conhecido da galera que acompanha cinema, teatro, novelas, etc... Convidamos o querido ator Vandré Silveira, para conhecer um pouco mais da sua trajetória artística e algumas de suas experiências. Vem conferir comigo como foi esse papo!

Bruna Jones: Ao longo dos anos você acabou conquistando uma ótima carreira como ator, mas antes da gente falar um pouco mais sobre isso, gostaria de voltar um pouco no tempo... Você começou os estudos na área e a carreira ainda muito jovem, não é mesmo? O que te motivou a buscar uma carreira nas artes cênicas?
Vandré Silveira: Eu comecei a estudar Teatro aos 20 anos. Era uma criança tímida, mas sempre fui bastante observador. Minha mãe conta que acontecia de, eventualmente, eu aparecer em casa reproduzindo a maneira de falar de algum colega de classe. Não era racional. Eu simplesmente absorvia algum traço da fala ou de comportamento pela convivência. Hoje penso que isso já se relacionava com meu fascínio pelo outro. Com o desejo de ser outros. Ali, talvez, o ator já estava emergindo. Sonhava com a carreira artística, mas não era algo que fazia parte do meu universo. Só aos 20 anos tive a coragem de me colocar à prova. Me inscrevi num curso livre de atuação e me apaixonei pelas artes cênicas. Ali tive certeza do meu caminho!

Bruna Jones: Cerca de 20 anos atrás, você acabou saindo de Minas Gerais e se mudou para o Rio de Janeiro em busca de novos projetos, creio que essa foi apenas uma das diversas mudanças que você teve que aplicar em sua vida para conquistar o seu sonho, além disso, todos nós sabemos que inícios de carreiras sempre acabam vindo com algumas dificuldades, seja a instabilidade financeira, construir os contatos certos, ter que conciliar mais do que uma atividade, enfim... Como foram os seus primeiros anos e as adaptações que você precisou fazer? Você obteve apoio familiar e de amigos para não desistir no caminho?
Vandré Silveira: Minha família sempre me apoiou. A carreira artística é uma carreira de instabilidade. Os editais de incentivo e patrocínio culturais são fundamentais, mas infelizmente contemplam apenas uma parte da ampla e diversa produção artística existente e quando contempla algum projeto, não há uma continuidade que possibilitaria ao artista e/ou à companhia continuar o trabalho de criação, pesquisa e produção. Surpreendentemente, nós artistas, continuamos produzindo nessas condições. Este ano completei 25 anos de carreira profissional, entre trabalhos no teatro e no audiovisual, e muitas vezes, realizei meus projetos autorais, sem qualquer patrocínio. Essa resiliência para mim, vem de uma necessidade de comunhão com o outro, para além da autoexpressão ou comunicação. O desejo de estabelecer uma ponte com o outro. Acho esse o maior desafio da humanidade. E o teatro para mim é um dos maiores veículos para essa condução. 

Bruna Jones: Muitas de suas experiências profissionais vieram de histórias contadas no palco, inclusive você esteve recentemente em "A Hora do Boi", muita gente acredita que o palco de um teatro é um grande preparador para que o ator construa uma carreira mais consistente, tendo por exemplo, a oportunidade de lidar com imprevistos e a interação sem cortes, já que não tem como refazer uma cena caso alguma coisa saia fora do controle... Você concorda com isso? Qual a importância do teatro na sua vida? 
Vandré Silveira: Existe uma artesania no trabalho do ator no Teatro que oferece uma base de entendimento para qualquer linguagem. Penso que o Teatro expande as possibilidades de um ator pela natureza presencial, irrepetível e imprevisível. O Teatro me deu possibilidades de compreender melhor a vida. E a maturidade que a vida e o tempo trouxeram, a partir das dificuldades e dos erros cometidos que se tornaram lições importantes, me aprofundou como ator. É uma simbiose. 

Bruna Jones: Inclusive, falando em imprevistos e interação com o público na plateia... Alguma vez já aconteceu algo fora do seu controle em alguma apresentação e você precisou dar um jeito de contornar a situação sem sair do personagem ou algo cômico aconteceu que saiu do controle, que você possa compartilhar com a gente? 
Vandré Silveira: Às vezes acontece de algum espectador comentar alguma cena. Há um momento no espetáculo "A Hora do Boi" em que o patrão manda Seu Francisco abater o boi Chico com o qual ele estabeleceu uma relação de afeto, e nesse momento, há sempre reações imprevisíveis. Mas é preciso ir ao Teatro para descobrir o desfecho. Garanto que é surpreendente. 

Bruna Jones: Como eu disse, recentemente você encerrou a temporada de "A Hora do Boi" nos teatros de São Paulo. Como foi para você participar desse projeto? E o que mais te motivou a embarcar nele?
Vandré Silveira: Este é um projeto autoral, idealizado por mim, com texto da Daniela Pereira de Carvalho e direção de André Paes Leme. Vamos iniciar a 6ª temporada do espetáculo em junho no Atelier Cênico em São Paulo. "A Hora do Boi" parte da minha necessidade de falar sobre amor e empatia, a partir da relação de um homem e um boi. Dessa relação, discutimos a equivocada visão antropocêntrica que coloca o ser humano numa posição de superioridade em relação aos outros seres. Os animais não estão à serviço da humanidade.

Bruna Jones: Tanto no teatro quanto na televisão, você teve a oportunidade de interpretar personagens completamente diferentes uns dos outros e creio que até mesmo da sua realidade, o que imagino que seja interessante para um ator, vivenciar profissões, personalidades, vivências, etc... Que normalmente não vivenciava se estivesse em outra carreira. Dito tudo isso, qual foi o personagem que você acredita que "te deu mais trabalho" para reproduzir e o que te motiva na hora de aceitar ou recusar um personagem? 
Vandré Silveira: Cada personagem é um universo singular. O desafio é encontrar as contradições de cada personagem. Somos feitos de contradições, por mais certezas e definições que busquemos. E como buscamos! Ao pesquisar essas contradições, é possível que iluminemos as nossas próprias. O que me motiva a escolher um trabalho são personagens que possibilitam essa pesquisa de forma mais aprofundada. 

Bruna Jones: O mundo das artes cênicas hoje em dia está completamente diferente do que costumava ser há 10, 20, 30 anos atrás... Se antigamente as opções eram o teatro ou a televisão, hoje nós temos plataformas de streaming que produzem filmes, seriados e minisséries de uma forma mais ampla e rápida do que costumava ser. E você, teve a oportunidade de passar por essas dinâmicas diferentes no decorrer da sua carreira, como você vê esse novo formato de atuação que os atores brasileiros estão podendo ter hoje em dia, como "Carcereiros" que você fez para o Globoplay e "Dona Beja" para a Max?
Vandré Silveira: Com a chegada do streaming, estabeleceu-se uma nova possibilidade de produção de conteúdo para além da TV aberta e fechada. Isso também tem significado maiores oportunidades para os atores. Para além desses trabalhos citados acima, também participei, mais recentemente, de "Pedaço de Mim" (Netflix, 2024) e "A Magia de Aruna" (Disney+, 2023). É importante ressaltar que com a chegada dessas grandes plataformas de streaming, precisamos buscar uma crescente valorização da produção nacional e de todos os profissionais envolvidos nessa cadeia produtiva. 

Bruna Jones: Aliás, falando em mudanças... Se antigamente para conseguir contatos e trabalhos, um ator precisava literalmente correr atrás das oportunidades, hoje em dia, com o avanço da tecnologia, basta ter algumas redes sociais mais "agitadas" que você acaba ganhando mais visibilidade e algumas portas se abrem... O que você pensa sobre essa mudança na dinâmica de um ator, onde você precisa ficar alimentando as redes, mas além disso, também ter o seu próprio canal de comunicação direta com os fãs? 
Vandré Silveira: Eu adoro me comunicar com as pessoas que gostam do meu trabalho. Mas essa ideia de que temos que alimentar as redes e produzir conteúdo, eu considero um equívoco. Estamos na era em que "parecer" é mais significativo do que "ser". Nos é vendida a ideia de que para você ser bem- sucedido, não basta executar bem o seu trabalho, ou ter mestria sobre seu ofício, mas precisa saber "vender seu peixe". Acho essa ideia pavorosa. E volta e meia, todos nós estamos reféns dela. 

Bruna Jones: Outra coisa que mudou bastante no decorrer dos anos, é a maneira como os realities acabaram se tornando populares tanto na televisão quanto nos streamings. Hoje em dia existem diversos, desde confinamento, quanto musicais, sobrevivência, esportes radicais, de casais, etc...Você alguma vez já foi convidado para algum? Se fosse, você aceitaria ou prefere focar somente em trabalhos cênicos? 
Vandré Silveira: A dramaturgia ficcional e a dramaturgia de reality são propostas distintas. Me encanta a arte da atuação. Nunca pensei em participar de um reality e nunca fui convidado também. Não sei se aceitaria. 

