Os treze sobreviventes restantes caminham pela trilha escura em uma fila única e silenciosa, iluminados apenas pelas chamas de suas tochas. O som das ondas batendo na praia vai ficando mais alto à medida que eles se aproximam do acampamento, trazendo de volta a realidade crua da convivência após a tempestade que foi o Conselho Tribal. Assim que pisam na areia, a tensão acumulada começa a se dissipar em forma de novas articulações. Perto do estoque de lenha, Gregório joga sua mochila no chão e quebra o silêncio com o tom de voz carregado de satisfação: "Menos uma. Conseguimos eliminar uma cobra hoje e, no próximo Conselho, a gente vai com tudo para eliminar a pior de todas daquela cabana." Hugo, que estava logo atrás, ajeita as brasas da fogueira e responde de imediato, demonstrando que a calmaria de ter sobrevivido ao paredão já virou foco total no próximo alvo: "Eu espero de verdade que isso aconteça mesmo, Gregório. Nós não podemos dar mole. O nosso foco principal a partir de agora tem que ser não deixar a Clarisse ganhar nenhuma imunidade de jeito nenhum. Se o jogo inventar de colocar mais uma dessas jornadas em grupo com imunidade quádrupla em jogo, eu falo bem sério, é melhor a gente sabotar e perder o direito de votar do que correr o risco de deixar ela ganhar a proteção de novo." Yago e Xavier se aproximam da roda e ouvem o raciocínio. Yago, ainda amargando o fato de ter ficado impotente na última votação, balança a cabeça concordando: "Estou fechado com você, Hugo. Se ela pegar mais um colar ou proteção, ela arrasta o resto do grupo dela e a gente fica encurralado aqui dentro." "Exatamente" endossa Xavier, cruzando os braços. "O jogo dela é perigoso. Se a gente precisar jogar duro e abrir mão de voto para garantir que ela vá para o paredão sem defesa, é isso que nós vamos fazer." Os quatro se entreolham e, com um aceno firme de cabeça, selam o plano de caça para o próximo ciclo. Enquanto os homens se organizavam na fogueira, a câmera corta para o isolamento do confessionário, onde Lidia analisa o novo cenário com a frieza estratégica que lhe é característica, sem o colar de imunidade que agora já não tem mais valor. "Sendo bem sincera, a eliminação da Daphne não foi nada boa para o meu jogo pessoal. Ela era um escudo e uma peça que eu pretendia usar mais para a frente. Mas a verdade é que hoje não tinha como salvar ela, o acampamento inteiro já estava fechado nesse voto e eu precisava proteger a minha posição. Se eu soubesse que a dinâmica daquela jornada ia garantir uma imunidade quádrupla para quem vencesse, eu teria me mexido antes. Teria montado um grupo forte, comigo e com a Clarisse juntas, para garantir que aquela vantagem ficasse do nosso lado da praia. Mas o jogo é vivo e eu não vou me abater por causa de um erro de percurso. Agora é hora de sacudir a poeira, criar novas alianças nos bastidores e recalcular com muita calma qual é o melhor caminho para eu prosseguir e continuar ditando o ritmo aqui dentro."
