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quinta-feira, 7 de maio de 2026

SRA - Edge of Extinction: 8x19 - O Acampamento em Ebulição


O caminho de volta ao acampamento é percorrido em um silêncio reflexivo. A mata, que antes parecia um cenário de estratégia, agora parece carregar o peso do que acabara de ser decidido. Ao chegarem à clareira principal, o brilho da fogueira central reflete a nova dinâmica do grupo. Assim que se afastam da trilha principal, Flora para de caminhar e olha fixamente para Clarisse e Carolina. Seu tom de voz é baixo, mas carregado de uma intensidade calculada. "Eu preciso agradecer a vocês" começa Flora, com um meio sorriso que não chega aos olhos. "Aceitar votar no Andrei comigo hoje não foi apenas um movimento estratégico, foi um sinal de lealdade. Eu vou me lembrar muito bem disso quando o jogo afunilar lá na frente. Vocês fizeram a escolha certa." Clarisse, que termina de soltar o cabelo, olha para Flora com uma naturalidade desarmante, dando de ombros. "Para mim não foi problema nenhum, Flora. Ele precisava sair, e a gente precisa de coesão" responde Clarisse, mantendo a voz tranquila. "Mas, sendo sincera, eu me pergunto se não vai ser um problema para você. Afinal, o Andrei fazia parte da sua aliança original. Você não teme que o seu nome fique marcado como o da traidora na cabeça dos que restaram?" Flora solta uma risada curta e seca, mantendo o olhar firme. "Depois da eliminação do Gregório, ele deixou de ser minha aliança" dispara ela, a voz endurecendo. "Eles tomaram aquela decisão sem me comunicar, pelas minhas costas. Aquilo ali provou, de uma vez por todas, que eles nunca confiaram em mim. Se eles tinham medo de eu ser uma traidora, eu apenas dei a eles um motivo real para terem esse medo. O erro foi deles por terem me subestimado." Clarisse para o que está fazendo, olha para Flora e solta uma risada genuína, um som que ecoa pelo acampamento vazio, carregado de uma cumplicidade obscura. Ela estende a mão para a colega, num gesto de boas-vindas. "Adorei a justificativa. Bem-vinda ao lado vilanesco da nossa história, Flora" diz Clarisse, com um brilho de diversão nos olhos. "Acredite em mim, é aqui que o jogo fica realmente interessante."

O retorno dos dois grupos ao acampamento principal é marcado por uma atmosfera de desconfiança e curiosidade latente. O Grupo Vermelho, ainda carregando o peso da eliminação de Xavier, entra na área comum, encontrando o Grupo Azul já estabelecido ao redor da fogueira que agora parece mais distante. Benedito, com o colar de imunidade ainda firme no pescoço, não perde tempo em sondar a situação. Ele caminha em direção ao centro e lança o olhar para o grupo adversário: "Então, quem foi o escolhido do Azul hoje? Quem saiu do jogo?" Hugo, que mantinha uma postura reservada, olha diretamente para Benedito com um sorriso contido, mas revelador: "Foi o Andrei" responde ele, com um tom de voz que mistura alívio e uma pitada de deboche. A notícia causa um impacto imediato. Benedito e Renato trocam olhares de choque, paralisados por um segundo. A saída de Andrei, uma figura central e estrategista, muda completamente o mapa de poder que eles imaginavam ter. Antes que a poeira baixe, Yago, que parece ter sentido a falta de alguém no grupo oposto, lança a pergunta de volta: "E o Xavier? Ele não está aqui com vocês?" Lidia, exausta e sem paciência para rodeios, responde prontamente enquanto retira a mochila: "Ele foi o eliminado do nosso grupo. Não aguentamos mais a arrogância dele." Hugo solta um suspiro de desdém, cruzando os braços: "Já era esperado que ele caísse." Enquanto a conversa flui entre os grupos, Carolina observa Rayane à distância. Ao notar a presença da moça, Carolina revira os olhos com um desdém nítido. Ela se inclina para o lado, aproximando-se de Clarisse: "Você viu quem ainda está aqui, né?" sussurra Carolina, indicando Rayane com o queixo. "Eu adoraria que ela fosse a próxima a colocar o pé na trilha dos eliminados. Não aguento mais fingir simpatia." Clarisse, entretanto, está com a mente em outro lugar. Ela nem sequer olha na direção de Rayane, mantendo o foco total em Sônia. Assim que a vê, Clarisse corre em direção à aliada, envolvendo-a em um abraço caloroso e visivelmente aliviado: "Sônia! Graças a Deus você está bem. Eu fiquei realmente preocupada por você durante todo esse tempo lá no Conselho. Não sabia se você estava segura ou se tinham virado o alvo. Que bom que você continua aqui."


