Naquela madrugada, a porta do conclave se fechou com um eco grave, isolando o ambiente do resto do castelo. A iluminação baixa projetava sombras longas nas paredes de pedra e o silêncio ali dentro era diferente, não era tenso como na mesa redonda. Era estratégico. Dora entrou primeiro. Sem pressa. Sem demonstrar abalo. Bianca veio logo atrás, fechando a porta com cuidado. Por alguns segundos, nenhuma das duas falou nada. O som distante do vento lá fora parecia mais alto naquela ausência de palavras. Então Bianca soltou o ar que estava prendendo. "Foi por pouco." Dora caminhou até a mesa central e apoiou as mãos na madeira escura. "Não foi por pouco" corrigiu, calma. "Foi necessário." Bianca cruzou os braços. "Eles estavam prontos para votar em você." Dora inclinou levemente a cabeça. "E ele tentou virar o jogo tarde demais." O nome de Rafael não precisou ser dito. Havia uma mistura de frustração e pragmatismo no ar. A saída dele era uma perda estratégica, mas também um alívio. Um foco enorme havia sido removido do centro. A atmosfera no Conclave ainda estava carregada quando a porta se abriu novamente. O som dos passos ecoou pelo salão de pedra antes mesmo que elas vissem quem entrava. Selton Mello surgiu entre as sombras, expressão indecifrável. Dora e Bianca imediatamente se recompuseram. "Esta noite" começou ele, com a voz grave preenchendo o espaço "Marca uma mudança no jogo." Ele caminhou lentamente ao redor da mesa. "Vocês perderam um aliado. Um Traidor foi exposto e banido." O silêncio se intensificou. "E, como consequência... Chegou o momento de restaurar o equilíbrio." Bianca trocou um olhar rápido com Dora. Selton continuou: "Vocês deverão escolher um Fiel para receber um convite para se juntar a vocês." A frase pairou no ar. "Porém" ele acrescentou, com uma pausa calculada "Caso essa pessoa recuse a oferta... Será assassinada imediatamente." Nenhuma das duas demonstrou surpresa externa. Mas a tensão mudou. Recrutar significava poder. Mas também risco. Selton se afastou alguns passos. "Pensem bem. A escolha de vocês pode definir o rumo do jogo." E então saiu, deixando apenas o som da porta se fechando atrás dele.
Passos cautelosos ecoaram pelo corredor escuro do castelo. A figura caminhava sozinha, iluminada apenas pela luz vacilante das tochas presas às paredes de pedra. O silêncio da madrugada parecia mais pesado do que nunca. A porta do confessionário se abriu lentamente. Quando a pessoa entrou na luz, o rosto foi revelado. Era Matheus. Ele fechou a porta atrás de si, respirando fundo, como se soubesse que aquele momento mudaria algo de forma definitiva. No centro da sala, sobre a pequena mesa redonda, repousava um pergaminho com seu nome escrito em tinta escura. Matheus ficou parado por alguns segundos apenas encarando o envelope. "Não é possível..." murmurou. Aproximou-se devagar, puxou a cadeira e sentou. Seus dedos hesitaram antes de romper o selo. Ele abriu o pergaminho. Seus olhos começaram a correr pelas palavras: "Matheus, Esta noite, você foi escolhido pelas forças que atuam nas sombras deste castelo. Os Traidores reconhecem em você frieza estratégica, capacidade de observação e habilidade para sobreviver sem ser o centro das atenções. Por isso, você está sendo convidado a se juntar a eles. Caso aceite, passará a atuar nas sombras, conspirando para eliminar os Fiéis e dividir o prêmio final. Caso recuse esta oferta, será assassinado imediatamente esta noite. A escolha é exclusivamente sua. Decida com sabedoria." O silêncio após a leitura era quase ensurdecedor. Matheus manteve o olhar fixo no pergaminho, absorvendo cada linha. Sua respiração ficou mais pesada. "Então é isso..." sussurrou. Ele se recostou na cadeira, passando a mão pelo rosto. "Ou eu viro aquilo que estou tentando caçar... Ou eu não vejo o café da manhã." Um riso nervoso escapou, curto e incrédulo. "Que tipo de escolha é essa? Se aceitasse, garantiria sobrevivência imediata e poder. Mas também carregaria o peso da mentira constante, o risco de exposição, a possibilidade de sair odiado. Se recusasse... Manteria minha integridade como Fiel. Mas não manteria minha permanência no jogo." Matheus olhou novamente para o pergaminho. "Sobreviver... Ou ser leal?" Ele ficou em silêncio por longos segundos, o olhar perdido, a mente claramente acelerada. O castelo aguardava sua decisão. E, pela primeira vez desde que o jogo começou, o destino não dependia de voto algum. Dependia apenas dele.
