Uma nova manhã nasce no castelo, trazendo uma luz fria que atravessa os vitrais altos e ilumina o salão principal com um brilho quase solene. Depois de mais uma noite marcada pelo temido corte dos Traidores, o silêncio dos corredores parece mais pesado do que nunca. Cada porta que se abre é um suspense. Cada passo ecoa como um anúncio de sobrevivência. A porta da sala do café da manhã se abre. Dora entra primeiro. O rosto sereno, postura firme, respiração controlada. Logo atrás vêm Caio, Maurício e Dimas. Por um instante, os quatro apenas se encaram, aquele reconhecimento silencioso de quem venceu a madrugada. Caio solta um suspiro audível ao puxar a cadeira. "A gente passou... De novo." Dimas esfrega as mãos, ainda tenso. "Eu não dormi direito. Fiquei pensando em tudo que poderia acontecer hoje." Maurício observa as cadeiras vazias ao redor da mesa longa. "Sobreviver significa alguma coisa. A questão é... O quê?" Dora se aproxima do bule de café e serve uma xícara com naturalidade. "Significa que, por enquanto, não somos prioridade." Ela diz isso com leveza, mas a frase fica suspensa no ar. Caio concorda rapidamente. "Ou que alguém aqui é útil demais para sair agora." Dimas encara os três, tentando captar qualquer reação fora do comum. "Os Traidores estão jogando com a gente. Estão escolhendo quem fica pra alimentar suspeita." Enquanto a conversa se intensifica, Dora participa com comentários ponderados, concordando aqui, questionando ali. Por fora, parece tão aliviada quanto os outros. Por dentro, porém, a sensação é diferente: não é alívio, é controle. Sobreviver nunca esteve fora dos planos dela.
O som de passos no corredor interrompe a conversa do primeiro grupo. Dora ergue o olhar imediatamente. Caio se cala no meio da frase. Maurício e Dimas viram discretamente na direção da porta. A maçaneta gira. Fabrício entra primeiro, sério, postura rígida, os olhos varrendo a mesa como se estivesse contando sobreviventes. Logo atrás vêm Bianca e Helena. Os três param por um segundo ao perceber que Dora, Caio, Maurício e Dimas já estão ali. Um silêncio pesado se instala. Helena leva a mão ao peito, quase aliviada. "Vocês estão aqui..." Caio responde rápido: "Estamos. E vocês também." Bianca caminha até a mesa com passos calculados. Seu olhar cruza rapidamente com o de Dora, um segundo a mais do que o necessário, mas ambas desviam quase ao mesmo tempo. Fabrício puxa a cadeira sem sorrir. "Isso significa que alguém não teve a mesma sorte." A frase muda completamente o clima. Dimas engole em seco. "Ou ainda não entrou." Helena observa as cadeiras vazias restantes, visivelmente ansiosa. "Toda vez que essa porta abre parece que o coração vai sair pela boca." Maurício cruza os braços. "O padrão está estranho. Eles estão deixando pessoas que estavam sob suspeita." Bianca apoia as mãos na mesa. "Ou estão eliminando quem estava chegando perto demais da verdade." O comentário gera uma tensão imediata. Olhares se cruzam. Pequenas expressões são analisadas. Dora mantém a postura tranquila, mas observa cada micro reação. O jogo está mudando. Quanto mais gente sobrevive, mais perigosa fica a manhã. Sobreviver deixa de ser apenas alívio, passa a ser indício. Lá fora, o vento movimenta levemente as cortinas. Lá dentro, o clima se torna mais denso a cada cadeira vazia. Ainda faltam pessoas para entrar. E a ausência começa a gritar mais alto do que qualquer acusação.