Bruna Jones: Você recentemente terminou a sua temporada no teatro, mas o ano praticamente ainda está começando... Tem alguma novidade vindo por aí? Algum projeto que possa compartilhar com a gente?
Vandré Silveira: Vou estrear a nova temporada de "A Hora do Boi" em junho, no Atelier Cênico, em São Paulo. Dias 08, 15, 22 e 29/06 às 20h. E além do espetáculo, tem um personagem novo na TV pintando. Ainda não posso dar detalhes. Em breve! 

Bacana a nossa conversa, não é mesmo? E ele ainda deixou um recadinho antes de ir, olha só: "Um beijo para todos os leitores de "O Diário de Bruna Jones" e pessoas queridas que acompanham meu trabalho. Venham ao Teatro! Eu, São Francisco, Chico (o boi) e Seu Francisco esperamos vocês!" e para quem quiser continuar acompanhando ele nas redes sociais, basta procurar por @vandresilveira e @ahoradoboiteatro, combinado?

Espero que vocês tenham gostado da entrevista de hoje, em breve retornarei com novidades. Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?

quinta-feira, 30 de abril de 2026

SRA - Edge of Extinction: 8x12 - A Arte da Mentira


Yago se aproxima de Gregório perto da pilha de lenha e fala em tom de confidência, gesticulando com os braços para demonstrar sua frustração: "Cara, a gente precisa fazer as pessoas acordarem para a realidade desse acampamento. Todo mundo precisa entender, de uma vez por todas, que a Daphne é a pessoa que tem que ser eliminada agora. Ela é o verdadeiro perigo aqui dentro." Gregório, no entanto, balança a cabeça com o semblante fechado. O rancor acumulado fala mais alto: "Eu entendo, Yago, mas eu ainda estou muito interessado em me vingar da Clarisse. O que ela fez não dá para engolir, e para mim a cabeça dela ainda é a prioridade." Xavier, que vinha caminhando discretamente pela lateral, ouve o final da conversa e se aproxima dos dois. Ele bota a mão no ombro de Gregório e intervém com uma visão mais fria da situação: "Olha, Gregório, por mais que eu adore você e entenda perfeitamente a sua bronca, você precisa ter perspectiva de jogo neste momento. Ninguém na praia está mirando ou focado em cima da Clarisse agora. Se a gente votar nela, vamos desperdiçar voto. O nosso foco absoluto precisa ser a Daphne. Não esquece que foi ela quem jogou a gente direto na frente do ônibus no último Conselho Tribal. É uma questão de sobrevivência." Enquanto os homens tentavam alinhar os ponteiros na floresta, o clima na beira da praia continuava pesado. Daphne, incomodada com os rumos da última discussão, aproveita um momento a sós com Clarisse para tentar sondar o terreno: "Clarisse, deixa eu te perguntar uma coisa... A Sônia está com algum problema comigo? Eu estou sentindo uma certa tensão, um clima meio estranho vindo da parte dela desde que a gente voltou da prova." Clarisse olha para Daphne, dá de ombros sutilmente e responde, mantendo sua postura neutra e observadora: "Olha, Daphne, para ser bem sincera, eu estava justamente prestes a te perguntar a mesma coisa. Eu queria saber se existia algum problema real entre vocês duas, porque eu também estava sentindo exatamente o mesmo clima pesado no ar."

Por sua vez, Sônia estava caminhando um pouco mais afastada do acampamento com Rayane e Carolina em busca de alimentos pela mata. Enquanto colhiam algumas frutas, ela decidiu abrir o jogo sobre o que vinha pensando a respeito de Daphne: "Meninas, de verdade... Eu estou sentindo uma certa névoa em volta da Daphne. Para mim, as intenções dela não são das melhores e ela esconde o jogo o tempo todo." Rayane para o que está fazendo, olha para Sônia sem entender e questiona o motivo de ela estar querendo colocar um alvo tão grande justamente nas costas de uma aliada do grupo. Sônia responde imediatamente, sem hesitar: "Olha, Rayane, não adianta nada a gente ser aliada de alguém agora para essa mesma pessoa se voltar contra você ali na frente, no futuro. Para mim, a regra é clara, ou todas nós jogamos juntas e de forma transparente desde agora, ou não jogamos." Carolina ouve o argumento, balança a cabeça de forma positiva e concorda com a postura de Sônia. No entanto, Rayane continua balançando a cabeça negativamente, insistindo que tudo isso não passa de um grande exagero da parte dela. Enquanto as mulheres colhiam mantimentos, Hugo aproveitou a calmaria no acampamento para ir conversar diretamente com Benedito, tentando uma última cartada diplomática para salvar seus aliados. Ele se aproxima e fala com bastante seriedade: "Benedito, cara, você precisa acreditar em mim quando eu digo que foi a Daphne quem tentou armar toda aquela situação contra o Oscar no último Conselho. Eu não tenho a menor intenção de ir contra vocês, contra os homens, neste momento do jogo. Não faz o menor sentido, sendo que tem gente muito mais perigosa rodando a praia e articulando pelas nossas costas." Benedito escuta tudo atentamente, mantém a postura calma que demonstrou na prova e responde de forma ponderada: "Hugo, eu entendo perfeitamente o que você quer dizer e onde você quer chegar. Mas você também precisa se colocar no nosso lugar e entender que, neste ponto da competição, tudo o que a gente pode fazer é confiar no nosso próprio instinto. A verdade é que nenhum de nós sabe o que realmente acontece ou o que é dito nas conversas que rolam pelos cantos do acampamento quando não estamos por perto."


Lidia observa a movimentação ao redor e, com passos discretos, puxa Daphne de canto para longe dos olhares curiosos, indo direto ao ponto em um tom de voz baixo e firme: "Daphne, abre o olho porque a sua batata está assando. Você precisa ficar extremamente esperta no Conselho Tribal de hoje para não acabar sendo a eliminada da noite. O clima mudou contra você." Daphne respira fundo, demonstrando que já vinha sentindo a pressão do acampamento, e revela uma informação crucial para a aliada: "Eu estou percebendo isso, Lidia... Eu realmente não queria ter que usar o meu ídolo de imunidade agora, mas, pelo visto, vou ter que fazer alguma coisa para me salvar e garantir a minha permanência." Lidia assente, processando a informação do ídolo, e tenta traçar uma estratégia de contenção: "Olha, eu vou voltar lá e tentar fazer com que o meu grupo vote no Yago ou no Xavier para desviar o foco. Mas, de qualquer forma, esteja pronta para o seu plano de emergência." Enquanto isso, decidida a sanar suas dúvidas antes da votação, Sônia vai conversar diretamente com Hugo na beira da praia. Sem rodeios, ela questiona o rapaz sobre o que realmente aconteceu nos bastidores antes do último Conselho Tribal. Hugo olha para ela com seriedade e expõe a sua versão dos fatos: "Sônia, a real é que a Daphne chegou na gente oferecendo uma aliança entre o meu grupo e o grupo de vocês para eliminar o Oscar. Mas não foi só isso. Ela abriu com todas as letras que a intenção dela era levar para a fase do júri apenas eu, o Thales, o Xavier, o Yago, a Carolina e a Rayane. Todo o resto da praia, incluindo você e o Benedito, ela queria ver fora do jogo o quanto antes." Sônia arregala os olhos, visivelmente surpresa com a dimensão do plano revelado, e rebate: "Hugo, você está me falando a verdade?" "Sim, Sônia. Absoluta verdade", responde o rapaz, sustentando o olhar com firmeza. A dinâmica de bastidores ganha uma nova camada de dubiedade quando a câmera corta para os depoimentos confessionais de ambos. Hugo aparece com um sorriso de canto, demonstrando que está jogando com as armas que tem: "Eu cheguei em um ponto do programa em que o jogo virou sobrevivência pura. Se eu precisar omitir, distorcer ou mentir abertamente para salvar os meus aliados e desviar o foco de cima do Xavier, eu vou fazer isso sem peso nenhum na consciência. O jogo é deles contra nós." Logo em seguida, o depoimento de Sônia revela o impacto da estratégia do líder imune: "Ouvir aquilo do Hugo me deu um estalo. Eu decidi acreditar nas palavras dele porque tudo o que a Daphne vem fazendo nas últimas horas se encaixa perfeitamente nesse cenário de traição. Chegou a hora de abrir os olhos de vez com ela e agir antes que seja tarde demais para mim."

