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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Bruna Entrevista: 14x06 - Vandré Silveira


Olá, olá... Tudo bem, queridos leitores? Então que hoje é dia de conferir mais uma entrevista inédita aqui no blog, olha que bacana? E o nosso convidado de hoje é bem conhecido da galera que acompanha cinema, teatro, novelas, etc... Convidamos o querido ator Vandré Silveira, para conhecer um pouco mais da sua trajetória artística e algumas de suas experiências. Vem conferir comigo como foi esse papo!

Bruna Jones: Ao longo dos anos você acabou conquistando uma ótima carreira como ator, mas antes da gente falar um pouco mais sobre isso, gostaria de voltar um pouco no tempo... Você começou os estudos na área e a carreira ainda muito jovem, não é mesmo? O que te motivou a buscar uma carreira nas artes cênicas?
Vandré Silveira: Eu comecei a estudar Teatro aos 20 anos. Era uma criança tímida, mas sempre fui bastante observador. Minha mãe conta que acontecia de, eventualmente, eu aparecer em casa reproduzindo a maneira de falar de algum colega de classe. Não era racional. Eu simplesmente absorvia algum traço da fala ou de comportamento pela convivência. Hoje penso que isso já se relacionava com meu fascínio pelo outro. Com o desejo de ser outros. Ali, talvez, o ator já estava emergindo. Sonhava com a carreira artística, mas não era algo que fazia parte do meu universo. Só aos 20 anos tive a coragem de me colocar à prova. Me inscrevi num curso livre de atuação e me apaixonei pelas artes cênicas. Ali tive certeza do meu caminho!

Bruna Jones: Cerca de 20 anos atrás, você acabou saindo de Minas Gerais e se mudou para o Rio de Janeiro em busca de novos projetos, creio que essa foi apenas uma das diversas mudanças que você teve que aplicar em sua vida para conquistar o seu sonho, além disso, todos nós sabemos que inícios de carreiras sempre acabam vindo com algumas dificuldades, seja a instabilidade financeira, construir os contatos certos, ter que conciliar mais do que uma atividade, enfim... Como foram os seus primeiros anos e as adaptações que você precisou fazer? Você obteve apoio familiar e de amigos para não desistir no caminho?
Vandré Silveira: Minha família sempre me apoiou. A carreira artística é uma carreira de instabilidade. Os editais de incentivo e patrocínio culturais são fundamentais, mas infelizmente contemplam apenas uma parte da ampla e diversa produção artística existente e quando contempla algum projeto, não há uma continuidade que possibilitaria ao artista e/ou à companhia continuar o trabalho de criação, pesquisa e produção. Surpreendentemente, nós artistas, continuamos produzindo nessas condições. Este ano completei 25 anos de carreira profissional, entre trabalhos no teatro e no audiovisual, e muitas vezes, realizei meus projetos autorais, sem qualquer patrocínio. Essa resiliência para mim, vem de uma necessidade de comunhão com o outro, para além da autoexpressão ou comunicação. O desejo de estabelecer uma ponte com o outro. Acho esse o maior desafio da humanidade. E o teatro para mim é um dos maiores veículos para essa condução. 

Bruna Jones: Muitas de suas experiências profissionais vieram de histórias contadas no palco, inclusive você esteve recentemente em "A Hora do Boi", muita gente acredita que o palco de um teatro é um grande preparador para que o ator construa uma carreira mais consistente, tendo por exemplo, a oportunidade de lidar com imprevistos e a interação sem cortes, já que não tem como refazer uma cena caso alguma coisa saia fora do controle... Você concorda com isso? Qual a importância do teatro na sua vida? 
Vandré Silveira: Existe uma artesania no trabalho do ator no Teatro que oferece uma base de entendimento para qualquer linguagem. Penso que o Teatro expande as possibilidades de um ator pela natureza presencial, irrepetível e imprevisível. O Teatro me deu possibilidades de compreender melhor a vida. E a maturidade que a vida e o tempo trouxeram, a partir das dificuldades e dos erros cometidos que se tornaram lições importantes, me aprofundou como ator. É uma simbiose. 

Bruna Jones: Inclusive, falando em imprevistos e interação com o público na plateia... Alguma vez já aconteceu algo fora do seu controle em alguma apresentação e você precisou dar um jeito de contornar a situação sem sair do personagem ou algo cômico aconteceu que saiu do controle, que você possa compartilhar com a gente? 
Vandré Silveira: Às vezes acontece de algum espectador comentar alguma cena. Há um momento no espetáculo "A Hora do Boi" em que o patrão manda Seu Francisco abater o boi Chico com o qual ele estabeleceu uma relação de afeto, e nesse momento, há sempre reações imprevisíveis. Mas é preciso ir ao Teatro para descobrir o desfecho. Garanto que é surpreendente. 

Bruna Jones: Como eu disse, recentemente você encerrou a temporada de "A Hora do Boi" nos teatros de São Paulo. Como foi para você participar desse projeto? E o que mais te motivou a embarcar nele?
Vandré Silveira: Este é um projeto autoral, idealizado por mim, com texto da Daniela Pereira de Carvalho e direção de André Paes Leme. Vamos iniciar a 6ª temporada do espetáculo em junho no Atelier Cênico em São Paulo. "A Hora do Boi" parte da minha necessidade de falar sobre amor e empatia, a partir da relação de um homem e um boi. Dessa relação, discutimos a equivocada visão antropocêntrica que coloca o ser humano numa posição de superioridade em relação aos outros seres. Os animais não estão à serviço da humanidade.

Bruna Jones: Tanto no teatro quanto na televisão, você teve a oportunidade de interpretar personagens completamente diferentes uns dos outros e creio que até mesmo da sua realidade, o que imagino que seja interessante para um ator, vivenciar profissões, personalidades, vivências, etc... Que normalmente não vivenciava se estivesse em outra carreira. Dito tudo isso, qual foi o personagem que você acredita que "te deu mais trabalho" para reproduzir e o que te motiva na hora de aceitar ou recusar um personagem? 
Vandré Silveira: Cada personagem é um universo singular. O desafio é encontrar as contradições de cada personagem. Somos feitos de contradições, por mais certezas e definições que busquemos. E como buscamos! Ao pesquisar essas contradições, é possível que iluminemos as nossas próprias. O que me motiva a escolher um trabalho são personagens que possibilitam essa pesquisa de forma mais aprofundada. 

Bruna Jones: O mundo das artes cênicas hoje em dia está completamente diferente do que costumava ser há 10, 20, 30 anos atrás... Se antigamente as opções eram o teatro ou a televisão, hoje nós temos plataformas de streaming que produzem filmes, seriados e minisséries de uma forma mais ampla e rápida do que costumava ser. E você, teve a oportunidade de passar por essas dinâmicas diferentes no decorrer da sua carreira, como você vê esse novo formato de atuação que os atores brasileiros estão podendo ter hoje em dia, como "Carcereiros" que você fez para o Globoplay e "Dona Beja" para a Max?
Vandré Silveira: Com a chegada do streaming, estabeleceu-se uma nova possibilidade de produção de conteúdo para além da TV aberta e fechada. Isso também tem significado maiores oportunidades para os atores. Para além desses trabalhos citados acima, também participei, mais recentemente, de "Pedaço de Mim" (Netflix, 2024) e "A Magia de Aruna" (Disney+, 2023). É importante ressaltar que com a chegada dessas grandes plataformas de streaming, precisamos buscar uma crescente valorização da produção nacional e de todos os profissionais envolvidos nessa cadeia produtiva. 

Bruna Jones: Aliás, falando em mudanças... Se antigamente para conseguir contatos e trabalhos, um ator precisava literalmente correr atrás das oportunidades, hoje em dia, com o avanço da tecnologia, basta ter algumas redes sociais mais "agitadas" que você acaba ganhando mais visibilidade e algumas portas se abrem... O que você pensa sobre essa mudança na dinâmica de um ator, onde você precisa ficar alimentando as redes, mas além disso, também ter o seu próprio canal de comunicação direta com os fãs? 
Vandré Silveira: Eu adoro me comunicar com as pessoas que gostam do meu trabalho. Mas essa ideia de que temos que alimentar as redes e produzir conteúdo, eu considero um equívoco. Estamos na era em que "parecer" é mais significativo do que "ser". Nos é vendida a ideia de que para você ser bem- sucedido, não basta executar bem o seu trabalho, ou ter mestria sobre seu ofício, mas precisa saber "vender seu peixe". Acho essa ideia pavorosa. E volta e meia, todos nós estamos reféns dela. 

Bruna Jones: Outra coisa que mudou bastante no decorrer dos anos, é a maneira como os realities acabaram se tornando populares tanto na televisão quanto nos streamings. Hoje em dia existem diversos, desde confinamento, quanto musicais, sobrevivência, esportes radicais, de casais, etc...Você alguma vez já foi convidado para algum? Se fosse, você aceitaria ou prefere focar somente em trabalhos cênicos? 
Vandré Silveira: A dramaturgia ficcional e a dramaturgia de reality são propostas distintas. Me encanta a arte da atuação. Nunca pensei em participar de um reality e nunca fui convidado também. Não sei se aceitaria. 

Bruna Jones: Você recentemente terminou a sua temporada no teatro, mas o ano praticamente ainda está começando... Tem alguma novidade vindo por aí? Algum projeto que possa compartilhar com a gente?
Vandré Silveira: Vou estrear a nova temporada de "A Hora do Boi" em junho, no Atelier Cênico, em São Paulo. Dias 08, 15, 22 e 29/06 às 20h. E além do espetáculo, tem um personagem novo na TV pintando. Ainda não posso dar detalhes. Em breve! 

Bacana a nossa conversa, não é mesmo? E ele ainda deixou um recadinho antes de ir, olha só: "Um beijo para todos os leitores de "O Diário de Bruna Jones" e pessoas queridas que acompanham meu trabalho. Venham ao Teatro! Eu, São Francisco, Chico (o boi) e Seu Francisco esperamos vocês!" e para quem quiser continuar acompanhando ele nas redes sociais, basta procurar por @vandresilveira e @ahoradoboiteatro, combinado?