Ainda bufando de raiva e com a respiração acelerada, Rayane se desvencilha de Andrei e caminha a passos largos até o canto da praia onde Yago, Xavier e Hugo observavam a confusão. Ela para na frente dos três rapazes, com as mãos na cintura, e vai direto ao ponto, com os olhos faiscando: "O que é que precisa acontecer para a gente colocar a Carolina naquele Conselho e chutar ela daqui no próximo voto? Me digam. Qual é o plano? Eu fecho com vocês agora para eliminar aquela garota." Os três homens se entreolham. Embora Carolina seja do grupo oposto, eles percebem o óbvio estado de exaltação da moça. Hugo dá um passo à frente, mantendo o tom de voz calmo para tentar baixar a adrenalina do ambiente: "Olha, Rayane, calma. Você está com a cabeça muito quente neste exato momento por causa do que acabou de acontecer." "É, respira um pouco" endossa Xavier, cruzando os braços. "Agora não é o momento de tomar decisão de voto. Daqui a pouco a poeira abaixa, o sangue esfria e talvez você consiga sentar, conversar e se entender com a sua amiga. O jogo é longo." Yago balança a cabeça positivamente, concordando com os aliados e preferindo não morder a isca de imediato enquanto a situação estiver tão caótica. Rayane solta uma risada sarcástica, inconformada com a cautela deles, e se afasta pisando duro. Sentadas na sombra da cabana, observando toda a cena de camarote, Sônia e Clarisse assistem ao racha do outro lado. Sônia vira o rosto para a aliada e questiona, testando o terreno: "Você quer que a gente chegue nesse nível aí, Clarisse? Igual à Carolina e à Rayane? Se estapeando no meio do acampamento?" Clarisse desvia o olhar da briga, solta um suspiro pesado e responde com seu habitual tom de superioridade: "Obviamente que não, Sônia. Nós duas somos muito melhores e mais inteligentes do que essas barraqueiras gratuitas. Não tem a menor necessidade disso. Mas... Eu ainda estou muito chateada com a eliminação da Daphne ontem. Não vou mentir." Sônia estala a língua, sem muita paciência para o luto estratégico da parceira, e rebate de forma direta: "Clarisse, você precisa superar isso de uma vez por todas. De verdade. A eliminação da Daphne foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para o nosso jogo. Ela centralizava muito voto, chamava muita atenção e agora o caminho está limpo para a gente avançar. Vira essa página." Enquanto o acampamento principal pegava fogo, o silêncio da mata fechada servia de palco para outra movimentação silenciosa. Afastadas da praia, Flora e Lidia caminhavam entre as árvores e arbustos, vasculhando o chão e os galhos à procura de cocos ou qualquer alimento silvestre para ajudar no racionamento. Percebendo o isolamento perfeito, Lidia começa a colocar em prática o plano que revelou no confessionário. Ela ajuda Flora a carregar um galho e puxa assunto com naturalidade, jogando charme estratégico: "Sabe, Flora... Eu fico olhando essa loucura toda lá na praia e percebo como é raro encontrar alguém com o seu perfil aqui dentro. Você é calma, focada, não se envolve nesses espetáculos ridículos." Flora dá um sorriso contido, agradecendo o elogio enquanto analisa um fruto. Lidia se aproxima um pouco mais e continua, plantando a semente de uma aliança paralela: "O jogo está mudando muito rápido, e as grandes estruturas estão ruindo. Eu acho que nós duas, correndo por fora, conseguimos ler o acampamento muito melhor do que eles. O que você acha de a gente começar a trocar umas figurinhas mais de perto? Sem alarde. Só nós duas sabendo para onde o vento está ventando, caso as coisas apertem lá na frente." Flora para, olha bem para Lidia e assimila a proposta com inteligência, percebendo que uma linha direta com a arquiteta do jogo pode ser o seu maior colete salva-vidas para os próximos dias de isolamento.
