sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

TTRA: 1x13 - The Traitors Realidade Alternativa - O Preço de Enxergar Demais


A nova manhã surgia fria e enevoada no castelo. O céu ainda carregava tons azulados quando os primeiros passos ecoaram pelo corredor de pedras, quebrando o silêncio pesado que sempre antecedia o café da manhã mais temido. Não era apenas o início de mais um dia, era o momento da verdade silenciosa, quando a ausência de uma cadeira falava mais alto que qualquer acusação. Penélope foi a primeira a atravessar as portas do salão. Com os braços cruzados e o olhar atento, ela caminhou devagar até a mesa, como se cada passo pudesse revelar uma pista invisível no ar. Respirou fundo antes de se sentar, tentando manter a postura firme, mas seus olhos denunciavam a tensão. Logo atrás dela, Marcela entrou apressada, os cabelos ainda levemente desalinhados. Assim que viu Penélope já acomodada, soltou um suspiro nervoso e se aproximou. "Você também não dormiu, né?" murmurou, puxando a cadeira ao lado. Penélope apenas balançou a cabeça. O medo naquela manhã era compartilhado. Dimas foi o terceiro a aparecer. Diferente das outras vezes, ele não fez nenhuma piada nem tentou quebrar o clima. Parou na entrada por alguns segundos, analisando a mesa parcialmente vazia. Seus olhos passaram pelas cadeiras desocupadas como se tentasse prever qual delas não seria preenchida jamais. Então caminhou até as duas e se sentou ao lado elas. Os três trocaram olhares silenciosos. Não havia necessidade de palavras, todos sabiam o que aquele ritual significava. Cada segundo parecia mais longo que o anterior. O relógio antigo na parede marcava o tempo com um tique-taque quase cruel. A porta voltou a ranger. Cada novo participante que surgisse significaria alívio... Ou confirmação de uma perda. E enquanto aguardavam os próximos passos ecoarem pelo corredor, a pergunta pairava no ar como uma névoa espessa: Quem não atravessaria aquela porta naquela manhã?

O silêncio entre Penélope, Marcela e Dimas foi interrompido por passos firmes se aproximando pelo corredor de pedra. Os três ergueram o olhar quase ao mesmo tempo, a respiração suspensa. A porta se abriu devagar. Núbia apareceu primeiro. Ela entrou com o semblante sério, mas ao perceber que já havia três pessoas sentadas, deixou escapar um suspiro contido, estava viva e não era a única. Seus olhos rapidamente percorreram o salão, contando mentalmente as cadeiras ainda vazias. Sem dizer nada, aproximou-se da mesa e puxou a cadeira ao lado de Dimas. "Bom dia..." murmurou, embora ninguém ali realmente sentisse que fosse um "bom" dia. Logo atrás dela, Amélie surgiu na porta. Diferente do costumeiro ar confiante, vinha mais cautelosa, quase desconfiada do próprio ambiente. Assim que cruzou o olhar com Marcela, as duas trocaram uma expressão carregada de significado: Alívio imediato, seguido de uma nova onda de apreensão. Amélie entrou completamente no salão, fechando a porta atrás de si como se quisesse impedir que o medo do corredor invadisse a mesa. "Mais uma noite..." disse, sentando-se ao lado de Penélope. "E alguém não teve a mesma sorte." O grupo agora somava cinco. Cinco sobreviventes daquela madrugada silenciosa. Mas as cadeiras vazias ainda eram maioria. O tique-taque do relógio parecia mais alto. Cada novo passo no corredor poderia trazer alívio... Ou confirmar a perda que todos temiam nomear.

