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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Bruna Entrevista: 14x06 - Vandré Silveira


Olá, olá... Tudo bem, queridos leitores? Então que hoje é dia de conferir mais uma entrevista inédita aqui no blog, olha que bacana? E o nosso convidado de hoje é bem conhecido da galera que acompanha cinema, teatro, novelas, etc... Convidamos o querido ator Vandré Silveira, para conhecer um pouco mais da sua trajetória artística e algumas de suas experiências. Vem conferir comigo como foi esse papo!

Bruna Jones: Ao longo dos anos você acabou conquistando uma ótima carreira como ator, mas antes da gente falar um pouco mais sobre isso, gostaria de voltar um pouco no tempo... Você começou os estudos na área e a carreira ainda muito jovem, não é mesmo? O que te motivou a buscar uma carreira nas artes cênicas?
Vandré Silveira: Eu comecei a estudar Teatro aos 20 anos. Era uma criança tímida, mas sempre fui bastante observador. Minha mãe conta que acontecia de, eventualmente, eu aparecer em casa reproduzindo a maneira de falar de algum colega de classe. Não era racional. Eu simplesmente absorvia algum traço da fala ou de comportamento pela convivência. Hoje penso que isso já se relacionava com meu fascínio pelo outro. Com o desejo de ser outros. Ali, talvez, o ator já estava emergindo. Sonhava com a carreira artística, mas não era algo que fazia parte do meu universo. Só aos 20 anos tive a coragem de me colocar à prova. Me inscrevi num curso livre de atuação e me apaixonei pelas artes cênicas. Ali tive certeza do meu caminho!

Bruna Jones: Cerca de 20 anos atrás, você acabou saindo de Minas Gerais e se mudou para o Rio de Janeiro em busca de novos projetos, creio que essa foi apenas uma das diversas mudanças que você teve que aplicar em sua vida para conquistar o seu sonho, além disso, todos nós sabemos que inícios de carreiras sempre acabam vindo com algumas dificuldades, seja a instabilidade financeira, construir os contatos certos, ter que conciliar mais do que uma atividade, enfim... Como foram os seus primeiros anos e as adaptações que você precisou fazer? Você obteve apoio familiar e de amigos para não desistir no caminho?
Vandré Silveira: Minha família sempre me apoiou. A carreira artística é uma carreira de instabilidade. Os editais de incentivo e patrocínio culturais são fundamentais, mas infelizmente contemplam apenas uma parte da ampla e diversa produção artística existente e quando contempla algum projeto, não há uma continuidade que possibilitaria ao artista e/ou à companhia continuar o trabalho de criação, pesquisa e produção. Surpreendentemente, nós artistas, continuamos produzindo nessas condições. Este ano completei 25 anos de carreira profissional, entre trabalhos no teatro e no audiovisual, e muitas vezes, realizei meus projetos autorais, sem qualquer patrocínio. Essa resiliência para mim, vem de uma necessidade de comunhão com o outro, para além da autoexpressão ou comunicação. O desejo de estabelecer uma ponte com o outro. Acho esse o maior desafio da humanidade. E o teatro para mim é um dos maiores veículos para essa condução. 

Bruna Jones: Muitas de suas experiências profissionais vieram de histórias contadas no palco, inclusive você esteve recentemente em "A Hora do Boi", muita gente acredita que o palco de um teatro é um grande preparador para que o ator construa uma carreira mais consistente, tendo por exemplo, a oportunidade de lidar com imprevistos e a interação sem cortes, já que não tem como refazer uma cena caso alguma coisa saia fora do controle... Você concorda com isso? Qual a importância do teatro na sua vida? 
Vandré Silveira: Existe uma artesania no trabalho do ator no Teatro que oferece uma base de entendimento para qualquer linguagem. Penso que o Teatro expande as possibilidades de um ator pela natureza presencial, irrepetível e imprevisível. O Teatro me deu possibilidades de compreender melhor a vida. E a maturidade que a vida e o tempo trouxeram, a partir das dificuldades e dos erros cometidos que se tornaram lições importantes, me aprofundou como ator. É uma simbiose. 

Bruna Jones: Inclusive, falando em imprevistos e interação com o público na plateia... Alguma vez já aconteceu algo fora do seu controle em alguma apresentação e você precisou dar um jeito de contornar a situação sem sair do personagem ou algo cômico aconteceu que saiu do controle, que você possa compartilhar com a gente? 
Vandré Silveira: Às vezes acontece de algum espectador comentar alguma cena. Há um momento no espetáculo "A Hora do Boi" em que o patrão manda Seu Francisco abater o boi Chico com o qual ele estabeleceu uma relação de afeto, e nesse momento, há sempre reações imprevisíveis. Mas é preciso ir ao Teatro para descobrir o desfecho. Garanto que é surpreendente. 

Bruna Jones: Como eu disse, recentemente você encerrou a temporada de "A Hora do Boi" nos teatros de São Paulo. Como foi para você participar desse projeto? E o que mais te motivou a embarcar nele?
Vandré Silveira: Este é um projeto autoral, idealizado por mim, com texto da Daniela Pereira de Carvalho e direção de André Paes Leme. Vamos iniciar a 6ª temporada do espetáculo em junho no Atelier Cênico em São Paulo. "A Hora do Boi" parte da minha necessidade de falar sobre amor e empatia, a partir da relação de um homem e um boi. Dessa relação, discutimos a equivocada visão antropocêntrica que coloca o ser humano numa posição de superioridade em relação aos outros seres. Os animais não estão à serviço da humanidade.

