A madrugada envolvia o castelo em silêncio quando Dora atravessou o corredor escuro em direção ao Conclave. Minutos depois, Matheus surgiu na penumbra, fechando a porta pesada atrás de si. As velas tremeluziam sobre a mesa redonda, refletindo nos rostos tensos dos dois traidores restantes. Dora foi a primeira a falar, a voz baixa, mas segura:
"Foi necessário. Abrir mão da Bianca antes que ela se voltasse contra nós, era a única saída. Ela já estava distante, levantando suspeitas... Se continuasse, poderia nos arrastar junto." Matheus assentiu lentamente, apoiando as mãos na mesa.
"Concordo. Se ela começasse a criar intriga entre nós, seria questão de tempo até desmoronarmos." Ele fez uma pausa, os olhos fixos na chama da vela.
"Mas isso também pode ter colocado um alvo em outra pessoa." Dora arqueou levemente a sobrancelha.
"Em quem?" "Na Amélie." respondeu ele, pensativo.
"A discussão entre ela e a Bianca foi forte demais. Podemos plantar a ideia de que aquilo parecia duas traidoras se expondo, tentando se atacar para parecerem fiéis." Um leve sorriso surgiu nos lábios de Dora.
"Interessante... Transformar conflito em suspeita. Se conduzirmos a narrativa certa, o grupo pode começar a enxergar aquilo como um deslize estratégico entre traidores." Matheus inclinou a cabeça, confiante:
"Exato. Agora que eliminamos a Bianca, precisamos redirecionar a atenção. E Amélie já está no radar de alguns. Basta empurrar um pouco." O silêncio voltou a dominar o Conclave, mas dessa vez carregado de estratégia renovada. Dois traidores permaneciam no jogo e, após sobreviverem à segunda grande queda interna, estavam mais determinados do que nunca a manipular cada passo até o fim.
As velas ainda tremeluziam na sala do conclave quando a porta pesada se abriu lentamente. Dora e Matheus se entreolharam, surpresos, enquanto passos firmes ecoavam pelo chão de pedra. Selton Mello surgiu na penumbra, com a postura imponente e o olhar enigmático. "Traidores..." começou ele, a voz grave preenchendo o ambiente. "Esta noite, vocês enfrentam uma nova possibilidade. Com a eliminação de Bianca, o equilíbrio do jogo mudou. E, por isso, ofereço a vocês uma escolha." Ele fez uma pausa dramática antes de continuar: "Vocês podem recrutar um novo traidor para se juntar a vocês... Ou podem seguir sozinhos. A decisão é de vocês. Mas lembrem-se: Toda escolha carrega riscos." O silêncio se instalou novamente. Selton observou os dois por alguns segundos e então se retirou, deixando-os a sós com o peso da decisão. Dora foi a primeira a falar, cruzando os braços: "Recrutar alguém pode fortalecer nossa posição. Três votos internos seriam mais seguros no Conclave... E dividiríamos a pressão." Matheus assentiu, pensativo: "Sim, mas também significa dividir o prêmio... E confiar em alguém novo. E confiança, nesse jogo, é a coisa mais frágil que existe." Dora começou a andar lentamente ao redor da mesa. "Além disso, um novo traidor pode ficar instável. Pode se sentir culpado, pode errar... Ou pior, pode tentar nos entregar para se salvar mais tarde." Matheus completou: "E estamos em uma boa posição agora. A eliminação da Bianca nos fortaleceu. Se recrutarmos alguém e essa pessoa agir de forma suspeita, podemos chamar atenção desnecessária para nós dois." Dora parou, encarando-o com firmeza. "Então seguimos sozinhos. Mais controle, menos risco." Matheus concordou com um leve sorriso estratégico. "Só nós dois até o final." A decisão estava tomada. Quando Selton retornou, ambos responderam com convicção: "Não queremos recrutar um novo traidor." Selton inclinou levemente a cabeça, satisfeito com a firmeza da escolha. "Muito bem. Então o destino do jogo continuará nas mãos de vocês dois. Que façam bom uso disso... Porque a partir de agora, qualquer erro pode ser fatal." As velas oscilaram mais uma vez, como se reagissem ao peso da decisão. Dora e Matheus permaneciam sozinhos nas sombras, dois traidores determinados a ir até o fim, custe o que custar.