O clima no salão já estava denso quando novos passos ecoaram pelo corredor. Desta vez, vinham mais apressados, quase descompassados. Todos na mesa se entreolharam novamente. Mais uma porta se abrindo significava mais respostas, ou mais tensão. Caio foi o primeiro a surgir. Ele entrou tentando manter a postura confiante, mas seus olhos denunciaram que tinha passado a noite em claro. Assim que viu o grupo já formado, deu um leve aceno com a cabeça, como quem diz "sobrevivi". Caminhou até a mesa em silêncio, puxando uma cadeira próxima a Núbia. Logo atrás dele, Matheus apareceu. Diferente dos outros, ele parou por um segundo na porta, observando atentamente quem já estava ali. Seu olhar foi rápido, analítico, quase calculado. Quando entrou de vez, cumprimentou todos com um "bom dia" controlado demais para aquele momento. E então veio Dora. Ela entrou por último entre os três, com passos mais lentos, expressão indecifrável. Ao cruzar o salão, seus olhos passaram por cada rosto, demorando-se um pouco mais em alguns. Quando encontrou o olhar de Matheus, houve uma troca rápida e sutil, quase imperceptível para quem não estivesse atento. Dora se acomodou ao lado dele, apoiando as mãos sobre a mesa. "Estamos quase todos..." comentou em voz baixa, olhando para as cadeiras vazias que restavam. Agora eram oito na mesa. O ar parecia ainda mais pesado. A cada nova chegada, o alívio vinha acompanhado de um novo cálculo mental: Quem ainda falta? As cadeiras que permaneciam vazias começavam a gritar mais alto do que qualquer acusação. E o silêncio, mais uma vez, tomou conta do salão do café da manhã.

O som de duas vozes sussurrando no corredor fez todos na mesa prenderem a respiração mais uma vez. A tensão já não era apenas expectativa, era contagem regressiva. A porta se abriu. Maurício entrou primeiro, ajeitando a gola da camisa como se quisesse esconder o nervosismo. Seus olhos percorreram rapidamente cada rosto à mesa, quase fazendo uma conferência silenciosa. Ao perceber que ainda havia três cadeiras vazias, seu semblante ficou mais sério. Ele caminhou até a mesa sem dizer nada e se sentou. Logo atrás dele, Helena surgiu. Diferente das manhãs anteriores, ela não tentou disfarçar o medo. Assim que viu Maurício já sentado e o restante do grupo reunido, levou a mão ao peito por um instante, num gesto automático de alívio. Mas o alívio durou pouco. Agora eram dez na mesa. E apenas uma cadeira permanecia vazia. Icaro. Lorena. O silêncio ficou quase insuportável. "Não pode ser..." murmurou Marcela, olhando alternadamente para as duas cadeiras. "Eu falei com a Lorena ontem à noite..." "Eu também falei com o Icaro." rebateu Caio, passando a mão pelo rosto. "Ele estava tranquilo demais." Penélope cruzou os braços, encarando o vazio à sua frente. "Tranquilo demais ou confiante demais?" Dimas apoiou os cotovelos na mesa, olhando fixamente para a porta fechada. "Se só faltam os dois... Então já sabemos que um deles não vai entrar." Núbia balançou a cabeça lentamente. "A pergunta é: Quem os traidores escolheriam? Lorena vinha sendo citada nas conversas... Mas o Icaro também estava começando a ser suspeito." Matheus permaneceu em silêncio, observando as reações. Dora ao seu lado mantinha o olhar baixo, mas atenta a cada palavra dita. Helena respirou fundo. "Se for a Lorena, pode ter sido estratégia. Ela estava se aproximando de muita gente. E se for o Icaro..." completou Maurício "pode ser que os traidores tenham querido confundir a gente." A porta continuava fechada. Cada segundo que passava tornava mais evidente a ausência que se aproximava de se tornar definitiva. Agora já não era apenas expectativa. Era a certeza cruel de que, entre Icaro e Lorena, apenas um atravessaria aquela porta. A porta se abre pela última vez e o destino é selado...

A porta do confessionário se fechou com um clique seco atrás de Lorena. O ambiente era pequeno, iluminado por uma luz suave que contrastava com a tensão que ela carregava no olhar. Ela se sentou na cadeira central, ainda tentando entender por que havia sido chamada antes do café da manhã. À sua frente, sobre uma pequena mesa de madeira, repousava um pergaminho lacrado com cera vermelha. Lorena engoliu em seco. Por alguns segundos, ela apenas encarou o envelope, como se o simples ato de tocá-lo pudesse tornar real aquilo que ela ainda tentava negar. Então, respirou fundo, estendeu a mão e quebrou o lacre. Desenrolou o pergaminho lentamente. Seus olhos começaram a percorrer as linhas escritas: "Lorena, Durante a madrugada, os Traidores se reuniram e tomaram uma decisão. E, desta vez, o nome escolhido foi o seu. Você foi assassinada." O silêncio tomou conta do confessionário. Lorena piscou algumas vezes, absorvendo o peso das palavras. A expressão dela passou da incredulidade para uma mistura de frustração e compreensão. "Eu sabia..." murmurou, deixando escapar um riso curto, nervoso. "Eu sabia que estava na mira." Ela levou a mão ao rosto, balançando a cabeça. "Eu falei demais ontem. Me expus demais..." completou, agora com os olhos marejados, mas mantendo a postura firme. "Se eu estava incomodando, é porque eu estava no caminho certo." Lorena dobrou o pergaminho com cuidado e o segurou contra o peito por um instante. "Vocês podem ter me tirado do jogo..." disse, olhando diretamente para a câmera "mas espero que o que eu plantei aqui continue. Prestem atenção. Nem todo mundo é o que parece." Ela respirou fundo mais uma vez, se recompondo. "Boa sorte, fiéis. Vocês vão precisar." Com um último olhar determinado para a câmera, Lorena se levantou, deixando o confessionário, agora oficialmente fora do jogo, mas com a sensação de que sua saída ainda ecoaria no castelo.