O salão já está tomado por um clima denso quando novos passos ecoam pelo corredor. As conversas cessam imediatamente. Todos voltam os olhos para a porta mais uma vez. Ela se abre. Estela entra primeiro, olhando ao redor com ansiedade evidente. Logo atrás vêm Lorena, Penélope e Icaro. Ao perceberem quantas pessoas já estão reunidas, o semblante dos quatro mistura alívio e preocupação. Helena se levanta parcialmente da cadeira. "Vocês estão aqui..." Lorena leva a mão ao peito. "Eu juro que achei que não ia atravessar aquele corredor." Icaro faz uma contagem rápida, murmurando nomes. "Tem bastante gente... Até demais." Penélope observa a mesa com atenção estratégica. "Isso significa que a escolha deles foi muito específica." A frase pesa no ambiente. Bianca mantém a postura serena, mas por dentro analisa cada micro expressão. Seus olhos cruzam brevemente com os de Dora, rápido demais para chamar atenção, natural o suficiente para parecer coincidência. Nenhuma palavra é trocada. Nenhum gesto suspeito. Apenas a confirmação silenciosa de que ambas continuam ali. Caio se inclina para frente. "Quanto mais gente sobrevive, mais estranho fica. Quem foi que incomodou tanto assim?" Dimas responde quase em sussurro: "Ou quem deixou de ser útil." Estela encara as cadeiras ainda vazias. "Ainda falta gente." E é isso que mantém o suspense vivo. A manhã ainda não terminou. O alívio não é completo. Cada nova entrada pode mudar completamente o clima da sala. Dora apoia a xícara na mesa com delicadeza. "Enquanto a porta continuar abrindo, a gente respira." Mas ninguém realmente respira. Porque em algum momento... Ela pode não abrir.
O silêncio no salão já não é apenas tensão, é expectativa crua. Todos os olhares permanecem fixos na porta. A contagem mental já foi feita mais de uma vez. Então, passos. Firmes. Três pares. A porta se abre. Marcela entra primeiro, visivelmente apreensiva. Logo atrás vêm Núbia e Matheus. Assim que cruzam o portal e percebem que a maioria já está reunida, o ar muda. Um suspiro coletivo percorre a mesa. Marcela quase ri, nervosa. "Eu estava preparada para o pior." Núbia caminha até a mesa com o olhar analítico de sempre, já fazendo a contagem automática. "Então... Só faltam duas." O nome não é dito, mas todos sabem. Amélie. Rosiane. O silêncio se instala como um peso físico. Caio é o primeiro a verbalizar: "Se uma das duas não entrar... É um movimento grande." Maurício concorda. "Elas não eram peças pequenas." Núbia cruza os braços, firme. "Miraram em um veterano dessa vez." A afirmação provoca reações imediatas. Penélope inclina a cabeça. "Você acha que foi estratégico ou simbólico?" "Estratégia," Núbia responde sem hesitar. "Quando tiram alguém experiente, é porque essa pessoa estava enxergando demais." Marcela engole em seco. "Amélie vinha articulando bastante..." Dimas completa: "E Rosiane tinha começado a questionar padrões." Matheus permanece em silêncio por alguns segundos antes de falar, medindo o tom. "É um recado. Eles não estão mais jogando pequeno." Seu olhar percorre a mesa de forma calculada. Por dentro, ele avalia as reações. Ao cruzar brevemente os olhos com Bianca, o contato é neutro, quase frio. Nenhum sinal externo. Nenhuma cumplicidade visível. Do outro lado, Dora observa tudo com atenção redobrada. O salão inteiro prende a respiração. Agora, a ausência de Amélie ou Rosiane não é apenas uma suspeita. É quase uma confirmação. A porta se abre uma última vez e Amélie é revelada como a última participante entrando no salão.
O corredor até o confessionário parece mais longo do que nunca. Rosiane caminha sozinha, os passos ecoando contra as paredes de pedra. O silêncio é absoluto, quase respeitoso. Ao empurrar a porta, encontra o ambiente iluminado apenas por uma luz suave direcionada à pequena mesa central. Sobre ela, um pergaminho lacrado com o selo do jogo. Rosiane respira fundo antes de se aproximar. Seus dedos hesitam por um segundo sobre o selo, como se aquele pequeno gesto pudesse mudar o que está escrito ali. Mas não pode. Ela rompe o lacre. Desenrola o pergaminho. Seus olhos percorrem as primeiras linhas. "Rosiane, esta noite, enquanto o castelo dormia, os Traidores fizeram sua escolha. Você foi assassinada." O ar parece sair de seus pulmões de uma vez só. Ela fecha os olhos por um instante, absorvendo o impacto. Depois volta a ler. "Sua jornada no jogo termina aqui. Sua lealdade foi forte, mas sua percepção se tornou uma ameaça." Rosiane deixa escapar um riso curto, incrédulo. "Eu sabia..." Ela balança a cabeça lentamente, segurando o pergaminho com mais firmeza. "Eu sabia que estava chegando perto." Os olhos brilham, não de arrependimento, mas de frustração contida. Ela se senta na cadeira do confessionário, ainda encarando as palavras. "Então foi isso. Eu falei demais na última mesa?" Respira fundo. "Se me tiraram agora... É porque eu estava certa sobre alguém." O pensamento parece lhe trazer um certo consolo. Não foi uma morte aleatória. Foi estratégica. Ela dobra o pergaminho com cuidado, quase respeitosamente. "Vocês jogaram bem. Mas ainda estão aí dentro. E alguém vai perceber." Rosiane se levanta, postura recomposta. O impacto ainda está ali, mas transformado em determinação silenciosa. Antes de sair, olha uma última vez para a câmera. "Se eu caí... É porque toquei na ferida certa." A porta se fecha atrás dela.