Espero que vocês tenham gostado da entrevista de hoje, em breve retornarei com novidades. Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?

terça-feira, 5 de maio de 2026

SRA - Edge of Extinction: 8x17 - Destinos Separados


Assim que os doze sobreviventes pisam na areia do acampamento, o silêncio da trilha se desfaz em uma explosão de revolta. Renato joga sua mochila no chão com força, e Flora, com os olhos faiscando sob a luz da fogueira, vira-se imediatamente para o próprio grupo, sem dar tempo de ninguém respirar. "Dá para alguém me explicar que palhaçada foi essa lá no Conselho?" dispara Flora, cruzando os braços e encarando Andrei, Lidia e Benedito. "O voto era no Xavier! Esse era o combinado do nosso grupo! Por que o nome do Gregório apareceu naquelas cédulas?" Renato dá um passo à frente, com o semblante rígido, endossando a cobrança da aliada: "Nós fechamos um plano olho no olho na praia. A gente ia se juntar com o grupo da Clarisse para tirar o Xavier e não o Gregório. Quem foi que mudou o script pelas nossas costas?" Diante do confronto direto, Benedito toma a frente do bloco. Ele coloca as mãos na cintura, respira fundo e assume a responsabilidade pela jogada: "Olha, Flora, vamos ser bem realistas aqui. Tudo o que aconteceu entre você e o Gregório mais cedo na mata deixou todo mundo com o pé atrás. Você foi até ele, abriu as nossas paranoias e entregou a nossa estratégia de bandeja. Quando a Lidia nos contou isso, o grupo inteiro ficou com receio. A gente não sabia se você estava fechada com ele ou com a gente, e por isso nós preferimos mudar o alvo e garantir a eliminação do Gregório antes que ele nos atacasse. Foi pura legítima defesa." Ao ouvir a justificativa, Flora perde completamente a paciência. Ela solta uma risada nervosa e dá um passo na direção de Benedito, gesticulando com indignação: "Não aconteceu nada com o Gregório, Benedito! Vocês estão loucos? Eu fui até lá fazer o papel de jogadora, eu estava apenas tentando articular e garantir que o melhor para o jogo do nosso grupo acontecesse hoje à noite! Eu estava blindando a gente! Mas em vez de confiarem em mim, vocês agiram como covardes, foram pelas minhas costas e me enganaram no Conselho Tribal!" Percebendo que os gritos de Flora estavam chamando a atenção do resto da praia, Andrei ergue as mãos, pedindo calma em um tom de voz moderado para tentar abaixar a temperatura do ambiente: "Flora, calma, abaixa a voz. Calma. Não é o fim do mundo o que aconteceu aqui hoje. O Gregório era uma ameaça enorme e está fora do jogo. Entende o lado positivo, nós mudamos o alvo de última hora, sim, mas o nosso grupo ainda conseguiu ditar o ritmo do Conselho. Nós ainda estamos na vantagem numérica nesta praia. Vamos sentar e conversar direito, sem gritar."

A poucos metros dali, perto do abrigo de troncos, o clima no antigo grupo de Gregório é de puro funeral. Hugo chacoalha a cabeça negativamente, observando a discussão acalorada de Flora e Renato com os outros. Ele se vira para Xavier e Yago, falando em um tom de voz baixo e preocupado: "Cara, nós estamos em mais risco do que nunca depois da saída do Gregório. O nosso escudo caiu. Agora que eles viram que conseguem passar a perna na gente, o grupo do Renato e as meninas da Clarisse vão se unir contra nós para tentar nos eliminar um por um. Nós viramos os alvos fáceis desse acampamento." Enquanto Xavier e Yago assimilavam o baque, Rayane surge da penumbra da mata e se aproxima do trio. Ela cruza os braços, olha bem nos olhos de Hugo e vai direto ao ponto, oferecendo uma tábua de salvação inesperada: "Escutem aqui. Eu ouvi o que vocês estão dizendo e a verdade é que eu também estou jogando sozinha. Então, prestem atenção, desde que vocês não inventem de jogar junto com a Carolina, eu topo fechar com vocês. Eu uso o meu voto para me unir ao grupo de vocês a partir de agora." Xavier solta um suspiro de alívio e assente com a cabeça, estendendo a mão para a moça: "Olha, Rayane... Obrigado mesmo. Já é mais um voto do nosso lado e Deus sabe o quanto a gente precisa disso agora. Mas, sendo bem realista, nós ainda precisamos de mais gente ao nosso lado para conseguir virar o jogo. Só nós quatro ainda não fazemos cócegas neles." Enquanto o novo quarteto de sobrevivência se desenhava perto do abrigo, Flora e Renato se afastavam da fogueira principal e iam em direção à beira da água para tentar conversar com o mínimo de privacidade. Flora limpava uma lágrima de raiva do rosto e mantinha a postura rígida. "Renato, eu vou ser muito sincera com você. Eu não confio mais em uma única palavra do Andrei, do Benedito e muito menos da Lidia" desabafa Flora, com a voz embargada, mas firme. "Para mim, acabou. O nosso grupo rachou agora e não tem mais como voltar atrás. Eles quebraram a única coisa que sustentava a gente aqui, que era a lealdade." Renato passa a mão pelo rosto, visivelmente desgastado pela noite intensa, e tenta usar sua frieza habitual para acalmar a maior aliada: "Flora, respira um pouco. A nossa cabeça está quente demais agora, o Conselho acabou de acontecer e todo mundo está com a adrenalina lá no teto. Vamos tentar dormir. Quando o dia amanhecer, a gente senta com calma e pode rever essa conversa. Não toma nenhuma atitude precipitada no escuro." Flora, porém, para e olha fixamente para Renato, balançando a cabeça de forma negativa e mostrando que sua decisão não tem retorno: "Não tem conversa amanhã, Renato. Minha cabeça não está quente, ela está bem lúcida. Eu fui traída de bandeja. A partir de amanhã, o meu jogo é outro. Eu não quero mais saber absolutamente nada desse antigo grupo. Eles que joguem sozinhos."


O sol mal desponta no horizonte da ilha e os doze sobreviventes já são despertados pela produção. Sem tempo para estratégias matinais, sem conseguir se arrumar direito e mal lavando o rosto na água salobra, eles são encaminhados às pressas para o campo de provas. A atmosfera de cansaço da noite anterior se mistura com a urgência de um novo dia. Na arena, Glenda Kozlowski os aguarda com uma postura imponente e um sorriso enigmático que entrega que o jogo está prestes a mudar de patamar. "Bom dia, sobreviventes!" saúda a apresentadora, observando os rostos sonolentos e tensos. "Podem se aproximar. Hoje eu não tenho apenas uma prova para vocês, mas sim notícias que vão redefinir os rumos dessa competição." Glenda olha para a primeira fileira e faz um sinal com a mão. "Clarisse, por favor, dê um passo à frente. O seu ciclo de proteção terminou. Pode me devolver o Ídolo de Imunidade." Clarisse entrega a estatueta para Glenda. A apresentadora ergue o objeto para que todos vejam e faz o anúncio: "A partir de hoje, o Ídolo de Imunidade como vocês conheciam deixa de ser um objeto rústico e se torna, oficialmente, o tradicional Colar de Imunidade. E o motivo para essa mudança é especial, vocês sobreviveram, resistiram e chegaram à grande fase em que os eliminados começam a formar o Júri da temporada! Quem sair daqui hoje não vai mais para casa; vai para o hotel e assistirá a todos os Conselhos até o fim, com o poder de decidir quem ganha o prêmio milionário." Imediatamente, uma onda de alívio e comemoração toma conta dos participantes. Xavier bate palmas, Hugo solta um grito de comemoração e até Flora dá um sorriso, sabendo da importância histórica desse marco no programa. No entanto, Glenda faz um gesto sutil com a mão, cortando a euforia na hora. O semblante dela volta a ficar sério. "Mas... Infelizmente, nem tudo são boas notícias nesta praia" avisa a apresentadora, fazendo o silêncio reinar novamente. "Especialmente na prova de hoje, a dinâmica vai ser cruel. Vocês não vão competir individualmente da forma tradicional. Vocês vão formar, por sorteio, dois grupos aleatórios de seis pessoas." Glenda se vira para o suporte ao seu lado e puxa um pano, revelando dois Colares de Imunidade brilhantes. "Cada um desses dois grupos terá um vencedor próprio. E o que isso significa na prática? Significa que hoje à noite acontecerão dois Conselhos Tribais independentes, um para cada grupo de seis participantes. Cada grupo mandará uma pessoa embora. E esses dois eliminados de hoje à noite vão inaugurar o nosso painel, tornando-se oficialmente o primeiro e o segundo membro do Júri." A revelação cai como uma bomba na arena. Os rostos dos participantes mudam instantaneamente da comemoração para o choque absoluto. Hugo arregala os olhos, Lidia congela no lugar e Renato imediatamente começa a calcular o desastre, com o grupo rachado e sorteios aleatórios de seis pessoas, as alianças acabam de ser completamente pulverizadas antes mesmo da prova começar.