Renato caminha a passos largos até Flora, que ainda estava perto do fogo, limpando a fuligem das mãos. O tom de voz de Renato é de pura incredulidade, quase um sussurro de desespero: "Flora, o que foi que você fez? Andrei? Sério?" A moça nem hesita. Ela o encara com a frieza de quem já não tem mais nada a perder: "O Andrei precisava sair, Renato. Depois daquela palhaçada no Conselho em que o Gregório foi eliminado, ele virou um peso morto. Eles me excluíram da decisão, me isolaram, e acharam que eu continuaria sendo a aliada obediente. A conta chegou." Renato leva as mãos ao rosto, massageando as têmporas como se quisesse apagar a cena da sua mente. Ele balança a cabeça, frustrado: "Você não deveria ter feito isso, não agora. Ainda era tempo de contornar, de unir o que sobrou. Você acabou de queimar a última ponte que a gente tinha com o outro grupo!" Benedito, acompanhado por Lidia, interrompe a discussão. Ele observa Flora com um olhar de desaprovação profunda, enquanto Lidia cruza os braços, atenta a cada movimento. "Eu não acredito" diz Benedito, com a voz carregada de decepção "que você realmente articulou a eliminação do Andrei. Você percebe o que isso faz com o jogo de todo mundo aqui?" Flora solta uma risada curta, que mais parece um desdém pela moralidade alheia. Ela olha para Benedito, depois para Renato, e dá um passo à frente, dominando o espaço: "Ah, parem com essa hipocrisia. Vocês começaram essa guerra, não fui eu. Vocês desenharam as linhas, vocês decidiram quem seria descartado. Agora que as peças caíram, não venham me cobrar lealdade. O jogo está diferente, o tabuleiro mudou, e se vocês não conseguirem acompanhar o ritmo, o problema é puramente de vocês." Enquanto o clima esquenta entre os veteranos do jogo, um pouco mais afastados, Yago tenta oferecer algum conforto a Hugo. O rapaz está visivelmente abalado com a partida de Xavier, apesar de ter concordado com a eliminação. "Fica tranquilo, Hugo" Yago murmura, com a mão sobre o ombro do amigo. "A gente vai conseguir vingar o Xavier, custe o que custar. Esse grupo acha que tomou o controle, mas eles não têm ideia do que a gente está preparando para o próximo Conselho." Rayane, que ouvia a conversa de soslaio, aproxima-se com cautela, o semblante triste. "Foi uma perda pesada para o grupo, eu realmente lamento pelo Xavier" diz ela, baixinho. "Independentemente das diferenças, ninguém gosta de ver um aliado partir assim." O acampamento, antes unido em torno de uma fogueira, agora parece um território dividido por linhas invisíveis de desconfiança e promessas de vingança.