O salão estava mergulhado em um silêncio quase sufocante. Dez pessoas sentadas. Uma cadeira vazia. Todos olhavam fixamente para a porta. O som da maçaneta girando ecoou pelo ambiente. A porta se abriu lentamente. Icaro apareceu. Por um segundo, ninguém reagiu. Foi como se o cérebro de todos precisasse de um instante extra para processar o que aquilo significava. Se Icaro estava ali... Então Lorena não estava. Marcela foi a primeira a levar a mão ao rosto. "Não..." sussurrou, quase para si mesma. Penélope fechou os olhos por um breve momento, respirando fundo. Dimas apenas encostou as costas na cadeira, encarando a mesa como se já esperasse por aquilo. Icaro entrou devagar, o semblante sério, diferente do habitual. Ele percebeu imediatamente o peso do olhar coletivo sobre ele. Não era desconfiança, era confirmação. "Então..." ele começou, com a voz baixa "fui o último a ser chamado." Ninguém precisou perguntar sobre Lorena. Helena quebrou o silêncio: "Ela não vem." Não era uma pergunta. Maurício balançou a cabeça lentamente. "Os Traidores foram nela." Núbia cruzou os braços, analisando Icaro. "Isso muda tudo." Caio respirou fundo, visivelmente impactado. "Ela estava começando a ligar os pontos..." "Justamente por isso" completou Penélope, firme. "Se tiraram a Lorena, é porque ela estava incomodando." Matheus observava cada reação com atenção milimétrica. "Ou porque queriam que a gente pensasse que ela estava certa." Dora manteve o olhar fixo na cadeira vazia. "Ontem ela citou nomes." O clima deixou de ser apenas triste. Tornou-se estratégico. Icaro finalmente se sentou, ainda absorvendo o próprio alívio misturado com a culpa involuntária de estar ali. "A gente precisa revisitar tudo o que ela falou" ele disse. "Porque, se os Traidores escolheram ela, não foi por acaso." O silêncio voltou a dominar o salão. Mas agora não era um silêncio de espera. Era um silêncio de guerra.

A imagem do salão do café da manhã se dissolve lentamente, dando lugar à madrugada anterior. O castelo estava envolto em névoa, as tochas do corredor lançando sombras trêmulas nas paredes de pedra. O relógio marcava altas horas quando duas silhuetas atravessaram o corredor em silêncio absoluto. No Conclave, a porta se fechou com um som grave. Dora e Matheus ficaram frente a frente, iluminados apenas pela luz baixa das velas. Sobre a mesa redonda, o brasão do jogo parecia observá-los. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Foi Matheus quem quebrou o silêncio. "A Lorena está começando a juntar os pontos" disse, em tom controlado. "Hoje ela citou conexões que ninguém tinha percebido." Dora caminhou lentamente ao redor da mesa, pensativa. "Ela não está só suspeitando..." completou. "Ela está organizando as pessoas. Isso é perigoso." Matheus assentiu. "Muito perigoso." Dora parou, encarando o brasão no centro da mesa. "A Penélope é mais estratégica. Mais fria. Se continuar, pode virar um problema maior do que a Lorena." Matheus respirou fundo. "Concordo. Mas matar a Penélope agora levanta suspeitas demais. Ela tem alianças fortes. A reação seria imediata." Dora cruzou os braços. "Já a Lorena... É articulada" interrompeu Matheus "mas não tem a mesma blindagem social." Os dois trocaram um olhar cúmplice. "Se tirarmos a Lorena" disse Dora "cortamos a linha de raciocínio que está se formando. E ainda criamos a narrativa de que os Traidores estão "calando quem fala demais"." Matheus esboçou um leve sorriso contido. "E ao mesmo tempo, deixamos a Penélope viva... Para que ela continue sendo vista como ameaça." "Exato" respondeu Dora. "Ela vira alvo natural no próximo círculo. E nós ficamos um passo atrás das sombras." O silêncio voltou a dominar o Conclave, mas agora não era hesitação. Era decisão. Matheus estendeu a mão até o pergaminho. "Então está decidido?" Dora sustentou o olhar dele por um segundo a mais. "Lorena." O nome foi escrito. A vela tremulou levemente, como se selasse o destino. E naquela madrugada silenciosa, enquanto o restante do castelo dormia acreditando que ainda tinha tempo, a decisão foi tomada com frieza estratégica: Lorena seria a próxima a não atravessar a porta do café da manhã.