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A luz da manhã atravessava os vitrais do castelo, iluminando o salão do café da manhã com um brilho dourado que contrastava com as noites sombrias do jogo. Um a um, os participantes foram entrando e desta vez o clima era diferente. Havia sorrisos contidos, olhares de cumplicidade e uma sensação rara de vitória coletiva. "Conseguimos" murmurou Dimas, sentando-se à mesa com um leve sorriso. "Eliminamos uma traidora." Penélope assentiu, ainda satisfeita com o desfecho da noite anterior: "Foi uma boa leitura do jogo. Nem sempre acertamos... Mas ontem acertamos em cheio." Amélie respirou fundo, visivelmente mais leve: "Pelo menos agora sabemos que estamos no caminho certo." Núbia, mais recomposta, concordou: "Mas isso também significa que ainda existem outros. A pergunta é... Quantos?" O silêncio se instalou por um instante. A euforia da vitória começou a dar lugar à realidade do jogo. Helena cruzou os braços, pensativa: "Se começamos com três traidores... E já eliminamos dois... Talvez ainda reste um." Icaro balançou a cabeça lentamente: "Ou pode haver mais. A produção nunca deixa tudo tão previsível assim." Caio suspirou, olhando ao redor da mesa: "O problema é que agora eles vão jogar ainda mais cautelosos. Depois de perderem alguém, devem estar recalculando tudo." Lorena observava cada reação, atenta: "Isso significa que qualquer movimento estranho a partir de hoje pode ser ainda mais estratégico. Não podemos relaxar só porque tivemos uma vitória." A conversa foi se intensificando, mas a energia era diferente da manhã anterior. Havia alívio, sim, mas também uma nova camada de paranoia. Eliminar uma traidora era uma conquista... Porém também era um lembrete claro de que o perigo ainda estava sentado à mesa. Entre xícaras de café e trocas de olhares, a pergunta ecoava silenciosamente entre todos: Quem ainda está mentindo? O jogo estava longe de acabar.
As conversas ainda ecoavam pelo salão quando passos firmes interromperam o clima de aparente tranquilidade. A porta se abriu lentamente e Selton Mello entrou com sua presença imponente, fazendo com que todos automaticamente silenciassem. Sem dizer nada de imediato, ele caminhou em direção à parede onde o quadro de Bianca ainda estava pendurado. Seus dedos tocaram a moldura com calma quase cerimonial. "Ontem à noite" começou ele, a voz grave preenchendo o salão "Vocês conseguiram algo raro neste jogo: Baniram uma traidora. Uma vitória. Um passo em direção à verdade." Ele fez uma pausa, olhando para os participantes um a um. "Mas nunca confundam uma batalha vencida com uma guerra encerrada. O jogo ainda está vivo. E enquanto houver sombras neste castelo... Haverá mentiras circulando entre vocês." Com um movimento repentino e dramático, Selton arrancou o quadro da parede e o lançou ao chão. O som da moldura se partindo ecoou pelo salão, arrancando suspiros e olhares tensos dos participantes. O retrato de Bianca agora jazia no chão, símbolo de uma vitória... E de um aviso. Selton então voltou-se para o grupo, com um leve sorriso enigmático: "E como todo jogo que se preze, a vida continua. Hoje, vocês terão mais uma missão. Uma nova oportunidade de testar confiança, estratégia e lealdade." Ele caminhou lentamente até o centro do salão. "Preparem-se. Porque a vitória de ontem pode facilmente se transformar na vulnerabilidade de hoje." O clima de comemoração desapareceu quase por completo. A adrenalina retornava, substituindo o alívio por expectativa. O jogo seguia. E ninguém estava realmente seguro.