O caminho até o poço, a poucos minutos da partida para o Conselho Tribal, torna-se o último refúgio estratégico para Andrei, Renato e Flora. Carregando as garrafas de água, os três caminham a passos lentos, com as feições sérias, debatendo o destino da votação. Renato assume a liderança da conversa, mantendo a postura firme que demonstrou ao longo do dia: "Para mim, a jogada mais inteligente de se fazer essa noite é ir direto no Yago ou no Xavier. Nós precisamos fazer com que o grupo daqueles rapazes perca mais uma peça de qualquer jeito para desestruturar de vez a base deles. É a nossa melhor chance." Flora assente com a cabeça, mas traz um ponto de interrogação que ainda tirava seu sono: "Eu concordo com você sobre o grupo deles, Renato. Mas sendo bem sincera, eu ainda estou com muita dúvida em relação à Daphne. Tudo o que aconteceu deixou uma pulga atrás da minha orelha." Andrei, que até então apenas ouvia, ajusta a corda do balde e expõe sua total desconfiança: "Eu não confio muito na Daphne, para falar a verdade. Ela joga muito nas sombras. A questão é, será que nós teríamos votos o bastante para eliminar ela essa noite se decidíssemos mudar o plano agora?" Antes que Renato ou Flora pudessem fazer os cálculos matemáticos de votos, a resposta para a dúvida de Andrei surge não em palavras, mas em som de briga. Vindo de uma clareira bem perto dali, o eco de uma gritaria generalizada interrompe o silêncio da mata, fazendo os três pararem abruptamente na trilha. Era Sônia, completamente exaltada, batendo de frente com Daphne em uma discussão acalorada. Clarisse estava ao lado, assistindo ao embate de braços cruzados. "Você é uma falsa, Daphne!" esbraveja Sônia, com o dedo apontado na direção da moça. "Você queria entregar a mim, a Clarisse e todo o nosso grupo de bandeja para os nossos inimigos só para se salvar e garantir o seu top seis com os meninos!" Daphne tenta se defender, gesticulando nervosa e negando as acusações, enquanto Clarisse intervém, tentando manter a cabeça fria, embora visivelmente dividida: "Sônia, calma, pondera um pouco... Eu não estou acreditando muito nessa história toda. Para mim, está na cara que o Hugo inventou essa palhaçada só porque está querendo separar a gente e rachar o nosso grupo. É estratégia dele." Sônia dá um passo à frente, com os olhos fixos em Clarisse, e deixa bem claro que não vai recuar em seu julgamento: "Abre o olho, Clarisse! Quem está querendo fazer isso, e na verdade já estava conseguindo fazer pelas nossas costas, é a Daphne! Ela é a verdadeira cobra desse acampamento e eu não vou pagar para ver!" Escondidos a poucos metros dali, perto do poço, Andrei, Renato e Flora trocam olhares rápidos e surpresos. O racha no grupo das mulheres acabou de ser escancarado, mudando completamente o panorama minutos antes do Conselho Tribal.

O clima de tensão atinge o seu ápice absoluto no acampamento enquanto os sobreviventes pegam suas mochilas, acendem suas tochas e começam a se arrumar para o Conselho Tribal. Cada conversa agora se torna um sussurro apressado antes da caminhada final. Sônia, com o semblante totalmente fechado e decidida a tomar as rédeas do seu destino, passa rapidamente por Benedito e Oscar perto da entrada da cabana. Sem parar para não chamar a atenção dos outros, ela solta o recado de forma direta e cortante: "Eu vou votar na Daphne essa noite. Se vocês dois forem espertos e quiserem se proteger, vão fazer exatamente o mesmo." Enquanto isso, no canto oposto do acampamento, o peso das acusações desaba sobre Daphne. Isolada com Clarisse perto das árvores, a moça chora copiosamente, tentando desesperadamente limpar sua barra com a principal aliada: "Clarisse, pelo amor de Deus, acredita em mim... Eu jamais iria querer ir contra vocês duas nesse jogo. Vocês são a minha base aqui. E quer saber? Como sinal de prova absoluta da minha lealdade a você, eu vou te contar uma coisa agora, eu encontrei um ídolo de imunidade escondido perto do poço hoje mais cedo." Clarisse arregala os olhos, completamente pega de surpresa com a revelação, e não esconde o choque misturado com um tom de deboche: "Gente, mas quantos ídolos de imunidade você ainda vai conseguir encontrar nesse programa? Você tem um imã?" Daphne limpa as lágrimas e dá uma leve risada nervosa, recuperando um pouco da postura estratégica: "Eu sei... Mas a verdade é que eu sei perfeitamente que preciso desse ídolo para me salvar essa noite. O acampamento virou contra mim." Clarisse muda instantaneamente de expressão, assumindo uma postura protetora e focada em manter seus números no jogo: "Então escuta bem, você vai usar esse ídolo sim, com certeza. Deixa eles gastarem os votos em você. Com o seu ídolo e os nossos votos certos, nós vamos conseguir dar a volta por cima e fazer uma excelente eliminação essa noite." O jogo delas vai cair. No meio do turbilhão que engolia o lado feminino, o grupo dos homens tentava controlar os nervos. Xavier, ajustando a sua mochila com as mãos nitidamente trêmulas, olha para Hugo e desabafa sem rodeios: "Hugo, cara... Eu não vou mentir para você. Eu estou com muito medo deste Conselho Tribal de hoje. Sinto que o meu na reta." Hugo, ostentando o ídolo de imunidade, coloca a mão no ombro do amigo e tenta injetar uma dose de confiança para acalmá-lo antes da trilha: "Fica calmo, Xavier. Segura a onda. A mentira que eu joguei para a Sônia colou perfeitamente e as meninas estão se canibalizando lá do outro lado. Se tudo correr como o planejado e o grupo delas se rachar no meio, talvez a gente consiga eliminar a Daphne hoje mesmo e virar esse jogo a nosso favor. Vamos com tudo." 

A noite cai de forma densa, trazendo consigo o som característico dos insetos e o estalar suave das brasas. Em fila indiana, os quinze competidores caminham pela trilha escura, iluminada apenas pelo clarão alaranjado de suas tochas. O silêncio entre eles é quebrado apenas pelos passos pesados na terra batida e pelo vento que sopra do mar, agitando as chamas. Ao entrarem na grande estrutura de madeira e cordas do Conselho Tribal, o calor do fogo central e a atmosfera solene do lugar aumentam ainda mais a pulsação de quem sabe que está correndo risco. Glenda Kozlowski observa a entrada de cada um com um semblante sério e acolhedor. Ela espera que todos fiquem de pé diante de seus lugares e dá o comando inicial: "Boa noite, sobreviventes. Podem se aproximar." "Boa noite, Glenda" respondem alguns, com vozes que misturam cansaço e ansiedade. "Antes de darmos início aos trabalhos, por favor, deixem suas tochas posicionadas ali no canto" orienta a apresentadora, apontando para o suporte de madeira. Os participantes se movem em silêncio, encaixando os bastões de madeira nos nichos. O estalo do fogo ecoa no ambiente. Glenda os encara fixamente e faz o tradicional lembreme: "Nunca é demais relembrar: Essas tochas representam as vidas de vocês no jogo. Enquanto elas estiverem acesas, vocês estão vivos na competição. Uma vez que a sua tocha for apagada, significa que o jogo acabou para você e é hora de abandonar a área do Conselho imediatamente." Os competidores começam a se sentar, acomodando suas mochilas no chão e se ajeitando nos bancos rústicos de madeira. Xavier limpa o suor das mãos na bermuda, enquanto Hugo ajusta o ídolo de imunidade no colo, atraindo os olhares de todo o acampamento. Do outro lado, Daphne e Sônia evitam se olhar, mantendo os olhos fixos na fogueira central, enquanto Clarisse exibe uma expressão indecifrável. Glenda observa a linguagem corporal do grupo, apoia os braços nos joelhos e, assim que todo mundo se aquieta e o silêncio tático toma conta do lugar, ela quebra o gelo com a primeira pergunta da noite: "Sobreviventes... Vocês estão prontos para mais um Conselho Tribal?" A reação do grupo é imediata, mas dividida. Benedito, Renato e Andrei apenas afirmam positivamente com a cabeça, mantendo os semblantes blindados. Yago solta um suspiro audível e responde verbalmente com um "Sempre pronto, Glenda", tentando demonstrar uma confiança que o estômago nega. Ao fundo, ouve-se um murmúrio coletivo de concordância resignada. O fogo estala forte no centro do cenário, dando o sinal de que a hora da verdade começou.