A madrugada avançava silenciosa pelo castelo. As tochas tremulavam nas paredes de pedra enquanto uma figura encapuzada atravessava os corredores em passos contidos, quase calculados. O som do tecido roçando no chão ecoava como um segredo sendo arrastado pela escuridão. A pesada porta do Conclave se abriu. A figura entrou. Assim que a luz das velas iluminou o rosto sob o capuz... Foi revelado: Era Matheus. Ele respirava fundo, os olhos atentos, tentando antecipar o que encontraria ali. No centro da sala, duas silhuetas vestidas com mantos escuros já o aguardavam. O ambiente era denso. Cerimonial. As duas mulheres permaneceram em silêncio por alguns segundos, encarando-o. Então, lentamente, levaram as mãos às tocas. Primeiro uma. Depois a outra. Os capuzes caíram. Dora. Bianca. As duas Traidoras. Matheus arregalou os olhos, dando um passo involuntário para trás. "Não..." ele murmurou, incrédulo. "Vocês?" O olhar dele alternava entre as duas, claramente tentando reorganizar todas as conversas, todos os momentos, todas as defesas na mesa redonda. "A Dora batendo de frente com o Rafael... A Bianca quase não aparecendo nas discussões..." Ele soltou um riso nervoso. "Vocês jogaram muito bem." Dora manteve a postura firme, quase orgulhosa. Bianca sustentava um olhar frio, estratégico. O peso da revelação começava a encaixar as peças na cabeça dele. "Eu nunca desconfiaria de vocês duas juntas." Ele cruzou os braços, ainda surpreso. "Vocês conseguiram passar intactas pelas mesas redondas... E ainda me trouxeram pra cá." O silêncio voltou a dominar a sala. Agora não havia mais mistério. Só estratégia. E Matheus estava oficialmente no centro dela.
A luz da manhã atravessava os vitrais do castelo, pintando a mesa do café com tons dourados e avermelhados. O clima era diferente dos outros dias. Mais leve. Quase vitorioso. Um a um, os participantes foram entrando e ocupando seus lugares. Helena foi a primeira a quebrar o silêncio. "Gente... A gente tirou um traidor. De verdade." Penélope assentiu, ainda com um sorriso contido. "E não foi no escuro. Foi construído. Foi voto atrás de voto." Dimas cruzou os braços, orgulhoso. "A mesa redonda de ontem mostrou que quando a gente se une, funciona." Amélie completou: "E mostra também que ninguém está acima de suspeita. Nem quem fala mais, nem quem fala menos." Matheus, mexendo na xícara de café, respirou fundo. "Eu realmente achei que ele fosse fiel. No começo, pelo menos. Mas aquele discurso final... Foi quase teatral demais." Núbia balançou a cabeça. "Ele tentou confundir a gente até o último segundo. Quase me fez duvidar do meu voto." Estela apoiou o queixo na mão. "O pior é pensar há quanto tempo ele estava mentindo pra todo mundo aqui." Fabricio interveio: "O importante é que agora a gente tem uma prova de que está no caminho certo." Mauricio ponderou, mais cauteloso: "Ou pelo menos quer acreditar nisso. Porque se tinha um... Ainda tem mais." A frase fez o clima dar uma leve esfriada. Marcela olhou em volta da mesa. "Mas é a primeira vez que eu sinto que a gente está jogando certo." Lorena concordou. "Ontem foi um divisor de águas." Icaro respirou fundo. "Só não dá pra achar que está resolvido. Um traidor caiu... Mas os outros aprenderam com isso." Um pequeno silêncio se instalou. A sensação de vitória existia, era real, mas vinha acompanhada de uma nova camada de tensão. Eles haviam provado que podiam desmascarar alguém. Agora os traidores sabiam que não estavam lidando com um grupo ingênuo. E o jogo, a partir daquela manhã, ficava ainda mais perigoso.