"Chegou a hora do destino se impor sobre as estratégias de vocês" anuncia Glenda Kozlowski, balançando um pequeno saco de tecido rústico, de onde sai o som de pedras batendo umas nas outras. "Aqui dentro eu tenho doze pedras, seis azuis e seis vermelhas. É isso que vai separar os dois novos grupos de hoje." Um a um, com os corações na boca, os participantes se aproximam e retiram uma pedra do saco, mantendo as mãos fechadas para guardar o segredo até o final. "No três, mostrem as cores para a praia. Um, dois, três... Já!" As mãos se abrem simultaneamente. Olhares desesperados correm de um lado para o outro enquanto os blocos se configuram. De um lado, os detentores das pedras azuis se juntam, formando uma combinação explosiva de alianças rompidas e rivais declarados: Grupo Azul: Andrei, Clarisse, Yago, Carolina, Hugo e Flora. Do outro lado, os donos das pedras vermelhas se reúnem, criando um cenário de extrema tensão, especialmente para Xavier, que se vê cercado pela maioria do grupo que tentou eliminá-lo, mas agora conta com o apoio de Rayane e o racho de Renato: Grupo Vermelho: Benedito, Lidia, Sônia, Renato, Rayane e Xavier. Com as divisões feitas, Glenda aponta para a gigantesca estrutura montada atrás dela na arena, onde doze postos individuais de madeira ostentam placas rústicas. "Agora, prestem muita atenção em como funcionará a prova que vale a imunidade e a entrada garantida no Top 10" explica a apresentadora. "Cada participante recebe três placas com seu próprio nome, que ficam penduradas em uma estrutura bem à sua frente. O objetivo de vocês aqui é muito simples, mas exige sangue frio, proteger suas próprias placas enquanto tentam destruir as dos adversários." Glenda caminha até um dos postos e ergue a arma da prova. "Utilizando um estilingue e uma quantidade de munição que é limitada por rodada, vocês vão se revezar realizando disparos contra os alvos dos outros jogadores. A cada acerto certeiro, uma placa do seu rival pode ser danificada ou destruída de vez, aproximando aquele competidor da eliminação da prova. A disputa continua de forma implacável até que reste apenas um participante com pelo menos uma placa intacta em seu grupo. Esse último sobrevivente ganha o Colar de Imunidade." Os participantes olham para os estilingues e para os alvos, já calculando o tamanho da lavagem de roupa suja que essa dinâmica vai gerar. "Como são dois grupos e duas imunidades, nós faremos isso em etapas" avisa Glenda. "O grupo da pedra azul será o primeiro a jogar hoje. Portanto, eu vou pedir para a produção levar imediatamente o grupo da pedra vermelha para outro ambiente, isolado, sem que eles possam ver ou ouvir o que vai acontecer aqui." Benedito, Lidia, Sônia, Renato, Rayane e Xavier pegam suas coisas e começam a ser escoltados para fora da arena principal. Enquanto se afastam, Renato lança um último olhar preocupado para Flora, que agora está sozinha em um grupo cercada por Andrei e Hugo. Glenda se vira para os seis competidores do Grupo Azul, que já se posicionam atrás de seus estilingues: "Grupo Azul... A primeira rodada está prestes a começar. Preparem as miras."


Os seis competidores do Grupo Azul, Andrei, Carolina, Clarisse, Flora, Hugo e Yago, assumem seus postos. À frente de cada um, três placas de madeira com seus respectivos nomes balançam levemente com o vento. O clima é de pura demarcação de território. "Grupo Azul, vocês estão jogando pelo primeiro Colar de Imunidade e por uma vaga direta no Top 10" anuncia Glenda. "A primeira rodada começa agora. Hugo, você abre os disparos." Hugo puxa o elástico do estilingue com força. Ele sabe que, sem Gregório, é o alvo mais óbvio ali. Tentando se defender atacando primeiro, ele mira em Andrei, mas a pedra passa raspando. A resposta do outro lado vem como um rolo compressor. Andrei, Carolina e Clarisse não perdem tempo em alinhar os alvos: a prioridade deles é exterminar o que sobrou da antiga aliança de Gregório. Andrei faz o primeiro disparo certeiro, quebrando a primeira placa de Hugo com um estalo seco. Logo em seguida, Carolina calibra a pontaria e destrói a segunda. Hugo tenta resistir e usa sua segunda chance para atacar Carolina, conseguindo rachar uma placa dela, mas o cerco era grande demais. Na rodada seguinte, Clarisse puxa o estilingue sorrindo e acerta em cheio o último alvo do rapaz. Glenda: "Hugo, suas três placas foram destruídas. Você está eliminado da prova de imunidade!" Com Hugo fora do tabuleiro, Yago se vê completamente isolado. Ele tenta uma cartada estratégica e mira em Carolina, conseguindo quebrar uma placa dela para tentar ajudar Rayane indiretamente, mas o troco é imediato. Flora, que até então estava observando a movimentação para não se indispor, percebe que precisa jogar com a maioria temporária para se salvar. Ela mira no posto de Yago e destrói sua primeira placa. Aproveitando a fragilidade do rapaz, Andrei e Clarisse canalizam seus tiros na mesma direção. Yago erra seu último disparo por conta do nervosismo e, logo na sequência, Carolina faz o tiro de misericórdia, estraçalhando a terceira placa com o nome dele. Glenda: "Yago, todas as suas placas caíram. Você também está fora da disputa!" Restam apenas quatro na prova: Andrei, Carolina, Clarisse e Flora. É nesse momento que a trégua forçada acaba e as feridas do último Conselho Tribal se abrem na arena. Flora tenta se antecipar e mira com rancor no posto de Andrei, destruindo a primeira placa dele como resposta pela traição da noite anterior. "Você achou que ia passar batido, Andrei?" dispara Flora, enquanto recarrega o estilingue. Andrei limpa o suor da testa, racha a primeira placa de Flora e rebate: "É o jogo, Flora! Você se expôs ontem!" A situação de Flora complica quando Clarisse e Carolina, percebendo que Andrei é um aliado mais seguro para o Conselho que se aproxima, decidem proteger o rapaz. Clarisse faz um disparo perfeito que estraçalha a segunda placa de Flora. Sozinha e sem o apoio de Renato para defendê-la com contra-ataques, Flora tenta mirar em Clarisse para revidar, mas a pedra bate na estrutura de madeira. Sem piedade, Carolina puxa o elástico ao máximo e solta a munição, destruindo a terceira e última placa com o nome de Flora. Glenda: "Flora, você está eliminada da prova! Apenas Andrei, Carolina e Clarisse continuam na disputa pelo colar." Três aliados originais que agora terão que decidir entre si quem fica com a imunidade máxima do Grupo Azul, enquanto Flora se afasta pisando fundo, lançando um olhar mortal para Andrei.

Andrei tenta ser rápido e mira na estrutura de Clarisse, mas a pedra passa longe do alvo. Sem o escudo dos alvos periféricos como Hugo e Flora, ele se torna a bola da vez. Clarisse e Carolina trocam um olhar rápido e, sem precisar dizer uma única palavra, alinham as miras na direção do rapaz. Clarisse puxa o elástico com precisão e estraçalha a primeira placa de Andrei. Logo em seguida, Carolina calibra a pontaria e arranca a segunda. Isolado, Andrei tenta um último disparo de defesa contra Carolina, mas erra. Com um sorriso confiante, Clarisse faz o disparo final, destruindo a terceira placa com o nome do aliado. Glenda: "Andrei, suas três placas foram destruídas! Você está fora da prova. Temos uma final feminina!" A disputa pelo primeiro colar fica restrita a Carolina e Clarisse. Clarisse entra na rodada final com uma leve vantagem, tendo duas de suas placas intactas, enquanto Carolina tem apenas uma restante. Clarisse faz o primeiro disparo, tentando encerrar o jogo, mas a pedra bate na trave de madeira de Carolina. Sentindo a pressão, Carolina respira fundo, limpa o suor do rosto e puxa o estilingue com toda a força. O tiro é certeiro, a segunda placa de Clarisse explode em pedaços. Tudo igualizado. Na rodada decisiva, o nervosismo toma conta de Clarisse, que erra o alvo por centímetros. Carolina não desperdiça a oportunidade de ouro. Ela mira com frieza, solta a munição e atinge em cheio a última placa de Clarisse, que se racha ao meio antes de cair no chão da arena. Glenda: "E acabou! Carolina destrói a última placa e é a grande vencedora do Grupo Azul! Ela está imune hoje à noite e garante seu lugar no Top 10!" Carolina grita de alegria, jogando os braços para cima e comemorando intensamente, enquanto Clarisse, apesar da derrota, a abraça parabenizando a aliada. Glenda Kozlowski pega o reluzente Colar de Imunidade e caminha até a vencedora, colocando o adereço pesado em seu pescoço. "Parabéns, Carolina. Você garantiu a sua imunidade e, mais importante do que isso, a sua vaga histórica no Top 10 desta temporada está carimbada. Ninguém pode votar em você hoje à noite." A apresentadora então se vira para os seis competidores do grupo, mudando o tom de voz para a seriedade que o momento exige: "Para os outros cinco, a situação é dramática. Hugo, Yago, Flora, Andrei e Clarisse... Vocês estão em risco. E o tempo de vocês para articular começou a correr. Produção, por favor, encaminhem os seis participantes do Grupo Azul até o barco." Glenda aponta para a margem, onde uma embarcação rústica de madeira os aguarda. "Vocês seis vão entrar nesse barco agora e serão levados para um local isolado, em uma outra parte da ilha. Vocês vão passar o resto do dia lá, completamente separados do Grupo Vermelho, até o momento exato em que pisarem no Conselho Tribal hoje à noite. Podem embarcar." Com as mochilas nas costas e os sentimentos à flor da pele, os seis sobem no barco. Carolina exibe o colar no peito com orgulho, enquanto Flora e Hugo trocam olhares, cientes de que a contagem regressiva para a sobrevivência de um deles começou.