Benedito se afasta do centro da fogueira, puxando Renato para um canto mais sombrio do acampamento, onde a luz do fogo mal alcança. Sua voz é baixa, mas carrega um tom definitivo que não deixa margem para ponderações. "Esquece, Renato. É impossível manter esse jogo unido com a Flora. Ela perdeu o controle, agiu por puro impulso e rancor, e agora é um risco para qualquer um que esteja perto. Eu sinto muito, mas para mim, a nossa aliança com ela está oficialmente desfeita. Não dá para jogar com alguém que atira no próprio pé só para ver o circo pegar fogo." Renato tenta argumentar, ainda tentando processar o caos da noite. "Calma, Benedito. A gente está com a cabeça quente. Deixa eu conversar com ela melhor, tentar colocar os pingos nos is... Talvez ela tenha uma justificativa que a gente não está enxergando agora." Benedito rebate na hora, balançando a cabeça negativamente. "Não tem o que conversar, Renato. Ela fez a escolha dela. Ela decidiu que a vingança pessoal é mais importante que o nosso jogo. Se você quiser se queimar junto com ela, é uma escolha sua, mas eu não vou ser arrastado para o fundo junto com o navio dela." Enquanto a tensão entre os homens aumenta, a cena se desenrola de forma diferente do outro lado. Lidia, estrategista e observadora, percebe que a maré mudou e caminha em direção a Clarisse e Sônia. Ela não perde tempo com floreios. "O clima ali está insustentável" começa Lidia, mantendo um tom casual. "Benedito e eu estamos reavaliando nossas posições. Existe espaço para nós dois no grupo de vocês, ou o barco de vocês já está cheio demais?" Clarisse, que estava saboreando a instabilidade alheia, solta uma risada contida. Ela olha para Lidia com um brilho divertido nos olhos e provoca: "Espaço a gente sempre dá, mas vocês têm certeza? Vocês vão ficar realmente confortáveis em jogar ao lado das "vilãs" da temporada? A fama de vocês vai ficar manchada antes do próximo Conselho." Lidia também ri, um som curto e frio, enquanto sustenta o olhar de Clarisse com uma confiança impressionante. "Você não tem a menor ideia do quão confortável eu me sinto jogando com pessoas que sabem o que querem" responde Lidia. "Na verdade, acho que é exatamente onde eu sempre deveria ter estado."


O sol mal havia nascido sobre o acampamento quando o silêncio da manhã foi quebrado pela articulação. Flora, aproveitando o momento em que poucos estavam despertos, chamou Hugo e Yago para um canto afastado da praia. "A gente precisa ser estratégico" disse ela, mantendo o tom de voz baixo e firme. "O Benedito é quem manda aqui, e se a gente não tirar ele agora, ele vai nos eliminar um por um. Ele é o próximo alvo. Vocês topam se unir a mim para garantir que ele saia?" Hugo, ainda com o semblante cansado da eliminação da noite anterior, deu de ombros. "Sinceramente, Flora? Nessa altura do campeonato, eu faço qualquer coisa para sobreviver. Se você tem um plano, eu estou dentro." Yago confirmou com a cabeça, selando o acordo silencioso. Enquanto isso, Renato, sentado perto da fogueira, observava tudo à distância. A expressão em seu rosto era de pura preocupação. Ele esperou o momento em que os dois rapazes se afastaram e, sem perder tempo, puxou Flora pelo braço para um local mais reservado. "O que você está fazendo?" perguntou ele, tenso. "Esse jogo agressivo vai acabar te destruindo, Flora. Você está se isolando e virando o alvo de todo mundo." Flora soltou uma risada debochada, olhando para o horizonte com um brilho maníaco nos olhos. "Finalmente eu acordei para o jogo, Renato! Chega de ser a figurante das decisões dos outros. E quer saber? Eu tenho uma carta na manga que eles não imaginam. Com o Ídolo de Imunidade que eu possuo agora, pretendo fazer um estrago grande antes de qualquer um aqui pensar em me tirar. Eles que se preparem." Renato soltou o braço dela e recuou, balançando a cabeça em sinal de desaprovação. Assim que ela se afastou, ele caminhou até a área dos depoimentos, buscando a câmera. "A Flora está completamente fora de controle. Eu não a reconheço mais. Ela virou uma pessoa movida por um rancor que eu nem sabia que ela tinha. Eu não sei até onde eu posso continuar apoiando ela, porque o jogo dela está se tornando uma bomba-relógio. O pior de tudo? É que eu me sinto culpado. Talvez eu não devesse ter dado o Ídolo de Imunidade para ela... Eu achei que estava dando uma ferramenta de proteção, mas acabei entregando uma arma para alguém que não sabe o que fazer com ela a não ser explodir tudo. E eu não sei se eu estou pronto para ser a próxima vítima dessa explosão."