O burburinho no salão cessou assim que passos firmes ecoaram pelo piso de pedra. As portas se abriram. Selton Mello entrou com sua postura serena e olhar enigmático, atravessando o espaço enquanto os participantes se levantavam quase instintivamente. Ele não disse nada de imediato. Apenas caminhou lentamente até a parede onde os retratos dos eliminados estavam expostos. Parou diante da foto de Rafael. Observou o retrato por alguns segundos, como se refletisse sobre a noite anterior. Então, com calma deliberada, retirou a moldura da parede. Virou-se para o grupo. "Ontem, vocês provaram que estão aprendendo a jogar" começou, com a voz grave preenchendo o salão. "Pela primeira vez, o castelo viu a queda de um traidor pelas mãos dos fiéis." Alguns participantes trocaram olhares discretos, ainda orgulhosos. Selton ergueu levemente o retrato. "Rafael acreditou que poderia conduzir vocês pela dúvida. Apostou na confusão, no caos... Mas subestimou a força da desconfiança coletiva." Fez uma pausa. "E todo traidor que cai... Deixa uma mensagem." Sem mudar a expressão, soltou a moldura. O retrato atingiu o chão com um estalo seco, o vidro se quebrando e ecoando pelo salão silencioso. Ninguém se moveu. "A mensagem de hoje é simples" continuou ele, olhando um por um. "O jogo está longe de terminar." O clima mudou instantaneamente. "Se um traidor foi desmascarado, outros ainda caminham entre vocês. Observando. Adaptando-se. Talvez até comemorando junto." O peso da frase pousou sobre a mesa. "E é por isso que hoje... Vocês terão uma nova missão." Ele deu alguns passos à frente. "Uma missão que poderá fortalecer o grupo. Ou aprofundar ainda mais as rachaduras que começaram a surgir." Selton abriu um leve sorriso, quase imperceptível. "Preparem-se. A vitória de ontem foi importante. Mas no castelo... Cada conquista é apenas o começo de um novo perigo."
Missão #04: Mais tarde, já distante do castelo, os participantes chegam a um terreno amplo, cercado por mata fechada. O vento movimenta as copas das árvores e o silêncio do lugar cria uma tensão quase palpável. No centro da clareira, está Selton Mello, observando o grupo com expressão séria. Ele começa: "A missão de hoje acontece aqui. Neste terreno. E vai exigir comunicação, estratégia... E confiança." Os jogadores se entreolham. Selton continua, caminhando lentamente enquanto explica: "Dentro desta área, seis de vocês serão enterrados em câmaras subterrâneas cenográficas. Antes que se assustem: Todas são projetadas com segurança total, ventilação controlada e monitoramento constante da nossa equipe. Não há qualquer risco." Um murmúrio percorre o grupo. "Essas câmaras estarão completamente camufladas no terreno. Quem estiver na superfície não verá qualquer marca que indique a localização delas." Ele então anuncia: "Eu preciso de seis voluntários." Os escolhidos serão conduzidos separadamente para pontos distintos da mata e colocados individualmente dentro dessas estruturas subterrâneas. Nenhum deles saberá onde os outros estão posicionados. Selton volta sua atenção aos que permanecerão na superfície: "Os demais serão divididos em três equipes. Cada equipe receberá: Um mapa parcial da área. Um kit de busca, contendo pás, lanternas e um rádio comunicador principal. O objetivo é simples: Localizar e resgatar os seis participantes enterrados antes que o tempo limite de quarenta minutos se esgote." Ele faz uma pausa. "Cada resgate concluído acrescenta dinheiro ao prêmio coletivo. Mas há complicações. Cada participante enterrado terá: Um walkie-talkie individual. Uma pista física dentro da câmara." Selton explica: "Essas pistas variam. Alguns terão coordenadas incompletas. Outros, referências simbólicas a marcos naturais. Alguns enfrentarão enigmas baseados na orientação do sol ou contagem de passos." Ele encara o grupo. "Mas nenhuma pista é suficiente sozinha. Para que a localização seja precisa, as equipes precisarão: Interpretar corretamente as informações transmitidas pelos rádios. Cruzar essas informações com os mapas parciais que receberam. Tomar decisões rápidas e coordenadas. E então vem a limitação mais cruel: A comunicação é restrita. Apenas um canal de rádio pode ser utilizado por vez. Isso significa que as equipes precisarão se organizar para falar com cada participante enterrado de forma alternada. O tempo gasto em uma conversa reduzirá o tempo disponível para falar com os