O barco do Grupo Azul desaparece na curva do rio, e a equipe de produção traz de volta à arena os seis competidores do Grupo Vermelho: Benedito, Lidia, Rayane, Renato, Sônia e Xavier. Eles entram com os rostos sérios, tentando decifrar pelas marcas no chão ou pelos restos de madeira quem havia vencido a primeira etapa. "Bem-vindos de volta, Grupo Vermelho" saúda Glenda Kozlowski, apontando para o Colare de Imunidade original, onde agora restava apenas um. "O Grupo Azul já disputou a sua imunidade, um deles está garantido no Top 10 e os outros cinco estão isolados na ilha esperando o Conselho. Agora, a pressão está toda em cima de vocês. Xavier, você abre os disparos desta rodada." Xavier assume o posto com o coração batendo na garganta. Sem Hugo e Yago no grupo para dividirem os alvos, ele sabe que é a caça mais óbvia da arena. Ele tenta desestabilizar o bloco majoritário e atira contra Benedito, quebrando a primeira placa dele. Mas a tréplica vem como um turbilhão. Benedito, Lidia e Sônia alinham as miras imediatamente na direção do rapaz. Benedito puxa o elástico com força e estraçalha a primeira placa de Xavier. Logo em seguida, Lidia calibra o tiro e arranca a segunda. Rayane tenta intervir para salvar o aliado e atira contra Sônia, rachando uma placa da veterana, mas o destino de Xavier já estava traçado. Na rodada seguinte, Sônia puxa o estilingue com frieza e explode a terceira e última placa do competidor. Glenda: "Xavier, suas três placas foram destruídas! Você está eliminado da prova." Com Xavier fora do jogo, Rayane se torna o próximo alvo óbvio do trio dinâmico. Ela recarrega o estilingue rapidamente e atira com raiva em Lidia, conseguindo quebrar uma placa da rival. "Podem vir em mim, eu não tenho medo de vocês!" desafia Rayane. E eles vão. Benedito e Lidia concentram o fogo na estrutura da moça, destruindo duas de suas placas em sequência. Renato, percebendo que a eliminação de Rayane o deixaria completamente sozinho contra o trio no futuro, tenta ajudá-la atirando contra Benedito, destruindo sua segunda placa. Porém, a desvantagem numérica fala mais alto. Sônia puxa o elástico do estilingue ao máximo, mira no alvo restante de Rayane e solta. A placa voa em pedaços. Glenda: "Rayane, todas as suas placas caíram. Você também está fora da disputa!" Restam quatro na prova: Benedito, Lidia, Sônia e Renato. É neste momento que o racho interno do antigo grupo médio explode na arena. Renato, sabendo que Lidia foi a arquiteta da eliminação de Gregório pelas suas costas no último Conselho, não hesita. Ele mira com precisão matemática no posto dela e estraçalha sua segunda placa. "O jogo dá voltas, Lidia" diz Renato, com a voz gélida. Lidia limpa a poeira do rosto, olha para os lados e aciona seus aliados de momento. Benedito e Sônia, entendendo que Renato é um jogador cerebral perigoso demais para se manter imune, decidem dar o troco. Benedito faz um disparo certeiro que quebra a primeira placa de Renato. Renato tenta se defender descarregando seu último tiro contra Lidia, mas a pedra passa raspando a estrutura. Sem qualquer piedade, Lidia puxa o elástico do estilingue sorrindo e destrói a segunda placa do ex-aliado. Para fechar a fatura, Sônia calibra a pontaria e atinge em cheio a terceira placa com o nome de Renato. Glenda: "E o Renato está eliminado da prova! A disputa pelo último Colar de Imunidade fica restrita a Benedito, Lidia e Sônia." O trio que comandou a virada no último Conselho agora terá que se canibalizar na arena para ver quem garante a vaga direta no Top 10.

Sônia assume o posto com a compostura de sempre, tentando calcular qual dos dois aliados seria a maior ameaça física nas próximas etapas. Ela mira na estrutura de Benedito, mas o tiro bate na base de madeira. A resposta dos mais jovens vem sem hesitação. Benedito e Lidia entendem que Sônia é uma jogadora perigosíssima no quesito social e que não podem deixá-la imune. Benedito puxa o elástico com força e estraçalha a primeira placa de Sônia. Logo em seguida, Lidia calibra o tiro e arranca a segunda. Isolada, Sônia tenta um último disparo contra Lidia para se defender, mas a pedra passa raspando. Com um aceno sutil de cabeça, Benedito faz o disparo final, destruindo a terceira placa com o nome da veterana. Glenda: "Sônia, suas três placas foram destruídas! Você está fora da prova. Temos uma final entre Benedito e Lidia!" A disputa pelo colar do Grupo Vermelho fica restrita a Benedito e Lidia. Ambos entram na rodada final com o mesmo número de alvos, cada um ostentando apenas uma placa intacta na estrutura. É tudo ou nada. Lidia faz o primeiro disparo, puxando o estilingue com pressa para tentar surpreender, mas o nervosismo faz a pedra desviar do alvo por milímetros. Sentindo o momento crescer, Benedito respira fundo, firma os pés na areia e puxa o elástico ao máximo, mirando com precisão. O tiro sai perfeito e atinge em cheio o centro do alvo de Lidia. A madeira se despedaça e cai no chão da arena. Glenda: "E acabou! Benedito destrói a última placa de Lidia e é o grande vencedor do Grupo Vermelho! Ele garante a imunidade e carimba seu passaporte para o Top 10!" Benedito solta um grito de desabafo que ecoa por todo o campo de provas, socando o ar com os punhos cerrados. Lidia, embora frustrada com a derrota na reta final, dá um tapinha nas costas do aliado, reconhecendo a vitória. Glenda Kozlowski pega o segundo Colar de Imunidade e caminha até o vencedor, envolvendo o adereço pesado em seu pescoço. "Parabéns, Benedito! Você jogou com estratégia e garantiu a sua imunidade na hora mais crítica. O seu lugar no Top 10 desta temporada está absolutamente garantido. Ninguém pode escrever o seu nome no Conselho hoje à noite." A apresentadora se vira para os outros cinco competidores do Grupo Vermelho "Lidia, Sônia, Renato, Rayane e Xavier", que observam o colar com olhares pesados. "Para vocês cinco, o risco é real e imediato. Hoje à noite, um de vocês será o segundo eliminado a inaugurar o júri. Mas a caminhada de vocês agora é diferente. Produção, o Grupo Vermelho está liberado para retornar ao acampamento oficial." Glenda faz um sinal firme com a mão, estipulando as regras de isolamento: "Vocês vão voltar para a praia de vocês, mas prestem bem atenção, vocês estão proibidos de ter qualquer tipo de contato ou comunicação com o Grupo Azul até o momento em que pisarem no Conselho Tribal. Eles estão em outra parte da ilha e vocês não saberão o que está acontecendo lá, assim como eles não sabem o que aconteceu aqui. Aproveitem o resto do dia para articular apenas entre vocês cinco. Podem voltar para o acampamento." Com as mochilas nas costas, os seis integrantes do Grupo Vermelho pegam a trilha de volta, deixando a arena em silêncio. Enquanto Benedito exibe o colar no peito, Xavier e Rayane trocam um olhar cúmplice, sabendo que as próximas horas na praia serão de pura guerra de sobrevivência.

Isolados em uma praia deserta do outro lado da ilha, os seis integrantes do Grupo Azul tentam encontrar abrigo do sol e digerir a tensão que se acumulou após a prova. Com Carolina imune, a contagem regressiva para o Conselho Tribal deixa os nervos à flor da pele. Perto de um tronco caído à beira da água, Hugo mexe na areia com um pedaço de pau, com o semblante completamente derrotado. Ele olha para Yago e fala em um tom de voz baixo, quase em um sussurro: "Cara, nós estamos completamente ferrados com esse Conselho Tribal. Não tem para onde correr. A Carolina ganhou a imunidade, o que significa que o bloco dela está blindado. Ela e os outros três vão se unir sem pensar duas vezes para votar em um de nós dois hoje à noite. Nós somos a minoria da minoria aqui." Yago limpa o suor da testa, respira fundo e tenta não se deixar abater pelo desespero do aliado: "Eu sei que a situação é feia, Hugo, mas a gente não pode simplesmente deitar e aceitar a eliminação. Nós precisamos encontrar uma maneira de dar a volta por cima, nem que a gente tenha que cavar um racho entre eles ou tentar puxar a Flora. O "não" a gente já tem, agora é hora de tentar o impossível." Enquanto os dois tentavam traçar um plano de sobrevivência, Andrei decide que é hora de fazer o controle de danos após a lavagem de roupa suja na prova. Ele se aproxima de Flora, que está sentada lavando os pés na água do mar, e se agacha ao lado dela com uma expressão de preocupação. "Flora, a gente precisa conversar" começa Andrei, buscando o olhar da moça. "O jogo nos colocou em um cenário extremo hoje. Eu sei que o clima ficou péssimo entre a gente ontem e que você ficou chateada com a mudança de voto, mas eu espero, do fundo do coração, que a gente seja capaz de superar os últimos acontecimentos para sobreviver neste Conselho Tribal. Se a gente se dividir agora, nós damos o controle para os meninos. Eu posso confiar em você hoje?" Flora vira o rosto lentamente, desfazendo a expressão ríspida e substituindo-a por um sorriso compreensivo e sereno que desarma o rapaz. "Com certeza, Andrei. Pode ficar tranquilo" responde Flora, com a voz mansa. "O que aconteceu ontem já passou, aquilo foi no calor do momento. Eu entendo que foi jogo. Pode ter certeza absoluta de que você pode confiar em mim para hoje à noite. Nós vamos juntos nessa." Andrei solta um suspiro visível de alívio, dá um tapinha amigável no ombro dela e se afasta, acreditando que conseguiu costurar a aliança de volta. No entanto, assim que ele fica de costas, o sorriso de Flora desaparece instantaneamente. A câmera corta para o depoimento confessional de Flora, gravado em um ponto isolado da mata da praia temporária. Ela aparece de braços cruzados, com um olhar afiado e um sorriso irônico estampado no rosto: "O Andrei acha que eu sou boba. Ele realmente acredita que depois de ir pelas minhas costas, me enganar no Conselho e tentar me expor na prova de hoje, eu vou simplesmente sentar e votar com ele? Coitado. Ele veio me pedir trégua porque está morrendo de medo de o Hugo e o Yago votarem nele. Eu olhei na cara dele e disse que ele podia confiar em mim. E ele acreditou! (risos). Eu sinceramente não imaginava que a minha vingança viria tão rápido assim. O jogo me deu a cabeça do Andrei de bandeja em menos de vinte e quatro horas, e eu não vou desperdiçar essa chance. Hoje à noite, o caçador vai virar a caça."