A imagem corta para a noite anterior. O castelo está mergulhado na escuridão. Apenas a torre do Conclave permanece iluminada por velas altas que projetam sombras longas nas paredes de pedra. O ambiente é solene, quase ritualístico. Dora já está à mesa quando Bianca entra. Poucos segundos depois, Matheus surge pela porta pesada de madeira. Os três se encaram em silêncio, agora sem máscaras. Ali, não precisam fingir. Bianca é a primeira a falar, em tom baixo e calculado: "A gente precisa mudar o rumo do jogo." Matheus apoia as mãos na mesa. "Caio começou a insinuar um pacto entre veteranos na mesa redonda. Se essa narrativa cresce, pode respingar na gente." Dora inclina levemente a cabeça. "Então a solução é simples. Se ele está apontando para um grupo de veteranos... A gente elimina um." O raciocínio se instala imediatamente. Bianca completa: "Se um veterano cai agora, a suspeita recai direto sobre quem levantou essa teoria." Matheus sorri de canto. "Colocamos um alvo nas costas do próprio Caio." O silêncio seguinte não é de dúvida, é de escolha. Dora caminha lentamente ao redor da mesa. "Precisa ser alguém experiente. Alguém que não passe despercebido." Bianca cruza os braços, pensativa. "Rosiane." O nome paira no ar. Matheus concorda quase de imediato. "Ela observa demais. Fala pouco, mas quando fala... Acerta." Dora olha para os dois, firme. "E começou a conectar padrões. Eu percebi na última votação." Bianca respira fundo. "Se deixarmos ela mais uma rodada, pode virar um problema real." Matheus se inclina para frente. "Então não deixamos." A decisão é silenciosa, mas definitiva. Dora pega o pergaminho da noite, a pena já posicionada. "Rosiane é estratégica, respeitada e veterana. A saída dela cria impacto." Bianca finaliza: "E reforça a narrativa de que Caio mexeu com as pessoas erradas." Os três trocam um último olhar cúmplice, não de amizade, mas de aliança circunstancial. Três jogos individuais caminhando na mesma direção. A pena toca o papel. O nome é escrito. Rosiane. A chama das velas oscila levemente, como se reagisse à decisão. Corta para o presente. A cadeira vazia no café da manhã agora tem explicação. E o plano já está em movimento.