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Missão #06: Os participantes foram conduzidos até a biblioteca principal do castelo. O ambiente estava ainda mais imponente do que o habitual. No centro do salão, dez grandes livros encadernados em couro repousavam sobre pedestais individuais, iluminados por feixes de luz que atravessavam as altas janelas. Selton Mello caminhou lentamente entre os pedestais antes de se posicionar diante do grupo. "Hoje" começou ele, com a voz grave ecoando entre as estantes "a memória de vocês será testada como nunca antes." Ele gesticulou para os livros. "Cada um desses volumes contém informações pessoais detalhadas sobre os jogadores que fizeram parte da história. Datas marcantes, profissões anteriores, cidades natais, hobbies incomuns, curiosidades reveladas em conversas passadas... Até pequenos fatos mencionados ao longo do jogo." Os participantes se entreolharam, surpresos. "Vocês terão um tempo limitado para circular pela biblioteca e folhear os livros livremente. Observem, leiam, conectem informações. Mas atenção: Não será permitido fazer anotações, fotografar ou destacar páginas. Tudo deverá ser memorizado." Ele fez uma pausa, aumentando a tensão. "Quando o tempo se encerrar, os livros serão fechados e lacrados." Selton então continuou: "Após isso, o grupo deverá escolher dois participantes que consideram ter a melhor memória. Esses dois serão levados para uma sala separada, onde enfrentarão uma sequência de enigmas baseados exclusivamente nas informações contidas nos livros." Ele começou a andar lentamente diante deles. "As perguntas exigirão cruzamento de dados, associação de datas, comparação entre biografias e identificação de padrões numéricos escondidos em detalhes aparentemente banais. Nada será direto. Tudo exigirá raciocínio estratégico." Os olhares ficaram ainda mais atentos. "Cada resposta correta revelará um dígito. Ao final, os quatro dígitos formarão um PIN." Um leve sorriso surgiu em seu rosto. "Com o código definido, os dois jogadores serão levados até um caixa eletrônico previamente preparado na área externa da propriedade. Eles terão apenas uma tentativa para inserir o PIN." O silêncio ficou absoluto. "Se o código estiver correto, desbloquearão o terminal e realizarão um saque simbólico, validando a missão e adicionando um valor significativo ao prêmio coletivo." Ele então concluiu, com um tom mais sombrio: "Mas se o PIN estiver incorreto... A tentativa será encerrada e nenhum valor será acrescentado." Selton observou cada rosto ali presente Lorena, Dimas, Icaro, Núbia, Marcela, Amélie, Caio, Maurício, Helena, Penélope... E também Dora e Matheus, cujas verdadeiras identidades apenas eles dois conheciam. "Nesta missão, confiança e memória caminham lado a lado. Escolham bem quem representará o grupo... Porque qualquer erro pode custar caro." A biblioteca parecia ainda mais silenciosa. O jogo estava prestes a ganhar mais uma camada de estratégia.
Assim que Selton autorizou o início da missão, os participantes se espalharam rapidamente pela biblioteca. O som de páginas sendo folheadas tomou o ambiente, misturado a sussurros nervosos e olhares atentos. Lorena foi direto ao livro de Helena, murmurando enquanto lia: "Data de nascimento... Formada em arquitetura... Morou três anos em Curitiba... Hobby incomum: Coleciona miniaturas de faróis..." Dimas já estava concentrado no volume de Maurício: "Primeira profissão foi guia turístico... Número da camisa no time da faculdade era 17..." Icaro cruzava informações no livro de Penélope: "Trabalhou como radialista... Cidade natal... Tem medo de altura... Mencionou uma vez que o número 9 sempre foi "seu número da sorte"..." Enquanto isso, Núbia parecia abalada ao folhear o próprio livro, vendo detalhes de sua trajetória com Fabrício descritos ali. Marcela analisava cuidadosamente o livro de Amélie. "Ama quebra-cabeças numéricos..." Marcela ergueu o olhar, como se aquela última informação pudesse ser importante. Amélie, por sua vez, lia o livro de Caio: "Já morou em três cidades diferentes... Tem mania de organizar datas em ordem cronológica..." Caio estava concentrado no livro de Dora. Seus olhos passaram rapidamente pelas informações: "Trabalhou cinco anos no exterior... Hobby: Xadrez competitivo..." Ele levantou o olhar por um segundo, como se aquela informação tivesse peso. Maurício analisava o livro de Matheus: "Já participou de maratonas... Sempre mencionou gostar do número 4..." Helena estava mergulhada no livro de Lorena: "Já citou que sua data favorita é 12/12... Adora padrões repetitivos..." Penélope lia o livro de Dimas: "Primeira viagem internacional foi aos 21 anos... Sempre fala que números primos são "mais confiáveis"." No meio da movimentação, Dora e Matheus trocavam olhares discretos. Dora folheava com calma estratégica, memorizando não apenas dados... Mas quem parecia memorizar melhor. Matheus fazia o mesmo, observando quais participantes estavam mais concentrados, quais pareciam perdidos e quais anotavam mentalmente com precisão. "Precisamos lembrar quem está indo bem nisso" murmurou Matheus discretamente quando passou ao lado dela. "E talvez influenciar a escolha depois" respondeu Dora em voz quase inaudível. O tempo passou rápido demais. "TEMPO ENCERRADO!" a voz de Selton ecoou pela biblioteca. Imediatamente, assistentes fecharam os livros e aplicaram lacres de cera vermelha em cada um deles. O grupo voltou ao centro da sala, a adrenalina evidente. Agora vinha a parte mais delicada: Escolher os dois participantes com a melhor memória. E, silenciosamente, Dora e Matheus já começavam a calcular qual escolha seria mais vantajosa para os traidores.
