terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Bruna Entrevista: 14x03 - Dimitri Venum


Olá, olá...Tudo bem, meus queridos? Então que hoje é dia de conferir mais uma entrevista inédita aqui no blog, olha que bacana? E para deixar tudo ainda mais divertido, nós trouxemos um ator internacional, estou falando do queridíssimo Dimitri Venum, que aceitou vir compartilhar com a gente algumas de suas experiências na indústria dos filmes adultos, ou seja, se você for menor de idade, é melhor pedir a permissão de um adulto responsável antes de continuar lendo, beleza? Mas se você já é o próprio adulto responsável, então é só vir comigo!

Bruna Jones: Nos últimos anos você se tornou um dos atores de entretenimento adulto mais bem-sucedidos na área, até ganhando prêmios por sua atuação, mas antes de falarmos mais sobre isso, vamos voltar um pouco. O que você fazia ou com o que trabalhava antes de começar a atuar em vídeos adultos?
Dimitri Venum: Por mais surpreendente que possa parecer, eu tinha um trabalho que não tinha absolutamente nada a ver com filmes adultos. Eu era autônomo como engenheiro de computação. É um grande salto, eu percebo isso agora, mas ainda existem algumas coisas (como marketing de um produto, redes sociais) que permanecem bastante comuns a tudo isso.

Bruna Jones: Algumas pessoas entram no entretenimento adulto por fama, dinheiro ou até por simples prazer. O que te motivou a começar a fazer esses filmes? Além disso, como foi para você o início da sua trajetória como ator? Lembra como se sentiu no seu primeiro dia de filmagem?
Dimitri Venum: Primeiro de tudo, sempre tive um lado exibicionista (como muitas pessoas da minha idade) e estou confortável com meu corpo. Fui convidado para uma cena em um filme por meio de uma rede de contatos. Aproveitei a oportunidade porque era uma fantasia minha e eu gosto bastante de sexo. A oportunidade era boa demais para deixar passar. Não fiz isso pelo dinheiro ou por reconhecimento, apenas por mim mesmo, como um desafio pessoal. Adorei essa primeira experiência (o filme se chama "Testosterone") e quando vi o vídeo, sorri. Muitas pessoas viram o vídeo, e fui contatado por outros diretores. O que começou como um desafio pessoal se tornou um trabalho paralelo. Por volta da pandemia de Covid, quando surgiram plataformas como OnlyFans e JustForFans, aproveitei a oportunidade. Com o tempo, me tornei mais profissional e não me arrependo. 

Bruna Jones: Como todos sabemos, você nasceu na França e tem trabalhado em projetos tanto no seu país quanto para estúdios em outras partes do mundo, como os Estados Unidos. Como você lida com toda essa exposição global que recebeu, e como é para você ter a oportunidade de experimentar outras culturas fora do seu país?
Dimitri Venum: No início, eu não compreendia a dimensão da minha "carreira". Foi ao conhecer outros atores e diretores, assim como meus "fãs", que passei a ter uma compreensão mais clara. Nos últimos anos, conheci pessoas vibrantes, acolhedoras e inteligentes (longe do estereótipo da loira burra). Tive conversas sérias, compartilhei crises de riso e ganhei uma perspectiva muito diferente sobre culturas e histórias pessoais de certos povos por meio de seus atores. Histórias cheias de humildade, guerra e fuga de seus países, mas também de esperança por uma vida melhor, projetos futuros e ideias que espero que levem aos seus sucessos amanhã. Tudo isso é o que considero intercâmbio "internacional". É verdade que é um ângulo interessante descobrir uma cultura começando com algo tão íntimo quanto o sexo. 

Bruna Jones: Hoje em dia a pornografia se tornou muito mais acessível para o mundo todo; uma gravação pode se tornar viral em minutos e, com isso, mais pessoas consomem esse tipo de material. Do ponto de vista de um ator, você acredita que ainda pode haver preconceito contra quem trabalha nessa profissão?
Dimitri Venum: Preconceito, esse é um assunto delicado. Primeiro, gostaria de abordar um ponto que me parece importante. A indústria pornográfica está longe de ser livre de preconceitos. Mesmo que sejamos supostamente mais inclusivos, existem "atritos" dentro do que poderíamos chamar de comunidade. Isso pode ocorrer entre atores de países que estão em conflito ou entre diferentes categorias. Pode ser desanimador ouvir isso, mas somos humanos, e a rejeição existe também dentro da nossa comunidade, pelas mesmas razões que fora. Quanto ao mundo externo, digamos que, quando as pessoas descobrem meu trabalho, e o fato de que ele vai além de vídeos curtos, pode haver uma fase de choque que varia do nojo à aceitação. O nojo geralmente exige discussão, e a aceitação frequentemente leva a muitas perguntas. É uma profissão que repele tanto quanto fascina, em algum lugar entre o status de ícone e o de besta monstruosa.


Bruna Jones:
 Uma das coisas que mudou nessa indústria nos últimos anos é a forma como os artistas podem se expressar. Agora não é mais necessário esperar para ser contratado por uma grande empresa para alcançar sucesso; tudo que você precisa é de senso criativo e uma câmera, e pode começar a postar seu próprio conteúdo em plataformas como o "OnlyFans". Dito isso, artistas em geral tendem a ser perfeccionistas no seu trabalho. Você tem o hábito de assistir aos seus próprios vídeos e analisar o trabalho feito? Como você analisa a diferença entre trabalhos feitos por uma produtora e trabalhos feitos diretamente para plataformas?
Dimitri Venum: Digamos que, para fazer o trabalho de pós-produção, temos que assistir às nossas próprias performances. Gosto de detalhes e me treinei para usar softwares profissionais de edição. Com o tempo, comprei equipamentos: Câmera, iluminação e aprendi a trabalhar com atmosfera. O mais difícil, eu acho, é encontrar um local que não seja um quarto de hotel. A atmosfera é tão importante quanto o ator. Estúdios e plataformas não estão em competição; eles ocupam nichos ecológicos muito diferentes. Os estúdios trabalham mais a longo prazo, com história e atmosfera (figurinos, locações, estilo), enquanto as plataformas focam no consumo imediato e explosivo. Hoje, existem atores que fazem trabalhos realmente criativos no nível de estúdio, basicamente, a nova geração de diretores.

Bruna Jones: Você está nessa carreira há mais de cinco anos e acredito que tenha vivido muitas situações incomuns ou até engraçadas nos bastidores, não é? Poderia compartilhar uma das suas lembranças mais engraçadas dos bastidores?
Dimitri Venum: Isso às vezes acontece em certas filmagens; temos que fazer closes e planos abertos. Nos closes, conversamos entre nós, e isso é gravado; podemos também ver expressões faciais. Não é o caso nos planos abertos. Já aconteceu de alguns atores e eu falarmos bobagem tentando manter a seriedade. Mas também pode acontecer durante uma cena de sexo, uma ejaculação que vai para a câmera, ou no olho, um sofá que desmorona (já aconteceu várias vezes, porque sou meio desajeitado). É muito difícil se recuperar disso depois. 

Bruna Jones: Você tem um trabalho em que acaba se expondo de forma muito íntima diante das câmeras, e acredito que fora das filmagens você tenta manter uma rotina para estar sempre no seu melhor, certo? O que você costuma fazer para manter seu físico e aparência? Poderia compartilhar um pouco da sua rotina fora das câmeras?
Dimitri Venum: Faço muito esporte. Sou ex-jogador de rugby e comecei a fazer musculação alguns anos atrás. Compito, o que pode explicar porque meu físico varia dependendo de quando a foto é tirada. Faço entre 5 e 6 treinos de musculação por semana e também nado. Procuro me alimentar bem e, acima de tudo, ter uma dieta equilibrada. Vou à academia todos os dias, ou cedo de manhã ou antes do meio-dia, para ter a tarde livre, seja para colaborações ou outros projetos (e há muitos para gerenciar nesse ramo).  


Bruna Jones:
 Como eu disse antes, hoje você já tem uma carreira sólida na área e reconhecimento mundial, seja pelas redes sociais ou pelos prêmios que ganhou pelo seu trabalho. O que você pretende fazer com esse sucesso no futuro? Existem planos de longo prazo para o que você faz?
Dimitri Venum: Pretendo continuar progredindo e colaborar com grandes nomes também. A longo prazo, pretendo produzir filmes sob meu próprio selo, mas tudo isso ainda está sendo discutido com "a equipe francesa".

Bruna Jones: Hoje em dia, uma das formas de produção mais populares são os reality shows. Existem muitos tipos no mundo, desde programas de sobrevivência como "Survivor", até confinamento como "Big Brother", ou até de estratégia como "The Traitors". Alguns atores do entretenimento adulto foram convidados a participar desses programas. Se você fosse convidado, aceitaria? Se sim, há algum específico em que gostaria de participar?
Dimitri Venum: Sim, acompanhei isso. Allen King, por exemplo, se saiu muito bem (dou um salve para ele). Quanto a mim, acho que poderia participar de reality shows sobre esportes; não me sentiria confortável com programas de romance ou de solteiros. 