Glenda Kozlowski observa o silêncio pesado e as trocas de olhares tensas entre os bancos, deixando o clima assentar por alguns segundos antes de provocar o grupo: "Esse silêncio de vocês diz muita coisa, mas eu quero saber o que realmente está passando pela mente de cada um aqui hoje. Quem quer começar?" Oscar quebra o gelo com um sorriso amarelo, tentando aliviar a atmosfera, e brinca: "Olha, Glenda, para ser bem sincero, essa é a primeira vez que a gente fica em silêncio hoje. Porque as últimas horas lá no acampamento foram bastante agitadas, o clima pegou fogo." Sônia, que já estava com a resposta engatilhada, emenda imediatamente, sem mudar o semblante sério: "E com razão, Oscar. Descobrir certas coisas sobre pessoas que eram consideradas aliadas de primeira hora causa tumulto mesmo. Ninguém gosta de ser passado para trás." Clarisse, sentada logo ao lado, revira os olhos de forma bem visível. Ela se inclina levemente na direção de Sônia e fala baixo, em tom de advertência, para que a moça não dê palco e nem estenda esse assunto diante de todo mundo. Mas o aviso de Clarisse surte o efeito contrário. Sônia perde a paciência de vez, respira fundo e solta o verbo para todo o Conselho ouvir: "Eu não vou ficar quieta, Clarisse! Não tenho medo nenhum de falar sobre a minha verdade aqui dentro. A real é que eu descobri que a Daphne era uma falsa mesmo. O plano dela pelas nossas costas era levar somente o pessoal mais jovem para a fase do júri do programa, descartando todo o resto de nós assim que pudesse!" O impacto da declaração é imediato. Um burburinho toma conta dos bancos, com alguns participantes reagindo com rostos surpresos e trocas de sussurros. Benedito, mantendo sua postura atenta, inclina-se para a frente e questiona Sônia com firmeza: "Sônia, essa é uma acusação muito grave. De onde exatamente você tirou essa informação? Quem te garantiu isso?" Sônia olha diretamente para Benedito, aponta para o outro lado do Conselho e revela a sua fonte sem hesitar: "Eu tive uma conversa bem esclarecedora com o Hugo antes de virmos para cá. Eu perguntei e ele me contou tudo. E quer saber? Eu decidi acreditar no que o rapaz falou. Eu olhei bem nos olhos dele e vi que não era mentira."

Daphne solta uma risada irônica, balançando a cabeça em negação, e tenta descredibilizar a acusação olhando para todos no Conselho: "Gente, por favor, né? Dá até pena. É claro que o Hugo vai falar qualquer coisa para tentar se salvar e salvar os aliados dele essa noite. Ele está completamente desesperado após ver o Thales sendo eliminado no Conselho passado. Ele inventaria qualquer mentira para rachar o nosso grupo." Hugo não se deixa abalar, ajusta sua postura no banco e responde com firmeza, mantendo o tom de voz controlado: "Olha, Daphne, realmente não foi nada bacana ver um aliado meu sendo eliminado no último Conselho. Doeu. Mas a grande verdade é que eu não menti em nada do que disse para a Sônia, e você sabe muito bem disso. Você sabe que chegou em mim e falou, com todas as letras, que estava jogando aliada da Rayane e da Carolina só por conveniência, e que o plano real era usar a Clarisse e a Sônia o quanto pudesse para depois descartá-las." O impacto da fala de Hugo atinge em cheio o meio do banco feminino. Rayane e Carolina arregalam os olhos, visivelmente assustadas com o rumo da conversa, e questionam Daphne imediatamente: "Espera aí... Que história é essa, Daphne? É verdade isso?" Daphne, sentindo o cerco se fechar, gesticula nervosa e tenta abafar o incêndio: "Eu também não sei que história é essa, meninas! É óbvio que o Hugo está inventando tudo isso da cabeça dele para colocar a gente uma contra a outra! Não caiam no jogo dele!" Do outro lado, Gregório observa a cena de braços cruzados e solta um comentário ácido, inflamando ainda mais o ambiente: "Olha, eu vou te falar... Eu não duvido de absolutamente nada que venha das pessoas que andam no grupo da Clarisse. Ali ninguém é confiável." Ao ouvir seu nome, Clarisse simplesmente surta. Ela se inclina para a frente no banco, com os olhos faiscando, e rebate aos gritos, descarregando todo o seu deboche: "Ah, não! Pelo amor de Deus, Gregório! Até quando você vai ficar falando o meu nome e me citando nesse Conselho? Supera! A verdade é que eu nem lembrava que você ainda estava nessa competição, de tão apagado que você é no jogo! Me erra!"


Carolina levanta as mãos, tentando se blindar de toda aquela confusão, e fala em tom firme para que todos ouçam: "Olha, eu quero deixar bem claro aqui, na frente de todo mundo, que eu não tenho envolvimento nenhum nessa história toda e nem sabia desse rolo!" Sônia olha para a aliada, respira fundo com o semblante cansado e rebate, mantendo sua posição: "Olha, Carolina, a essa altura eu já não sei mais em quem ou no que acreditar aqui dentro. Mas de uma coisa eu tenho certeza: A gente precisa tirar a Daphne neste momento do jogo. Não dá mais." Clarisse entra no meio da discussão imediatamente, defendendo a sua parceira de jogo e tentando redirecionar o foco dos votos: "Vocês estão cegas! A Daphne não é a nossa inimiga aqui. O verdadeiro inimigo é o Hugo e os homens do grupo dele, que não passam de uns chorões que não aguentam perder e ficam inventando historinha!" Gregório não engole a provocação, inclina-se para a frente e rebate na hora: "A diferença, Clarisse, é que nós jogamos com a verdade e sem prejudicar a vida de ninguém aqui dentro. Vocês jogam sujo." Em resposta, Clarisse nem se dá ao trabalho de argumentar, ela simplesmente levanta a mão e mostra o dedo do meio na direção do rapaz. Gregório dá uma risada irônica, balança a cabeça e dispara de volta: "Olha aí, Glenda. Isso que ela acabou de fazer é só mais uma amostra clara do quão baixa e sem nível ela é como jogadora." Enquanto o bate-boca generalizado pegava fogo no centro do Conselho, uma movimentação silenciosa acontecia no banco de trás. Andrei, Renato, Benedito e Oscar se inclinaram e começaram a conversar em tom de sussurro entre eles, tentando alinhar os votos de última hora diante do racha das mulheres. Glenda Kozlowski, que acompanhava tudo atentamente, percebe o concílio secreto dos quatro, interrompe a discussão principal e questiona o grupo de homens: "Espera um pouco... Andrei, Renato, Benedito, Oscar... Estou vendo vocês conversando muito baixo aí atrás enquanto o acampamento está pegando fogo. O que está acontecendo ali entre vocês?" Benedito toma a palavra pelo grupo, assume a sua postura ponderada de sempre e responde diretamente para a apresentadora: "O que acontece, Glenda, é que ao que parece, depois de toda essa lavação de roupa suja, dois nomes se destacam muito claramente na dinâmica desta noite: o Hugo, que infelizmente não pode ser eliminado por estar imune, e a Daphne. O jogo se desenhou entre os dois."

Glenda Kozlowski aproveita a deixa de Benedito, olha para o restante do acampamento e faz a pergunta crucial que todos queriam fazer: "Então, se o Hugo está imune, isso significa que o foco da urna de hoje será estritamente entre o nome da Daphne ou o nome de algum aliado do Hugo? É isso que está desenhado para essa noite?" Sônia não hesita e responde imediatamente, olhando para os lados com firmeza: "Quem for esperto neste Conselho hoje vai votar na Daphne." Gregório, aproveitando a postura combativa de Sônia contra o próprio grupo, decide cutucar mais um pouco e comenta: "Olha, Sônia... Eu vou adorar o dia em que os seus olhos finalmente se abrirem para a Clarisse também. Aí sim o seu jogo clareia." Sônia dá de ombros, respira fundo e responde de forma muito sincera, deixando um alerta no ar: "Para ser bem sincera, Gregório, toda essa situação que está acontecendo aqui hoje está me fazendo repensar absolutamente todas as minhas alianças dentro deste programa." Clarisse solta uma risada sarcástica, balança a cabeça e debocha da situação: "Ah, não... Gente, não é possível que isso realmente esteja acontecendo. É piada." Enquanto o clima continuava tenso no primeiro escalão, Renato se inclina discretamente na direção de Flora e cochicha algo rápido no ouvido da moça. Flora ouve atentamente e balança a cabeça de forma positiva, como quem entendeu perfeitamente o sinal e a direção que deveriam seguir na votação. Voltando os olhos para a berlinda da noite, Carolina quebra o silêncio entre as mulheres, olha para a colega de banco e questiona de forma direta: "Daphne, e você? Não tem mais nada para falar para se defender antes da gente ir votar? Vai ficar quieta?" Daphne, com o semblante visivelmente abatido e cansada de rebater as acusações, responde em um tom de desabafo: "Olha, Carolina, eu já falei tudo o que precisava ser dito aqui hoje. A verdade é que eu não sei mais o que fazer para provar para vocês que eu não sou uma traidora. Quem quiser acreditar em mim, acredita. Quem não quiser, paciência."