outros voluntários. Além disso: Os jogadores enterrados não sabem onde estão uns em relação aos outros. Não poderão comparar referências. Quando uma equipe acreditar ter identificado o local correto, deverá iniciar a escavação manual até alcançar a câmara subterrânea. O resgate só será validado quando o participante for completamente retirado e tocar o marcador de confirmação instalado na área central." Por fim, Selton conclui: "Se o tempo acabar, apenas os jogadores efetivamente resgatados irão contabilizar valor para o prêmio coletivo." O silêncio domina o grupo. A mata parece ainda mais densa. O desafio não é apenas físico. É estratégico. E em um jogo onde existem Traidores ocultos... Interpretar errado pode não ser um acidente.
O silêncio na clareira se torna pesado quando Selton Mello volta-se para o grupo: "Quem deseja se voluntariar primeiro?" Um instante de hesitação. Olhares se cruzam, medos e cálculos silenciosos. Finalmente, seis passos à frente quebram o gelo: Fabricio, Lorena, Penélope, Dimas, Helena e Marcela. Selton os observa por alguns segundos, como se medisse a coragem deles, e depois afirma: "Muito bem. Vocês serão conduzidos separadamente para suas câmaras. Lembrem-se: Segurança total, câmeras de monitoramento e ventilação garantida. Confiança é fundamental." Os seis voluntários são então levados por caminhos diferentes, desaparecendo entre a mata, enquanto os demais ficam sob a clareira, sentindo imediatamente o peso da responsabilidade de encontrá-los. As três equipes ficam formadas com Bianca, Mauricio, Núbia e Rosiane no primeiro time, Caio, Dora e Icaro no segundo e Amélie, Estela e Matheus no terceiro. O terreno afastado do castelo estava silencioso, cercado por mata fechada. O ar úmido carregava o cheiro da terra e das folhas e cada som parecia amplificado entre as árvores. As seis câmaras subterrâneas, camufladas entre raízes e vegetação, abrigavam os voluntários: Fabricio, Lorena, Penélope, Dimas, Helena e Marcela. Eles aguardavam atentos, cada um com seu walkie-talkie, prontos para passar pistas fragmentadas sobre sua localização. Enquanto isso, as equipes restantes avançavam pelo terreno com mapas parciais e kits de busca. Equipe 1: Bianca, Mauricio, Núbia e Rosiane se concentrava em decifrar os símbolos do mapa, cruzando mentalmente coordenadas e detalhes do terreno. O rádio chiou e a voz de Fabricio trouxe a primeira pista: Uma raiz torcida próxima a um tronco caído e algumas pedras ao redor. A equipe discutiu rapidamente se o ponto indicado correspondia ao mapa, tentando equilibrar cautela e velocidade, conscientes de que cada minuto perdido diminuía suas chances de resgatar o voluntário. Equipe 2: Caio, Dora e Ícaro avançava por uma trilha estreita, observando árvores e raízes expostas. Lorena transmitia suas próprias coordenadas, detalhando folhas amareladas e a posição de troncos. Caio e Dora mediam passos e ângulos, tentando cruzar as informações com o mapa parcial, mas o canal único do rádio forçava decisões rápidas: quem ouvir primeiro, quem lidera, quem interpreta cada pista. A tensão aumentava a cada segundo que passava sem escavação. Equipe 3: Matheus, Amélie e Estela caminhava cautelosamente, cada detalhe observado com cuidado. Penélope descrevia uma raiz caída apontando para o leste e um círculo de folhas secas ao redor. Matheus calculava ângulos, Amélie anotava cada referência, e Estela pressionava para começar a escavação em um ponto provável. Debates estratégicos surgiam a cada passo: Medir, interpretar ou cavar? Cada decisão errada significava perder tempo precioso. O relógio avançava implacável. As três equipes tentavam interpretar pistas fragmentadas, organizar a comunicação limitada e decidir em qual ponto iniciar a escavação. O esforço físico e mental era intenso, e a pressão aumentava à medida que o tempo corria. Cada detalhe contado pelos voluntários precisava ser cruzado com mapas e observações, e cada erro poderia custar um resgate. Entre sons de pás na terra, vozes nos rádios e árvores rangendo ao vento, a prova mostrava sua complexidade: não era apenas uma corrida contra o tempo, mas um teste de estratégia, interpretação e coordenação. As primeiras escavações ainda não haviam sido concluídas, e a tensão pairava no ar: qual equipe conseguiria decifrar as pistas, encontrar seu voluntário e tocar o marcador central antes que os quarenta minutos se esgotassem?