O peso da ausência ainda pairava sobre a mesa quando passos firmes ecoaram pelo corredor principal do castelo. A porta se abriu com imponência. Selton Mello entrou no salão com seu caminhar calmo e olhar penetrante, vestindo um sobretudo escuro que parecia absorver a própria luz do ambiente. O silêncio, que já era denso, tornou-se absoluto. Ele não se dirigiu imediatamente aos participantes. Em vez disso, caminhou lentamente até a parede onde estavam os quadros dos participantes. Seus dedos passaram pela moldura de Lorena. Ele a observou por alguns segundos, quase em respeito. "Lorena..." começou, com voz grave e pausada. "Uma jogadora que escolheu falar. Que escolheu questionar. Que escolheu ligar pontos quando muitos preferiam apenas observar." Os participantes mantinham os olhos fixos nele. Selton retirou o quadro da parede com cuidado. "Mas neste jogo, palavras podem ser perigosas. E raciocínios rápidos demais... Costumam incomodar." Ele se virou para a mesa, segurando o retrato diante de todos. "A morte dela não foi apenas uma eliminação. Foi um recado. Um movimento calculado na escuridão." Penélope manteve o olhar firme. Marcela já não escondia a emoção. Icaro parecia tenso. Matheus e Dora observavam em silêncio absoluto. Selton deu alguns passos à frente. "Hoje, vocês sentem a ausência dela. Mas a pergunta que deve ecoar neste salão não é apenas "quem foi morto"." Ele fez uma pausa. "E sim... Por quê." O silêncio cortava o ar. Então, num gesto brusco e inesperado, ele soltou o quadro. A moldura caiu no chão de pedra com um estrondo seco, o vidro se estilhaçando e ecoando pelo salão. Alguns participantes se sobressaltaram. Selton manteve o olhar fixo no grupo. "Esta noite... Vocês se encontram novamente na Mesa Redonda." Ele deu um passo à frente, firme. "E terão a oportunidade de banir mais um participante." Sua voz ficou ainda mais séria. "Se querem honrar Lorena... Se querem fazer justiça pela moça que saiu por enxergar demais... Então mantenham o foco." Ele percorreu cada rosto com o olhar. "Porque os Traidores continuam sentados entre vocês." Sem dizer mais nada, Selton se virou e deixou o salão, enquanto os cacos de vidro espalhados pelo chão pareciam simbolizar exatamente o estado do jogo: Fragmentado. E prestes a explodir novamente naquela noite.

O jardim do castelo parecia calmo demais para a tensão que se acumulava por dentro dos muros. O vento balançava levemente as árvores e o som distante de pássaros contrastava com o clima pesado que ainda ecoava da manhã. Amélie caminhava de um lado para o outro perto da fonte de pedra, claramente inquieta. Maurício se aproximou com passos cautelosos, olhando ao redor antes de parar ao lado dela. "Você também está sentindo isso, né?" ela perguntou sem encará-lo. Maurício suspirou. "Que a gente virou alvo?" Amélie finalmente parou, cruzando os braços. "A gente perdeu a prova. E não foi pouco. Foi visível... Isso sempre vira argumento." Maurício assentiu lentamente. "O grupo precisa de justificativa pra votar em alguém. E desempenho ruim é a desculpa perfeita." Ela passou a mão pelo cabelo, visivelmente tensa. "Eu tô com medo de jogarem a culpa na gente só pra criar consenso. "Ah, perderam dinheiro pro prêmio, então merecem sair." É fácil demais. Ainda mais hoje" completou Maurício. "Depois da morte da Lorena, todo mundo vai querer mostrar serviço. Mostrar que está "fazendo algo"." Amélie olhou na direção das janelas do castelo. "Eu não sou Traidora. Mas se começarem a montar narrativa... A gente sabe como isso cresce rápido." Maurício deu um meio sorriso nervoso. "A questão é: A gente se antecipa ou espera o ataque?" Ela pensou por alguns segundos. "Se a gente se defender demais, parece culpa. Se ficar quieto, parece omissão. Então precisamos de estratégia" disse ele. "Conversar com quem está inseguro. Mostrar que prova não define caráter." Amélie respirou fundo, tentando recuperar o controle. "Eu só não quero virar voto "fácil". Não depois de tudo." O vento soprou mais forte por um instante, levantando algumas folhas secas pelo gramado. Maurício olhou para ela com seriedade. "Hoje à noite não vai ser sobre a prova. Vai ser sobre medo. E quem conseguir direcionar esse medo... Controla o jogo." Amélie assentiu devagar. No jardim aparentemente tranquilo, os dois sabiam que não estavam apenas conversando. Estavam tentando sobreviver.