Glenda Kozlowski observa que os argumentos se esgotaram e que as alianças estão expostas na mesa. Ela ajusta sua postura, olha para o grupo e faz a pergunta definitiva: "Sobreviventes, as cartas estão na mesa. Vocês estão preparados para dar o sexto voto da temporada?" Em coro, em meio a acenos de cabeça e respostas firmes, os competidores respondem que sim. "Então, vamos à votação" decreta Glenda. "Rayane, você é a primeira. Pode ir votar." Um a um, os participantes se levantam de seus bancos, pegam o pergaminho e caminham em silêncio até a cabine de votação iluminada por uma lanterna isolada. Rayane abre o pergaminho, escreve com passos firmes e deposita na urna. Em seguida, Carolina caminha até o local, pensativa, e deixa seu voto. Lidia segue logo depois, com o semblante ainda confuso com os rumos do debate. Quando chega a vez de Daphne, a moça caminha com o queixo erguido. Diante da cabine, ela abre o pergaminho para a câmera e desabafa em tom de sussurro: "Eu realmente não queria ter que gastar o meu ídolo de imunidade essa noite, mas já que me encurralaram, pelo menos vou conseguir eliminar uma pessoa forte e dar a volta por cima." Ela deposita o papel e retorna. Sônia vai logo em seguida, escrevendo o nome de Daphne com força no pergaminho. Clarisse caminha na sequência, mantendo o olhar frio e focado em proteger sua aliada. Hugo se levanta e na cabine, ele vira o pergaminho com o nome de Daphne bem nítido para a câmera e declara: "Espero que o meu plano e a história que joguei no acampamento deem certo e acabem salvando o Xavier da eliminação hoje." Ele deixa o voto e volta ao banco. Xavier vai logo atrás, visivelmente tenso, depositando seu voto com pressa. Yago caminha em seguida, confirmando sua jogada da noite. Gregório assume o seu lugar na cabine de votação. Ele mostra o voto dele para a câmera com um sorriso de canto e pontua: "Eu sinto que a Clarisse vai cair em breve, a hora dela vai chegar. Mas hoje, estrategicamente, o meu voto vai para a Daphne." Após o voto de Gregório, os homens remanescentes seguem para a cabine. Benedito vota de forma calculista, seguido por Oscar, que mantém a seriedade. Renato escreve seu nome rapidamente, e Flora, logo em seguida, sela a sua escolha com base na conversa de bastidores. Andrei caminha como o último competidor, deposita seu voto com firmeza na urna e encerra o fluxo de votação. Glenda se levanta de seu posto, caminha até a cabine de votação e busca a urna de madeira. Ao retornar ao seu local de destaque, ela pousa a estrutura na mesa, encara os quinze participantes e faz o anúncio crucial: "Os votos já estão depositados. Mas, antes de eu começar a apuração... Esse é o momento. Se algum participante tiver um ídolo de imunidade ou qualquer vantagem secreta no jogo e quiser usar para se proteger, a hora é agora." Um silêncio sepulcral toma conta do Conselho Tribal. Os participantes se olham de soslaio, segurando o fôlego, até que Daphne respira fundo, se levanta de seu banco diante dos olhares atentos e caminha até o centro do cenário, entregando o item de madeira e cordas diretamente nas mãos de Glenda. 

Olhando para a apresentadora e para os demais, a moça se justifica: "Glenda, eu não queria ter que fazer isso agora, mas precisei fazer para me defender de toda essa armação contra mim. Então, esse ídolo é para mim mesma." O choque é generalizado. Rostos boquiabertos e sussurros assustados quebram o silêncio dos bancos, a surpresa é total entre os competidores. Glenda observa detalhadamente o artefato em suas mãos, olha de volta para o grupo e faz a validação oficial: "Bom, todo mundo surpreso... Eu confirmo para vocês, este é, oficialmente, um ídolo de imunidade legítimo. Portanto, a partir deste exato momento, todos e quaisquer votos depositados nesta urna que forem direcionados para a Daphne estão anulados e não serão contados na apuração desta noite. Daphne, você está salva." Glenda coloca o ídolo de lado, puxa a urna para mais perto, abre a tampa de madeira e declara: "Em seguida, começarei a leitura dos votos." Glenda Kozlowski puxa o primeiro pergaminho de dentro da urna, abre com calma e mostra para os participantes: "Primeiro voto da noite é para... Daphne. Não conta." Ela pega o segundo papel, desdobra e lê em voz alta: "Mais um voto para Daphne. Também não conta." O terceiro pergaminho é revelado: "Outro voto para Daphne. Também não conta." Glenda puxa o quarto voto e anuncia: "Quarto voto de hoje é para... Daphne. Não conta." Neste momento, vendo a pilha de papéis com seu nome se acumular na mesa de forma totalmente inútil, Daphne solta uma risada de deboche, olhando de soslaio para Sônia e os demais que tentaram derrubá-la. Glenda continua a leitura sem hesitar, pegando o próximo papel: "Quinto voto é para Daphne. Também não conta." Ela estica o braço, retira o sexto pergaminho da urna, abre e muda o tom de voz: "Um voto para Oscar." Neste exato momento, o rapaz arregala os olhos, pega de surpresa com a reviravolta, e coloca as duas mãos no rosto, completamente chocado ao ver seu nome surgir na berlinda. Glenda puxa o próximo: "Dois votos para Oscar." Ela volta a mexer na urna e retira mais uma sequência de papéis: "Mais um voto para Daphne. Não conta." "Outro voto para Daphne. Também não conta." "Daphne. Não conta." "Mais um voto para Daphne. Também não conta." "Outro voto... Daphne. Não conta." Com dez votos anulados pelo ídolo de imunidade, Glenda Kozlowski retira o décimo terceiro pergaminho de dentro da urna, abre devagar e decreta o resultado final da noite: "Com três votos, quem deixa o programa hoje é você, Oscar." O acampamento inteiro fica em silêncio absoluto, digerindo o contra-ataque cirúrgico que eliminou o participante. Glenda olha para a urna e depois diretamente para o eliminado: "Três votos são o bastante, Oscar. Não é necessário abrir os dois últimos pergaminhos. Por favor, arrume suas coisas e me traga a sua tocha."


Oscar se levanta visivelmente surpreso, olhando para os lados enquanto tenta processar o que acabou de acontecer. Ele solta um riso nervoso e desabafa: "Caramba... Eu realmente não imaginava que iria ser eliminado hoje. Fui pego totalmente de surpresa." Sônia, revoltada com o resultado e com o fato de seu plano ter dado errado, bate a mão no joelho, olha na direção de Daphne e dispara, sem esconder a raiva: "Isso não é justo! Isso foi muita sujeira. Mas escreve o que eu estou te dizendo, Daphne, você vai pagar muito caro por isso aqui dentro!" Oscar, mantendo a postura calma que o acompanhou na jornada, faz um sinal com a mão para Sônia, tentando acalmar os ânimos da participante antes de partir: "Está tudo bem, Sônia. Fica tranquila. Eu estou em paz, sei que isso aqui é um jogo e todo mundo corre esse risco. Faz parte." Ele caminha até o canto do cenário, pega a sua mochila e a sua tocha, dando os passos finais em direção à bancada principal. Oscar posiciona o bastão de madeira bem na frente de Glenda Kozlowski. A apresentadora o encara com respeito, abaixa o abafador de metal sobre a chama e, enquanto a fumaça sobe no ar do Conselho, ela decreta: "Oscar, a tribo decidiu. O jogo acabou para você." "Obrigado, Glenda. Valeu, pessoal, boa sorte" diz o rapaz. Ele dá as costas para o restante do acampamento e segue firme pelo caminho dos eliminados, sumindo em meio à escuridão da trilha na mata. Glenda observa a partida de Oscar em silêncio por alguns segundos. Assim que os passos dele deixam de ser ouvidos, ela se vira lentamente para os quatorze sobreviventes que restaram nos bancos. O clima no ambiente é de pura eletricidade; as expressões vão do choque à pura satisfação estratégica. A apresentadora apoia os braços na mesa, olha bem nos olhos de cada um e deixa o seu conselho da noite: "Sobreviventes... Se o Conselho de hoje deixou uma lição clara, é que a verdade e a mentira neste jogo são armas que mudam de mãos muito rápido. Vocês passaram as últimas horas acusando uns aos outros de falsidade, tentando decifrar quem estava jogando na frente do ônibus e quem estava criando cortinas de fumaça. Mas a grande realidade do jogo é que a confiança é o artigo mais caro e escasso dessa praia. Hoje, o blefe de uns funcionou, a intuição de outros falhou e um ídolo mudou o destino de todo mundo. Mas lembrem-se: amanhã o sol nasce de novo, as alianças que pareciam destruídas podem ser as únicas que vão restar para vocês e o jogo não perdoa quem fica parado remoendo o passado. Abram os olhos e recalculem os seus passos." Glenda faz uma breve pausa, pega o seu bastão e finaliza: "Podem pegar suas tochas e voltar para o acampamento. Boa noite." Os participantes se levantam em silêncio absoluto, pegam suas respectivas vidas no jogo e começam a caminhada de volta, sabendo que a guerra no acampamento acabou de ganhar um capítulo ainda mais implacável.