O sol matinal castigava a clareira enquanto Lídia e Benedito se encontravam na área do poço, um dos poucos lugares onde podiam falar sem serem ouvidos pela maioria. "Clarisse aceitou a gente" Lídia murmurou, enquanto enchia seu cantil, mantendo o tom casual. "O grupo dela, a Sônia e a Carolina, está de portas abertas. Com a gente, fechamos cinco. Agora, só falta mais um para termos a maioria absoluta e sobrevivermos ao próximo Conselho." Benedito suspirou, olhando para o horizonte com um semblante pesado. "O Renato é a peça que falta, mas ele está cego pela lealdade à Flora. Vou tentar colocar juízo na cabeça dele agora. Se ele não abandonar esse barco furado, vai acabar afundando junto com ela." Enquanto isso, na área da fogueira, a tensão era palpável. Carolina limpava um coco seco com uma faca, sem tirar os olhos de Rayane, que tentava acender o fogo com dificuldade. "Impressionante como algumas pessoas ainda estão por aqui, né?" soltou Carolina, com um sorriso ácido. "Acho que o jogo tem o dom de manter certas plantas vivas apenas por pura conveniência." Rayane, que já estava no limite, levantou-se rapidamente e encarou a oponente. ""Plantas", Carolina? Você mal conseguiu articular uma estratégia própria até agora. Se você ainda está aqui, é porque alguém achou que você não representa ameaça nenhuma. É mais fácil manter um objeto de decoração do que um competidor real, não é?" Carolina riu, um som seco e desprovido de humor, voltando a focar em sua tarefa enquanto Rayane se afastava bufando. Enquanto isso, Flora dá mais um depoimento confessional: "Eles acham que podem me isolar? Que podem sussurrar nos cantos e conspirar contra mim? O Benedito é um amador, e o Renato... bom, o Renato é fraco demais para entender que eu estou dois passos à frente. Eu não durmo pensando no próximo Conselho Tribal. Eu mal posso esperar para chegar lá, ver a cara de choque deles quando eu revelar o que tenho na mão e enterrar um por um. Eles acham que o jogo acabou porque o Andrei saiu? Coitados. O jogo de verdade começou agora, e eu sou a única que tem a chave para abrir a porta da saída deles. Que venha logo a próxima noite."


Os sobreviventes caminham pela trilha de terra batida até a arena da prova, onde a estrutura metálica de um novo desafio já domina a paisagem, refletindo o sol impiedoso sob o céu aberto. O clima entre o grupo é de uma frieza cortante, ninguém troca olhares, e o silêncio é interrompido apenas pelo estalar da vegetação seca sob seus pés. Glenda aguarda no centro do tablado, com sua habitual postura imponente. Assim que os competidores se alinham em frente a ela, a apresentadora inicia o protocolo com um sorriso frio. "Sobreviventes, parabéns por terem superado a turbulência do Conselho Tribal duplo. Foi uma noite longa, de muitas decisões e, certamente, de muitas consequências. Mas, neste jogo, o passado é apenas uma lembrança. Está na hora de voltarmos ao presente." Ela faz um gesto com a mão, convidando os atuais detentores da imunidade a darem um passo à frente. "Clarisse, Benedito, por favor, devolvam seus colares." Os dois se aproximam e depositam os colares no pedestal central. O brilho das conchas e das pedras parece intensificar a tensão no ar. Glenda pega os colares e os coloca em uma caixa de madeira escura, antes de voltar sua atenção para o desafio do dia. "A partir de agora, o colar de imunidade está disponível novamente. Apenas um de vocês poderá garanti-lo hoje e, com ele, a segurança absoluta contra o voto de seus companheiros." Ela gesticula para a estrutura de madeira e cordas montada na areia. "A prova de hoje funciona da seguinte maneira: A imunidade que vocês disputam hoje não se conquista com velocidade ou força bruta, mas sim com uma resistência absoluta e uma vontade inabalável de permanecer neste jogo. Diante de cada um de vocês, vejo um poste de madeira fixado firmemente na areia. O desafio é simples de explicar, mas um martírio de executar, a partir do momento em que eu der o sinal, vocês devem se posicionar de frente para o poste e abraçá-lo com todas as suas forças, usando apenas a potência de seus braços e pernas para sustentar o próprio peso. A regra é rígida e não admite falhas, vocês devem manter o contato do peito, do abdômen e dos membros contra a estrutura a todo instante. Se qualquer parte do seu corpo tocar a areia, se você escorregar e perder o contato, ou se você simplesmente não aguentar a fadiga e se soltar, você estará automaticamente eliminado da disputa. Não há tempo limite, não há pausas para hidratação e não haverá clemência do sol que castiga esta praia. Vocês ficarão ali, testando o limite do sistema nervoso, a queimação nos músculos e o isolamento total de suas mentes. A prova termina apenas quando sobrar um único sobrevivente agarrado ao seu poste, sendo esse o único que garantirá o Colar de Imunidade e a segurança absoluta no Conselho Tribal desta noite. O desgaste será brutal, o desconforto será constante e a pergunta que fica é: quem aqui tem a disciplina necessária para não desistir quando o corpo implorar pelo chão? Estão prontos? Posicionem-se nos postes... Valendo!"