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Os participantes formaram um círculo no centro da biblioteca. O silêncio era pesado, diferente da euforia do café da manhã. Agora havia cálculo. Lorena foi a primeira a falar: "A gente precisa escolher com estratégia. Não é sobre simpatia. É memória e raciocínio." Dimas cruzou os braços, ainda concentrado. "Eu acho que quem cruzou mais informações foi o Maurício. Eu vi ele associando datas e números enquanto lia." Maurício levantou as mãos, surpreso. "Eu só estava tentando organizar mentalmente... Mas acho que consigo lembrar de bastante coisa." Helena assentiu. "Eu também reparei nisso. E a Marcela estava muito focada. Ela praticamente não levantou os olhos do livro." Marcela respirou fundo. "Eu memorizei datas e profissões. Mas não sei se foi o suficiente..." Icaro entrou na conversa: "A Amélie também parecia bem segura. E ela mesma ama quebra-cabeças numéricos. Isso pode ajudar muito na parte do PIN." Amélie sorriu de leve. "Eu consigo cruzar informações rápidas. Mas é arriscado escolher alguém só porque parece calmo." Do outro lado do círculo, Dora falou com naturalidade cuidadosamente ensaiada: "A prova não é só memória. É interpretação e padrão. Talvez a gente precise de alguém muito lógico... E alguém muito atento a detalhes pessoais." Matheus complementou, como se estivesse apenas contribuindo: "Concordo. Se escolhermos duas pessoas muito parecidas no estilo de raciocínio, pode faltar alguma coisa. Talvez Maurício e Amélie façam uma boa dupla. Matemática e quebra-cabeça." Ele lançou um olhar sutil para Dora. Aquela combinação era estratégica: Dois jogadores fortes e ao mesmo tempo, dois fiéis difíceis de manipular mais tarde caso ganhassem poder. Núbia levantou a sobrancelha. "Mas será que não estamos entregando a missão nas mãos de pessoas muito fortes no jogo?" Caio respondeu: "Justamente por isso. A missão precisa ser vencida. O prêmio é coletivo." Penélope, pensativa, acrescentou: "Eu também vi a Helena muito atenta. Ela estava repetindo datas em voz baixa." Helena respirou fundo. "Eu lembro de bastante coisa, sim. Mas não quero me impor." O grupo começou a se dividir em três possibilidades claras: Maurício, Amélie e Helena. Dimas olhou ao redor. "A gente precisa decidir agora. Quem são os dois?" O clima ficou tenso. Olhares se cruzavam, tentando entender intenções ocultas. Dora falou por último, com firmeza calculada: "Eu voto em Maurício e Amélie." Matheus assentiu imediatamente. "Eu também." Agora restava saber se o grupo seguiria essa linha... Ou se a decisão mudaria completamente o rumo da missão.