No bar do castelo, a iluminação baixa deixava o ambiente quase acolhedor quase. O clima do castelo era pesado demais para qualquer sensação de conforto. Copos repousavam sobre o balcão de madeira escura e o murmúrio distante de outras conversas preenchia o fundo. Helena estava encostada no balcão, girando lentamente a bebida dentro do copo. "Eu não sei por quanto tempo mais vou conseguir conviver com a Núbia" desabafou, claramente irritada. "Ela me cansa." Dimas, ao lado dela, virou o corpo com curiosidade. "Cansa como?" Helena suspirou. "Superficial. Parece que ela nunca entra de verdade nas conversas estratégicas. Fica sempre no raso, nunca se compromete, nunca aprofunda nada. É como se estivesse só... Passando pelo jogo." Dimas apoiou os braços no balcão, pensativo. "Mas você já considerou que isso pode ser justamente o que faz dela uma fiel?" Helena franziu o cenho. "Você está defendendo ela?" "Não estou defendendo" respondeu ele com calma. "Estou analisando. Se a Núbia fosse Traidora, você acha mesmo que ia se manter tão pouco articulada? Traidor precisa conduzir narrativa, plantar dúvida com precisão. Não vejo ela fazendo esse tipo de movimento." Helena tomou um gole da bebida, refletindo. "Ou ela está se fazendo de desentendida muito bem." Dimas deu um meio sorriso. "Pode ser. Mas, sinceramente? Eu não vejo nela essa frieza para tramar eliminação. Ela parece mais perdida do que estratégica." Helena ficou em silêncio por alguns segundos. "Talvez eu esteja confundindo antipatia com suspeita. E nesse jogo" disse Dimas, olhando diretamente para ela "isso é mais comum do que parece." O bar voltou ao seu ruído baixo e constante. Helena apoiou o copo no balcão. "Eu só sei que está difícil conviver." "Convivência desgasta" respondeu Dimas. "Mas desgaste não é prova." Os dois ficaram em silêncio, absorvendo o peso da conversa. No castelo, enquanto alianças se formavam e desconfianças cresciam, até sentimentos pessoais começavam a virar combustível para o próximo banimento.