O sol castiga a arena com uma intensidade brutal. Os dez competidores estão fundidos aos seus respectivos postes, o suor já escorrendo pelo rosto e a pele começando a sofrer com a fricção contra a madeira áspera. Trinta minutos se passaram. O silêncio é absoluto, apenas os sons dos músculos trêmulos e da respiração sibilante. De repente, um movimento brusco rompe a imobilidade. Sônia, que parecia manter uma postura sólida, perde o equilíbrio quando um cãibra atinge sua coxa direita. Com um suspiro de exaustão, seus braços cedem e ela escorrega, seus pés atingindo a areia macia. "Sônia, está fora!" anuncia Glenda, sem qualquer traço de emoção. Sônia cai de joelhos, derrotada. Ela se levanta com dificuldade, limpando a areia das mãos e saindo da arena. Uma hora de prova. A fadiga começa a cobrar seu preço de forma impiedosa. Renato, que parecia concentrado, começa a balançar perigosamente. Ele tenta travar os dedos com força no poste, mas o suor torna a aderência quase impossível. Seus olhos se fecham por um momento, e é o bastante: seu corpo desliza, descolando-se da madeira. "Renato, eliminado!" a voz de Glenda ecoa. Renato cai sentado, ofegante. Ele encara o resto do grupo por um breve segundo antes de se retirar, visivelmente frustrado com a própria falta de resistência. Duas horas sob o sol escaldante. O teste agora é psicológico. O desespero começa a tomar conta dos que restam. Clarisse, que até então mantinha uma postura perfeita, começa a ter espasmos nos braços. O tremor é incontrolável. Ela luta bravamente contra a gravidade, mas a exaustão física vence sua determinação. Com um grito de frustração, ela perde o contato e desliza em direção ao chão. "Clarisse, fora da disputa!" decreta a apresentadora. Clarisse cai na areia, jogando a cabeça para trás, frustrada por ter sido superada pelo próprio corpo. O grupo que resta, Benedito, Carolina, Flora, Hugo, Lídia, Rayane e Yago, continua abraçado aos postes, imóveis, enquanto a batalha silenciosa de resistência avança para o próximo estágio.