Após uma votação apertada, o grupo decidiu: Maurício e Amélie seriam os representantes. Selton Mello os conduziu até uma sala menor, iluminada apenas por uma grande mesa central. Sobre ela, quatro envelopes lacrados. "A partir de agora, cada resposta correta revela um dígito" disse Selton, observando os dois com intensidade. "Quatro respostas. Um único PIN. Uma única tentativa." A porta se fechou. Amélie respirou fundo. "Vamos organizar tudo por categorias: Datas, cidades, números recorrentes." Maurício assentiu. "E procurar padrões escondidos." Enigma 1: "Qual é a soma dos dois últimos dígitos do ano de nascimento da segunda participante revelada como traidora" "Essa é a Bianca..." murmurou Maurício. "1988. Últimos dois dígitos: 8 + 8 = 16" respondeu Amélie rapidamente. "Mas é um dígito só. 1 + 6 = 7". Primeiro número revelado: 7. Enigma 2: "Multiplique o número da camisa do time universitário pelo número de cidades em que Caio morou." "Minha camisa era 17." disse Maurício. "Caio morou em três cidades" lembrou Amélie. "17 x 3 = 51 5 + 1 = 6" Segundo dígito: 6. Enigma 3: "Subtraia o dia de nascimento de Helena do número favorito de Lorena." "Helena nasceu dia 16" disse Amélie. "Lorena falou que ama 12/12... Então o número favorito dela pode ser 12" respondeu Maurício. "12 - 16 = -4" Eles se entreolharam. "Valor absoluto?" sugeriu Amélie. Terceiro dígito: 4. Enigma 4: "Identifique o único número primo citado diretamente por um participante e some-o ao número da sorte mencionado por outro." "Número primo... Dimas disse que gosta de números primos, mas não citou um específico" disse Maurício. Amélie fechou os olhos. "Penélope falou que o número 9 é o número da sorte dela. 9 não é primo. Silêncio. — Espera... Rafael nasceu em 1986. 19 e 86... 19 é primo." "Mas foi citado diretamente?" questionou Maurício. Eles hesitaram. "Talvez o 17 da sua camisa. 17 é primo. E foi citado diretamente. 17 + 9 = 26 2 + 6 = 8" Quarto dígito: 8. PIN formado: 7 6 4 8.
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Do lado de fora, o grupo aguardava em tensão. Dora mantinha a expressão neutra. Matheus parecia tranquilo demais. Maurício e Amélie foram levados até o caixa eletrônico na área externa da propriedade. Maurício digitou: 7... 6... 4... 8... Um segundo de silêncio. Dois. A tela piscou. "PIN INCORRETO." Um alarme breve soou. Nenhum valor seria acrescentado ao prêmio. Amélie levou a mão à testa. "A gente errou no último..." Maurício respirou fundo, frustrado. Do grupo, reações mistas: Choque, decepção, tensão. Enquanto o grupo voltava em silêncio para dentro do castelo, Helena murmurou para Lorena: "Você percebeu como Dora e Matheus insistiram na escolha?" Lorena assentiu. "E como o Matheus já tinha a combinação pronta na cabeça quando eles saíram?" Do outro lado do corredor, Caio comentou com Icaro: "Eles estavam muito alinhados. Até demais." Icaro respondeu baixo: "Ou é só coincidência... Ou a gente está ignorando algo maior." Na escadaria, Dora se aproximou de Matheus discretamente. "Deu certo." "Melhor ainda que pareça apenas um erro lógico" respondeu ele. Mas, do topo da escada, Penélope observava os dois conversando. E pela primeira vez desde o banimento da traidora... A sensação de segurança desapareceu. O jogo estava vivo. E talvez os fiéis tivessem acabado de cometer um erro que custaria mais do que dinheiro. Na área externa, enquanto alguns ainda comentavam frustrados sobre o caixa eletrônico, Núbia se afastou discretamente e chamou Dora e Icaro para perto da fonte no jardim. Ela estava séria. Muito séria. "Vocês realmente acreditam que foi só um erro?" perguntou, cruzando os braços. Dora franziu a testa. "Você está dizendo o quê exatamente?" Núbia respirou fundo. "Amélie ama quebra-cabeças numéricos. Aquela última pergunta... Eles hesitaram demais. Pareceu encenação." Icaro inclinou a cabeça. "Você acha que eles sabotaram?" "Eu acho estranho que justamente os dois mais preparados tenham errado o último cálculo. E foi um erro conveniente. Porque ninguém consegue provar que estava errado." Dora ficou pensativa. "Você está sugerindo que um deles pode estar protegendo alguém?" Núbia assentiu lentamente. "Ou os dois." Do outro lado do jardim, Amélie conversava com Marcela, claramente frustrada. "Eu deveria ter pensado melhor na questão do primo" dizia, passando a mão pelos cabelos. "Talvez o número citado não fosse o 17..." Maurício se aproximou. "A gente fez o melhor que pôde." Mas ao longe, Núbia observava cada gesto. "Olha pra eles" murmurou. "Não parece arrependimento. Parece cálculo." Icaro cruzou os braços. "Se isso for verdade... Eles acabaram de tirar dinheiro do prêmio coletivo. Isso é comportamento de traidor." Dora ponderou: "Ou é exatamente o que alguém quer que a gente pense." O silêncio caiu entre os três. A semente da desconfiança estava plantada. Dentro do castelo, Penélope já comentava com Caio: "Coincidência demais sempre me incomoda." E pela primeira vez desde a eliminação de Bianca, um novo foco começava a surgir. Talvez o erro no PIN não tivesse sido apenas um erro. Talvez tivesse sido uma escolha. E, se Núbia estivesse certa... Dois dos jogadores mais racionais da casa poderiam estar escondendo algo muito maior.