O tempo avançava rapidamente e a primeira decisão de cavar se aproximava. Equipe 1: Bianca, Mauricio, Núbia e Rosiane decidiu seguir a pista de Fabricio. Após cruzar as coordenadas da raiz torcida com os símbolos do mapa parcial, escavaram cuidadosamente no ponto que julgavam correto. A terra era pesada e cada pá exigia esforço físico. Depois de alguns minutos tensos, uma mão surge da câmara: Fabricio toca o marcador central, validando o primeiro resgate. Um pequeno alívio percorre a equipe, e o prêmio coletivo começa a crescer. Enquanto isso, Equipe 2: Caio, Dora e Icaro tomou uma decisão arriscada. Confundidos pela escala do mapa e pela contagem de passos de Lorena, cavaram em um ponto levemente deslocado. A terra cedeu parcialmente, mas não havia câmara ali. O tempo perdido aumentou a frustração e as discussões começaram: "Precisamos confiar nos passos dela ou no mapa?" questiona Dora. "Não sei mais em quem confiar!" responde Caio, exasperado. A tensão entre eles aumentava e cada minuto perdido tornava o resgate mais improvável. Equipe 3: Matheus, Amélie e Estela conseguiu interpretar melhor as pistas de Penélope. Medindo cuidadosamente a direção da raiz e comparando com o ângulo do sol, começaram a escavar em um ponto que parecia correto. A terra cedeu lentamente, até que ouviram um som abafado: Penélope toca o marcador central, confirmando o segundo resgate. A vitória parcial trouxe alívio, mas o tempo ainda era curto e mais voluntários aguardavam. A prova seguia intensa: Cada equipe lidava com a dificuldade de interpretar pistas fragmentadas, o esforço físico de cavar e a pressão do cronômetro. Os voluntários ainda enterrados tentavam fornecer pistas adicionais pelos rádios, mas o canal único limitava a comunicação. Cada decisão se tornava crítica: Errar significava perder tempo, acertar podia mudar completamente a pontuação do prêmio coletivo. O vento balançava as árvores, o chiado dos rádios ecoava pela mata e o som das pás cortando a terra marcava cada segundo. A corrida contra o relógio havia começado de verdade, e o restante dos voluntários ainda precisava ser resgatado antes que os quarenta minutos se esgotassem.