A câmera foca no caminho escuro da floresta enquanto os quatorze participantes restantes, em uma fila única e silenciosa, iluminam a trilha com suas tochas, deixando o Conselho Tribal para trás com os nervos à flor da pele. A imagem corta para o cenário do confessionário, onde Oscar aparece já sem sua mochila, respirando fundo antes de deixar suas últimas palavras na competição. "Olha... ser enganado dessa forma, bem na véspera de um momento tão crucial, deixa um nó no estômago. Eu realmente não vi esse golpe vindo. A gente tenta ler os sinais, tenta confiar nas alianças, mas a verdade é que o jogo se move muito mais rápido nos cantos do acampamento do que a gente imagina. Cair em uma armadilha com dez votos anulados por um ídolo e ser eliminado com apenas três... é para aplaudir a jogada deles, não tem como negar. Fui o dano colateral de uma guerra gigante." Enquanto a voz de Oscar continua ecoando, o fundo da tela escurece e os pergaminhos começam a ser revelados um a um na tela, mostrando a caligrafia de cada participante: Andrei votou em Daphne, Benedito votou em Daphne, Carolina votou em Oscar, Clarisse votou em Oscar, Daphne votou em Oscar, Flora votou em Daphne, Gregório votou em Daphne, Hugo votou em Daphne, Lidia votou em Daphne, Oscar votou em Daphne, Rayane votou em Oscar, Renato votou em Daphne, Sônia votou em Daphne, Xavier votou em Daphne e Yago votou em Daphne.


LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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Grey's Anatomy: 22x17 - Through the Fire


Um bombeiro da Estação 19 chega ao pronto-socorro com queimaduras graves, enquanto a equipe do hospital também corre para tratar um paciente idoso que está empalado por uma estrutura de obra de arte. Já uma competição da Fundação Fox reúne as médicas Meredith Grey e Miranda Bailey em cena.

Nome do Episódio: Faz referência a música da cantora Chaka Khan. 

Frase do Episódio: "Nos anos 1940, enquanto estava de cama com tuberculose, o bioquimico Karl Link leu um livro sobre controle de roedores. Eu prometo que essa história tem um motivo. Karl criou um veneno de rato de um anticoagulante que descobriu tentando, sem sucesso, tratar vacas doentes. Depois, um soldado tentando a morte comeu o veneno de rato de Karl, que, inesperadamente, o fez ser usado como afinador de sangue em humanos. De múltiplas falhas, o composto varfarina nasceu e é usado para tratar e salvar milhões de pessoas." ... "Na ciência ou na vida... O caminho da descoberta raramente é uma linha reta. Damos dois passos à frente e três passos para trás. Saímos do curso... E temos que voltar. Desvios de surpresa nos levam a lugares inesperados. Lugares que nunca imaginamos serem possíveis."

Qualquer novidade eu volto, lembrando que quem quiser entrar em contato comigo, pode add no facebook, procurando por "Bruna Jones" e que agora na página oficial do blog, vocês encontram conteúdo exclusivo: clique aqui! Podem também procurar e seguir no twitter e instagram no @odiariodebrunaj certo? 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

SRA - Edge of Extinction: 8x11 - Quem é a Verdadeira Ameaça?


Assim que os participantes colocam os pés de volta no acampamento e deixam suas tochas de lado, a calmaria forçada da trilha desaparece instantaneamente. O silêncio é quebrado pelo barulho das mochilas sendo jogadas no chão com força. Hugo, incapaz de segurar a frustração que estava engasgada desde a contagem dos votos, perde completamente a paciência. Ele esfrega as mãos no rosto, gesticula indignado e esbraveja para quem quiser ouvir: "Cara, nós fomos completamente tapeados nessa votação de hoje! Que palhaçada foi essa? Ficou claro que nunca, em momento nenhum, houve a real intenção desse povo aí eliminar o Oscar. Armaram uma palhaçada bem ensaiada para cima da gente!" Renato, que estava ajeitando suas coisas perto da cabana, não se intimida com o tom de voz do colega. Ele se vira de frente para Hugo e responde com uma calma cirúrgica, mantendo a postura firme: "Olha, Hugo, vocês estavam agindo de um jeito extremamente suspeito nas últimas horas. Eu sinto muito de verdade se vocês estão falando a verdade agora e se o plano não era esse, mas a gente foi alertado. No ponto em que o jogo está, não dava simplesmente para ficar sentado assistindo ao nosso grupo ser alvo sem fazer nada para se defender. Nós nos protegemos." Yago, que até então estava em silêncio cruzando os braços perto da fogueira apagada, solta um suspiro pesado, balança a cabeça e entra na discussão com amargura: "É... Antes a gente tivesse se juntado de verdade e votado em massa também, em vez de ficarmos divididos. Mas quer saber a real? Isso tudo não passa de culpa da Daphne! Foi ela que começou a plantar fofoca para colocar os nossos grupos um contra o outro no acampamento e gerar esse inferno todo." 

Daphne, que estava mais afastada organizando seu canto, se assusta ao ouvir seu nome ser jogado na roda de forma tão direta. Ela arregala os olhos, dá um passo à frente e rebate imediatamente, tentando se esquivar do alvo: "Ei, espera aí! Não vem querer colocar o meu nome no meio da confusão de vocês, não! Eu não tenho absolutamente nada a ver com essa votação e com o que vocês decidiram fazer ou deixar de fazer. Me tirem fora disso!" Hugo solta uma risada extremamente irônica, cheia de deboche, e olha para os demais competidores ao redor: "Olha só para ela... Dá risada, gente! Daphne, você é muito mais dissimulada do que eu jamais fui capaz de imaginar. É impressionante a sua capacidade de se fazer de santa depois de arquitetar o caos." Ao ouvir a acusação pesada, a paciência de Daphne também esgota. A postura defensiva dá lugar ao contra-ataque, e ela decide chutar o balde de vez, expondo os bastidores do dia: "Sabe de uma coisa, Hugo? Eu ia ficar bem calada aqui no meu canto, porque eu realmente não queria me envolver na briga e na sujeira dos outros. Mas já que você quer me atacar e me chamar de dissimulada na frente de todo mundo, então vamos jogar a real! Andrei, Renato e todo o resto do grupo de vocês, fiquem de olhos bem abertos com esses dois mesmo! Abram o olho, porque foram o Hugo e o Xavier que me puxaram de canto hoje mais cedo, escondidos, me oferecendo uma aliança com eles para eliminar o Oscar na noite de hoje! Quem quis trair primeiro foram eles, e não eu!"

A manhã seguinte começa com os primeiros raios de sol cortando as frestas das cabanas, mas o clima de ressaca moral do Conselho Tribal ainda paira sobre o acampamento. Longe dos demais participantes, uma reunião estratégica acontece sob a sombra de algumas árvores entre Andrei, Benedito, Flora, Lidia, Renato e Oscar. O assunto principal não poderia ser outro, a bomba jogada por Daphne na noite anterior. Oscar quebra o silêncio, cruzando os braços e expondo sua dúvida sobre a lealdade da moça: "Gente, a gente precisa alinhar isso. Vocês acham que é verdade ou mentira que a Daphne inventou todos aqueles rumores da noite passada só para inflamar a nossa paranoia e colocar a gente contra o grupo do Hugo? Ela pode ter jogado verde para colher maduro." Renato balança a cabeça negativamente, defendendo uma leitura mais analítica do cenário e demonstrando que ainda confia na palavra da aliada: "Sendo bem sincero, Oscar, eu não acredito que a Daphne tenha inventado isso do nada só para causar intriga. Para mim, a história dela faz sentido. E outra, manter os outros homens do grupo do Hugo no jogo neste momento pode se tornar um risco gigantesco para nós lá na frente se dermos espaço para eles se reorganizarem." Benedito, ajeitando sua mochila no chão, intervém para trazer uma preocupação matemática para a mesa: "Eu entendo perfeitamente o seu ponto, Renato, e concordo que o grupo do Hugo é perigoso. Mas a gente também não pode perder de vista o outro lado da praia. Nós não podemos deixar o grupo da Clarisse e da Sônia conseguir os números e o controle do jogo. Para mim, no próximo Conselho Tribal, o caminho mais certo e inteligente seria eliminar uma delas para quebrar essa força." Lidia, que assistia à discussão com um olhar atento e calculista, resolve intervir para sutilmente desviar o foco e manter a rivalidade entre os dois grandes blocos masculinos acesa: "Olha, Benedito, eu acho muito mais arriscado a gente mirar em uma das mulheres agora. Se a gente for para cima delas, a Clarisse e as outras podem muito bem se sentir encurraladas e acabar se juntando com o resto do grupo do Hugo para mirar na gente em um contra-ataque. Talvez o caminho mais seguro e inteligente para todos nós aqui seja continuar focando na eliminação dos membros homens do grupo do Hugo, deixando as meninas para depois." Flora, que até então apenas escutava os desabafos e as teorias dos aliados, decide cortar a onda de especulações e trazer o grupo de volta para a realidade prática do dia: "Gente, de verdade, não adianta nada a gente ficar aqui especulando e desenhando cenários para o próximo Conselho Tribal neste exato momento. A gente nem sabe o que vai acontecer hoje. Primeiro, nós precisamos ir lá, encarar a Prova de Imunidade, ver quem vai vencer e, principalmente, descobrir se alguém vai conquistar alguma nova vantagem ou poder na plataforma. Depois que o ídolo tiver dono, a gente senta e calcula o resto." O grupo concorda com um aceno silencioso, sabendo que cada passo na ilha pode mudar completamente o destino do jogo em questão de horas.