De volta ao salão principal, o silêncio já não é apenas expectativa, é confirmação contida. Todos estão de pé ou parcialmente inclinados sobre a mesa, encarando a porta como se ela fosse dar a sentença final. Ela se abre. Os passos são firmes, ritmados. Selton Mello atravessa o salão com expressão grave, as mãos unidas à frente do corpo. Ele não olha imediatamente para os participantes. Caminha devagar, deixando que o som de seus sapatos ecoe pelo espaço. "O castelo amanheceu mais leve hoje" ele começa, em tom calmo. "Mas nem sempre leveza significa paz. Às vezes, significa ausência." Os jogadores trocam olhares tensos. Selton continua: "Durante a madrugada, enquanto vocês tentavam descansar, sombras circularam por estes corredores. E quando as sombras escolhem... Não há defesa." Ele se aproxima da parede onde estão os retratos dos participantes. O olhar dele repousa sobre um deles. "Rosiane." O nome ecoa como um sino. Alguns levam a mão ao rosto. Outros fecham os olhos. Núbia abaixa a cabeça lentamente. Selton retira o retrato da moldura com cuidado cerimonial. Observa a imagem por um segundo. "Uma veterana. Experiente. Atenta. Às vezes, quem observa demais... Se torna perigoso." Ele solta o quadro. O retrato cai no chão com um som seco, o vidro se estilhaçando pelo piso de pedra. O impacto reverbera no salão. "Rosiane foi assassinada pelos Traidores." O peso da confirmação se espalha. Helena segura a respiração. Caio olha para o vazio. Maurício fecha os punhos discretamente. Selton volta-se para o grupo, agora mais firme: "E isso muda o jogo." Ele caminha lentamente diante da mesa. "Hoje à noite, vocês irão novamente à mesa redonda. E terão a chance de banir mais um jogador." Pausa. O olhar dele percorre cada rosto. "Mas deixo um aviso: A cada erro, os Traidores se fortalecem." O silêncio é absoluto. "Talvez esteja na hora de vocês acertarem o nome de mais um Traidor." A frase cai como desafio. Selton se afasta, deixando para trás o retrato quebrado no chão, um lembrete visual do preço do erro. O jogo não apenas continua. Ele se intensifica.
O silêncio deixado por Selton ainda pairava no salão quando Estela finalmente se levantou da cadeira. O som do vidro quebrado sob o retrato de Rosiane parecia ecoar dentro da cabeça de todos. Estela respirou fundo antes de falar, mas sua voz saiu firme. "Ficou bem claro qual foi a mensagem dos Traidores." Alguns olhares se voltaram imediatamente para ela. Caio ergueu o rosto devagar. Estela continuou, caminhando alguns passos ao redor da mesa. "Foi só o Caio mencionar, na mesa redonda, que podia existir um acordo entre os veteranos... E o primeiro veterano caiu." O peso da associação caiu como outra pedra no centro da sala. Núbia cruzou os braços, pensativa. Maurício desviou o olhar para o retrato estilhaçado no chão. Helena mordeu o lábio inferior, absorvendo a lógica. Caio balançou a cabeça, já na defensiva. "Então você acha que fui eu que causei isso?" "Eu acho," Estela respondeu, firme, "que os Traidores são inteligentes. Eles ouviram você levantar essa hipótese... E transformaram isso em arma." Dimas completou em tom baixo: "Se matam um veterano logo depois dessa fala, parece retaliação." Bianca observava em silêncio, medindo cada reação ao redor da mesa. Dora mantinha a expressão neutra, quase analítica. Nenhuma das duas interferiu. Estela voltou a falar: "Isso coloca um alvo nas costas do Caio. E ao mesmo tempo, protege quem realmente está fazendo os movimentos." O ambiente ficou ainda mais denso. A teoria fazia sentido demais para ser ignorada. Caio passou a mão pelo rosto, visivelmente pressionado. "Ou estão fazendo exatamente isso: Criando uma narrativa óbvia demais pra gente cair." A discussão começava a tomar forma. Não era mais apenas sobre a morte de Rosiane.
A biblioteca do castelo está mergulhada em um silêncio denso, quebrado apenas pelo leve estalar da lareira acesa no canto. As estantes altas projetam sombras longas sobre o tapete antigo, criando um ambiente quase conspiratório. Marcela está de pé perto da janela, braços cruzados, olhando para o jardim como se tentasse organizar os pensamentos. Amélie permanece sentada em uma poltrona, postura elegante, atenta. Penélope fecha a porta com cuidado antes de se aproximar das duas. "A gente precisava conversar longe dos outros," Penélope diz em tom baixo. Marcela se vira imediatamente. "Pra mim está muito claro. Estão tentando incriminar o Caio." Amélie levanta o olhar, interessada. "Por causa do que ele falou sobre os veteranos?" "Exatamente," Marcela responde. "Ele levanta a hipótese de um acordo... E na mesma noite um veterano cai. Parece conveniente demais." Penélope não demonstra concordância imediata. Ela caminha devagar até uma estante, passando os dedos pelas lombadas dos livros como se estivesse organizando ideias. "Ou talvez ele tenha levantado essa hipótese porque já sabia o que ia acontecer." O comentário faz Marcela franzir a testa. "Você acha que ele é Traidor?" Penélope respira fundo antes de responder. "Eu não descarto. Ele está sempre um passo à frente nas narrativas. Aponta, recua, observa a reação... Isso pode ser estratégia." Amélie intervém com calma: "Mas se ele fosse Traidor, matar um veterano logo depois da fala dele não seria arriscado demais? Coloca muita luz em cima." Penélope cruza os braços. "Às vezes a melhor forma de se esconder é parecer óbvio demais. Criar um cenário tão escancarado que as pessoas pensem: "não pode ser isso"." Marcela balança a cabeça, ainda resistente. "Ou estão usando exatamente essa lógica pra fazer a gente desconfiar dele." O clima entre as três é de análise fria, não de confronto. Cada uma mede palavras, expressões, pausas. Amélie observa as duas. "O que me preocupa é outra coisa... Se a gente errar de novo na mesa redonda, os Traidores ficam praticamente intocáveis." Penélope encara Marcela diretamente. "Eu só sei que, para mim, o nome do Caio continua na lista." Marcela suspira. "E para mim, isso pode ser exatamente o que eles querem." O fogo na lareira crepita mais alto por um instante, como se marcasse o impasse. Na biblioteca, longe dos outros, não há certezas, apenas teorias que podem salvar ou condenar alguém naquela noite.