A iluminação da mesa redonda parecia ainda mais dura naquela noite. As sombras projetadas nas paredes davam a sensação de que todos estavam sendo observados por algo maior do que o próprio jogo. Selton Mello fez um gesto sutil. "O debate está aberto." Um breve silêncio. Então, Marcela tomou a palavra. "Eu vou começar sendo direta. Para mim, o nome mais preocupante hoje é o da Amélie." Alguns olhares se voltaram imediatamente. Marcela continuou: "Ela participou da prova, errou justamente na parte mais decisiva... E agora temos uma narrativa de sabotagem circulando. Pode não ser verdade. Mas é estranho." Caio assentiu. "Eu concordo. E não é só pela prova. Teve também a discussão pesada entre ela e a Bianca na mesa anterior. A Bianca era traidora. A briga pode ter sido uma cortina de fumaça." O clima esquentou. Amélie soltou uma risada curta, carregada de ironia. "Engraçado, Caio. Porque se a gente for puxar histórico... Você também foi suspeito há algumas rodadas. E ninguém fez nada a respeito." Alguns participantes murmuraram. Caio se ajeitou na cadeira. "Eu me defendi. E continuo aqui." "Exatamente" rebateu Amélie. "Suspeita por si só não significa nada." Ela então olhou para o grupo inteiro. "E vamos esclarecer uma coisa: Eu não me indiquei para fazer a prova. Eu fui escolhida." Os olhares começaram a se deslocar. "Se querem falar de influência, talvez seja interessante lembrar quem insistiu na minha escolha." Amélie virou o rosto lentamente para Helena. "Porque, até onde eu lembro, você defendeu meu nome com bastante convicção." Helena piscou, surpresa. "Eu defendi porque você parecia preparada!" "Ou porque queria alguém para responsabilizar caso desse errado?" devolveu Amélie, com um meio sorriso provocativo. Um murmúrio atravessou a mesa. Marcela interveio: "Isso está ficando pessoal." Amélie não recuou. "Não. Está ficando lógico. Se houve sabotagem, e eu não estou dizendo que houve, então por que focar apenas em quem executou a prova e não em quem articulou a escolha?" Helena respirou fundo. "Eu não forcei nada. O grupo concordou." "Concordou depois que você reforçou" respondeu Amélie, ainda firme. Caio cruzou os braços. "Você está desviando." "Estou ampliando" retrucou ela. "Porque se formos falar de comportamento suspeito, vamos falar de todos." A tensão aumentava a cada segundo. Do outro lado da mesa, Dora mantinha uma expressão séria, como se estivesse apenas analisando. Matheus permanecia silencioso, observando as reações. A estratégia estava funcionando. O foco já não era apenas a missão. Agora era influência. Narrativa. Histórico. Selton observava atentamente. A mesa redonda tinha começado. E a noite prometia não terminar tranquila.

O clima já estava fragmentado quando Núbia pediu a palavra novamente. Sua voz não saiu tremida dessa vez, saiu firme. "Eu vou dizer uma coisa... A Amélie pode estar certa sobre a Helena." A mesa reagiu imediatamente. Helena virou o rosto devagar, incrédula. "Como é que é?" Núbia manteve o olhar fixo. "Você foi uma das que mais reforçou o nome dela pra prova. E agora está confortável vendo ela ser o principal alvo. Isso é conveniente demais." Helena soltou uma risada curta, mas sem humor. "Interessante você falar isso, Núbia. Porque até cinco minutos atrás quem mais apontava o dedo pra Amélie era você." Alguns murmuraram. Helena continuou: "Você construiu toda a teoria da sabotagem. Agora que ela virou o jogo, você muda o foco pra mim? Isso parece desespero." Núbia não recuou. "Eu levantei uma hipótese baseada na prova. Mas agora, olhando o comportamento aqui na mesa... Você está mais preocupada em controlar a narrativa do que em entender o que aconteceu." "Controlar narrativa?" Helena retrucou. "Você literalmente começou essa narrativa!" "E você está tentando decidir onde ela termina" respondeu Núbia, firme. O silêncio ficou pesado. Marcela olhava de uma para a outra, absorvendo cada detalhe. Icaro cruzou os braços, atento à mudança de rota. Helena inclinou-se para frente. "Isso está muito conveniente, Núbia. Primeiro você aponta Amélie. Quando ela se defende e menciona meu nome, você embarca. Parece que você só quer que o alvo não seja você." Núbia respirou fundo, mas manteve o tom controlado. "Não. Eu quero coerência. E neste momento... Você está parecendo mais preocupada em se blindar do que em encontrar traidor." A palavra ecoou na mesa. Mais suspeita. Caio murmurou para Dimas: "Isso virou um efeito dominó." Dimas respondeu baixo: "E alguém está se beneficiando disso." Do outro lado, Dora observava com atenção clínica. Matheus mal disfarçava o olhar analítico. A mesa já não era mais sobre a missão. Era sobre quem parecia mais desesperado. E, naquele instante, com acusações cruzadas e mudança de posicionamento... Helena começava a sentir o peso dos olhares. A dúvida agora pairava sobre ela.