Enquanto o grupo maior tentava se reorganizar após a tempestade, o desespero batia diretamente na porta dos antigos articuladores da noite anterior. Xavier e Hugo andavam a passos rápidos e discretos pela vegetação mais densa, vasculhando minuciosamente as frestas de árvores caídas, a base dos tótens e os arbustos ao redor do perímetro em busca de um ídolo de imunidade escondido. A paranoia e o senso de urgência ditavam o ritmo dos movimentos. Xavier afastou algumas folhas grandes com um pedaço de pau e desabafou em tom baixo, sem disfarçar a gravidade da situação: "Hugo, sendo bem realista... Se a gente não conseguir encontrar um ídolo ou ganhar essa imunidade hoje, é muito capaz de nós dois nos tornarmos os próximos eliminados do programa de forma consecutiva. O alvo ficou gigantesco nas nossas costas." Hugo parou por um instante, olhou ao redor para garantir que ninguém os espionava e concordou com um aceno tenso, chutando o chão com frustração: "Eu concordo totalmente, cara. O que eu ainda não consigo engolir é como que as coisas escalaram tão rápido daquele jeito igual ontem à noite no Conselho. Tudo desmoronou em minutos." Xavier bufou, limpando o suor da testa antes de continuar a busca: "Nós caímos direitinho na conversa fiada e nas meias verdades da Daphne, esse foi o nosso erro. Mas agora o estrago está feito. O que a gente precisa desesperadamente é encontrar um jeito de reverter a situação no acampamento, fazendo com que todo mundo saiba e entenda de uma vez por todas que tudo aquilo foi uma armação dela para jogar a culpa nas nossas costas." Enquanto a dupla de estrategistas corria contra o tempo na floresta, o clima no canto oposto do acampamento era de pura celebração e deboche. Sentada confortavelmente perto do rio, Clarisse ajeitava suas coisas com um sorriso vitorioso estampado no rosto. Sem esconder a satisfação de ter escapado ilesa do último Conselho, ela comentou com as aliadas: "Olha, eu vou falar para vocês... Eu simplesmente adoro esses momentos de caos generalizado nos Conselhos Tribais. É a minha engrenagem favorita. E quer saber? Eu acho que nós estamos extremamente seguras agora, já que o outro grupo comprou a briga e quer arrancar a cabeça do Gregório, do Hugo, do Xavier e do Yago. Eles vão se canibalizar." Sônia, que estava ao lado lavando o rosto, respirou fundo e olhou para Clarisse com uma expressão bem mais cautelosa e desconfiada: "Eu espero de verdade que a gente esteja segura mesmo, Clarisse, porque o tombo aqui é grande. Mas quer saber a real? Toda essa história de ontem me deixou com uma pulga atrás da orelha. Eu estou começando a ficar bem desconfiada do perigo real que é ter a Daphne por perto. Alguém que consegue virar o jogo daquele jeito e manipular a narrativa no meio do fogo... É uma faca de dois gumes para qualquer aliança."


Pouco depois, o som do sinal ecoa pelo acampamento, e os participantes recebem o aviso para seguirem imediatamente ao campo de provas. Eles caminham pela trilha até chegarem a uma clareira à beira-mar, onde encontram Glenda Kozlowski posicionada diante de uma imensa estrutura de ferro e tanques de água. A apresentadora olha para o grupo, percebendo as feições cansadas e a tensão remanescente da noite anterior: "Bem-vindos a mais uma Prova de Imunidade. Quinze sobreviventes restam no jogo. Vocês estão preparados para competir hoje?" "Sim, Glenda!" respondem os competidores em uníssono, tentando focar toda a energia no desafio que se inicia. "Antes de explicar como a dinâmica de hoje vai funcionar" diz a apresentadora, voltando-se para o banco dos participantes, "Benedito, por favor, traga o ídolo de imunidade." Benedito se levanta e o entrega nas mãos de Glenda. Ela ergue o objeto para que todos vejam: "A sua imunidade individual está oficialmente de volta ao jogo. Hoje, um de vocês vai garantir a segurança e se salvar do próximo Conselho Tribal." Glenda se vira para a estrutura atrás de si e começa a detalhar as regras do desafio: "A prova de hoje é de pura resistência, fôlego e controle mental. Sob a sombra das muralhas de Alcatraz, vocês vão enfrentar um desafio inspirado nas lendárias tentativas de fuga da prisão mais famosa do mundo. Na primeira etapa, cada um de vocês entrará em uma cela individual submersa. Vocês deverão permanecer debaixo d'água pelo maior tempo possível, simulando a resistência necessária para escapar das águas geladas que cercavam a ilha. Conforme vocês forem emergindo um a um, serão eliminados. Apenas os três últimos sobreviventes que resistirem mais tempo avançam para a fase final." A apresentadora faz uma pausa, apontando para a segunda parte da estrutura metálica montada no mar: "Na etapa decisiva, os três finalistas mergulharão em uma estrutura metálica submersa que representa os túneis de fuga da prisão. Presos aos degraus dessa estrutura estão dez boias, que simbolizam os obstáculos deixados para trás durante a escapada. Vocês deverão nadar debaixo d'água repetidamente, soltando apenas uma boia por vez até libertarem todas elas. O primeiro competidor que conseguir remover suas dez boias e emergir para completar a fuga conquista a imunidade, garantindo o colar e a segurança total. Os demais continuam à mercê do Conselho Tribal." Glenda olha para o cronômetro em sua mão e finaliza: "Vou dar um minuto para vocês se organizarem, beberem uma água e escolherem suas celas. Em seguida, começaremos a prova!"

Os quinze participantes caminham pelas passarelas de madeira flutuantes e entram, um a um, em suas respectivas celas de ferro espalhadas pela estrutura. A água bate na altura do peito. O nervosismo é visível no rosto de Xavier e Hugo, que sabem que a permanência deles no jogo depende diretamente daquele colar. Do outro lado, Clarisse troca um olhar irônico com Gregório antes de segurar nas grades superiores. Glenda Kozlowski assume o comando no posto de observação elevado: "Sobreviventes, posicionem-se abaixo das grades de segurança. A contagem regressiva vai começar. Três... Dois... Um... Submergir!" Os quinze competidores afundam a cabeça de uma só vez. O silêncio toma conta da superfície, quebrado apenas pelas pequenas bolhas de ar que sobem até o topo das celas de ferro. Nos primeiros trinta segundos, todos conseguem manter o controle mental, controlando os batimentos cardíacos para economizar o oxigênio nos pulmões. Porém, a resistência física nas águas geladas logo começa a cobrar o seu preço. Com pouco mais de quarenta e cinco segundos de prova, a primeira cabeça emerge da água, tossindo e puxando o ar com força. É Sônia, que bate a mão na grade pedindo para sair da cela, completamente sem fôlego. "Sônia é a primeira eliminada da prova!" anuncia Glenda. Logo em seguida, a barra de ferro de outra cela balança. Clarisse emerge rindo, jogando o cabelo para trás e demonstrando que não pretendia se desgastar tanto naquela primeira fase. Menos de dez segundos depois, Gregório e Yago também não aguentam a pressão hidrostática e sobem para respirar quase juntos, frustrados com o desempenho inicial. Na marca de um minuto e meio, o desgaste se intensifica. Flora e Rayane começam a se debater levemente debaixo d'água e emergem na sequência, pegando o ar desesperadamente. O grupo de resistentes vai se afunilando, e a disputa para saber quem serão os três finalistas começa a ficar cada vez mais acirrada entre os que permanecem imóveis sob a água.

O relógio já ultrapassa a marca dos dois minutos e meio de prova. Debaixo d'água, os nove sobreviventes restantes travam uma batalha silenciosa contra o próprio corpo. A água gelada aumenta a sensação de claustrofobia dentro das celas de ferro, e as bolhas de ar sobem de forma cada vez mais frequente na superfície. "Nove competidores continuam na disputa pelas três vagas da final!" narra Glenda Kozlowski, observando os tanques. De repente, a estrutura de uma das celas do canto balança. Carolina emerge de uma vez, puxando o ar com força e tossindo. Quase no mesmo segundo, Lidia perde o controle do fôlego e sobe para a superfície, com os rostos vermelhos pelo esforço. Restam seis na água: Andrei, Benedito, Daphne, Hugo, Oscar e Xavier. O foco de Hugo e Xavier é total, eles sabem que a sobrevivência de sua aliança depende desse colar. Na marca dos três minutos e quinze segundos, o limite biológico é atingido por mais três competidores. Oscar é o primeiro a ceder, emergindo com os olhos arregalados pela falta de oxigênio. Logo atrás dele, Andrei e Daphne sobem quase juntos, explodindo na superfície da água e buscando o ar desesperadamente. Glenda Kozlowski bate palmas e faz o anúncio oficial para todo o acampamento: "Fim da primeira fase! Temos os nossos três finalistas! Xavier, Hugo e Benedito resistiram ao limite dos seus pulmões e estão garantidos na grande final da Fuga de Alcatraz!" Os três sobreviventes emergem de suas celas exaustos, mas com a adrenalina a milhão. Hugo e Xavier trocam um olhar rápido de alívio por terem garantido a maioria na etapa decisiva, enquanto Benedito respira fundo, ciente de que terá que enfrentar a dupla sozinho para manter a imunidade em seu grupo. "Podem sair das celas e se aproximarem da estrutura dos túneis" orienta Glenda. "A liderança do jogo está nas mãos de vocês três."