Bruna Jones: Tanto no teatro quanto na televisão, você teve a oportunidade de interpretar personagens completamente diferentes uns dos outros e creio que até mesmo da sua realidade, o que imagino que seja interessante para um ator, vivenciar profissões, personalidades, vivências, etc... Que normalmente não vivenciava se estivesse em outra carreira. Dito tudo isso, qual foi o personagem que você acredita que "te deu mais trabalho" para reproduzir e o que te motiva na hora de aceitar ou recusar um personagem? 
Vandré Silveira: Cada personagem é um universo singular. O desafio é encontrar as contradições de cada personagem. Somos feitos de contradições, por mais certezas e definições que busquemos. E como buscamos! Ao pesquisar essas contradições, é possível que iluminemos as nossas próprias. O que me motiva a escolher um trabalho são personagens que possibilitam essa pesquisa de forma mais aprofundada. 

Bruna Jones: O mundo das artes cênicas hoje em dia está completamente diferente do que costumava ser há 10, 20, 30 anos atrás... Se antigamente as opções eram o teatro ou a televisão, hoje nós temos plataformas de streaming que produzem filmes, seriados e minisséries de uma forma mais ampla e rápida do que costumava ser. E você, teve a oportunidade de passar por essas dinâmicas diferentes no decorrer da sua carreira, como você vê esse novo formato de atuação que os atores brasileiros estão podendo ter hoje em dia, como "Carcereiros" que você fez para o Globoplay e "Dona Beja" para a Max?
Vandré Silveira: Com a chegada do streaming, estabeleceu-se uma nova possibilidade de produção de conteúdo para além da TV aberta e fechada. Isso também tem significado maiores oportunidades para os atores. Para além desses trabalhos citados acima, também participei, mais recentemente, de "Pedaço de Mim" (Netflix, 2024) e "A Magia de Aruna" (Disney+, 2023). É importante ressaltar que com a chegada dessas grandes plataformas de streaming, precisamos buscar uma crescente valorização da produção nacional e de todos os profissionais envolvidos nessa cadeia produtiva. 

Bruna Jones: Aliás, falando em mudanças... Se antigamente para conseguir contatos e trabalhos, um ator precisava literalmente correr atrás das oportunidades, hoje em dia, com o avanço da tecnologia, basta ter algumas redes sociais mais "agitadas" que você acaba ganhando mais visibilidade e algumas portas se abrem... O que você pensa sobre essa mudança na dinâmica de um ator, onde você precisa ficar alimentando as redes, mas além disso, também ter o seu próprio canal de comunicação direta com os fãs? 
Vandré Silveira: Eu adoro me comunicar com as pessoas que gostam do meu trabalho. Mas essa ideia de que temos que alimentar as redes e produzir conteúdo, eu considero um equívoco. Estamos na era em que "parecer" é mais significativo do que "ser". Nos é vendida a ideia de que para você ser bem- sucedido, não basta executar bem o seu trabalho, ou ter mestria sobre seu ofício, mas precisa saber "vender seu peixe". Acho essa ideia pavorosa. E volta e meia, todos nós estamos reféns dela. 

Bruna Jones: Outra coisa que mudou bastante no decorrer dos anos, é a maneira como os realities acabaram se tornando populares tanto na televisão quanto nos streamings. Hoje em dia existem diversos, desde confinamento, quanto musicais, sobrevivência, esportes radicais, de casais, etc...Você alguma vez já foi convidado para algum? Se fosse, você aceitaria ou prefere focar somente em trabalhos cênicos? 
Vandré Silveira: A dramaturgia ficcional e a dramaturgia de reality são propostas distintas. Me encanta a arte da atuação. Nunca pensei em participar de um reality e nunca fui convidado também. Não sei se aceitaria. 

Bruna Jones: Você recentemente terminou a sua temporada no teatro, mas o ano praticamente ainda está começando... Tem alguma novidade vindo por aí? Algum projeto que possa compartilhar com a gente?
Vandré Silveira: Vou estrear a nova temporada de "A Hora do Boi" em junho, no Atelier Cênico, em São Paulo. Dias 08, 15, 22 e 29/06 às 20h. E além do espetáculo, tem um personagem novo na TV pintando. Ainda não posso dar detalhes. Em breve! 

Bacana a nossa conversa, não é mesmo? E ele ainda deixou um recadinho antes de ir, olha só: "Um beijo para todos os leitores de "O Diário de Bruna Jones" e pessoas queridas que acompanham meu trabalho. Venham ao Teatro! Eu, São Francisco, Chico (o boi) e Seu Francisco esperamos vocês!" e para quem quiser continuar acompanhando ele nas redes sociais, basta procurar por @vandresilveira e @ahoradoboiteatro, combinado?

Espero que vocês tenham gostado da entrevista de hoje, em breve retornarei com novidades. Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?