A prova entra em uma fase de desgaste profundo. O sol parece estar mais próximo do solo, e a resistência de cada um é testada em seu limite absoluto. Três horas e meia de prova. Carolina, que até então mantinha um semblante de foco, começa a mostrar sinais de colapso. Seu rosto está congestionado pelo esforço de manter o abdômen colado à madeira. De repente, suas pernas, que já não suportavam mais o próprio peso, falham. Ela tenta se segurar apenas pelos braços, mas a gravidade vence. Ela escorrega e cai na areia com um baque surdo. "Carolina, está fora!" decreta Glenda. A eliminação de Carolina parece desestabilizar os outros. Flora, que lutava para manter a pose de controle, começa a tremer violentamente. O ódio que ela carregava no peito parece ter se transformado em fadiga pura. Em um momento de distração, ela afrouxa o aperto por um segundo para aliviar a pressão no tórax, e o poste, implacável, faz o resto. Ela perde o contato total e desaba na areia. "Flora, fora da disputa!" anuncia a apresentadora. O clima fica ainda mais tenso. Restam Benedito, Hugo, Lídia, Rayane e Yago. Quatro horas de prova. Rayane está pálida. O esforço prolongado a deixou com a respiração curta e superficial. Ela tenta compensar o cansaço alterando a posição das mãos, mas, no processo, ela desgruda o peitoral do poste. O erro é fatal. "Rayane, eliminada!" diz Glenda, friamente. Rayane cai de joelhos, incapaz de ficar de pé imediatamente, sendo ajudada pela equipe médica a sair da arena. Quatro horas e quinze minutos. O embate agora é entre a resistência bruta de Yago, Hugo, Benedito e Lídia. O esforço de Yago chega ao ápice. Ele tenta encontrar uma nova base para os pés, mas perde a aderência na madeira úmida de suor. Sem tempo para recuperar a posição, ele escorrega e sua lateral atinge a areia. "Yago, fora!" exclama Glenda. Apenas quatro permanecem agarrados aos postes, testando até onde suas mentes conseguem comandar seus corpos exaustos.

A prova se arrasta para além das quatro horas e meia. O cansaço é quase tangível, e o silêncio na arena é quebrado apenas pelo som da respiração pesada dos quatro remanescentes. Quatro horas e quarenta minutos. Lídia, que até então parecia inabalável, começa a perder o controle motor. Seus braços tremem incontrolavelmente e, em um momento de falha total de coordenação, ela não consegue mais sustentar a pressão necessária contra o poste. Ela desliza, perdendo o contato do abdômen, e cai na areia, exausta. "Lídia, fora da disputa!" anuncia Glenda. Agora, o embate final é uma guerra de atrito entre Benedito e Hugo. O sol castiga os dois, que estão visivelmente no limite da exaustão. O tempo parece congelar. Por quase vinte minutos, nenhum dos dois se move. Benedito mantém o olhar fixo no horizonte, tentando ignorar a queimação nos braços. Hugo, por sua vez, está com o rosto colado à madeira, a pele vermelha, mas seus olhos mostram uma determinação feroz. Benedito tenta ajustar a posição dos joelhos para aliviar a carga, mas é um erro de cálculo. O suor acumulado torna a superfície do poste extremamente escorregadia. Por um milímetro, ele perde o contato abdominal. "Benedito, você perdeu o contato! Está fora!" decreta Glenda. Benedito solta um grito de frustração e deixa o corpo cair na areia, derrotado. Hugo, exausto e trêmulo, mas ainda firme, solta o poste e cai sentado no chão, soltando um suspiro de alívio puro enquanto o vencedor da imunidade é confirmado. Glenda caminha até o centro da arena, com o olhar focado no rapaz. "Hugo, você provou hoje que a sua resistência é maior que a de qualquer um aqui. Você garantiu sua segurança." Ela se aproxima de Hugo e coloca o cobiçado Colar de Imunidade sobre o pescoço dele. O rapaz, ainda tentando recuperar o fôlego, esboça um sorriso de vitória, sentindo o peso do colar, a única garantia de que ele não precisará temer o próximo Conselho Tribal. Glenda vira-se para o restante dos competidores, que aguardam sentados na areia. "A imunidade está entregue. Vocês estão dispensados. Retornem ao acampamento."