Bruna Jones: Eu não poderia terminar esta entrevista sem perguntar: Você já esteve no Brasil? Gostaria de nos visitar quando possível?
Dimitri Venum: Ainda não tive a chance de ir ao Brasil, mas devo admitir que me atrai bastante. O país e o povo são incríveis, cheios de energia positiva e sexual. Estou pensando em planejar uma viagem para o final de 2026. 

Bacana a nossa conversa, não é mesmo? E ele ainda deixou um recadinho antes de ir, olha só: "Estou realmente ansioso para ir ver vocês e fazer algumas ótimas colaborações ou produções. Tenho certeza de que o contato entre França e Brasil vai criar algo explosivo e muito, muito quente." e se vocês quiserem continuar acompanhando ele nas redes sociais, relembrando que é preciso ser maior de idade para acessar algumas de suas plataformas, é só clicar AQUI. Neste link você encontra todas as redes sociais oficiais dele, beleza? 

Espero que vocês tenham gostado da entrevista de hoje, em breve retornarei com novidades. Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

TTRA: 1x13 - The Traitors Realidade Alternativa - O Preço de Enxergar Demais


A nova manhã surgia fria e enevoada no castelo. O céu ainda carregava tons azulados quando os primeiros passos ecoaram pelo corredor de pedras, quebrando o silêncio pesado que sempre antecedia o café da manhã mais temido. Não era apenas o início de mais um dia, era o momento da verdade silenciosa, quando a ausência de uma cadeira falava mais alto que qualquer acusação. Penélope foi a primeira a atravessar as portas do salão. Com os braços cruzados e o olhar atento, ela caminhou devagar até a mesa, como se cada passo pudesse revelar uma pista invisível no ar. Respirou fundo antes de se sentar, tentando manter a postura firme, mas seus olhos denunciavam a tensão. Logo atrás dela, Marcela entrou apressada, os cabelos ainda levemente desalinhados. Assim que viu Penélope já acomodada, soltou um suspiro nervoso e se aproximou. "Você também não dormiu, né?" murmurou, puxando a cadeira ao lado. Penélope apenas balançou a cabeça. O medo naquela manhã era compartilhado. Dimas foi o terceiro a aparecer. Diferente das outras vezes, ele não fez nenhuma piada nem tentou quebrar o clima. Parou na entrada por alguns segundos, analisando a mesa parcialmente vazia. Seus olhos passaram pelas cadeiras desocupadas como se tentasse prever qual delas não seria preenchida jamais. Então caminhou até as duas e se sentou ao lado elas. Os três trocaram olhares silenciosos. Não havia necessidade de palavras, todos sabiam o que aquele ritual significava. Cada segundo parecia mais longo que o anterior. O relógio antigo na parede marcava o tempo com um tique-taque quase cruel. A porta voltou a ranger. Cada novo participante que surgisse significaria alívio... Ou confirmação de uma perda. E enquanto aguardavam os próximos passos ecoarem pelo corredor, a pergunta pairava no ar como uma névoa espessa: Quem não atravessaria aquela porta naquela manhã?

O silêncio entre Penélope, Marcela e Dimas foi interrompido por passos firmes se aproximando pelo corredor de pedra. Os três ergueram o olhar quase ao mesmo tempo, a respiração suspensa. A porta se abriu devagar. Núbia apareceu primeiro. Ela entrou com o semblante sério, mas ao perceber que já havia três pessoas sentadas, deixou escapar um suspiro contido, estava viva e não era a única. Seus olhos rapidamente percorreram o salão, contando mentalmente as cadeiras ainda vazias. Sem dizer nada, aproximou-se da mesa e puxou a cadeira ao lado de Dimas. "Bom dia..." murmurou, embora ninguém ali realmente sentisse que fosse um "bom" dia. Logo atrás dela, Amélie surgiu na porta. Diferente do costumeiro ar confiante, vinha mais cautelosa, quase desconfiada do próprio ambiente. Assim que cruzou o olhar com Marcela, as duas trocaram uma expressão carregada de significado: Alívio imediato, seguido de uma nova onda de apreensão. Amélie entrou completamente no salão, fechando a porta atrás de si como se quisesse impedir que o medo do corredor invadisse a mesa. "Mais uma noite..." disse, sentando-se ao lado de Penélope. "E alguém não teve a mesma sorte." O grupo agora somava cinco. Cinco sobreviventes daquela madrugada silenciosa. Mas as cadeiras vazias ainda eram maioria. O tique-taque do relógio parecia mais alto. Cada novo passo no corredor poderia trazer alívio... Ou confirmar a perda que todos temiam nomear.

O clima no salão já estava denso quando novos passos ecoaram pelo corredor. Desta vez, vinham mais apressados, quase descompassados. Todos na mesa se entreolharam novamente. Mais uma porta se abrindo significava mais respostas, ou mais tensão. Caio foi o primeiro a surgir. Ele entrou tentando manter a postura confiante, mas seus olhos denunciaram que tinha passado a noite em claro. Assim que viu o grupo já formado, deu um leve aceno com a cabeça, como quem diz "sobrevivi". Caminhou até a mesa em silêncio, puxando uma cadeira próxima a Núbia. Logo atrás dele, Matheus apareceu. Diferente dos outros, ele parou por um segundo na porta, observando atentamente quem já estava ali. Seu olhar foi rápido, analítico, quase calculado. Quando entrou de vez, cumprimentou todos com um "bom dia" controlado demais para aquele momento. E então veio Dora. Ela entrou por último entre os três, com passos mais lentos, expressão indecifrável. Ao cruzar o salão, seus olhos passaram por cada rosto, demorando-se um pouco mais em alguns. Quando encontrou o olhar de Matheus, houve uma troca rápida e sutil, quase imperceptível para quem não estivesse atento. Dora se acomodou ao lado dele, apoiando as mãos sobre a mesa. "Estamos quase todos..." comentou em voz baixa, olhando para as cadeiras vazias que restavam. Agora eram oito na mesa. O ar parecia ainda mais pesado. A cada nova chegada, o alívio vinha acompanhado de um novo cálculo mental: Quem ainda falta? As cadeiras que permaneciam vazias começavam a gritar mais alto do que qualquer acusação. E o silêncio, mais uma vez, tomou conta do salão do café da manhã.

O som de duas vozes sussurrando no corredor fez todos na mesa prenderem a respiração mais uma vez. A tensão já não era apenas expectativa, era contagem regressiva. A porta se abriu. Maurício entrou primeiro, ajeitando a gola da camisa como se quisesse esconder o nervosismo. Seus olhos percorreram rapidamente cada rosto à mesa, quase fazendo uma conferência silenciosa. Ao perceber que ainda havia três cadeiras vazias, seu semblante ficou mais sério. Ele caminhou até a mesa sem dizer nada e se sentou. Logo atrás dele, Helena surgiu. Diferente das manhãs anteriores, ela não tentou disfarçar o medo. Assim que viu Maurício já sentado e o restante do grupo reunido, levou a mão ao peito por um instante, num gesto automático de alívio. Mas o alívio durou pouco. Agora eram dez na mesa. E apenas uma cadeira permanecia vazia. Icaro. Lorena. O silêncio ficou quase insuportável. "Não pode ser..." murmurou Marcela, olhando alternadamente para as duas cadeiras. "Eu falei com a Lorena ontem à noite..." "Eu também falei com o Icaro." rebateu Caio, passando a mão pelo rosto. "Ele estava tranquilo demais." Penélope cruzou os braços, encarando o vazio à sua frente. "Tranquilo demais ou confiante demais?" Dimas apoiou os cotovelos na mesa, olhando fixamente para a porta fechada. "Se só faltam os dois... Então já sabemos que um deles não vai entrar." Núbia balançou a cabeça lentamente. "A pergunta é: Quem os traidores escolheriam? Lorena vinha sendo citada nas conversas... Mas o Icaro também estava começando a ser suspeito." Matheus permaneceu em silêncio, observando as reações. Dora ao seu lado mantinha o olhar baixo, mas atenta a cada palavra dita. Helena respirou fundo. "Se for a Lorena, pode ter sido estratégia. Ela estava se aproximando de muita gente. E se for o Icaro..." completou Maurício "pode ser que os traidores tenham querido confundir a gente." A porta continuava fechada. Cada segundo que passava tornava mais evidente a ausência que se aproximava de se tornar definitiva. Agora já não era apenas expectativa. Era a certeza cruel de que, entre Icaro e Lorena, apenas um atravessaria aquela porta. A porta se abre pela última vez e o destino é selado...