O entardecer já começava a cair sobre o castelo quando Dora fez um movimento calculado. Observou o salão, certificou-se de que Matheus estava distraindo alguns participantes na cozinha e então se aproximou de Amélie. "Vem comigo um instante?" disse, com naturalidade. Amélie hesitou por um segundo, mas aceitou. As duas seguiram até uma varanda lateral pouco frequentada, onde o som do vento abafava qualquer conversa mais baixa. Dora fechou a porta de vidro atrás delas. O olhar dela mudou. Ficou direto. "Você precisa se preparar." Amélie franziu a testa. "Preparar para o quê?" "A mesa redonda de hoje à noite." Dora cruzou os braços. "Seu nome está começando a circular. Núbia está desconfiada da missão. E ela está plantando a ideia de sabotagem." Amélie ficou imóvel por um instante. "Sabotagem? Isso é absurdo." "Pode até ser. Mas não importa se é absurdo. Importa se cola." Silêncio. Dora se aproximou um pouco mais. "Você foi uma das escolhidas. Ama quebra-cabeças. A narrativa é fácil: "os dois mais preparados erraram de propósito"." Amélie respirou fundo, tentando manter a compostura. "E você está me avisando por quê?" Dora sustentou o olhar. "Porque, se você for atacada, precisa reagir rápido. Não pode ficar na defensiva. Precisa direcionar o foco." Amélie estreitou os olhos. "Para quem?" Dora falou com aparente cautela: "Para quem começou essa teoria. Ou para quem estava pressionando antes da escolha da dupla. Ou..." fez uma pausa estratégica "Para quem mais se beneficiaria financeiramente do erro parecer sabotagem." Amélie entendeu. "Núbia." Dora deu de ombros, como se não estivesse sugerindo nada explicitamente. "Ela já está emocionalmente vulnerável. Se parecer que está criando teoria da conspiração, o grupo pode questionar o julgamento dela." Amélie ficou pensativa. "Você acha que isso vai virar contra mim?" "Eu tenho quase certeza." O vento soprou mais forte na varanda. "Então você tem duas opções" continuou Dora, firme. "Esperar ser atacada e tentar se defender... Ou chegar primeiro e questionar a narrativa antes que ela se consolide." Amélie respirou devagar. "Se eu fizer isso, vão dizer que estou desesperada." "Só se você parecer desesperada" respondeu Dora, com frieza estratégica. Um longo silêncio se instalou entre as duas. "Obrigada por avisar" disse Amélie por fim.