O burburinho ainda crescia quando Selton Mello ergueu a mão, pedindo silêncio. A sala imediatamente se aquietou. "A conversa se encerra aqui." Ele caminhou lentamente ao redor da mesa. "Vocês tiveram a oportunidade de expor suspeitas, confrontar incoerências e testar alianças. Agora... É o momento mais simples e mais cruel deste jogo." Ele parou atrás da cadeira vazia ao centro. "Hora de votar." O clima ficou denso. Um a um, os participantes começaram a revelar seus votos. Icaro: "Meu voto é na Helena. Hoje, para mim, ela pareceu mais preocupada em reagir do que em analisar." Caio: "Eu voto na Amélie. A soma da prova com a discussão antiga com a Bianca ainda pesa demais pra mim." Dimas: "Meu voto vai na Helena. A mudança de clima começou quando o nome dela surgiu." Marcela: "Eu voto na Amélie. Ainda acho que a participação dela na prova foi mal explicada." Penélope: "Eu voto no Caio. Acho curioso como ele sempre encontra uma forma de apontar para alguém diferente." Caio manteve a expressão neutra, mas o olhar endureceu. Amélie: "Meu voto é na Helena. Se houve manipulação na escolha da prova, ela precisa ser considerada." Helena respirou fundo, já percebendo o rumo. Matheus: "Eu voto na Helena. Hoje ela se perdeu na própria argumentação." Dora manteve o olhar fixo à frente. Maurício: "Meu voto vai na Helena. A condução da narrativa me pareceu estratégica demais." Dora: "Eu voto na Helena. As justificativas dela não me convenceram." O silêncio era absoluto agora. Restava apenas um voto. Núbia: "Meu voto é na Helena. Porque, neste momento, ela parece a pessoa mais desalinhada com a busca pela verdade." Selton olhou ao redor da mesa. A decisão estava clara. A maioria esmagadora recaía sobre um único nome. Helena permanecia imóvel, mas seus olhos revelavam a tensão. O jogo tinha virado. E naquela noite... Alguém enfrentaria o Círculo da Verdade.

O silêncio era tão pesado que parecia ocupar espaço físico na sala. Selton Mello se levantou lentamente. "Helena..." a voz dele ecoou grave. "A maioria dos votos desta mesa foi direcionada a você." Ele apontou para o centro do salão, onde o símbolo do Círculo da Verdade aguardava. "Vá até o Círculo... E revele ao grupo: Você é fiel... Ou traidora?" Helena respirou fundo. Seus olhos estavam marejados, mas sua postura permanecia ereta. Ela se levantou sob o olhar atento de todos. Cada passo até o círculo parecia mais longo que o anterior. Ao chegar ao centro, virou-se para os colegas. "Eu tentei ser racional. Eu tentei analisar cada movimento." A voz dela tremia, mas não quebrava. "E, mesmo assim... Virei o alvo." Ela olhou diretamente para Núbia. Depois para Amélie. Depois para o restante da mesa. "Vocês confundiram firmeza com manipulação. Estratégia com culpa." O silêncio era absoluto. Helena então colocou a mão sobre o símbolo no chão. Uma lágrima escorreu. "Eu sou..." pausa dramática "fiel." A palavra ecoou pelo salão como um golpe. Alguns participantes fecharam os olhos. Outros desviaram o olhar imediatamente. Helena respirou fundo mais uma vez. "E vocês acabaram de eliminar alguém que estava jogando pelo prêmio de todos nós." Sem esperar reação, ela se virou e caminhou em direção à saída. O vazio que ficou parecia maior do que a própria sala. Selton caminhou até o centro. "Mais uma vez..." começou ele, olhando ao redor "vocês erraram." Ele deixou as palavras pairarem. "E quando os fiéis erram... Os traidores avançam." O peso da afirmação caiu sobre cada um ali. "Nesta noite, os traidores recuperam a vantagem." Os olhares começaram a se cruzar com ainda mais desconfiança. "O jogo não perdoa decisões precipitadas. E a cada fiel eliminado... A sombra se fortalece." Selton deu um passo atrás. "Reflitam. Porque agora... Vocês estão mais vulneráveis do que nunca." A tensão era quase sufocante. E, em meio ao silêncio, dois jogadores mantinham a respiração estável. A vantagem havia mudado de lado. E o castelo voltava a pertencer às sombras.

Conheça os personagens: Amélie ClaveauxBernardo AzevedoBianca NogueiraCaio MontenegroDimas HadlichDora MachadoEstela MartinsFabricio MolinaroHelena BrandãoIcaro FigueiredoLeandro VasconcelosLorena BastosMarcela CoutinhoMatheus LacerdaMauricio CamposNathaniel PuigNúbia BianchiPenélope FalcãoRafael PachecoRosiane SetaSharon Sheetarah e Verônica Lux.

LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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