A porta do confessionário se fechou com um clique seco atrás de Lorena. O ambiente era pequeno, iluminado por uma luz suave que contrastava com a tensão que ela carregava no olhar. Ela se sentou na cadeira central, ainda tentando entender por que havia sido chamada antes do café da manhã. À sua frente, sobre uma pequena mesa de madeira, repousava um pergaminho lacrado com cera vermelha. Lorena engoliu em seco. Por alguns segundos, ela apenas encarou o envelope, como se o simples ato de tocá-lo pudesse tornar real aquilo que ela ainda tentava negar. Então, respirou fundo, estendeu a mão e quebrou o lacre. Desenrolou o pergaminho lentamente. Seus olhos começaram a percorrer as linhas escritas: "Lorena, Durante a madrugada, os Traidores se reuniram e tomaram uma decisão. E, desta vez, o nome escolhido foi o seu. Você foi assassinada." O silêncio tomou conta do confessionário. Lorena piscou algumas vezes, absorvendo o peso das palavras. A expressão dela passou da incredulidade para uma mistura de frustração e compreensão. "Eu sabia..." murmurou, deixando escapar um riso curto, nervoso. "Eu sabia que estava na mira." Ela levou a mão ao rosto, balançando a cabeça. "Eu falei demais ontem. Me expus demais..." completou, agora com os olhos marejados, mas mantendo a postura firme. "Se eu estava incomodando, é porque eu estava no caminho certo." Lorena dobrou o pergaminho com cuidado e o segurou contra o peito por um instante. "Vocês podem ter me tirado do jogo..." disse, olhando diretamente para a câmera "mas espero que o que eu plantei aqui continue. Prestem atenção. Nem todo mundo é o que parece." Ela respirou fundo mais uma vez, se recompondo. "Boa sorte, fiéis. Vocês vão precisar." Com um último olhar determinado para a câmera, Lorena se levantou, deixando o confessionário, agora oficialmente fora do jogo, mas com a sensação de que sua saída ainda ecoaria no castelo.

O salão estava mergulhado em um silêncio quase sufocante. Dez pessoas sentadas. Uma cadeira vazia. Todos olhavam fixamente para a porta. O som da maçaneta girando ecoou pelo ambiente. A porta se abriu lentamente. Icaro apareceu. Por um segundo, ninguém reagiu. Foi como se o cérebro de todos precisasse de um instante extra para processar o que aquilo significava. Se Icaro estava ali... Então Lorena não estava. Marcela foi a primeira a levar a mão ao rosto. "Não..." sussurrou, quase para si mesma. Penélope fechou os olhos por um breve momento, respirando fundo. Dimas apenas encostou as costas na cadeira, encarando a mesa como se já esperasse por aquilo. Icaro entrou devagar, o semblante sério, diferente do habitual. Ele percebeu imediatamente o peso do olhar coletivo sobre ele. Não era desconfiança, era confirmação. "Então..." ele começou, com a voz baixa "fui o último a ser chamado." Ninguém precisou perguntar sobre Lorena. Helena quebrou o silêncio: "Ela não vem." Não era uma pergunta. Maurício balançou a cabeça lentamente. "Os Traidores foram nela." Núbia cruzou os braços, analisando Icaro. "Isso muda tudo." Caio respirou fundo, visivelmente impactado. "Ela estava começando a ligar os pontos..." "Justamente por isso" completou Penélope, firme. "Se tiraram a Lorena, é porque ela estava incomodando." Matheus observava cada reação com atenção milimétrica. "Ou porque queriam que a gente pensasse que ela estava certa." Dora manteve o olhar fixo na cadeira vazia. "Ontem ela citou nomes." O clima deixou de ser apenas triste. Tornou-se estratégico. Icaro finalmente se sentou, ainda absorvendo o próprio alívio misturado com a culpa involuntária de estar ali. "A gente precisa revisitar tudo o que ela falou" ele disse. "Porque, se os Traidores escolheram ela, não foi por acaso." O silêncio voltou a dominar o salão. Mas agora não era um silêncio de espera. Era um silêncio de guerra.

A imagem do salão do café da manhã se dissolve lentamente, dando lugar à madrugada anterior. O castelo estava envolto em névoa, as tochas do corredor lançando sombras trêmulas nas paredes de pedra. O relógio marcava altas horas quando duas silhuetas atravessaram o corredor em silêncio absoluto. No Conclave, a porta se fechou com um som grave. Dora e Matheus ficaram frente a frente, iluminados apenas pela luz baixa das velas. Sobre a mesa redonda, o brasão do jogo parecia observá-los. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Foi Matheus quem quebrou o silêncio. "A Lorena está começando a juntar os pontos" disse, em tom controlado. "Hoje ela citou conexões que ninguém tinha percebido." Dora caminhou lentamente ao redor da mesa, pensativa. "Ela não está só suspeitando..." completou. "Ela está organizando as pessoas. Isso é perigoso." Matheus assentiu. "Muito perigoso." Dora parou, encarando o brasão no centro da mesa. "A Penélope é mais estratégica. Mais fria. Se continuar, pode virar um problema maior do que a Lorena." Matheus respirou fundo. "Concordo. Mas matar a Penélope agora levanta suspeitas demais. Ela tem alianças fortes. A reação seria imediata." Dora cruzou os braços. "Já a Lorena... É articulada" interrompeu Matheus "mas não tem a mesma blindagem social." Os dois trocaram um olhar cúmplice. "Se tirarmos a Lorena" disse Dora "cortamos a linha de raciocínio que está se formando. E ainda criamos a narrativa de que os Traidores estão "calando quem fala demais"." Matheus esboçou um leve sorriso contido. "E ao mesmo tempo, deixamos a Penélope viva... Para que ela continue sendo vista como ameaça." "Exato" respondeu Dora. "Ela vira alvo natural no próximo círculo. E nós ficamos um passo atrás das sombras." O silêncio voltou a dominar o Conclave, mas agora não era hesitação. Era decisão. Matheus estendeu a mão até o pergaminho. "Então está decidido?" Dora sustentou o olhar dele por um segundo a mais. "Lorena." O nome foi escrito. A vela tremulou levemente, como se selasse o destino. E naquela madrugada silenciosa, enquanto o restante do castelo dormia acreditando que ainda tinha tempo, a decisão foi tomada com frieza estratégica: Lorena seria a próxima a não atravessar a porta do café da manhã.

O peso da ausência ainda pairava sobre a mesa quando passos firmes ecoaram pelo corredor principal do castelo. A porta se abriu com imponência. Selton Mello entrou no salão com seu caminhar calmo e olhar penetrante, vestindo um sobretudo escuro que parecia absorver a própria luz do ambiente. O silêncio, que já era denso, tornou-se absoluto. Ele não se dirigiu imediatamente aos participantes. Em vez disso, caminhou lentamente até a parede onde estavam os quadros dos participantes. Seus dedos passaram pela moldura de Lorena. Ele a observou por alguns segundos, quase em respeito. "Lorena..." começou, com voz grave e pausada. "Uma jogadora que escolheu falar. Que escolheu questionar. Que escolheu ligar pontos quando muitos preferiam apenas observar." Os participantes mantinham os olhos fixos nele. Selton retirou o quadro da parede com cuidado. "Mas neste jogo, palavras podem ser perigosas. E raciocínios rápidos demais... Costumam incomodar." Ele se virou para a mesa, segurando o retrato diante de todos. "A morte dela não foi apenas uma eliminação. Foi um recado. Um movimento calculado na escuridão." Penélope manteve o olhar firme. Marcela já não escondia a emoção. Icaro parecia tenso. Matheus e Dora observavam em silêncio absoluto. Selton deu alguns passos à frente. "Hoje, vocês sentem a ausência dela. Mas a pergunta que deve ecoar neste salão não é apenas "quem foi morto"." Ele fez uma pausa. "E sim... Por quê." O silêncio cortava o ar. Então, num gesto brusco e inesperado, ele soltou o quadro. A moldura caiu no chão de pedra com um estrondo seco, o vidro se estilhaçando e ecoando pelo salão. Alguns participantes se sobressaltaram. Selton manteve o olhar fixo no grupo. "Esta noite... Vocês se encontram novamente na Mesa Redonda." Ele deu um passo à frente, firme. "E terão a oportunidade de banir mais um participante." Sua voz ficou ainda mais séria. "Se querem honrar Lorena... Se querem fazer justiça pela moça que saiu por enxergar demais... Então mantenham o foco." Ele percorreu cada rosto com o olhar. "Porque os Traidores continuam sentados entre vocês." Sem dizer mais nada, Selton se virou e deixou o salão, enquanto os cacos de vidro espalhados pelo chão pareciam simbolizar exatamente o estado do jogo: Fragmentado. E prestes a explodir novamente naquela noite.

O jardim do castelo parecia calmo demais para a tensão que se acumulava por dentro dos muros. O vento balançava levemente as árvores e o som distante de pássaros contrastava com o clima pesado que ainda ecoava da manhã. Amélie caminhava de um lado para o outro perto da fonte de pedra, claramente inquieta. Maurício se aproximou com passos cautelosos, olhando ao redor antes de parar ao lado dela. "Você também está sentindo isso, né?" ela perguntou sem encará-lo. Maurício suspirou. "Que a gente virou alvo?" Amélie finalmente parou, cruzando os braços. "A gente perdeu a prova. E não foi pouco. Foi visível... Isso sempre vira argumento." Maurício assentiu lentamente. "O grupo precisa de justificativa pra votar em alguém. E desempenho ruim é a desculpa perfeita." Ela passou a mão pelo cabelo, visivelmente tensa. "Eu tô com medo de jogarem a culpa na gente só pra criar consenso. "Ah, perderam dinheiro pro prêmio, então merecem sair." É fácil demais. Ainda mais hoje" completou Maurício. "Depois da morte da Lorena, todo mundo vai querer mostrar serviço. Mostrar que está "fazendo algo"." Amélie olhou na direção das janelas do castelo. "Eu não sou Traidora. Mas se começarem a montar narrativa... A gente sabe como isso cresce rápido." Maurício deu um meio sorriso nervoso. "A questão é: A gente se antecipa ou espera o ataque?" Ela pensou por alguns segundos. "Se a gente se defender demais, parece culpa. Se ficar quieto, parece omissão. Então precisamos de estratégia" disse ele. "Conversar com quem está inseguro. Mostrar que prova não define caráter." Amélie respirou fundo, tentando recuperar o controle. "Eu só não quero virar voto "fácil". Não depois de tudo." O vento soprou mais forte por um instante, levantando algumas folhas secas pelo gramado. Maurício olhou para ela com seriedade. "Hoje à noite não vai ser sobre a prova. Vai ser sobre medo. E quem conseguir direcionar esse medo... Controla o jogo." Amélie assentiu devagar. No jardim aparentemente tranquilo, os dois sabiam que não estavam apenas conversando. Estavam tentando sobreviver.