A noite cai sobre o castelo com um ar quase solene. As tochas ao longo do corredor principal estão acesas, projetando sombras trêmulas nas paredes de pedra. Um a um, os participantes caminham em direção à sala da mesa redonda, passos mais lentos do que o habitual. Ninguém conversa. A porta pesada se abre. A mesa redonda está iluminada apenas por velas altas, o centro mergulhado em meia-luz. As cadeiras são ocupadas em silêncio: Dora ajeita a postura com serenidade calculada, Bianca mantém o olhar firme, Matheus observa discretamente cada movimento ao redor. Caio parece tenso. Núbia está concentrada. Estela mantém a expressão decidida. Os demais se acomodam, carregando o peso do dia inteiro de especulações. Quando todos estão sentados, o som dos passos ecoa novamente. Selton Mello entra na sala com a mesma presença firme da manhã, mas agora há algo mais incisivo em seu olhar. Ele caminha lentamente até a cabeceira da mesa. O silêncio é absoluto. "Hoje o castelo já sentiu a ausência de Rosiane," ele começa, a voz grave preenchendo o espaço. "Uma perda que não foi acidente... Foi escolha." Alguns participantes evitam contato visual. Outros encaram o centro da mesa como se esperassem que ela respondesse. Selton continua: "Mas o jogo exige equilíbrio. Se os Traidores agem durante a noite... Vocês precisam agir agora." Ele apoia as mãos na mesa, olhando um a um. "Esta noite, mais um banimento deve acontecer neste castelo." A frase ecoa como sentença. Caio engole em seco. Penélope cruza os braços. Marcela respira fundo. Dora e Bianca permanecem controladas, enquanto Matheus mantém a expressão indecifrável. Selton se endireita. "Vocês terão a oportunidade de votar. E, se acertarem o nome de um Traidor, enfraquecem as sombras que dominam este jogo." Uma pausa estratégica. "Mas se errarem..." Ele não termina a frase. Não precisa. Todos sabem. A tensão se instala de vez. A mesa redonda começa.