Xavier, Hugo e Benedito se posicionam na plataforma de largada da segunda estrutura. À frente deles, submersas no mar aberto, estão três gaiolas metálicas paralelas que representam os estreitos túneis de fuga da prisão de Alcatraz. Presas aos degraus internos de cada túnel estão as dez boias pesadas, firmemente amarradas. Glenda Kozlowski se posiciona na linha de chegada com o colar de imunidade em mãos: "É isso, finalistas. Os braços e as pernas de vocês já estão pesados por causa do teste de resistência nas celas, mas agora é uma corrida contra o relógio e contra o esgotamento dos pulmões. Vocês devem mergulhar, soltar uma boia por vez, nadar de volta à superfície para liberá-la na raia e mergulhar novamente. O primeiro que conseguir remover as dez boias completa a fuga e vence a imunidade. Finalistas, em posição!" Os três competidores seguram nas barras superiores da plataforma, com os olhos fixos nos túneis submersos. "Três... Dois... Um... Valendo!" grita Glenda. Os três finalistas saltam na água ao mesmo tempo, provocando um grande estrondo na superfície, e deslizam para dentro de seus respectivos túneis de ferro. Hugo e Xavier, movidos pelo puro desespero de estarem na mira do acampamento, começam a prova com uma velocidade frenética. Eles alcançam a primeira boia e trabalham rápido nos mosquetões de fixação. Hugo é o primeiro a arrancar a sua primeira boia, batendo as pernas para trás para sair do túnel e emergindo para jogá-la em sua raia flutuante. Um segundo depois, Xavier quebra a superfície com a sua primeira boia, seguido bem de perto por Benedito. "Hugo garante a primeira! Xavier logo atrás, e Benedito também libera a dele!" narra Glenda em alto e bom som, enquanto os demais participantes aplaudem e gritam do banco dos eliminados. Sem tempo para recuperar o fôlego, os três mergulham de cabeça novamente. O desgaste físico da prova começa a cobrar o preço muito rápido. Movimentar-se dentro da estrutura de ferro exige precisão, qualquer movimento desalinhado significa raspar o corpo nas traves de metal. Na altura da quarta boia, o ritmo da disputa começa a mudar. Benedito, usando uma estratégia mais calma e calculista, consegue desfazer o nó de seu engate logo na primeira tentativa, enquanto Hugo se atrapalha um pouco com um clipe travado debaixo d'água. Xavier aproveita o deslize do parceiro e emerge com a sua quarta boia ligeiramente à frente dos outros dois. "Xavier assume uma liderança milimétrica com quatro boias liberadas! Hugo e Benedito estão colados logo atrás dele!" avisa Glenda. A água está completamente agitada, cheia de espuma e bolhas. Os pulmões dos finalistas ardem e os músculos clamam por oxigênio enquanto eles afundam mais uma vez em busca da quinta e da sexta boia, chegando à metade dessa fuga exaustiva.

O cansaço físico é extremo. Xavier, Hugo e Benedito estão com os braços pesados e as pernas queimando devido ao esforço acumulado, mas nenhum deles ousa diminuir o ritmo. A torcida no banco dos eliminados está eufórica, gritando a cada vez que um deles emerge com uma boia na mão. "Xavier e Hugo entram na sétima boia! Benedito vem logo atrás!" grita Glenda Kozlowski, contagiada pela adrenalina da prova. Xavier mergulha focado, mas a falta de oxigênio começa a embaralhar seus movimentos. Ele perde preciosos segundos tentando soltar o engate da oitava boia debaixo d'água. Hugo percebe a brecha pelo canto do olho, força os pulmões ao limite e consegue soltar a sua oitava e a sua noroestina boia em dois mergulhos cirúrgicos e velozes, assumindo a liderança solitária da prova. "Hugo assume a ponta! Ele está na última boia! Só falta uma para o Hugo!" narra a apresentadora. Xavier e Benedito dão o último gás e empatam na nova boia, mergulhando desesperados logo atrás do líder. O acampamento inteiro se levanta dos bancos para assistir ao desfecho. Hugo afunda na água pela última vez. O coração batendo na garganta, as mãos trêmulas pelo esgotamento, ele puxa o pino da décima boia. O objeto se desprende da estrutura metálica. Ele chuta as grades para trás, emerge rasgando a superfície da água e arremessa a última boia em sua raia flutuante, soltando um grito de puro desabafo e alívio. Glenda Kozlowski bate palmas e decreta o fim do desafio: "Fim de prova! Hugo solta a décima boia e é o grande vencedor da Prova de Imunidade! Você está salvo do Conselho Tribal!" Hugo apoia os braços na plataforma, respirando de forma extremamente arquejada, enquanto Xavier bate na água com força, frustrado por ter batido na trave, mas aliviado pelo parceiro de aliança ter garantido a segurança. Benedito emerge logo em seguida, aceitando a derrota com um aceno de cabeça respeitoso. Os três retornam para a plataforma principal junto aos demais participantes. Glenda pega o ídolo de imunidade e entrega nas mãos de Hugo: "Hugo, parabéns. Em uma noite onde seu nome estava no centro de todas as conversas e o alvo era gigantesco, você conquistou a única coisa que importava, a segurança absoluta. Você não pode ser votado no próximo Conselho Tribal. Já para o resto da tribo... o jogo continua. Nos vemos à noite. Podem voltar para o acampamento."

Assim que os participantes pisam de volta no acampamento, o alívio de Hugo contrasta drasticamente com a tensão que volta a tomar conta das alianças. Com a imunidade definida, as especulações de voto começam a se espalhar pelos cantos. Daphne puxa Carolina e Rayane para perto da área das cabanas, falando em tom baixo, mas carregado de intenção estratégica: "Meninas, pensem comigo. O Hugo está imune, então o alvo principal deles caiu. Talvez este seja o momento exato para a gente fazer um grande movimento e eliminar o Benedito. Se a gente deixar ele passar de fininho agora, ele vai conseguir vencer várias provas físicas em sequência e vai chegar direto na final. A gente precisa cortar a cabeça do grupo deles enquanto dá tempo." Carolina e Rayane ouvem atentamente e concordam com a moça, balançando a cabeça de forma positiva. No entanto, Sônia, que estava por perto e acabou ouvindo os detalhes do plano, decide intervir imediatamente. Ela cruza os braços e bate de frente com a ideia: "Eu discordo totalmente, Daphne. Acho muito mais prudente e seguro para o nosso jogo continuarmos aliadas ao grupo do Benedito nesta rodada. O certo é manter o foco e eliminar o Yago ou o Xavier no próximo Conselho Tribal. Eles ainda são uma ameaça direta contra a gente." Daphne não desiste facilmente e tenta argumentar, justificando que o jogo exige riscos, mas Sônia se mantém irredutível e corta a conversa com firmeza: "Não adianta insistir, Daphne. Eu não vou mudar de ideia sobre isso esta noite." Clarisse, que estava um pouco mais afastada apenas observando a linguagem corporal de longe, percebe o clima estranho e a nítida faísca que se acendeu entre as duas. Pouco depois, assim que Daphne se afasta, Clarisse se aproxima de Sônia e a questiona sobre o motivo de ter ficado contra a proposta da aliada de forma tão categórica. Sônia respira fundo, olha ao redor e responde com seriedade: "A verdade, Clarisse, é que eu simplesmente estou achando muito estranho e perigoso o comportamento da Daphne nas últimas horas. Ela está querendo dar todas as cartadas do jogo sozinha, manipulando todo mundo e decidindo quem vai e quem fica. Alguém assim uma hora se vira contra nós." Enquanto as rachaduras no grande bloco feminino começavam a aparecer, a câmera corta para o depoimento confessional de Hugo. Mesmo ostentando o colar de imunidade no peito, o semblante do participante é de pura preocupação: "Vencer a prova hoje foi um alívio gigante para o meu pescoço, não vou mentir. Mas a verdade é que eu não consigo nem comemorar a minha vitória direito aqui dentro. O colar me protege, mas deixa os meus aliados completamente expostos. Eu preciso pensar muito rápido, junto com os meninos, em uma maneira eficiente de proteger o Gregório, o Yago e, principalmente, o Xavier no próximo Conselho Tribal. Se eu não conseguir articular uma contrataque ou encontrar uma brecha no grupo deles, eu vou ficar completamente sozinho e sem base nenhuma nas próximas semanas."


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