A poucos metros dali, sentadas sob a sombra de uma palmeira, Carolina ajeita o Colar de Imunidade no peito e olha para a trilha, pensativa. Ela se vira para as aliadas e quebra o silêncio: "Gente, quem vocês acham que venceu a imunidade lá no outro grupo?" Clarisse chacoalha a cabeça, ajeitando o cabelo molhado, e solta um suspiro pesado: "Olha, Carol, eu não faço a menor ideia. Aquela praia lá é um ninho de cobras pior que a nossa. Eu ainda estou sem acreditar que essa dinâmica aconteceu de verdade. Dois Conselhos na mesma noite? É surreal." Flora, que estava por perto fingindo apenas observar o mar, se aproxima e concorda com a cabeça, alimentando o clima de insatisfação: "É exatamente o que eu penso, Clarisse. É péssimo ter batalhado tanto, passado por tanta escassez para chegar até aqui e ter que vivenciar uma eliminação mútua assim, sem nem saber quem está caindo do outro lado. O jogo ficou completamente herculano." Clarisse estreita os olhos, observando a postura de Flora, e decide testar as águas: "E você, Flora? Já tem alguma ideia sobre em quem vai votar hoje à noite? O seu antigo grupo se dispersou..." Flora dá um passo à frente, abaixa o tom de voz para garantir que Andrei não escute e olha bem nos olhos das duas: "Na verdade, sim. Eu já sei exatamente o que fazer e, para ser bem sincera, eu gostaria muito de conversar com vocês duas sobre isso agora." O cenário mudou. Enquanto as três mulheres começavam a cochichar perto das árvores, Hugo aproveita que Andrei ficou sozinho perto do estoque de água e vai até ele, tentando jogar sua última cartada de sobrevivência na praia. Yago fica a poucos metros, observando a abordagem do aliado. "Andrei, cara, me escuta um minuto" pede Hugo, gesticulando com as mãos para demonstrar transparência. "Eu sei que você acha que a jogada mais fácil hoje é votar em mim ou no Yago para manter o seu bloco seguro. Mas pensa estrategicamente. Você acabou de ver a Flora te cobrando na prova por causa do Gregório. O jogo dela rachou com você. Se você me tirar ou tirar o Yago hoje, você só se isola ainda mais." Hugo dá um passo à frente, tentando plantar a semente da dúvida: "Eu estou te propondo um pacto de sobrevivência para o Top 10. Estou tentando te convencer a não votar nem em mim e nem no Yago hoje à noite. Se você fechar com a gente, nós temos os números para ditar quem sai e você não vira o próximo alvo delas quando os grupos se fundirem de verdade. Pensa bem, cara."


O clima é pesado no acampamento oficial, e a dinâmica de isolamento faz com que cada grupo se feche em sua própria bolha de paranoia. Assim que pisam na areia, Benedito nem espera o grupo se dispersar. Ele sinaliza discretamente para Lidia e Sônia, e os três caminham rapidamente para a parte mais afastada do abrigo, onde o barulho das ondas abafa qualquer tentativa de escuta dos demais. "A nossa sorte está lançada" diz Benedito, com um brilho calculista nos olhos. "O Xavier está na nossa mão. Essa é a chance de ouro para eliminar o Xavier hoje mesmo. Ele não tem imunidade, o grupo dele foi pulverizado e ninguém vai mover um dedo para salvá-lo." Lidia balança a cabeça, concordando prontamente: "É a decisão mais lógica. Se tirarmos o Xavier, eliminamos a peça mais imprevisível e que ainda tem algum trânsito com a Rayane." Sônia completa, pensativa: "Concordo. Mas para não correr nenhum risco de surpresa, precisamos garantir o voto do Renato. Se o Renato votar com a gente, não tem como eles fugirem." Benedito olha na direção de onde Renato está, visivelmente pensativo e isolado. "Deixem comigo" garante Benedito. "Eu vou conversar com ele daqui a pouco. Vou mostrar que, se ele quiser chegar ao Top 10, o melhor caminho é enterrar o resto do passado agora." A poucos metros dali, em um contraste absoluto com a tensão conspiratória do trio, Xavier e Rayane estão sentados em um tronco, observando o mar com uma calma quase cômica. Xavier limpa a areia de suas mãos e solta uma risada curta, que não chega a ser de alegria, mas sim de aceitação. "Você viu a cara deles, Rayane?" comenta Xavier, apontando discretamente para o grupamento de Benedito. "Estão ali montando o plano de execução como se a gente não soubesse exatamente o que vai acontecer." Rayane também ri, escorando a cabeça no ombro do aliado: "É engraçado, né? A gente sabe exatamente o nosso destino. Com essa configuração de jogo, um dos dois, ou eu ou você, com certeza será o próximo eliminado do programa. Não tem milagre que faça a matemática deles mudar agora." Xavier olha para o horizonte, com um sorriso de quem já fez as pazes com a situação. "É a vida. Pelo menos a gente sabe que, quando a tocha apagar hoje à noite, não vai ter sido por falta de aviso. Agora é só esperar a Glenda nos chamar e ver quem eles vão escolher para o primeiro "abate" do Júri."

Benedito caminha calmamente até onde Renato está, sentado sozinho perto de onde as redes de pesca foram deixadas. Ele se senta ao lado do rapaz, adotando um tom de voz calmo e conciliador, como um velho amigo retomando uma conversa importante. "Renato, o clima hoje ficou pesado, né?" começa Benedito, sem rodeios. "Eu queria saber o que você está pensando sobre tudo o que aconteceu desde o último Conselho. A gente precisa estar alinhado para o que vem pela frente." Renato solta um suspiro profundo, olhando para o fogo que começa a ser aceso. Ele não desvia o olhar de Benedito, mas a mágoa ainda transparece em seu tom. "Sinceramente, Benedito? Eu ainda não entendo. Eu entendo que vocês precisavam agir contra o Gregório, e até entendo que não podiam falar nada para a Flora, porque ela era muito próxima dele. Mas por que me deixaram de fora? Eu estava com vocês desde o primeiro dia. Ficar de fora daquela jogada foi como se vocês não confiassem em mim para tomar as decisões que protegem o nosso grupo." Benedito balança a cabeça negativamente, com uma expressão de quem foi mal compreendido. "Renato, olha para mim. A gente não te deixou de fora porque não confiávamos em você. Foi exatamente o contrário! A gente precisava que você ficasse de fora para que você não precisasse mentir para a Flora. Se você soubesse, teria que sustentar uma farsa para ela, e a Flora é perspicaz, ela ia notar. A gente queria te poupar de ter que quebrar a cara dela, entende? Foi para te proteger, não para te excluir." Renato permanece em silêncio por alguns segundos, processando a explicação. Ele balança a cabeça lentamente, os ombros relaxando um pouco. "É..." murmura Renato, olhando para as brasas. "Colocando dessa forma, faz certo sentido. Eu acho que estava muito de cabeça quente, mas agora que você explicou, vejo que não foi por maldade. Eu acredito que posso superar isso e deixar o que passou para trás." Benedito abre um sorriso largo e dá dois tapinhas firmes no ombro do aliado, sentindo que o terreno está pronto para o bote. "Fico muito feliz em ouvir isso, cara. Sério mesmo. Você é peça fundamental no nosso jogo e a gente precisa dessa união hoje à noite. O Xavier é uma carta fora do baralho e precisamos garantir que a eliminação dele se concretize sem falhas. Com o seu voto, a gente fecha a conta e retoma o controle absoluto da situação. Podemos contar com você?"


LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

SRA - Edge of Extinction: 8x16 - Coisas que Não Podem Ser Desvistas


Com o acampamento parecendo uma panela de pressão prestes a explodir, Benedito decide que é hora de usar sua experiência e jogo de cintura para quebrar o gelo. Ele entra na cabana em silêncio e, minutos depois, reaparece na clareira arrancando olhares de choque de todo mundo, ele surge desfilando na areia vestindo um dos biquínis asa-delta de neoprene de Lidia. Parando bem no meio do acampamento, fazendo pose de modelo e desfilando com as mãos na cintura, ele questiona em voz alta para quem quiser ouvir: "Gente, o figurino está aprovado? Vocês acham que eu devo ir assim para o Conselho Tribal hoje à noite ou a Glenda vai achar que estou desrespeitando as regras da elegância da ilha?" A imagem dele com as tiras do biquíni esticadas no limite é tão absurda que o acampamento desaba. Yago, Xavier e Andrei caem na risada instantaneamente. Clarisse, que estava limpando suas unhas perto do abrigo, solta uma gargalhada alta e provoca o aliado de imediato: "Olha, Benedito, se você for assim, a única coisa que você vai ganhar da Glenda é uma imunidade por coragem! Pelo menos o colar combina com a cor da estampa!" Nem todo mundo, porém, entra no clima de descontração. Isolada perto das pedras, Rayane apenas revira os olhos e balança a cabeça negativamente, achando a cena uma tremenda palhaçada para quem está na mira do voto. "Olha, para mim já deu. Sinceramente, eu não acho a menor graça nessas palhaçadas. O programa virou um circo completo. Uma hora as pessoas estão se estapeando por causa de arroz, na outra tem homem de cinquenta anos desfilando de biquíni de mulher para tentar fazer média com o acampamento. Isso aqui é um jogo de sobrevivência valendo um prêmio milionário, não é um show de comédia de quinta categoria." Alheio às críticas, Benedito continua com a performance no acampamento, fazendo um giro e arrancando mais risadas. Hugo, limpando as lágrimas dos olhos de tanto rir, resolve entrar na onda e elogia o veterano em tom de brincadeira: "Rapaz, vou te falar uma verdade aqui... Para a sua idade, Benedito, você ainda está com o corpo muito em dia! Essa lycra aí valorizou bastante a silhueta, viu?" Ouvindo a conversa enquanto ajeitava suas coisas na cabana, Lidia coloca a cabeça para fora e não perde a oportunidade de dar um empurrãozinho na piada, jogando lenha na fogueira com muito bom humor: "Olha aí, Hugo! Se você gostou tanto, você já pode levar tudo isso embrulhado para casa de presente! Aproveita que o Benedito está solteiríssimo na pista e procurando jogo aqui e fora da ilha!" O acampamento explode em risadas novamente. Hugo fica vermelho, dá um sorriso largo e devolve a brincadeira na hora, apontando para o próprio peito: "Opa, Lidia, calma aí! Desse jeito eu fico até tímido! O Benedito é um partidão, mas acho que a minha mochila não aguenta o peso de levar um modelo desses de volta no barco!" Por alguns minutos, o fantasma do Conselho Tribal e as divisões profundas de voto são esquecidos na areia, substituídos por uma leveza rara e muito necessária antes que a noite caia e as estratégias voltem a cobrar o seu preço de sangue.