O silêncio na mesa redonda é quebrado quando Maurício se inclina para frente, as mãos apoiadas firmemente na madeira. "Eu quero começar deixando uma coisa muito clara," ele diz, olhando ao redor. "Não existe acordo entre veteranos. Nunca existiu. Essa narrativa precisa acabar aqui." Alguns assentem discretamente. O clima é tenso, mas atento. Estela aproveita a deixa, voz firme: "Isso é ridículo. Parece apenas uma maneira de distrair as pessoas do fato de que o Caio é o Traidor." O impacto é imediato. Alguns participantes se mexem nas cadeiras. Caio levanta o olhar devagar, incrédulo. "Desculpa?" ele responde, a voz já carregada. "Se tem alguém aqui que parece Traidor, é você." Estela sustenta o olhar, sem recuar. Caio continua: "Você passa o jogo inteiro apontando todo mundo. Primeiro foi o Matheus. Agora sou eu. Sempre você criando alvo novo." Matheus permanece em silêncio, observando a troca com atenção calculada. Estela respira fundo antes de responder: "É óbvio que você ia tentar mudar de assunto." Ela se inclina levemente para frente. "Você levanta uma teoria sobre uma possível aliança entre veteranos... e, na mesma noite, Rosiane é eliminada. A única veterana que vinha articulando mais próximo do seu nome." O nome ecoa pesado no ambiente. "E agora," Estela continua, "ao invés de falar sobre esse fato, você tenta me pintar como a acusadora compulsiva." Caio balança a cabeça, visivelmente pressionado. "Eu levantei uma hipótese porque fazia sentido. Isso não me torna Traidor." "Ou te dá a desculpa perfeita," Estela rebate. O clima esquenta. Olhares se cruzam. Núbia observa atentamente. Penélope parece absorver cada argumento. Dora e Bianca mantêm expressões neutras, enquanto a tensão cresce entre os dois. Fabricio intervém, tentando organizar: "A questão é simples: A fala do Caio coincidiu demais com o assassinato. Isso precisa ser analisado." Caio respira fundo, agora tentando manter o controle. "Então vocês acham mesmo que eu seria burro o suficiente para anunciar um plano antes de executar?" A pergunta fica suspensa na mesa. E, naquele momento, a dúvida começa a se espalhar novamente, não apenas sobre Caio. Mas sobre quem está conduzindo a narrativa naquela noite.
O clima ainda vibra com a troca intensa entre Estela e Caio quando Matheus finalmente se ajeita na cadeira e ergue a mão levemente, pedindo a palavra. "Me desculpem...", ele começa, em tom controlado. "Mas essa briga entre vocês dois não está parecendo discussão de fiéis tentando descobrir a verdade." Alguns olhares se voltam para ele. "Está parecendo uma briga entre dois Traidores tentando colocar um alvo um no outro." A frase cai pesada sobre a mesa. Caio reage imediatamente com indignação no olhar. Estela fica imóvel por um segundo, absorvendo o golpe. Penélope se inclina para frente. "Eu estava pensando a mesma coisa. Essa discussão está intensa demais... Estratégica demais." Ela alterna o olhar entre os dois. "Quando dois jogadores entram nesse nível de confronto, pode ser desespero. Ou pode ser teatro." Estela balança a cabeça, visivelmente frustrada. "Não é possível que vocês estejam realmente considerando que eu sou Traidora." Ela respira fundo antes de continuar. "Eu estou trazendo fatos. Ele levanta uma hipótese sobre veteranos, uma veterana morre. Isso não é invenção minha." Caio rebate, mas antes que ele consiga desenvolver, Lorena intervém, com pesar na voz: "Infelizmente... Vocês dois são os mais suspeitos esta noite." O silêncio que se segue é diferente. Não é apenas tensão, é definição. Lorena continua: "Caio pela coincidência óbvia. E Estela porque está direcionando muito forte o jogo." A mesa fica dividida. Alguns concordam com olhares discretos. Outros evitam demonstrar posicionamento. Matheus cruza os braços, mantendo a expressão neutra, como se apenas tivesse verbalizado o que todos já estavam pensando. Estela encara o centro da mesa, incrédula. Caio passa a mão pelo rosto novamente. Agora, não é apenas um contra o outro. É a mesa inteira avaliando se aquela discussão era confronto legítimo... Ou encenação perigosa demais para ser ignorada.