O relógio avançava e apenas dois voluntários haviam sido resgatados: Fabricio pela Equipe 1 e Penélope pela Equipe 3. O restante das equipes sentia a pressão aumentar a cada minuto. Equipe 1: Bianca, Mauricio, Núbia e Rosiane. Com Fabricio já resgatado, a equipe agora tentava localizar Lorena. Ela transmitia pelo walkie-talkie uma pista complexa: uma árvore caída com galhos formando um ângulo peculiar e um pequeno tronco solto próximo. A equipe debateu: "Se combinarmos a posição do tronco com a clareira que vimos no mapa parcial, podemos cavar ali." sugeriu Mauricio. "Mas e se for outra clareira? Não podemos arriscar cavar no lugar errado de novo." retrucou Rosiane. Após alguns minutos tensos de discussão, decidiram escavar. A terra era pesada, e a exaustão começava a pesar. Quando quase desistiam, ouviram o som de uma mão tocando o marcador central: Lorena resgatada. A equipe respirou aliviada, mas sabiam que ainda restavam quatro voluntários. Equipe 2: Caio, Dora e Icaro. O tempo perdido na primeira tentativa fez com que a tensão entre eles explodisse. Caio queria confiar no mapa, Dora insistia na contagem de passos de Lorena, e Icaro tentava mediar. Enquanto discutiam, Dimas falava pelo rádio: "Estou próximo de uma raiz enorme, e vejo três pedras grandes alinhadas..." Icaro sugeriu seguir imediatamente a pista, mas Caio e Dora ainda hesitavam. A indecisão custou mais minutos preciosos. Quando finalmente começaram a escavar, descobriram que haviam cavado um metro errado. Sem câmara. O erro provocou frustração: "Não podemos mais perder tempo assim!" gritou Dora. Eles precisariam recalcular rapidamente para ter chance de resgatar Dimas antes que o tempo acabasse. Equipe 3: Matheus, Amélie e Estela. Com Penélope resgatada, a equipe seguiu para Helena. Ela descrevia um padrão de folhas e pequenas pedras em círculo e um tronco caído apontando nordeste. Matheus conferiu cada detalhe com o mapa parcial, enquanto Amélie e Estela mediam passos e ângulos. Apesar da precisão, o tempo já estava avançado. Cada escavação exigia esforço físico intenso e a tensão aumentava: erros poderiam custar minutos críticos. Quando cavaram no ponto indicado, ouviram o som da mão de Helena tocando o marcador central. Segundo resgate da equipe 3 e mais dinheiro acumulado para o prêmio coletivo. O terreno agora estava cheio de equipes correndo entre pontos incertos, mapas parciais, rádios e pás. O relógio não perdoava. Cada pista transmitida pelos voluntários enterrados se tornava crucial, e as equipes precisavam decidir rapidamente: Interpretar, medir ou escavar. Enquanto isso, os últimos dois voluntários Dimas e Marcela ainda estavam isolados, transmitindo suas pistas fragmentadas, tentando guiar as equipes antes que o tempo acabasse. A pressão era máxima, o esforço físico intenso e a coordenação estratégica era a única chance de sucesso. O vento balançava as árvores, o rádio chiava com vozes apressadas e o som das pás cortando a terra marcava cada segundo restante: A reta final da prova havia começado.
O relógio avançava implacável, restando apenas minutos para os últimos dois voluntários: Dimas e Marcela. A mata parecia ainda mais densa, o som das pás, passos e rádios ecoando em meio às árvores, e cada equipe sentia a tensão no corpo e na mente. Equipe 1: Bianca, Mauricio, Núbia e Rosiane. Com Fabricio e Lorena resgatados, eles agora tentavam localizar Dimas. As pistas pelo rádio eram fragmentadas: Uma árvore caída em ângulo, pedras espalhadas e uma raiz grande apontando para uma direção incerta. Mauricio analisou rapidamente o mapa e indicou um ponto próximo a uma clareira. A equipe começou a cavar freneticamente, sentindo o esforço físico pesar em cada pá. Quando quase desistiam, ouviram o som de uma mão tocando o marcador central: Dimas resgatado. A equipe respirou aliviada, três voluntários agora estavam a salvo e o prêmio coletivo crescia significativamente. Equipe 2: Caio, Dora e Icaro. Após o erro inicial, a equipe finalmente conseguiu interpretar melhor a pista de Dimas. Mas o tempo era curto, e a distância até o local correto era grande. Eles começaram a cavar, mas a terra estava pesada e o cronômetro avançava rapidamente. Apesar do esforço, não conseguiram alcançar Dimas antes do sinal final: O tempo se esgotou. Frustração e tensão tomaram conta da equipe, que viu seu esforço não se traduzir em resgate. Equipe 3: Matheus, Amélie e Estela. Com Penélope e Helena resgatadas, restava Marcela. Ela transmitia pelo walkie detalhes complexos: Folhas formando um círculo, troncos caídos e uma raiz apontando nordeste. Matheus conferiu ângulos, Amélie contou passos e Estela sinalizou o ponto mais provável para escavar. A equipe cavou com rapidez e precisão. Quando a mão de Marcela tocou o marcador central, ela foi oficialmente resgatada, completando os voluntários da equipe 3. O cronômetro finalizou os quarenta minutos, encerrando a prova. O terreno agora estava silencioso, exceto pelo som da respiração pesada dos participantes e o chiado final dos rádios. O prêmio coletivo cresceu consideravelmente, mas a tensão permaneceu: A comunicação limitada, o tempo apertado e a interpretação das pistas fizeram a diferença entre sucesso e fracasso. As equipes se encontraram na clareira central, exaustas, sujas de terra, mas com o sentimento de missão cumprida para os que conseguiram os resgates. Cada decisão tomada, cada segundo perdido ou bem aproveitado, havia determinado o desfecho desta prova intensa e estratégica.