No bar do castelo, a iluminação baixa deixava o ambiente quase acolhedor quase. O clima do castelo era pesado demais para qualquer sensação de conforto. Copos repousavam sobre o balcão de madeira escura e o murmúrio distante de outras conversas preenchia o fundo. Helena estava encostada no balcão, girando lentamente a bebida dentro do copo. "Eu não sei por quanto tempo mais vou conseguir conviver com a Núbia" desabafou, claramente irritada. "Ela me cansa." Dimas, ao lado dela, virou o corpo com curiosidade. "Cansa como?" Helena suspirou. "Superficial. Parece que ela nunca entra de verdade nas conversas estratégicas. Fica sempre no raso, nunca se compromete, nunca aprofunda nada. É como se estivesse só... Passando pelo jogo." Dimas apoiou os braços no balcão, pensativo. "Mas você já considerou que isso pode ser justamente o que faz dela uma fiel?" Helena franziu o cenho. "Você está defendendo ela?" "Não estou defendendo" respondeu ele com calma. "Estou analisando. Se a Núbia fosse Traidora, você acha mesmo que ia se manter tão pouco articulada? Traidor precisa conduzir narrativa, plantar dúvida com precisão. Não vejo ela fazendo esse tipo de movimento." Helena tomou um gole da bebida, refletindo. "Ou ela está se fazendo de desentendida muito bem." Dimas deu um meio sorriso. "Pode ser. Mas, sinceramente? Eu não vejo nela essa frieza para tramar eliminação. Ela parece mais perdida do que estratégica." Helena ficou em silêncio por alguns segundos. "Talvez eu esteja confundindo antipatia com suspeita. E nesse jogo" disse Dimas, olhando diretamente para ela "isso é mais comum do que parece." O bar voltou ao seu ruído baixo e constante. Helena apoiou o copo no balcão. "Eu só sei que está difícil conviver." "Convivência desgasta" respondeu Dimas. "Mas desgaste não é prova." Os dois ficaram em silêncio, absorvendo o peso da conversa. No castelo, enquanto alianças se formavam e desconfianças cresciam, até sentimentos pessoais começavam a virar combustível para o próximo banimento.

A iluminação da mesa redonda parecia ainda mais dura naquela noite. As sombras projetadas nas paredes davam a sensação de que todos estavam sendo observados por algo maior do que o próprio jogo. Selton Mello fez um gesto sutil. "O debate está aberto." Um breve silêncio. Então, Marcela tomou a palavra. "Eu vou começar sendo direta. Para mim, o nome mais preocupante hoje é o da Amélie." Alguns olhares se voltaram imediatamente. Marcela continuou: "Ela participou da prova, errou justamente na parte mais decisiva... E agora temos uma narrativa de sabotagem circulando. Pode não ser verdade. Mas é estranho." Caio assentiu. "Eu concordo. E não é só pela prova. Teve também a discussão pesada entre ela e a Bianca na mesa anterior. A Bianca era traidora. A briga pode ter sido uma cortina de fumaça." O clima esquentou. Amélie soltou uma risada curta, carregada de ironia. "Engraçado, Caio. Porque se a gente for puxar histórico... Você também foi suspeito há algumas rodadas. E ninguém fez nada a respeito." Alguns participantes murmuraram. Caio se ajeitou na cadeira. "Eu me defendi. E continuo aqui." "Exatamente" rebateu Amélie. "Suspeita por si só não significa nada." Ela então olhou para o grupo inteiro. "E vamos esclarecer uma coisa: Eu não me indiquei para fazer a prova. Eu fui escolhida." Os olhares começaram a se deslocar. "Se querem falar de influência, talvez seja interessante lembrar quem insistiu na minha escolha." Amélie virou o rosto lentamente para Helena. "Porque, até onde eu lembro, você defendeu meu nome com bastante convicção." Helena piscou, surpresa. "Eu defendi porque você parecia preparada!" "Ou porque queria alguém para responsabilizar caso desse errado?" devolveu Amélie, com um meio sorriso provocativo. Um murmúrio atravessou a mesa. Marcela interveio: "Isso está ficando pessoal." Amélie não recuou. "Não. Está ficando lógico. Se houve sabotagem, e eu não estou dizendo que houve, então por que focar apenas em quem executou a prova e não em quem articulou a escolha?" Helena respirou fundo. "Eu não forcei nada. O grupo concordou." "Concordou depois que você reforçou" respondeu Amélie, ainda firme. Caio cruzou os braços. "Você está desviando." "Estou ampliando" retrucou ela. "Porque se formos falar de comportamento suspeito, vamos falar de todos." A tensão aumentava a cada segundo. Do outro lado da mesa, Dora mantinha uma expressão séria, como se estivesse apenas analisando. Matheus permanecia silencioso, observando as reações. A estratégia estava funcionando. O foco já não era apenas a missão. Agora era influência. Narrativa. Histórico. Selton observava atentamente. A mesa redonda tinha começado. E a noite prometia não terminar tranquila.

O clima já estava fragmentado quando Núbia pediu a palavra novamente. Sua voz não saiu tremida dessa vez, saiu firme. "Eu vou dizer uma coisa... A Amélie pode estar certa sobre a Helena." A mesa reagiu imediatamente. Helena virou o rosto devagar, incrédula. "Como é que é?" Núbia manteve o olhar fixo. "Você foi uma das que mais reforçou o nome dela pra prova. E agora está confortável vendo ela ser o principal alvo. Isso é conveniente demais." Helena soltou uma risada curta, mas sem humor. "Interessante você falar isso, Núbia. Porque até cinco minutos atrás quem mais apontava o dedo pra Amélie era você." Alguns murmuraram. Helena continuou: "Você construiu toda a teoria da sabotagem. Agora que ela virou o jogo, você muda o foco pra mim? Isso parece desespero." Núbia não recuou. "Eu levantei uma hipótese baseada na prova. Mas agora, olhando o comportamento aqui na mesa... Você está mais preocupada em controlar a narrativa do que em entender o que aconteceu." "Controlar narrativa?" Helena retrucou. "Você literalmente começou essa narrativa!" "E você está tentando decidir onde ela termina" respondeu Núbia, firme. O silêncio ficou pesado. Marcela olhava de uma para a outra, absorvendo cada detalhe. Icaro cruzou os braços, atento à mudança de rota. Helena inclinou-se para frente. "Isso está muito conveniente, Núbia. Primeiro você aponta Amélie. Quando ela se defende e menciona meu nome, você embarca. Parece que você só quer que o alvo não seja você." Núbia respirou fundo, mas manteve o tom controlado. "Não. Eu quero coerência. E neste momento... Você está parecendo mais preocupada em se blindar do que em encontrar traidor." A palavra ecoou na mesa. Mais suspeita. Caio murmurou para Dimas: "Isso virou um efeito dominó." Dimas respondeu baixo: "E alguém está se beneficiando disso." Do outro lado, Dora observava com atenção clínica. Matheus mal disfarçava o olhar analítico. A mesa já não era mais sobre a missão. Era sobre quem parecia mais desesperado. E, naquele instante, com acusações cruzadas e mudança de posicionamento... Helena começava a sentir o peso dos olhares. A dúvida agora pairava sobre ela.

O burburinho ainda crescia quando Selton Mello ergueu a mão, pedindo silêncio. A sala imediatamente se aquietou. "A conversa se encerra aqui." Ele caminhou lentamente ao redor da mesa. "Vocês tiveram a oportunidade de expor suspeitas, confrontar incoerências e testar alianças. Agora... É o momento mais simples e mais cruel deste jogo." Ele parou atrás da cadeira vazia ao centro. "Hora de votar." O clima ficou denso. Um a um, os participantes começaram a revelar seus votos. Icaro: "Meu voto é na Helena. Hoje, para mim, ela pareceu mais preocupada em reagir do que em analisar." Caio: "Eu voto na Amélie. A soma da prova com a discussão antiga com a Bianca ainda pesa demais pra mim." Dimas: "Meu voto vai na Helena. A mudança de clima começou quando o nome dela surgiu." Marcela: "Eu voto na Amélie. Ainda acho que a participação dela na prova foi mal explicada." Penélope: "Eu voto no Caio. Acho curioso como ele sempre encontra uma forma de apontar para alguém diferente." Caio manteve a expressão neutra, mas o olhar endureceu. Amélie: "Meu voto é na Helena. Se houve manipulação na escolha da prova, ela precisa ser considerada." Helena respirou fundo, já percebendo o rumo. Matheus: "Eu voto na Helena. Hoje ela se perdeu na própria argumentação." Dora manteve o olhar fixo à frente. Maurício: "Meu voto vai na Helena. A condução da narrativa me pareceu estratégica demais." Dora: "Eu voto na Helena. As justificativas dela não me convenceram." O silêncio era absoluto agora. Restava apenas um voto. Núbia: "Meu voto é na Helena. Porque, neste momento, ela parece a pessoa mais desalinhada com a busca pela verdade." Selton olhou ao redor da mesa. A decisão estava clara. A maioria esmagadora recaía sobre um único nome. Helena permanecia imóvel, mas seus olhos revelavam a tensão. O jogo tinha virado. E naquela noite... Alguém enfrentaria o Círculo da Verdade.