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A madrugada envolvia o castelo em um silêncio espesso quando Dora e Matheus se encontraram no Conclave. A luz das velas tremulava nas paredes de pedra, criando sombras instáveis que pareciam dançar ao redor deles. Ali, longe dos olhares dos outros participantes, não havia emoção, apenas cálculo. Matheus foi o primeiro a falar, em tom baixo e controlado. Disse que precisavam escolher alguém que mantivesse o controle do jogo nas mãos deles. Dora concordou de imediato. Nada podia ser impulsivo. A escolha daquela noite precisava ter consequência estratégica. Eles começaram a analisar as opções. Lorena surgiu primeiro na conversa. Dora observou que ela era atenta, mas ainda não liderava votos nem conduzia narrativas. Era o tipo de jogadora que escutava mais do que falava. Matheus acrescentou que, justamente por isso, ela poderia facilmente se alinhar a alguém mais forte no momento certo. Não representava uma ameaça imediata. Eliminá-la agora talvez não gerasse impacto suficiente no grupo e impacto também era uma ferramenta importante. Em seguida, falaram sobre Dimas. Matheus comentou que ele pensava demais, analisava padrões, observava comportamentos. Dora concordou, lembrando que jogadores lógicos tendem a se tornar perigosos à medida que o jogo avança. Se ele começasse a conectar as movimentações deles, poderia desmontar a vantagem construída até ali. Ainda assim, Dimas não parecia estar no centro das decisões. Era uma ameaça silenciosa, mas ainda em desenvolvimento. O nome de Icaro trouxe um silêncio mais atento entre os dois. Dora destacou que ele era discreto e jogadores discretos costumam durar muito tempo. Matheus completou dizendo que Icaro falava pouco, mas quando falava, influenciava sem parecer que estava influenciando. Havia nele um potencial de liderança sutil, algo que poderia crescer sem que os outros percebessem. Isso o tornava perigoso a médio prazo.
Por fim, discutiram Núbia. Matheus a descreveu como emocional. Dora foi além: Emocionalidade gera instabilidade, e instabilidade pode ser útil para os traidores. Mas também pode sair do controle. Núbia tinha o perfil de quem poderia mudar de alvo rapidamente, criar incêndios imprevisíveis e desestabilizar qualquer narrativa, inclusive uma que favorecesse Dora e Matheus. O dilema estava claro. Se eliminassem alguém lógico, manteriam o grupo mais impulsivo, mais suscetível a erros. Se eliminassem alguém emocional, o jogo poderia ficar mais racional e organizado, o que talvez fosse mais perigoso para eles no longo prazo. Dora caminhou lentamente pelo Conclave enquanto refletia em voz alta. Disse que ainda estavam bem posicionados e que ninguém parecia suspeitar deles de maneira consistente. Talvez fosse cedo para remover um cérebro estratégico. Talvez fosse mais vantajoso manter certos jogadores inteligentes no jogo, desde que não liderassem. Matheus a observava com atenção. A decisão não era apenas sobre quem representava maior risco naquele momento, mas sobre qual saída criaria a narrativa mais conveniente no dia seguinte. Cada eliminação moldava a história do jogo. No fim, os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos, encarando as chamas das velas. No Conclave, escolhas não eram apenas eliminações. Eram movimentos de xadrez cuidadosamente calculados. A madrugada seguia silenciosa quando Dora e Matheus retomaram a conversa no Conclave. A decisão ainda não estava tomada, e agora eles ampliavam o campo de análise. Se não fossem Lorena, Dimas, Ícaro ou Núbia... Restavam outros nomes igualmente delicados: Marcela, Amélie, Caio e Maurício. Matheus começou por Marcela. Disse que ela tinha uma característica perigosa: Observava muito e falava no momento exato. Não se expunha demais, mas também não se escondia completamente. Dora concordou. Marcela não liderava ataques, mas validava narrativas com facilidade. Era o tipo de jogadora que fortalecia um movimento já iniciado. Eliminá-la poderia enfraquecer a coesão do grupo, mas também poderia parecer aleatório demais, caso ela não estivesse no centro das suspeitas naquele momento.