O carro avançava lentamente pelo caminho de terra de volta ao castelo. A poeira levantava pequenas nuvens atrás das rodas e o silêncio do trajeto parecia amplificar os pensamentos de cada participante. Penélope encostou a cabeça no vidro, ainda suando e coberta de terra, mas com os olhos atentos ao grupo. "Vocês perceberam como ficou ainda mais suspeito para o Caio?" disse ela, quebrando o silêncio. Dimas, segurando o cinto de segurança, assentiu, franzindo o cenho. "Totalmente. Justo o grupo dele não conseguiu resgatar ninguém... E olha que o esforço deles foi grande, mas não resultou em nada. Para os outros, isso já é motivo de desconfiança." Matheus, sentado ao lado deles, concordou com um leve aceno: "É, e não é só que eles não resgataram ninguém... É o timing também. Todo mundo viu que a Equipe 1 e a 3 conseguiram resgatar três voluntários cada. A dele ficou zerada. Qualquer um olhando de fora vai começar a levantar sobrancelhas." Icaro suspirou, cruzando os braços: "Ele até tentou tomar decisões rápidas, mas acabou paralisando na hora de interpretar as pistas. O tempo passou, e nada saiu do lugar. Para quem não estava lá, parece que ele simplesmente... Falhou de propósito." Dimas riu baixo, quase sem querer chamar atenção: "E o pior é que ele ainda vai tentar se explicar depois. Mas a impressão já ficou: Quem não resgata ninguém acaba parecendo mais suspeito que quem erra tentando." Matheus olhou pela janela, observando a mata densa passar: "A prova foi estratégica demais. Um detalhe mínimo e todo mundo começa a desconfiar. Caio vai ter que se explicar, e isso vai pesar nas próximas decisões do castelo. Ele não vai escapar ileso dessa percepção coletiva." O carro continuou avançando em silêncio, mas o clima dentro dele estava carregado de especulação e tensão. Cada um refletia sobre o que acabara de acontecer, enquanto a sombra da suspeita sobre Caio crescia silenciosa, alimentada pelo contraste entre o sucesso das outras equipes e a falha completa do grupo dele.
A madrugada no castelo estava silenciosa, exceto pelo eco de passos contidos e sussurros espalhados pelos corredores de pedra. No salão do conclave, pouco iluminado pelas tochas tremeluzentes, Dora, Bianca e Matheus se aproximaram do círculo central, mantendo a voz baixa. A tensão da prova ainda pairava no ar e o assunto mais óbvio era inevitável: Caio. "Vocês viram como ficou ainda mais suspeito para ele?" começou Dora, cruzando os braços e olhando para os lados, como quem teme ser ouvida. Bianca suspirou, encostada levemente em uma coluna: "Não tem como ignorar. Justo o grupo dele não conseguiu resgatar nenhum voluntário. As equipes 1 e 3 trouxeram três cada, e o deles... Zero. Pra qualquer um que estivesse observando, isso parece mais do que azar." Matheus, franziu o cenho: "E não é só o desempenho... É a indecisão, o tempo perdido tentando interpretar as pistas, a falta de coordenação. Ele ficou no centro da prova e ninguém resgatou nada. A percepção do grupo vai pesar contra ele" Dora assentiu, com um tom quase conspiratório: "Ele ainda vai tentar se explicar, mas qualquer argumento mínimo vai virar alvo de suspeita. A prova deixou tudo mais evidente, e não tem como escapar disso." Bianca acrescentou, baixinho: "A gente precisa observar o que ele vai dizer, qualquer deslize pode pesar muito." Matheus olhou para as sombras que dançavam nas paredes do castelo, sentindo o clima de tensão se intensificar: "Exato. A prova mostrou mais que quem resgatou ou não. Mostrou comportamento sob pressão, liderança e capacidade de decisão. Caio não conseguiu e todo mundo vai notar. Vai ser impossível ele sair ileso dessa percepção." O trio se aproximou do círculo central do conclave, o silêncio da madrugada reforçando a sensação de que, mesmo sem palavras, a desconfiança sobre Caio pairava sobre todos. Cada olhar e cada gesto no salão se tornaria um teste e a sombra da suspeita estava pronta para se espalhar.