O silêncio era tão pesado que parecia ocupar espaço físico na sala. Selton Mello se levantou lentamente. "Helena..." a voz dele ecoou grave. "A maioria dos votos desta mesa foi direcionada a você." Ele apontou para o centro do salão, onde o símbolo do Círculo da Verdade aguardava. "Vá até o Círculo... E revele ao grupo: Você é fiel... Ou traidora?" Helena respirou fundo. Seus olhos estavam marejados, mas sua postura permanecia ereta. Ela se levantou sob o olhar atento de todos. Cada passo até o círculo parecia mais longo que o anterior. Ao chegar ao centro, virou-se para os colegas. "Eu tentei ser racional. Eu tentei analisar cada movimento." A voz dela tremia, mas não quebrava. "E, mesmo assim... Virei o alvo." Ela olhou diretamente para Núbia. Depois para Amélie. Depois para o restante da mesa. "Vocês confundiram firmeza com manipulação. Estratégia com culpa." O silêncio era absoluto. Helena então colocou a mão sobre o símbolo no chão. Uma lágrima escorreu. "Eu sou..." pausa dramática "fiel." A palavra ecoou pelo salão como um golpe. Alguns participantes fecharam os olhos. Outros desviaram o olhar imediatamente. Helena respirou fundo mais uma vez. "E vocês acabaram de eliminar alguém que estava jogando pelo prêmio de todos nós." Sem esperar reação, ela se virou e caminhou em direção à saída. O vazio que ficou parecia maior do que a própria sala. Selton caminhou até o centro. "Mais uma vez..." começou ele, olhando ao redor "vocês erraram." Ele deixou as palavras pairarem. "E quando os fiéis erram... Os traidores avançam." O peso da afirmação caiu sobre cada um ali. "Nesta noite, os traidores recuperam a vantagem." Os olhares começaram a se cruzar com ainda mais desconfiança. "O jogo não perdoa decisões precipitadas. E a cada fiel eliminado... A sombra se fortalece." Selton deu um passo atrás. "Reflitam. Porque agora... Vocês estão mais vulneráveis do que nunca." A tensão era quase sufocante. E, em meio ao silêncio, dois jogadores mantinham a respiração estável. A vantagem havia mudado de lado. E o castelo voltava a pertencer às sombras.

Conheça os personagens: Amélie ClaveauxBernardo AzevedoBianca NogueiraCaio MontenegroDimas HadlichDora MachadoEstela MartinsFabricio MolinaroHelena BrandãoIcaro FigueiredoLeandro VasconcelosLorena BastosMarcela CoutinhoMatheus LacerdaMauricio CamposNathaniel PuigNúbia BianchiPenélope FalcãoRafael PachecoRosiane SetaSharon Sheetarah e Verônica Lux.

LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

TTRA: 1x12 - The Traitors Realidade Alternativa - Entre a Lógica e o Caos


A madrugada envolvia o castelo em silêncio quando Dora atravessou o corredor escuro em direção ao Conclave. Minutos depois, Matheus surgiu na penumbra, fechando a porta pesada atrás de si. As velas tremeluziam sobre a mesa redonda, refletindo nos rostos tensos dos dois traidores restantes. Dora foi a primeira a falar, a voz baixa, mas segura: "Foi necessário. Abrir mão da Bianca antes que ela se voltasse contra nós, era a única saída. Ela já estava distante, levantando suspeitas... Se continuasse, poderia nos arrastar junto." Matheus assentiu lentamente, apoiando as mãos na mesa. "Concordo. Se ela começasse a criar intriga entre nós, seria questão de tempo até desmoronarmos." Ele fez uma pausa, os olhos fixos na chama da vela. "Mas isso também pode ter colocado um alvo em outra pessoa." Dora arqueou levemente a sobrancelha. "Em quem?" "Na Amélie." respondeu ele, pensativo. "A discussão entre ela e a Bianca foi forte demais. Podemos plantar a ideia de que aquilo parecia duas traidoras se expondo, tentando se atacar para parecerem fiéis." Um leve sorriso surgiu nos lábios de Dora. "Interessante... Transformar conflito em suspeita. Se conduzirmos a narrativa certa, o grupo pode começar a enxergar aquilo como um deslize estratégico entre traidores." Matheus inclinou a cabeça, confiante: "Exato. Agora que eliminamos a Bianca, precisamos redirecionar a atenção. E Amélie já está no radar de alguns. Basta empurrar um pouco." O silêncio voltou a dominar o Conclave, mas dessa vez carregado de estratégia renovada. Dois traidores permaneciam no jogo e, após sobreviverem à segunda grande queda interna, estavam mais determinados do que nunca a manipular cada passo até o fim.

As velas ainda tremeluziam na sala do conclave quando a porta pesada se abriu lentamente. Dora e Matheus se entreolharam, surpresos, enquanto passos firmes ecoavam pelo chão de pedra. Selton Mello surgiu na penumbra, com a postura imponente e o olhar enigmático. "Traidores..." começou ele, a voz grave preenchendo o ambiente. "Esta noite, vocês enfrentam uma nova possibilidade. Com a eliminação de Bianca, o equilíbrio do jogo mudou. E, por isso, ofereço a vocês uma escolha." Ele fez uma pausa dramática antes de continuar: "Vocês podem recrutar um novo traidor para se juntar a vocês... Ou podem seguir sozinhos. A decisão é de vocês. Mas lembrem-se: Toda escolha carrega riscos." O silêncio se instalou novamente. Selton observou os dois por alguns segundos e então se retirou, deixando-os a sós com o peso da decisão. Dora foi a primeira a falar, cruzando os braços: "Recrutar alguém pode fortalecer nossa posição. Três votos internos seriam mais seguros no Conclave... E dividiríamos a pressão." Matheus assentiu, pensativo: "Sim, mas também significa dividir o prêmio... E confiar em alguém novo. E confiança, nesse jogo, é a coisa mais frágil que existe." Dora começou a andar lentamente ao redor da mesa. "Além disso, um novo traidor pode ficar instável. Pode se sentir culpado, pode errar... Ou pior, pode tentar nos entregar para se salvar mais tarde." Matheus completou: "E estamos em uma boa posição agora. A eliminação da Bianca nos fortaleceu. Se recrutarmos alguém e essa pessoa agir de forma suspeita, podemos chamar atenção desnecessária para nós dois." Dora parou, encarando-o com firmeza. "Então seguimos sozinhos. Mais controle, menos risco." Matheus concordou com um leve sorriso estratégico. "Só nós dois até o final." A decisão estava tomada. Quando Selton retornou, ambos responderam com convicção: "Não queremos recrutar um novo traidor." Selton inclinou levemente a cabeça, satisfeito com a firmeza da escolha. "Muito bem. Então o destino do jogo continuará nas mãos de vocês dois. Que façam bom uso disso... Porque a partir de agora, qualquer erro pode ser fatal." As velas oscilaram mais uma vez, como se reagissem ao peso da decisão. Dora e Matheus permaneciam sozinhos nas sombras, dois traidores determinados a ir até o fim, custe o que custar.

A luz da manhã atravessava os vitrais do castelo, iluminando o salão do café da manhã com um brilho dourado que contrastava com as noites sombrias do jogo. Um a um, os participantes foram entrando e desta vez o clima era diferente. Havia sorrisos contidos, olhares de cumplicidade e uma sensação rara de vitória coletiva. "Conseguimos" murmurou Dimas, sentando-se à mesa com um leve sorriso. "Eliminamos uma traidora." Penélope assentiu, ainda satisfeita com o desfecho da noite anterior: "Foi uma boa leitura do jogo. Nem sempre acertamos... Mas ontem acertamos em cheio." Amélie respirou fundo, visivelmente mais leve: "Pelo menos agora sabemos que estamos no caminho certo." Núbia, mais recomposta, concordou: "Mas isso também significa que ainda existem outros. A pergunta é... Quantos?" O silêncio se instalou por um instante. A euforia da vitória começou a dar lugar à realidade do jogo. Helena cruzou os braços, pensativa: "Se começamos com três traidores... E já eliminamos dois... Talvez ainda reste um." Icaro balançou a cabeça lentamente: "Ou pode haver mais. A produção nunca deixa tudo tão previsível assim." Caio suspirou, olhando ao redor da mesa: "O problema é que agora eles vão jogar ainda mais cautelosos. Depois de perderem alguém, devem estar recalculando tudo." Lorena observava cada reação, atenta: "Isso significa que qualquer movimento estranho a partir de hoje pode ser ainda mais estratégico. Não podemos relaxar só porque tivemos uma vitória." A conversa foi se intensificando, mas a energia era diferente da manhã anterior. Havia alívio, sim, mas também uma nova camada de paranoia. Eliminar uma traidora era uma conquista... Porém também era um lembrete claro de que o perigo ainda estava sentado à mesa. Entre xícaras de café e trocas de olhares, a pergunta ecoava silenciosamente entre todos: Quem ainda está mentindo? O jogo estava longe de acabar.