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O nome de Amélie trouxe um olhar mais atento entre os dois. Dora ponderou que Amélie era articulada e sabia se defender bem. Conseguia virar argumentos contra quem a acusava. Matheus acrescentou que ela tinha raciocínio rápido e boa memória, o que a tornava forte em provas e debates. No entanto, justamente por já ter sido alvo em momentos anteriores, talvez fosse mais útil mantê-la no jogo. Se o nome dela continuasse circulando, poderia servir como escudo natural para eles. Caio entrou na conversa logo em seguida. Matheus comentou que ele tinha um perfil mais combativo, que gostava de confrontar diretamente. Dora observou que Caio frequentemente tomava posição clara nas mesas, o que o colocava sob radar com facilidade. Ele não era imprevisível, mas também não era discreto. Se saísse, poderia gerar menos ruído do que outros nomes. Mas sua permanência também criava atritos constantes, o que distraía o grupo. Por último, analisaram Maurício. Dora destacou que ele tinha uma postura tranquila, quase pedagógica, e que isso passava confiança. Matheus lembrou que ele era lógico e organizado no pensamento. Não levantava a voz, mas influenciava com serenidade. Isso podia ser perigoso, especialmente se começasse a assumir papel mais central nas decisões. Ao mesmo tempo, Maurício ainda não parecia desconfiar deles. O silêncio voltou a dominar o Conclave. Dora resumiu a situação: Marcela fortalecia narrativas, Amélie sabia sobreviver sob pressão, Caio gerava confronto constante e Maurício oferecia estabilidade lógica. Cada um representava um tipo diferente de risco. Matheus apoiou as mãos na mesa e disse que precisavam pensar no dia seguinte. Não apenas em quem era mais forte, mas em qual saída criaria a história mais conveniente. A eliminação precisava parecer coerente com os conflitos já existentes, para não gerar questionamentos inesperados. Dora concordou. No fim, não se tratava apenas de eliminar alguém perigoso. Tratava-se de manter o jogo girando exatamente na direção que eles queriam.
A madrugada já avançava quando Dora e Matheus chegaram aos dois últimos nomes que ainda precisavam analisar: Penélope e Helena. O Conclave permanecia iluminado apenas pelas velas e o silêncio entre uma fala e outra parecia tão estratégico quanto as próprias palavras. Dora foi a primeira a mencionar Penélope. Disse que ela tinha uma habilidade perigosa: Gostava de conduzir conversas sem parecer que estava conduzindo. Não assumia liderança formal, mas direcionava raciocínios com perguntas bem colocadas e comentários irônicos. Matheus concordou. Penélope provocava, testava reações, observava quem se desestabilizava. Esse tipo de jogador podia, aos poucos, construir uma linha de suspeita quase invisível e quando o grupo percebesse, a narrativa já estaria formada. Ao mesmo tempo, eliminar Penélope naquele momento poderia gerar um efeito indesejado. Ela já havia tido pequenos embates com diferentes pessoas, e sua saída poderia servir como ponto de união para os fiéis, algo como um alerta coletivo. Matheus ponderou que o mais importante era avaliar se ela estava próxima de conectar algo real ou se ainda estava apenas jogando no escuro. Dora refletiu que, por enquanto, Penélope parecia mais interessada em parecer perspicaz do que em fechar um diagnóstico concreto. Isso significava tempo e tempo era vantagem. Então o nome de Helena entrou na conversa. O tom mudou. Dora destacou que Helena tinha postura firme e natural capacidade de liderança. Mesmo quando não tentava comandar, acabava sendo ouvida. Matheus acrescentou que ela era racional, organizada no discurso, difícil de desestabilizar emocionalmente. Diferente de outros jogadores que podiam ser conduzidos por impulsos, Helena sustentava argumentos e não se perdia com facilidade. Mas havia outro lado. Se Helena saísse, o grupo poderia perder um eixo. A ausência dela talvez criasse desordem e desordem poderia favorecer os traidores. Por outro lado, se permanecesse por muito tempo, poderia assumir o papel de articuladora principal e começar a organizar os votos com mais precisão. Penélope representava influência sutil e provocação constante. Helena representava estabilidade e direção estratégica. Dora concluiu que a decisão não era sobre quem era mais forte individualmente, mas sobre qual ausência moldaria melhor o dia seguinte. No Conclave, não se eliminava apenas uma pessoa eliminava-se um tipo de energia dentro do grupo. Matheus concordou em silêncio. No fim, o jogo não era sobre força isolada. Era sobre equilíbrio. E eles precisavam garantir que o tabuleiro continuasse inclinado a favor das sombras.
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Conheça os personagens: Amélie Claveaux, Bernardo Azevedo, Bianca Nogueira, Caio Montenegro, Dimas Hadlich, Dora Machado, Estela Martins, Fabricio Molinaro, Helena Brandão, Icaro Figueiredo, Leandro Vasconcelos, Lorena Bastos, Marcela Coutinho, Matheus Lacerda, Mauricio Campos, Nathaniel Puig, Núbia Bianchi, Penélope Falcão, Rafael Pacheco, Rosiane Seta, Sharon Sheetarah e Verônica Lux.
LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026 Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais ou entrar em contato, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?