O retorno ao acampamento foi marcado por uma energia completamente diferente daquela da manhã. Hugo, ainda sentindo o peso do colar no pescoço, não conseguia esconder o alívio. Ele reuniu Yago e Rayane em um canto próximo à mata, longe dos ouvidos curiosos dos outros. "Eu não poderia estar mais feliz com essa imunidade, é um peso enorme que sai das minhas costas" disse Hugo, limpando o suor do rosto. "Mas agora o foco muda. Eu tenho a minha segurança, mas preciso garantir a do Yago. Não podemos deixar o grupo do Benedito avançar sobre nós agora que eles se sentem acuados. "Rayane assentiu, com um brilho estratégico no olhar. "Deixa isso comigo, Hugo. Eu vou tentar puxar a Clarisse e a Sônia para o nosso lado. Se a gente conseguir convencê-las de que o Benedito é um risco maior, a gente consegue neutralizar o grupo dele. E, de quebra, a gente coloca a Carolina na reta. Eu não aguento mais aquela garota, ela vai ser a primeira a sair se a gente jogar as cartas certas." Enquanto isso, do outro lado do acampamento, a atmosfera era carregada de uma eletricidade muito mais sombria. Flora, ainda sentindo a frustração da derrota na prova, destilava seu plano com Renato. "Viu só, Renato?" Flora riu, um som que não escondia o prazer da vingança. "O Benedito perdeu. Ele não tem mais a proteção daquele colar. Esse próximo Conselho Tribal é dele, ele vai sair. Finalmente vamos limpar esse jogo." Renato, visivelmente cansado de toda aquela movimentação, balançou a cabeça negativamente, cruzando os braços. "Flora, você continua focada nessa guerra... Eu ainda acho que vocês deveriam se entender. Ficar um contra o outro só vai fazer com que os outros grupos se fortaleçam enquanto a gente se autodestrói. Não é melhor tentar apaziguar do que tentar eliminar?" Flora o olhou com desdém, recusando-se a recuar um milímetro sequer. "Apaziguar? O jogo acabou de atingir o ponto de ebulição, Renato. Não existe mais paz, existe apenas quem sobrevive e quem é eliminado. E o Benedito já está com os dias contados." O cenário estava montado: de um lado, Hugo tentando consolidar uma maioria para proteger seus aliados e eliminar Carolina, do outro, Flora, cega por um desejo implacável de derrubar Benedito, ignorando os pedidos de bom senso de Renato. O acampamento era, agora, um barril de pólvora prestes a explodir no próximo Conselho.

Carolina aproveitou o momento em que Clarisse e Sônia preparavam algo perto da fogueira para tentar imprimir sua vontade no jogo. Ela se aproximou, a voz baixa, mas carregada de uma urgência quase infantil. "A gente precisa focar na Rayane agora" disse Carolina, sem rodeios. "Vocês ajudaram a tirar o Andrei por causa da Flora. Agora, eu espero que vocês façam isso por mim. A Rayane tem que ser a próxima a sair, eu não aguento mais ter que olhar para a cara dela todo santo dia aqui." Clarisse, que mantinha uma postura calculada enquanto manuseava alguns utensílios, interrompeu-a com um olhar sereno, mas firme. "Carolina, presta atenção" respondeu Clarisse, mantendo o tom de voz calmo. "O jogo mudou. A gente não está mais jogando com a Flora. Para a nossa segurança e para consolidar esse novo grupo, o melhor que podemos fazer, estrategicamente falando, é eliminar o Yago. Ele é o braço direito do Hugo e o elo mais fraco que podemos cortar agora." Carolina sentiu o sangue subir e não conseguiu esconder a frustração. Ela girou os olhos, claramente irritada com a resistência das aliadas. "Sério? De novo? Quando é que as pessoas vão parar de votar no que vocês querem e começar a votar em quem eu quero? Eu estou cansada de abrir mão do meu jogo para seguir a conveniência de vocês!" Sônia, que até então apenas ouvia, interveio. Ela parou o que estava fazendo e encarou Carolina com uma paciência quase clínica. "O jogo é feito de momentos, Carolina. Se você for impulsiva agora, a gente coloca tudo a perder. Não é sobre o que você quer ou o que eu quero, é sobre o que nos mantém vivas por mais tempo. Esse não é o momento da Rayane. Se a gente tirar ela agora, a gente atrai atenção desnecessária e perde o controle da votação. Aprenda a esperar. O momento dela vai chegar, mas não é hoje."


LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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