As conversas ainda ecoavam pelo salão quando passos firmes interromperam o clima de aparente tranquilidade. A porta se abriu lentamente e Selton Mello entrou com sua presença imponente, fazendo com que todos automaticamente silenciassem. Sem dizer nada de imediato, ele caminhou em direção à parede onde o quadro de Bianca ainda estava pendurado. Seus dedos tocaram a moldura com calma quase cerimonial. "Ontem à noite" começou ele, a voz grave preenchendo o salão "Vocês conseguiram algo raro neste jogo: Baniram uma traidora. Uma vitória. Um passo em direção à verdade." Ele fez uma pausa, olhando para os participantes um a um. "Mas nunca confundam uma batalha vencida com uma guerra encerrada. O jogo ainda está vivo. E enquanto houver sombras neste castelo... Haverá mentiras circulando entre vocês." Com um movimento repentino e dramático, Selton arrancou o quadro da parede e o lançou ao chão. O som da moldura se partindo ecoou pelo salão, arrancando suspiros e olhares tensos dos participantes. O retrato de Bianca agora jazia no chão, símbolo de uma vitória... E de um aviso. Selton então voltou-se para o grupo, com um leve sorriso enigmático: "E como todo jogo que se preze, a vida continua. Hoje, vocês terão mais uma missão. Uma nova oportunidade de testar confiança, estratégia e lealdade." Ele caminhou lentamente até o centro do salão. "Preparem-se. Porque a vitória de ontem pode facilmente se transformar na vulnerabilidade de hoje." O clima de comemoração desapareceu quase por completo. A adrenalina retornava, substituindo o alívio por expectativa. O jogo seguia. E ninguém estava realmente seguro.

Missão #06: Os participantes foram conduzidos até a biblioteca principal do castelo. O ambiente estava ainda mais imponente do que o habitual. No centro do salão, dez grandes livros encadernados em couro repousavam sobre pedestais individuais, iluminados por feixes de luz que atravessavam as altas janelas. Selton Mello caminhou lentamente entre os pedestais antes de se posicionar diante do grupo. "Hoje" começou ele, com a voz grave ecoando entre as estantes "a memória de vocês será testada como nunca antes." Ele gesticulou para os livros. "Cada um desses volumes contém informações pessoais detalhadas sobre os jogadores que fizeram parte da história. Datas marcantes, profissões anteriores, cidades natais, hobbies incomuns, curiosidades reveladas em conversas passadas... Até pequenos fatos mencionados ao longo do jogo." Os participantes se entreolharam, surpresos. "Vocês terão um tempo limitado para circular pela biblioteca e folhear os livros livremente. Observem, leiam, conectem informações. Mas atenção: Não será permitido fazer anotações, fotografar ou destacar páginas. Tudo deverá ser memorizado." Ele fez uma pausa, aumentando a tensão. "Quando o tempo se encerrar, os livros serão fechados e lacrados." Selton então continuou: "Após isso, o grupo deverá escolher dois participantes que consideram ter a melhor memória. Esses dois serão levados para uma sala separada, onde enfrentarão uma sequência de enigmas baseados exclusivamente nas informações contidas nos livros." Ele começou a andar lentamente diante deles. "As perguntas exigirão cruzamento de dados, associação de datas, comparação entre biografias e identificação de padrões numéricos escondidos em detalhes aparentemente banais. Nada será direto. Tudo exigirá raciocínio estratégico." Os olhares ficaram ainda mais atentos. "Cada resposta correta revelará um dígito. Ao final, os quatro dígitos formarão um PIN." Um leve sorriso surgiu em seu rosto. "Com o código definido, os dois jogadores serão levados até um caixa eletrônico previamente preparado na área externa da propriedade. Eles terão apenas uma tentativa para inserir o PIN." O silêncio ficou absoluto. "Se o código estiver correto, desbloquearão o terminal e realizarão um saque simbólico, validando a missão e adicionando um valor significativo ao prêmio coletivo." Ele então concluiu, com um tom mais sombrio: "Mas se o PIN estiver incorreto... A tentativa será encerrada e nenhum valor será acrescentado." Selton observou cada rosto ali presente Lorena, Dimas, Icaro, Núbia, Marcela, Amélie, Caio, Maurício, Helena, Penélope... E também Dora e Matheus, cujas verdadeiras identidades apenas eles dois conheciam. "Nesta missão, confiança e memória caminham lado a lado. Escolham bem quem representará o grupo... Porque qualquer erro pode custar caro." A biblioteca parecia ainda mais silenciosa. O jogo estava prestes a ganhar mais uma camada de estratégia.

Assim que Selton autorizou o início da missão, os participantes se espalharam rapidamente pela biblioteca. O som de páginas sendo folheadas tomou o ambiente, misturado a sussurros nervosos e olhares atentos. Lorena foi direto ao livro de Helena, murmurando enquanto lia: "Data de nascimento... Formada em arquitetura... Morou três anos em Curitiba... Hobby incomum: Coleciona miniaturas de faróis..." Dimas já estava concentrado no volume de Maurício: "Primeira profissão foi guia turístico... Número da camisa no time da faculdade era 17..." Icaro cruzava informações no livro de Penélope: "Trabalhou como radialista... Cidade natal... Tem medo de altura... Mencionou uma vez que o número 9 sempre foi "seu número da sorte"..." Enquanto isso, Núbia parecia abalada ao folhear o próprio livro, vendo detalhes de sua trajetória com Fabrício descritos ali. Marcela analisava cuidadosamente o livro de Amélie. "Ama quebra-cabeças numéricos..." Marcela ergueu o olhar, como se aquela última informação pudesse ser importante. Amélie, por sua vez, lia o livro de Caio: "Já morou em três cidades diferentes... Tem mania de organizar datas em ordem cronológica..." Caio estava concentrado no livro de Dora. Seus olhos passaram rapidamente pelas informações: "Trabalhou cinco anos no exterior... Hobby: Xadrez competitivo..." Ele levantou o olhar por um segundo, como se aquela informação tivesse peso. Maurício analisava o livro de Matheus: "Já participou de maratonas... Sempre mencionou gostar do número 4..." Helena estava mergulhada no livro de Lorena: "Já citou que sua data favorita é 12/12... Adora padrões repetitivos..." Penélope lia o livro de Dimas: "Primeira viagem internacional foi aos 21 anos... Sempre fala que números primos são "mais confiáveis"." No meio da movimentação, Dora e Matheus trocavam olhares discretos. Dora folheava com calma estratégica, memorizando não apenas dados... Mas quem parecia memorizar melhor. Matheus fazia o mesmo, observando quais participantes estavam mais concentrados, quais pareciam perdidos e quais anotavam mentalmente com precisão. "Precisamos lembrar quem está indo bem nisso" murmurou Matheus discretamente quando passou ao lado dela. "E talvez influenciar a escolha depois" respondeu Dora em voz quase inaudível. O tempo passou rápido demais. "TEMPO ENCERRADO!" a voz de Selton ecoou pela biblioteca. Imediatamente, assistentes fecharam os livros e aplicaram lacres de cera vermelha em cada um deles. O grupo voltou ao centro da sala, a adrenalina evidente. Agora vinha a parte mais delicada: Escolher os dois participantes com a melhor memória. E, silenciosamente, Dora e Matheus já começavam a calcular qual escolha seria mais vantajosa para os traidores.

Os participantes formaram um círculo no centro da biblioteca. O silêncio era pesado, diferente da euforia do café da manhã. Agora havia cálculo. Lorena foi a primeira a falar: "A gente precisa escolher com estratégia. Não é sobre simpatia. É memória e raciocínio." Dimas cruzou os braços, ainda concentrado. "Eu acho que quem cruzou mais informações foi o Maurício. Eu vi ele associando datas e números enquanto lia." Maurício levantou as mãos, surpreso. "Eu só estava tentando organizar mentalmente... Mas acho que consigo lembrar de bastante coisa." Helena assentiu. "Eu também reparei nisso. E a Marcela estava muito focada. Ela praticamente não levantou os olhos do livro." Marcela respirou fundo. "Eu memorizei datas e profissões. Mas não sei se foi o suficiente..." Icaro entrou na conversa: "A Amélie também parecia bem segura. E ela mesma ama quebra-cabeças numéricos. Isso pode ajudar muito na parte do PIN." Amélie sorriu de leve. "Eu consigo cruzar informações rápidas. Mas é arriscado escolher alguém só porque parece calmo." Do outro lado do círculo, Dora falou com naturalidade cuidadosamente ensaiada: "A prova não é só memória. É interpretação e padrão. Talvez a gente precise de alguém muito lógico... E alguém muito atento a detalhes pessoais." Matheus complementou, como se estivesse apenas contribuindo: "Concordo. Se escolhermos duas pessoas muito parecidas no estilo de raciocínio, pode faltar alguma coisa. Talvez Maurício e Amélie façam uma boa dupla. Matemática e quebra-cabeça." Ele lançou um olhar sutil para Dora. Aquela combinação era estratégica: Dois jogadores fortes e ao mesmo tempo, dois fiéis difíceis de manipular mais tarde caso ganhassem poder. Núbia levantou a sobrancelha. "Mas será que não estamos entregando a missão nas mãos de pessoas muito fortes no jogo?" Caio respondeu: "Justamente por isso. A missão precisa ser vencida. O prêmio é coletivo." Penélope, pensativa, acrescentou: "Eu também vi a Helena muito atenta. Ela estava repetindo datas em voz baixa." Helena respirou fundo. "Eu lembro de bastante coisa, sim. Mas não quero me impor." O grupo começou a se dividir em três possibilidades claras: Maurício, Amélie e Helena. Dimas olhou ao redor. "A gente precisa decidir agora. Quem são os dois?" O clima ficou tenso. Olhares se cruzavam, tentando entender intenções ocultas. Dora falou por último, com firmeza calculada: "Eu voto em Maurício e Amélie." Matheus assentiu imediatamente. "Eu também." Agora restava saber se o grupo seguiria essa linha... Ou se a decisão mudaria completamente o rumo da missão.