O murmúrio crescente ao redor da mesa é interrompido pelo som firme de uma cadeira sendo levemente arrastada. Selton Mello se levanta com calma calculada, o olhar percorrendo cada rosto tenso à sua frente. "As teorias foram expostas. As suspeitas foram lançadas." Ele caminha lentamente ao redor da mesa redonda, passando atrás das cadeiras. "Mas neste jogo, palavras não bastam. Chegou o momento de vocês votarem." O peso da frase parece comprimir o ar na sala. Selton continua: "Cada um escreverá o nome de quem acredita ser um Traidor. Lembrem-se: se acertarem, enfraquecem as sombras. Se errarem... Fortalecem-nas." O silêncio que se instala agora não é de debate. É de decisão. Caio é o primeiro a ter seu voto lido. Ele votou em Estela, justificando que, para ele, ela estava conduzindo o jogo com convicção excessiva, mais preocupada em direcionar suspeitas do que em investigar. Icaro também votou em Estela, dizendo que a intensidade dela lhe pareceu estratégica demais. Matheus seguiu na mesma linha, afirmando que a discussão entre ela e Caio havia ultrapassado o limite de um debate entre fiéis e soado como algo mais calculado. Quando o voto de Estela é revelado, a tensão aumenta ainda mais. Ela votou em Caio, reafirmando que a coincidência entre a teoria levantada por ele sobre um possível acordo entre veteranos e a morte de Rosiane era forte demais para ser ignorada. Núbia votou em Estela, dizendo que a forma como ela liderava narrativas naquela noite a incomodou. Amélie votou em Caio, sustentando que a sequência dos acontecimentos pesava contra ele. Fabrício também escolheu Caio, considerando sua fala estratégica demais. Marcela votou em Estela, acreditando que ela parecia mais empenhada em acusar do que em descobrir. Maurício acompanhou a maioria contra Estela, apontando que a discussão tinha tomado proporções suspeitas. Bianca votou em Estela, afirmando que a condução dela na mesa a deixou desconfortável. Penélope escolheu Caio, dizendo que ainda não confiava na explicação sobre a teoria dos veteranos. Helena votou em Estela, alegando que ela tentou fechar uma narrativa com muita força. Dimas votou em Caio, acreditando que a sequência dos fatos era comprometedora. Lorena também optou por Estela, dizendo que, infelizmente, ela era o nome mais arriscado naquela noite. Por fim, Dora revelou seu voto em Estela, justificando que a consistência das acusações dela parecia calculada demais para ser apenas intuição. À medida que os nomes eram lidos, a contagem deixava claro o desfecho. A maioria havia se formado. Selton ergue o olhar. Estela recebe o maior número de votos. O ar parece desaparecer da sala por um instante. Com voz firme, Selton anuncia que, com a maioria dos votos, Estela está banida do castelo. Todos voltam os olhos para ela, aguardando o momento decisivo. Agora, só resta saber se acabaram de eliminar uma fiel... Ou se finalmente acertaram o nome de um Traidor.
O silêncio após o anúncio é quase insuportável. Todos os olhares permanecem fixos em Estela, que ainda está sentada, absorvendo o peso da decisão. Selton Mello se levanta lentamente. "Estela... Por favor." Ele aponta para o centro da sala, onde o Círculo da Verdade está iluminado por uma luz mais intensa que o restante do ambiente. "Dirija-se ao Círculo da Verdade... E revele ao grupo sua verdadeira lealdade." O som da cadeira sendo arrastada ecoa como um estalo. Estela se levanta devagar. O rosto está sério, mas os olhos demonstram uma mistura de frustração e incredulidade. Ela caminha até o centro, cada passo marcado pelo silêncio absoluto dos outros participantes. Caio observa fixamente. Penélope mantém o olhar firme. Núbia parece tensa. Dora, Bianca e Matheus permanecem estrategicamente contidos. Estela para sob a luz. Respira fundo. Olha ao redor da mesa, um por um. "Eu lutei para que vocês enxergassem os padrões." A voz treme levemente, mas se mantém forte. "Eu questionei. Eu analisei. Eu tentei proteger este jogo." Ela ergue o queixo. "E mesmo assim..." Uma pausa longa. Dramática. "Eu sou FIEL." A palavra ecoa pelo salão. Alguns arregalam os olhos. Outros fecham a expressão imediatamente, percebendo o erro. Um suspiro coletivo atravessa a sala, não de alívio, mas de impacto. Estela mantém o olhar firme por mais alguns segundos. "Vocês erraram." A frase não é agressiva, é definitiva. Selton observa o grupo em silêncio antes de concluir: "Mais uma fiel deixa o castelo." O peso da consequência cai sobre todos.
Conheça os personagens: Amélie Claveaux, Bernardo Azevedo, Bianca Nogueira, Caio Montenegro, Dimas Hadlich, Dora Machado, Estela Martins, Fabricio Molinaro, Helena Brandão, Icaro Figueiredo, Leandro Vasconcelos, Lorena Bastos, Marcela Coutinho, Matheus Lacerda, Mauricio Campos, Nathaniel Puig, Núbia Bianchi, Penélope Falcão, Rafael Pacheco, Rosiane Seta, Sharon Sheetarah e Verônica Lux.
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