A câmera corta para Lidia, que aparece no confessionário rindo abertamente, com uma expressão descontraída que raramente mostrava quando estava focada nas estratégias. "Gente, o Benedito de biquíni foi demais para mim. Mas o pessoal não sabe da missa a metade. Eu fiquei sabendo pelos bastidores que ele posou nu quando era bem mais jovem, lá nos anos 90! Eu juro para vocês, a primeira coisa que eu vou fazer assim que eu botar os pés fora desse programa e recuperar o meu celular é ir atrás dessa revista na internet. Porque vou te falar, viu? Olhando para ele hoje, ele ainda dá um caldo danado! Imagina na época!" Na sequência, Hugo assume o tronco do confessionário. Ele mantém o semblante leve e o tom de voz bem seguro de si ao comentar a repercussão da brincadeira com o veterano. "Eu achei a cena engraçadíssima e brinquei mesmo. Eu não tenho esse negócio de sexualidade frágil, sabe? Sou super de boa com isso. Não fico nem um pouco preocupado sobre como as pessoas vão reagir ou o que vão repercutir lá fora sobre a minha brincadeira com o Benedito. O clima aqui estava pesado demais, quase saindo faísca entre as meninas, e a gente precisava rir de alguma coisa. Foi saudável." Flora aparece na tela logo depois, cobrindo o rosto com as mãos e soltando uma risada tímida, mas bem-humorada, ainda tentando processar o desfile de biquíni na areia. "Olha... (risos) Coisas foram vistas naquele acampamento hoje que simplesmente não podem ser desvistas. Eu nunca imaginei que ia virar o dia encarando o Benedito com um biquíni asa-delta da Lidia enfiado daquele jeito. Foi um choque visual para o qual o meu psicológico não estava preparado de forma alguma!" Para fechar o bloco, o próprio arquiteto da diversão, Benedito, aparece no confessionário. Ele dá um sorriso largo, orgulhoso do impacto que causou na convivência do grupo. "Melhorar o clima entre as pessoas e arrancar um sorriso delas é o que eu faço da minha vida desde sempre. Está no meu sangue. Desde a época em que eu era mais jovem e trabalhava como gogoboy na noite, até agora que eu trabalho com a magia do circo, eu sei exatamente o que precisa ser feito para aliviar a tensão do ambiente e desarmar as pessoas quando os ânimos estão exaltados. Eu olhei para aquela praia e vi que o pessoal ia acabar se engolindo vivo se ninguém fizesse nada. Peguei o biquíni e fui. E quer saber? Eu acho que concluí essa tarefa com absoluto sucesso hoje!"


O clima de leveza trazido pela brincadeira de Benedito se dissipa no instante em que o sol começa a baixar no horizonte. Com o Conselho Tribal se aproximando, a paranoia volta a tomar conta da praia. Flora, decidida a testar a lealdade dos rapazes antes de fechar qualquer voto, chama Gregório para um canto mais reservado, perto das árvores que cercam o estoque de lenha. Ela vai direto ao ponto, mantendo a voz baixa: "Gregório, vamos falar de jogo limpo aqui. O nosso grupo e o seu grupo ainda estão aliados para eliminar alguém do trio da Clarisse hoje à noite? A nossa parceria continua de pé?" "Com certeza, Flora. Sem dúvida nenhuma" responde Gregório de imediato, sem hesitar. "O nosso foco hoje é desmantelar o lado de lá. A Clarisse está imune, mas a Sônia e a Carolina estão totalmente vulneráveis. O plano não mudou." Flora cruza os braços, estuda a expressão dele e balança a cabeça, mostrando que precisa de algo mais concreto: "Pois é, mas eu preciso de uma garantia real disso. Sendo bem sincera com você, os homens do meu grupo estão muito balançados. O Andrei e o Renato estão querendo votar em alguém do seu grupo hoje por puro medo de vocês atacarem a gente primeiro assim que o jogo afunilar. Eles estão assustados." Gregório dá um passo à frente, olha fixamente nos olhos de Flora e tenta passar o máximo de segurança possível, gesticulando com as mãos: "Flora, escuta o que eu estou te dizendo, eu prometo pelo que você quiser, pela minha família, pelo o que for mais sagrado, que isso não vai acontecer. Nós não vamos atacar vocês. A nossa palavra está mantida. O alvo hoje é o grupo da Clarisse e ponto final. Pode confiar em mim." O que nenhum dos dois percebe é que, atrás de uma folhagem densa a poucos metros dali, Lidia estava agachada, fingindo procurar seus pertences, mas com o ouvido colado na conversa. Assim que capta a promessa de Gregório e a entrega de Flora sobre o medo de Renato e Andrei, a arquiteta do jogo não perde tempo. Ela se esgueira pela mata e corre na direção oposta do acampamento, onde Andrei e Renato limpavam suas ferramentas. Lidia chega um pouco esbaforida e solta a bomba em tom de sussurro: "Meninos, nós temos um problema sério de vazamento aqui dentro. Acabei de pegar a Flora conversando escondida com o Gregório. Ela abriu o jogo para ele. Disse textualmente que vocês dois estão com medo e que estavam planejando votar no grupo dele hoje à noite para se defender. Ela entregou a nossa estratégia de bandeja!" Andrei para o que está fazendo na hora, com os olhos arregalados de indignação e o rosto vermelho de raiva: "Cara, eu não estou acreditando nisso! Não é possível que a Flora foi conversar com o Gregório desse jeito, pelas nossas costas, entregando o nosso medo e estragando o plano! Que loucura é essa?" Renato, mantendo a frieza habitual, mas com o maxilar visivelmente travado pela quebra de confiança, joga a ferramenta no chão e responde com uma calma perigosa: "Deixa comigo, Andrei. Não adianta a gente surtar agora. Eu vou conversar com ela agora mesmo e descobrir que história é essa de ficar dando satisfação para o Gregório."

Renato se afasta com passos firmes para confrontar Flora perto da praia, deixando o restante do grupo no acampamento. Lidia, percebendo que a ausência de Renato cria o cenário perfeito para uma jogada de mestre, assume o controle da situação e se aproxima rapidamente de Andrei e Benedito. "Escutem aqui vocês dois, prestem muita atenção" sussurra Lidia, com os olhos bem abertos e o tom de voz carregado de urgência. "A gente precisa mudar o plano agora. Nós temos que eliminar o Gregório hoje à noite. Se a Flora se sentiu confortável o bastante a ponto de ir até lá e entregar a nossa estratégia na cara dele, é porque tem alguma coisa ali. Tem caroço nesse angu, e o Gregório está controlando os fios. Se a gente não cortar a cabeça do polvo agora, nós somos os próximos." Benedito, que ouvia tudo atentamente enquanto ajeitava suas coisas, balança a cabeça de forma positiva, convencido pelo argumento: "Olha, Lidia... Você tem razão. O Gregório joga muito forte e essa conversa da Flora me deixou com a pulga atrás da orelha. Por mim, a gente tira ele." "Exatamente" endossa Lidia, aproximando-se ainda mais deles. "Só que tem um detalhe, nós precisamos fazer isso em absoluto segredo. Se a gente juntar os votos de nós três com os votos da Clarisse, da Sônia e da Carolina, nós somamos seis votos. É o suficiente para eliminar o Gregório e virar o jogo completamente, sem que ninguém espere o golpe." Andrei, embora revoltado com Flora, franze a testa e questiona com desconfiança: "Espera aí, Lidia. Por que a gente não pode contar essa estratégia para o Renato? Ele está com a gente nessa aliança desde o começo, não faz sentido deixar ele de fora de um voto desse tamanho." Lidia estala a língua e responde sem hesitar, cortando a ingenuidade de Andrei: "Andrei, o Renato é muito próximo da Flora. Se a gente contar para ele, a primeira coisa que ele vai fazer é tentar entender o lado dela, e a Flora vai acabar descobrindo. Se ela descobrir, ela corre de volta para o Gregório para se salvar, ele joga o Ídolo de Imunidade se tiver, ou muda os votos, e destrói a gente. O Renato vai estragar tudo sem querer. Tem que ser só entre nós três e as meninas. Entendido?" Andrei engole em seco, mas assente, entendendo o risco matemático. Enquanto a conspiração nascia nas suas costas, Renato aparece no confessionário, revelando uma camada estratégica profunda e um segredo que ninguém no acampamento ainda suspeitava. "Eu sei que a Flora se expôs indo falar com o Gregório, e sei que o pessoal do meu grupo está em pânico e querendo a cabeça dela por causa disso. Mas eu preciso blindar a Flora de qualquer jeito aqui dentro. Ela é a minha maior aliada, a pessoa que eu mais confio. Eu vou segurar a barra dela e protegê-la o máximo que eu puder, pelo menos até a gente chegar na fase em que começam as eliminações do Júri... Porque é aí que o meu Ídolo de Imunidade Secreto se torna ativo no jogo. Eu achei essa vantagem e não contei para ninguém. Até lá, eu preciso manter a Flora viva para ela ser o meu escudo e o meu voto de confiança na reta final."