O salão do conclave estava imerso em uma penumbra tensa, com o brilho das tochas refletindo nas pedras antigas do castelo. Bianca, Matheus e Dora se afastaram discretamente para um canto, sussurrando baixinho, conscientes de que cada palavra poderia ser ouvida por olhos atentos. "Não podemos matar o Caio agora" disse Bianca, com o rosto sério. "Vamos usar a mesa redonda para que os próprios fiéis façam isso. Deixar que eles criem a narrativa de desconfiança contra ele vai ser muito mais eficiente." Matheus cruzou os braços, inclinando-se levemente para frente: "Verdade... Mas e se aproveitássemos a situação para aumentar ainda mais a suspeita sobre ele? Poderíamos matar um veterano agora. Caio tentou apontar uma aliança entre os veteranos, certo? Se alguém sumir, ele vai parecer responsável por tentar manipular ou defender essa aliança." Dora franziu o cenho, ponderando cuidadosamente: "Ok... Mas qual veterano escolheríamos? Precisa ser alguém que faça sentido na história e que realmente mexa com a percepção do grupo. Não podemos errar aqui." Bianca começou a listar mentalmente os candidatos: "Temos Fabricio e Mauricio, ambos com certa experiência e visibilidade. Amélie também é veterana, mas pode ser arriscado por sua relação com a equipe. E Rosiane... Bem, ela não é tão estratégica, mas qualquer ausência dela chamaria atenção." Matheus apontou: "Se quisermos incriminar Caio de verdade, precisamos de alguém que ele tentou defender ou envolver na suposta aliança. Fabricio e Mauricio têm mais destaque nesse sentido. Amélie poderia funcionar, mas o risco de confusão aumenta." Dora olhou entre eles, ponderando os prós e contras: "Fabricio é confiável e popular demais, vai gerar barulho se sumir. Mauricio é um bom alvo estratégico, mas Amélie é perigosa por causa das relações que tem. Rosiane... Talvez seja a mais neutra, mas talvez não impacte tanto a narrativa contra Caio." O trio se manteve em silêncio por alguns instantes, medindo as possibilidades, cada escolha carregada de riscos e consequências. A tensão no ar era palpável, cada segundo que passava podia ser decisivo para a construção de suspeitas e alianças e a estratégia precisava ser calculada com precisão. "Temos que decidir rápido" murmurou Bianca, olhando para os dois. "O que escolhermos agora vai definir o rumo do jogo nos próximos votos."
Conheça os personagens: Amélie Claveaux, Bernardo Azevedo, Bianca Nogueira, Caio Montenegro, Dimas Hadlich, Dora Machado, Estela Martins, Fabricio Molinaro, Helena Brandão, Icaro Figueiredo, Leandro Vasconcelos, Lorena Bastos, Marcela Coutinho, Matheus Lacerda, Mauricio Campos, Nathaniel Puig, Núbia Bianchi, Penélope Falcão, Rafael Pacheco, Rosiane Seta, Sharon Sheetarah e Verônica Lux.
Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais ou entrar em contato, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?
.jpg)
%20(3).gif)
%20(4).gif)
.gif)
%20(3).gif)
%20(3).gif)
%20(2).gif)
.gif)
Nenhum comentário:
Postar um comentário