Após uma votação apertada, o grupo decidiu: Maurício e Amélie seriam os representantes. Selton Mello os conduziu até uma sala menor, iluminada apenas por uma grande mesa central. Sobre ela, quatro envelopes lacrados. "A partir de agora, cada resposta correta revela um dígito" disse Selton, observando os dois com intensidade. "Quatro respostas. Um único PIN. Uma única tentativa." A porta se fechou. Amélie respirou fundo. "Vamos organizar tudo por categorias: Datas, cidades, números recorrentes." Maurício assentiu. "E procurar padrões escondidos." Enigma 1: "Qual é a soma dos dois últimos dígitos do ano de nascimento da segunda participante revelada como traidora" "Essa é a Bianca..." murmurou Maurício. "1988. Últimos dois dígitos: 8 + 8 = 16" respondeu Amélie rapidamente. "Mas é um dígito só. 1 + 6 = 7". Primeiro número revelado: 7. Enigma 2: "Multiplique o número da camisa do time universitário pelo número de cidades em que Caio morou." "Minha camisa era 17." disse Maurício. "Caio morou em três cidades" lembrou Amélie. "17 x 3 = 51 5 + 1 = 6" Segundo dígito: 6. Enigma 3: "Subtraia o dia de nascimento de Helena do número favorito de Lorena." "Helena nasceu dia 16" disse Amélie. "Lorena falou que ama 12/12... Então o número favorito dela pode ser 12" respondeu Maurício. "12 - 16 = -4" Eles se entreolharam. "Valor absoluto?" sugeriu Amélie. Terceiro dígito: 4. Enigma 4: "Identifique o único número primo citado diretamente por um participante e some-o ao número da sorte mencionado por outro." "Número primo... Dimas disse que gosta de números primos, mas não citou um específico" disse Maurício. Amélie fechou os olhos. "Penélope falou que o número 9 é o número da sorte dela. 9 não é primo. Silêncio. — Espera... Rafael nasceu em 1986. 19 e 86... 19 é primo." "Mas foi citado diretamente?" questionou Maurício. Eles hesitaram. "Talvez o 17 da sua camisa. 17 é primo. E foi citado diretamente. 17 + 9 = 26 2 + 6 = 8" Quarto dígito: 8. PIN formado: 7 6 4 8.

Do lado de fora, o grupo aguardava em tensão. Dora mantinha a expressão neutra. Matheus parecia tranquilo demais. Maurício e Amélie foram levados até o caixa eletrônico na área externa da propriedade. Maurício digitou: 7... 6... 4... 8... Um segundo de silêncio. Dois. A tela piscou. "PIN INCORRETO." Um alarme breve soou. Nenhum valor seria acrescentado ao prêmio. Amélie levou a mão à testa. "A gente errou no último..." Maurício respirou fundo, frustrado. Do grupo, reações mistas: Choque, decepção, tensão. Enquanto o grupo voltava em silêncio para dentro do castelo, Helena murmurou para Lorena: "Você percebeu como Dora e Matheus insistiram na escolha?" Lorena assentiu. "E como o Matheus já tinha a combinação pronta na cabeça quando eles saíram?" Do outro lado do corredor, Caio comentou com Icaro: "Eles estavam muito alinhados. Até demais." Icaro respondeu baixo: "Ou é só coincidência... Ou a gente está ignorando algo maior." Na escadaria, Dora se aproximou de Matheus discretamente. "Deu certo." "Melhor ainda que pareça apenas um erro lógico" respondeu ele. Mas, do topo da escada, Penélope observava os dois conversando. E pela primeira vez desde o banimento da traidora... A sensação de segurança desapareceu. O jogo estava vivo. E talvez os fiéis tivessem acabado de cometer um erro que custaria mais do que dinheiro. Na área externa, enquanto alguns ainda comentavam frustrados sobre o caixa eletrônico, Núbia se afastou discretamente e chamou Dora e Icaro para perto da fonte no jardim. Ela estava séria. Muito séria. "Vocês realmente acreditam que foi só um erro?" perguntou, cruzando os braços. Dora franziu a testa. "Você está dizendo o quê exatamente?" Núbia respirou fundo. "Amélie ama quebra-cabeças numéricos. Aquela última pergunta... Eles hesitaram demais. Pareceu encenação." Icaro inclinou a cabeça. "Você acha que eles sabotaram?" "Eu acho estranho que justamente os dois mais preparados tenham errado o último cálculo. E foi um erro conveniente. Porque ninguém consegue provar que estava errado." Dora ficou pensativa. "Você está sugerindo que um deles pode estar protegendo alguém?" Núbia assentiu lentamente. "Ou os dois." Do outro lado do jardim, Amélie conversava com Marcela, claramente frustrada. "Eu deveria ter pensado melhor na questão do primo" dizia, passando a mão pelos cabelos. "Talvez o número citado não fosse o 17..." Maurício se aproximou. "A gente fez o melhor que pôde." Mas ao longe, Núbia observava cada gesto. "Olha pra eles" murmurou. "Não parece arrependimento. Parece cálculo." Icaro cruzou os braços. "Se isso for verdade... Eles acabaram de tirar dinheiro do prêmio coletivo. Isso é comportamento de traidor." Dora ponderou: "Ou é exatamente o que alguém quer que a gente pense." O silêncio caiu entre os três. A semente da desconfiança estava plantada. Dentro do castelo, Penélope já comentava com Caio: "Coincidência demais sempre me incomoda." E pela primeira vez desde a eliminação de Bianca, um novo foco começava a surgir. Talvez o erro no PIN não tivesse sido apenas um erro. Talvez tivesse sido uma escolha. E, se Núbia estivesse certa... Dois dos jogadores mais racionais da casa poderiam estar escondendo algo muito maior.

O entardecer já começava a cair sobre o castelo quando Dora fez um movimento calculado. Observou o salão, certificou-se de que Matheus estava distraindo alguns participantes na cozinha e então se aproximou de Amélie. "Vem comigo um instante?" disse, com naturalidade. Amélie hesitou por um segundo, mas aceitou. As duas seguiram até uma varanda lateral pouco frequentada, onde o som do vento abafava qualquer conversa mais baixa. Dora fechou a porta de vidro atrás delas. O olhar dela mudou. Ficou direto. "Você precisa se preparar." Amélie franziu a testa. "Preparar para o quê?" "A mesa redonda de hoje à noite." Dora cruzou os braços. "Seu nome está começando a circular. Núbia está desconfiada da missão. E ela está plantando a ideia de sabotagem." Amélie ficou imóvel por um instante. "Sabotagem? Isso é absurdo." "Pode até ser. Mas não importa se é absurdo. Importa se cola." Silêncio. Dora se aproximou um pouco mais. "Você foi uma das escolhidas. Ama quebra-cabeças. A narrativa é fácil: "os dois mais preparados erraram de propósito"." Amélie respirou fundo, tentando manter a compostura. "E você está me avisando por quê?" Dora sustentou o olhar. "Porque, se você for atacada, precisa reagir rápido. Não pode ficar na defensiva. Precisa direcionar o foco." Amélie estreitou os olhos. "Para quem?" Dora falou com aparente cautela: "Para quem começou essa teoria. Ou para quem estava pressionando antes da escolha da dupla. Ou..." fez uma pausa estratégica "Para quem mais se beneficiaria financeiramente do erro parecer sabotagem." Amélie entendeu. "Núbia." Dora deu de ombros, como se não estivesse sugerindo nada explicitamente. "Ela já está emocionalmente vulnerável. Se parecer que está criando teoria da conspiração, o grupo pode questionar o julgamento dela." Amélie ficou pensativa. "Você acha que isso vai virar contra mim?" "Eu tenho quase certeza." O vento soprou mais forte na varanda. "Então você tem duas opções" continuou Dora, firme. "Esperar ser atacada e tentar se defender... Ou chegar primeiro e questionar a narrativa antes que ela se consolide." Amélie respirou devagar. "Se eu fizer isso, vão dizer que estou desesperada." "Só se você parecer desesperada" respondeu Dora, com frieza estratégica. Um longo silêncio se instalou entre as duas. "Obrigada por avisar" disse Amélie por fim.