O sol finalmente se põe na linha do horizonte, pintando o céu da ilha com tons de roxo e laranja escuro. O acampamento é tomado por uma atmosfera pesada e silenciosa. Com os archotes já acesos e as mochilas prontas ao lado do abrigo, os treze sobreviventes sabem que restam apenas minutos antes da caminhada em direção ao Conselho Tribal. Pequenos sussurros e trocas de olhares rápidos acontecem por todos os cantos. Afastada de toda a movimentação, sentada na beira da água e observando o mar revolto, Rayane arruma seus pertences sem a menor pressa. Ela está completamente alheia às reuniões de última hora que fervem na clareira. Para ela, o cenário já está desenhado e não há motivo para gastar saliva. "Eu cansei de bater na mesma tecla. Não adianta eu ficar correndo atrás de Yago, de Xavier ou de qualquer homem dessa praia para tentar articular voto. Eles estão cientes do que a Carolina faz, mas ninguém tem coragem de se indispor e eliminar ela agora. Estão todos confortáveis com o circo montado. Se for para eu rodar hoje, vou de cabeça erguida, mas não vou ficar implorando por justiça para quem joga na covardia." Na trilha que leva às bananeiras, Flora aproveita os últimos minutos de privacidade para falar abertamente com Renato. O semblante da moça é de pura indignação após descobrir a movimentação pesada de Lidia no acampamento. "Renato, eu vou ser bem clara com você. Eu não gostei nem um pouco da postura da Lidia hoje" desabafa Flora, mantendo o tom de voz baixo, mas firme. "Ela foi falar pelas minhas costas para o Andrei, distorceu a minha conversa com o Gregório e tentou queimar o meu filme com o grupo por puro oportunismo estratégico. Ela é perigosa. Eu acho sinceramente que a Lidia precisa sair do nosso grupo o mais rápido possível, antes que ela crie um problema real e destrua a nossa aliança por dentro." Renato ajeita a mochila nos ombros, olha para os lados para garantir que ninguém está por perto e responde com sua habitual frieza calculista, acalmando a aliada: "Flora, respira. Eu sei exatamente o que a Lidia está fazendo e sei como ela joga. Não entra na pilha dela agora. O jogo está muito tenso hoje, mas você pode ter certeza de uma coisa: esse momento dela vai chegar. Na hora certa, a gente corta as asas dela. Agora, foca em manter a postura no Conselho." Com todas as peças posicionadas no tabuleiro, entre promessas de lealdade, traições secretas e planos de blindagem... É hora de encarar Glenda Kozlowski e o fogo do Conselho Tribal.

A noite cai de vez sobre a ilha, trazendo consigo o som pesado das ondas que quebram na praia e o estalar sinistro dos galhos na floresta escura. O ar úmido da mata é cortado pelo brilho alaranjado de treze tochas que avançam em fila indiana. O silêncio da caminhada é absoluto, quebrado apenas pelo barulho dos passos na terra batida e pela respiração tensa dos competidores. À frente, a clareira do Conselho Tribal surge iluminada por grandes piras de fogo, revelando uma estrutura rústica de madeira e pedras que exala a gravidade do momento. No centro de tudo, atrás de seu púlpito, Glenda Kozlowski aguarda o grupo com uma expressão séria e atenta. Os treze sobreviventes, Andrei, Benedito, Carolina, Clarisse, Flora, Gregório, Hugo, Lidia, Rayane, Renato, Sônia, Xavier e Yago aproximam-se da área principal, com os rostos esculpidos pelas sombras das chamas. "Boa noite, sobreviventes" saúda Glenda, com a voz firme que ecoa pelo ambiente. "Por favor, aproximem-se e posicionem as suas tochas nos suportes ao fundo." Eles avançam um a um, encaixando os pedaços de madeira pesada nas fendas de pedra. O estalar do fogo parece mais alto naquele canto. Glenda os observa e faz a tradicional advertência que faz o estômago de muitos revirar: "Como vocês já bem sabem, essas tochas representam as vidas de vocês neste jogo. Enquanto elas estiverem acesas, vocês estão vivos na competição. Mas, uma vez que a sua tocha for apagada... Significa que o seu jogo acabou para sempre." Com o aviso ecoando na mente, os participantes começam a se direcionar para a área dos bancos de madeira rústica. O arrastar dos pés na areia e o barulho dos troncos sendo ocupados preenchem o espaço. Clarisse, ostentando o ídolo de imunidade bem visível, senta-se com uma postura altiva ao lado de Sônia e Carolina. Do outro lado, Gregório, Hugo e Xavier trocam olhares rápidos antes de se acomodarem, enquanto o grupo de Benedito, Lidia e Renato se espalha pelo meio, cada um tentando encontrar a posição mais confortável física e psicologicamente para as próximas horas. Assim que o último competidor se aquieta e o silêncio volta a reinar na clareira, quebrado apenas pelo sussurro do vento nas copas das árvores, Glenda apoia as mãos no púlpito, olha bem no olho de cada um deles e dá o pontapé inicial: "Muito bem. Agora que todos estão devidamente acomodados... Eu quero saber de vocês, estão prontos para destrinchar este novo Conselho Tribal?" Na primeira fileira, Gregório e Hugo assentem com a cabeça de forma rígida e compenetrada. Perto dali, Benedito solta um "com certeza, Glenda" verbal, tentando manter a pose descontraída da tarde, enquanto Rayane e Carolina apenas sustentam o olhar da apresentadora com respostas secas e sussurradas. Ninguém ali é ingênuo, a tensão que entrou com eles naquela clareira está prestes a transbordar.

Glenda Kozlowski inclina-se ligeiramente para a frente, cruzando os dedos sobre o púlpito. O reflexo das labaredas dança em seus olhos enquanto ela estuda a fisionomia de cada um nos bancos de madeira. "De repente, olhando para este tabuleiro, vocês já são somente treze participantes nesta praia" começa a apresentadora, com o tom de voz pausado e cirúrgico. "Conforme o tempo passa e o jogo vai avançando de forma implacável, o afunilamento é inevitável. Em muito breve, vocês vão se tornar o Top 10 desta temporada. E quanto menos assentos nós temos aqui, mais a pressão aumenta. Eu quero saber de vocês: o quanto vocês se sentem ameaçados no momento atual do jogo?" Flora respira fundo, ajeita a postura no banco e pede a palavra. O semblante dela carrega uma mistura de mágoa e frustração que ela vinha acumulando desde a tarde. "Sendo bem sincera, Glenda... Eu me sinto muito mais ameaçada agora do que jamais me senti em qualquer outro dia nesta ilha" desabafa Flora, lançando um olhar rápido e cortante na direção onde Lidia está sentada. "É uma sensação horrível, ainda mais quando você começa a perceber que pessoas que estão próximas de você, que jogam do seu lado, podem estar se movimentando pelas suas costas e querendo queimar a sua imagem para o restante do acampamento só por conveniência tática..." Antes que Flora pudesse concluir o raciocínio e dar nomes aos bois, Rayane entra no meio da resposta, atravessando a voz em um tom ríspido que corta a calmaria do Conselho. "Eu sei exatamente como você se sente, Flora!" dispara Rayane, gesticulando com as mãos e virando o rosto na direção da rival. "É exatamente isso. Do nada, do absoluto nada, a Carolina resolveu tirar a máscara e mostrar a verdadeira face dela para todo mundo ver, me atacando de graça por causa de comida. Eu vou te falar, Glenda, eu estou assustada com o nível de falsidade que as pessoas atingem aqui dentro quando o calo aperta." Do outro lado do banco, Carolina solta uma risada alta, jogando a cabeça para trás em um deboche escancarado. Ela nega com a cabeça, olha para a apresentadora e rebate na hora, com a voz carregada de ironia: "Ah, por favor, né, Rayane? Me poupa do seu vitimismo! Dá risada, Glenda, porque é piada. Eu não sou e não vou deixar você me pintar como a vilã dessa história só porque eu exijo o mínimo de respeito com o coletivo. Você é que não aguenta ouvir as verdades na sua cara!" As duas começam a empertigar os corpos nos bancos, as vozes subindo de tom rapidamente e ameaçando transformar o Conselho em mais um barraco de acampamento. Percebendo a faísca mútua e a tensão subterrânea que corre entre os demais blocos, com Lidia mantendo o olhar fixo no chão e Renato observando tudo como um enxadrista, Glenda ergue a mão sutilmente, cortando o início do bate-boca. A apresentadora olha para o painel de sobreviventes, onde as divisões parecem mais expostas do que nunca sob a luz do fogo, e lança a pergunta que ecoa pesada na noite: "Diante de tudo isso que está vindo à tona... As alianças nesta praia são realmente frágeis como estão parecendo ser neste exato momento?"

O silêncio que se segue à pergunta de Glenda é quebrado por Gregório. Ele se inclina para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e assume a palavra com um tom de voz firme e acusatório: "Glenda, a paranoia neste jogo faz com que as alianças sempre fiquem um pouco frágeis, isso é fato. No final das contas, nós não possuímos absolutamente nada além das nossas próprias palavras para confiar uns nos outros aqui dentro. E o pior é que, mesmo assim, tem gente nesta praia cuja palavra não vale absolutamente nada... Igualzinha à da Clarisse." Clarisse imediatamente revira os olhos de forma teatral, soltando um suspiro audível de pura exaustão. Ela se encosta no banco de madeira, olha para a apresentadora e rebate com deboche escancarado: "Olha, Glenda, eu sinceramente não aguento mais essa situação, é o mesmo disco riscado todo santo Conselho. Daqui a pouco eu vou ter que pedir uma ordem de restrição contra o Gregório, porque a obsessão dele com o meu nome já passou dos limites do jogo!" No calor das réplicas, Sônia pede a palavra, trazendo de volta um tom mais frio e realista para a discussão: "A verdade é que toda e qualquer aliança nesse jogo é frágil, dependendo das palavras e do momento em que forem usadas. A gente não pode ser hipócrita aqui. No final do dia, todo mundo que está sentado nesses bancos quer ganhar o prêmio final. Ninguém aqui cruzou aquele mar e entrou no programa para fazer outra pessoa ser milionária. Cada um está olhando para o próprio pescoço." Hugo aproveita a deixa de Sônia imediatamente. Ele olha na direção do grupo médio, mirando discretamente em Andrei e Renato, e complementa com uma indireta pesada: "É exatamente por isso que a Sônia falou, Glenda, que os combinados devem ser seguidos e não quebrados. Se a gente não tiver o mínimo de caráter para cumprir o que é fechado olho no olho na praia, o jogo vira uma bagunça e ninguém mais se sustenta aqui dentro."


"Se o clima já está nesse nível de tensão antes mesmo da votação, a contagem dos votos vai ser histórica" pontua Glenda Kozlowski, ajustando sua postura no púlpito. "Chegou a hora de decidir. Sobreviventes, vocês estão preparados para dar mais um voto da temporada?" Uma onda de confirmações verbais e acenos rígidos de cabeça percorre os bancos de madeira. O momento da diplomacia e das discussões havia terminado de forma definitiva. "Muito bem. Clarisse, você está imune hoje e não pode ser votada, mas deve votar. Pode se dirigir à cabine de votação." Os treze participantes começam a se levantar um a um, deixando a clareira do Conselho em direção ao espaço reservado na mata, onde apenas a luz de um lampião ilumina o pergaminho e o carvão. Clarisse é a primeira a subir. Com um sorriso confiante, ela escreve o nome de Gregório com letras firmes. "Para você aprender a me respeitar", sussurra para a câmera. Yago vai em seguida e deposita seu voto de forma rápida e silenciosa. Xavier caminha com passos pesados e vota seguindo o alinhamento de seu grupo. Quando Flora entra na cabine, a tensão em seu rosto é evidente. Ela segura o carvão com força, respira fundo antes de escrever e desabafa olhando diretamente para a lente: "Eu estou votando hoje no Xavier, mesmo que a minha verdadeira vontade e o meu coração quisessem escrever o nome da Lidia aqui neste papel. Mas o jogo agora exige estratégia de grupo. Como me disseram hoje mais cedo... Em breve esse momento chegará." Lidia entra logo depois, com um semblante frio e calculista. Sem hesitar, ela escreve o nome de Gregório, consolidando o plano secreto que articulou pelas costas de Renato. Andrei e Benedito são os próximos. A câmera corta para a chegada de Gregório na cabine. Ele exibe o pergaminho para a lente com total convicção: "Estou seguindo o plano inicial do nosso bloco. O voto hoje é na Sônia para desmantelar o trio que se acha dono da praia." Hugo entra na sequência. Renato sobe os degraus de madeira com passos calmos. Sônia e Carolina também votam. A última a subir é Rayane. Ela exibe o pergaminho com o nome de Carolina escrito em letras garrafais, com uma expressão de total desilusão: "Eu sei que esse vai ser o único voto dela nessa noite. Ninguém aqui teve coragem de me ouvir. Mas eu preciso ser fiel ao que eu vivi e manter a minha dignidade nesta praia." Após o último competidor retornar ao seu banco, Glenda Kozlowski se retira temporariamente da clareira. O silêncio no Conselho é quebrado apenas pelo estalar das piras de fogo. Segundos depois, a apresentadora ressurge trazendo a urna de madeira pesada em suas mãos e a posiciona no púlpito. Ela olha para os treze sobreviventes e faz o anúncio crucial: "Se algum de vocês estiver de posse de um Ídolo de Imunidade Secreto ou de qualquer outra vantagem no jogo e quiser utilizá-la... Este é o momento exato para se levantar e me entregar. Depois que eu começar a ler as cédulas, nenhum poder poderá ser ativado." Os participantes se olham de relance. Renato mantém as mãos firmes sobre os joelhos, guardando seu segredo com maestria. Ninguém se mexe. O silêncio permanece intocado. "Muito bem" diz Glenda, abrindo o fecho de metal da urna. "Ninguém se manifestou. Uma vez que os votos forem lidos, a decisão do Conselho Tribal será soberana e o eliminado da noite deverá pegar sua mochila imediatamente. Eu vou começar a leitura dos votos."

Glenda Kozlowski enfia a mão na urna e retira o primeiro pergaminho, desdobrando-o sob a luz das chamas. O acampamento inteiro prende a respiração. "Vou começar a leitura dos votos." Ela vira o papel para os participantes: "Primeiro voto da noite é para... Sônia. Um voto Sônia." Glenda puxa a segunda cédula, abre com calma e exibe para o grupo: "Um voto para Sônia e um voto para Gregório. Tudo igual." Ela estica o braço, retira o terceiro pergaminho e lê de forma pausada: "Dois votos para Sônia." Hugo e Gregório trocam um olhar rápido de aprovação. Glenda abre o quarto voto: "Estamos empatados. São dois votos para Sônia e dois votos para Gregório." A apresentadora mexe na urna e retira o próximo papel, mudando a dinâmica da noite: "Um voto para Xavier." Xavier franze a testa na primeira fileira, surpreso ao ver seu nome surgir tão cedo. Glenda puxa o sexto voto: "Três votos para Gregório." O semblante de Gregório começa a enrijecer. Ele percebe que os votos estão subindo rápido demais. Glenda abre a sétima cédula: "Um voto para Xavier, um voto para Carolina, dois votos para Sônia e três votos para Gregório." Carolina dá um sorriso irônico e olha de soslaio para Rayane, que continua de braços cruzados, encarando o fogo. A contagem entra em sua reta final. Glenda retira o nono voto: "Dois votos para Xavier." Renato observa atentamente, fazendo as contas de cabeça e esperando que os próximos votos fechem no aliado de Gregório. No entanto, o próximo voto destrói suas projeções. Glenda abre o papel: "Estamos novamente empatados com três votos para Gregório e três votos para Sônia." A tensão na clareira se torna quase insuportável. O barulho do vento nas árvores parece sumir. Glenda retira o décimo primeiro voto: "Quatro votos para Gregório." Ela não perde tempo e abre o décimo segundo pergaminho imediatamente: "Empatados novamente, com quatro votos Gregório e quatro votos Sônia."  "Cinco votos para Gregório." Resta apenas um voto na urna. O silêncio é absoluto. Gregório e Sônia fixam os olhos no púlpito. Glenda Kozlowski mergulha a mão pela última vez na urna de madeira, retira o papel final e o desdobra com solenidade. Ela olha para o nome escrito e depois fita o grupo: "Com seis votos... Quem deixa o programa hoje é você, Gregório." Um choque silencioso atinge metade do acampamento. Hugo arregala os olhos, sem entender de onde vieram os votos excedentes, enquanto Renato vira a cabeça rapidamente para Lidia e Andrei, percebendo a jogada feita pelas suas costas. Do outro lado, Clarisse solta um suspiro audível de alívio, e Sônia apenas assente com a cabeça. "Gregório" diz Glenda, com a voz firme. "Por favor, pegue as suas coisas e me traga a sua tocha."


Gregório se levanta do banco em um solavanco, o rosto vermelho de incredulidade. Ele joga as mãos para o alto, olhando indignado para o grupo de Benedito, Renato e Andrei, percebendo que a promessa feita na praia havia se esfarelado. "Não é possível!" esbraveja ele, com a voz ecoando forte pela clareira. "Não é possível que mais uma vez os homens foram enganados e passados para trás nesse programa! Vocês são um bando de frouxos! Guardem o que eu estou falando, todo mundo aqui vai se arrepender amargamente de ter dado asas para a cobra. Vocês acabaram de entregar o jogo de bandeja!" Enquanto ele solta os cachorros e caminha pisando fundo para pegar sua mochila, Clarisse não se aguenta. Ela se levanta no banco e começa a sambar discretamente, balançando os ombros e comemorando a queda do seu maior rival com um sorriso provocativo estampado no rosto. Gregório finge que não vê a comemoração, pega a sua pesada tocha de madeira e a posiciona na fenda em frente a Glenda. A apresentadora segura o abafador de metal e, com um movimento firme, apaga a chama, subindo uma fumaça cinzenta que se dissipa na escuridão. "Gregório, a tribo decidiu" diz Glenda com solenidade. Ele dá as costas sem se despedir de quase ninguém, apenas com um aceno rápido para Hugo e Xavier, e some pela trilha escura, seguindo o caminho dos eliminados. Glenda Kozlowski permanece em silêncio, observando a silhueta de Gregório desaparecer completamente na penumbra da mata. Quando os ânimos se acalmam, ela se vira para os doze sobreviventes, encarando a tensão estampada em cada rosto. "Sobreviventes" começa Glenda. "A noite de hoje deixa uma lição muito clara para quem quer chegar ao Top 10. Como a Sônia e o Hugo bem pontuaram, neste jogo a palavra é a única moeda que vocês têm, mas ela desvaloriza muito rápido." Ela olha fixamente para o painel de participantes antes de concluir: "Vocês escolheram quebrar um combinado e eliminar uma força grande no acampamento para mudar as peças do tabuleiro. Mas lembrem-se: a paranoia e o caos que vocês usam como estratégia hoje para se proteger, podem muito bem ser o motivo da eliminação de vocês amanhã. Durmam com isso na cabeça. Peguem suas tochas. Podem voltar para o acampamento."

A fila única de participantes caminha em silêncio pela trilha escura, as chamas das doze tochas restantes balançando contra o vento da noite enquanto eles iniciam o retorno ao acampamento. O silêncio na mata é total, mas a mente de cada um ali dentro está fervendo com a nova realidade do jogo. A imagem da clareira vai sumindo e dá lugar ao depoimento final de Gregório, gravado logo após cruzar o portal de eliminação. Ele aparece de mochila nas costas, ainda com o peito arfando de indignação, mas com o olhar de quem viveu a experiência ao limite. "Eu saio inconformado, de verdade. Ver que caí em uma armadilha dessas, com gente que não sustenta o que fala por mais de duas horas na praia, é revoltante. Mas, olhando para trás, participar disso aqui foi uma das coisas mais intensas que já fiz na vida. Passar fome, dormir na areia molhada, sentir a fumaça na cara todo santo dia e testar o limite do corpo e da mente nas provas... Não é para qualquer um. Eu saio de cabeça erguida. Fui homem do início ao fim, joguei limpo e não precisei passar por cima da minha palavra para tentar sobreviver. Pena que os covardes herdaram a praia hoje." Enquanto a voz de Gregório ecoa em tom de despedida, a tela se divide para a revelação oficial e detalhada de cada uma das cédulas depositadas na urna: Andrei votou em Gregório, Benedito votou em Gregório, Carolina votou em Gregório, Clarisse votou em Gregório, Flora votou em Xavier, Gregório votou em Sônia, Hugo votou em Sônia, Lidia votou em Gregório, Rayane votou em Carolina, Renato votou em Xavier, Sônia votou em Gregório, Xavier votou em Sônia e Yago votou em Sônia.


LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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