A madrugada envolvia o castelo em um silêncio espesso quando Dora e Matheus se encontraram no Conclave. A luz das velas tremulava nas paredes de pedra, criando sombras instáveis que pareciam dançar ao redor deles. Ali, longe dos olhares dos outros participantes, não havia emoção, apenas cálculo. Matheus foi o primeiro a falar, em tom baixo e controlado. Disse que precisavam escolher alguém que mantivesse o controle do jogo nas mãos deles. Dora concordou de imediato. Nada podia ser impulsivo. A escolha daquela noite precisava ter consequência estratégica. Eles começaram a analisar as opções. Lorena surgiu primeiro na conversa. Dora observou que ela era atenta, mas ainda não liderava votos nem conduzia narrativas. Era o tipo de jogadora que escutava mais do que falava. Matheus acrescentou que, justamente por isso, ela poderia facilmente se alinhar a alguém mais forte no momento certo. Não representava uma ameaça imediata. Eliminá-la agora talvez não gerasse impacto suficiente no grupo e impacto também era uma ferramenta importante. Em seguida, falaram sobre Dimas. Matheus comentou que ele pensava demais, analisava padrões, observava comportamentos. Dora concordou, lembrando que jogadores lógicos tendem a se tornar perigosos à medida que o jogo avança. Se ele começasse a conectar as movimentações deles, poderia desmontar a vantagem construída até ali. Ainda assim, Dimas não parecia estar no centro das decisões. Era uma ameaça silenciosa, mas ainda em desenvolvimento. O nome de Icaro trouxe um silêncio mais atento entre os dois. Dora destacou que ele era discreto  e jogadores discretos costumam durar muito tempo. Matheus completou dizendo que Icaro falava pouco, mas quando falava, influenciava sem parecer que estava influenciando. Havia nele um potencial de liderança sutil, algo que poderia crescer sem que os outros percebessem. Isso o tornava perigoso a médio prazo. 

Por fim, discutiram Núbia. Matheus a descreveu como emocional. Dora foi além: Emocionalidade gera instabilidade, e instabilidade pode ser útil para os traidores. Mas também pode sair do controle. Núbia tinha o perfil de quem poderia mudar de alvo rapidamente, criar incêndios imprevisíveis e desestabilizar qualquer narrativa, inclusive uma que favorecesse Dora e Matheus. O dilema estava claro. Se eliminassem alguém lógico, manteriam o grupo mais impulsivo, mais suscetível a erros. Se eliminassem alguém emocional, o jogo poderia ficar mais racional e organizado, o que talvez fosse mais perigoso para eles no longo prazo. Dora caminhou lentamente pelo Conclave enquanto refletia em voz alta. Disse que ainda estavam bem posicionados e que ninguém parecia suspeitar deles de maneira consistente. Talvez fosse cedo para remover um cérebro estratégico. Talvez fosse mais vantajoso manter certos jogadores inteligentes no jogo, desde que não liderassem. Matheus a observava com atenção. A decisão não era apenas sobre quem representava maior risco naquele momento, mas sobre qual saída criaria a narrativa mais conveniente no dia seguinte. Cada eliminação moldava a história do jogo. No fim, os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos, encarando as chamas das velas. No Conclave, escolhas não eram apenas eliminações. Eram movimentos de xadrez cuidadosamente calculados. A madrugada seguia silenciosa quando Dora e Matheus retomaram a conversa no Conclave. A decisão ainda não estava tomada, e agora eles ampliavam o campo de análise. Se não fossem Lorena, Dimas, Ícaro ou Núbia... Restavam outros nomes igualmente delicados: Marcela, Amélie, Caio e Maurício. Matheus começou por Marcela. Disse que ela tinha uma característica perigosa: Observava muito e falava no momento exato. Não se expunha demais, mas também não se escondia completamente. Dora concordou. Marcela não liderava ataques, mas validava narrativas com facilidade. Era o tipo de jogadora que fortalecia um movimento já iniciado. Eliminá-la poderia enfraquecer a coesão do grupo, mas também poderia parecer aleatório demais, caso ela não estivesse no centro das suspeitas naquele momento. 

O nome de Amélie trouxe um olhar mais atento entre os dois. Dora ponderou que Amélie era articulada e sabia se defender bem. Conseguia virar argumentos contra quem a acusava. Matheus acrescentou que ela tinha raciocínio rápido e boa memória, o que a tornava forte em provas e debates. No entanto, justamente por já ter sido alvo em momentos anteriores, talvez fosse mais útil mantê-la no jogo. Se o nome dela continuasse circulando, poderia servir como escudo natural para eles. Caio entrou na conversa logo em seguida. Matheus comentou que ele tinha um perfil mais combativo, que gostava de confrontar diretamente. Dora observou que Caio frequentemente tomava posição clara nas mesas, o que o colocava sob radar com facilidade. Ele não era imprevisível, mas também não era discreto. Se saísse, poderia gerar menos ruído do que outros nomes. Mas sua permanência também criava atritos constantes, o que distraía o grupo. Por último, analisaram Maurício. Dora destacou que ele tinha uma postura tranquila, quase pedagógica, e que isso passava confiança. Matheus lembrou que ele era lógico e organizado no pensamento. Não levantava a voz, mas influenciava com serenidade. Isso podia ser perigoso, especialmente se começasse a assumir papel mais central nas decisões. Ao mesmo tempo, Maurício ainda não parecia desconfiar deles. O silêncio voltou a dominar o Conclave. Dora resumiu a situação: Marcela fortalecia narrativas, Amélie sabia sobreviver sob pressão, Caio gerava confronto constante e Maurício oferecia estabilidade lógica. Cada um representava um tipo diferente de risco. Matheus apoiou as mãos na mesa e disse que precisavam pensar no dia seguinte. Não apenas em quem era mais forte, mas em qual saída criaria a história mais conveniente. A eliminação precisava parecer coerente com os conflitos já existentes, para não gerar questionamentos inesperados. Dora concordou. No fim, não se tratava apenas de eliminar alguém perigoso. Tratava-se de manter o jogo girando exatamente na direção que eles queriam.

A madrugada já avançava quando Dora e Matheus chegaram aos dois últimos nomes que ainda precisavam analisar: Penélope e Helena. O Conclave permanecia iluminado apenas pelas velas e o silêncio entre uma fala e outra parecia tão estratégico quanto as próprias palavras. Dora foi a primeira a mencionar Penélope. Disse que ela tinha uma habilidade perigosa: Gostava de conduzir conversas sem parecer que estava conduzindo. Não assumia liderança formal, mas direcionava raciocínios com perguntas bem colocadas e comentários irônicos. Matheus concordou. Penélope provocava, testava reações, observava quem se desestabilizava. Esse tipo de jogador podia, aos poucos, construir uma linha de suspeita quase invisível e quando o grupo percebesse, a narrativa já estaria formada. Ao mesmo tempo, eliminar Penélope naquele momento poderia gerar um efeito indesejado. Ela já havia tido pequenos embates com diferentes pessoas, e sua saída poderia servir como ponto de união para os fiéis, algo como um alerta coletivo. Matheus ponderou que o mais importante era avaliar se ela estava próxima de conectar algo real ou se ainda estava apenas jogando no escuro. Dora refletiu que, por enquanto, Penélope parecia mais interessada em parecer perspicaz do que em fechar um diagnóstico concreto. Isso significava tempo e tempo era vantagem. Então o nome de Helena entrou na conversa. O tom mudou. Dora destacou que Helena tinha postura firme e natural capacidade de liderança. Mesmo quando não tentava comandar, acabava sendo ouvida. Matheus acrescentou que ela era racional, organizada no discurso, difícil de desestabilizar emocionalmente. Diferente de outros jogadores que podiam ser conduzidos por impulsos, Helena sustentava argumentos e não se perdia com facilidade. Mas havia outro lado. Se Helena saísse, o grupo poderia perder um eixo. A ausência dela talvez criasse desordem e desordem poderia favorecer os traidores. Por outro lado, se permanecesse por muito tempo, poderia assumir o papel de articuladora principal e começar a organizar os votos com mais precisão. Penélope representava influência sutil e provocação constante. Helena representava estabilidade e direção estratégica. Dora concluiu que a decisão não era sobre quem era mais forte individualmente, mas sobre qual ausência moldaria melhor o dia seguinte. No Conclave, não se eliminava apenas uma pessoa eliminava-se um tipo de energia dentro do grupo. Matheus concordou em silêncio. No fim, o jogo não era sobre força isolada. Era sobre equilíbrio. E eles precisavam garantir que o tabuleiro continuasse inclinado a favor das sombras.

Conheça os personagens: Amélie ClaveauxBernardo AzevedoBianca NogueiraCaio MontenegroDimas HadlichDora MachadoEstela MartinsFabricio MolinaroHelena BrandãoIcaro FigueiredoLeandro VasconcelosLorena BastosMarcela CoutinhoMatheus LacerdaMauricio CamposNathaniel PuigNúbia BianchiPenélope FalcãoRafael PachecoRosiane SetaSharon Sheetarah e Verônica Lux.

LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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