De volta ao abrigo, longe dos olhares curiosos e aproveitando que a poeira da briga geral havia baixado um pouco, Sônia, Clarisse e Carolina se reúnem em um canto mais reservado para discutir o que realmente importa: A matemática dos votos e a sobrevivência nos próximos Conselhos. Sônia toma a iniciativa, assumindo uma postura visivelmente focada em desenhar o futuro do trio: "Meninas, vamos falar de estratégia real aqui. Com a saída da Daphne, o jogo afunilou e nós três precisamos tomar uma decisão definitiva sobre qual lado nós vamos nos unir para as próximas eliminações. Não dá para ficar flutuando no meio do tiroteio. Eu pensei em dois caminhos bem claros." Carolina e Clarisse prestam atenção enquanto Sônia gesticula, explicando as opções na mesa: "O primeiro caminho é o seguinte: Eu e a Carolina podemos fingir abertamente para o acampamento que não somos mais suas aliadas, Clarisse. A gente vende a narrativa de que o grupo rachou. Com isso, nós duas nos juntamos ao grupo do Gregório e do Hugo, ganhamos a confiança deles e, usando essa maioria temporária, a gente foca em eliminar o grupo do Benedito." Sônia faz uma pausa, analisa a reação delas e apresenta a segunda alternativa: "Ou então, o caminho mais direto: Nós três deixamos as aparências de lado, nos juntamos oficialmente com o grupo do Benedito, do Renato e do Andrei, e focamos todas as nossas forças na eliminação sistemática do grupo do Gregório. O que vocês acham?" Clarisse escuta tudo atentamente, cruza os braços e responde sem hesitar, mostrando que sua leitura de jogo está bem afiada para os próximos passos: "Sônia, sendo bem realista, eu acho que o grupo do Gregório e do Hugo é o mais preocupante e perigoso no momento. Eles estão com sangue nos olhos e focados em me tirar. Além disso, eu não sou ingênua, eu não acho que eles vão engolir essa história de quebra de aliança entre nós três. O Gregório é desconfiado, ele vai cheirar essa armação de longe e pode usar isso contra a gente." Clarisse olha para Carolina, buscando a validação do trio, e conclui o raciocínio: "Para mim, a jogada mais inteligente e segura agora é o segundo caminho. É melhor a gente jogar limpo entre nós e tentar uma união sólida com o grupo do Benedito. Se a gente conseguir fechar esse bloco com eles, nós criamos uma barreira forte o suficiente para desmantelar o Gregório antes que eles venham com tudo para cima da gente."
O som do sinal sonoro ecoa pelo acampamento, interrompendo as conversas de bastidores. Os treze sobreviventes arrumam seus pertences rapidamente e seguem a trilha em direção ao campo de provas. Ao chegarem, encontram Glenda Kozlowski de pé, ao lado de uma estrutura imensa e intrigante que se assemelha a um labirinto geométrico de postes de madeira fincados na areia. "Bem-vindos, sobreviventes, a mais uma prova de imunidade" saúda Glenda, com um sorriso dinâmico. "Eu quero saber, depois de um Conselho Tribal tenso e de uma manhã movimentada, vocês estão preparados para lutar pela segurança de vocês hoje?" O grupo responde com um misto de "sim" e acenos firmes de cabeça. O foco nos rostos de Hugo, Clarisse e Lidia mostra que ninguém quer correr riscos. "Ótimo. Mas antes de explicar o desafio, nós temos um protocolo a seguir. Lidia, por favor, dê um passo à frente e me entregue o ídolo de imunidade. O seu reinado de proteção terminou." Lidia caminha até a apresentadora, e com serenidade e o entrega. Glenda o exibe para o restante dos competidores e o repousa no pedestal: "A imunidade está de volta ao jogo. E para conquistá-la hoje, vocês vão precisar de muito raciocínio visual, paciência e, acima de tudo, frieza. O desafio de hoje é inspirado na estrutura das celas da histórica prisão de Alcatraz." Glenda aponta para a megaestrutura de postes atrás de si e detalha as regras: "À frente de vocês, há uma grande grade formada por vários postes organizados em fileiras perfeitas. Em cada rodada, vocês vão se revezar, um por um, conectando uma corda náutica entre dois postes vizinhos quaisquer, seja na horizontal ou na vertical. O objetivo final é fechar quadrados na grade, que representam as celas da prisão. Sempre que um competidor colocar a corda que fechar o quarto lado de um quadrado, ele conquista aquela cela, coloca uma bandeira com sua cor e ganha um ponto." O grupo observa a grade, já tentando calcular mentalmente as primeiras jogadas. Glenda conclui: No final do desafio, quando todas as cordas forem colocadas e a grade estiver completa, o participante que tiver conquistado o maior número de celas e somar a maior pontuação ganha o colar de imunidade. O vencedor garante sua vaga entre os doze finalistas e deixa todos os demais vulneráveis ao próximo Conselho Tribal. A estratégia aqui é não dar brecha para o adversário pontuar. Eu vou dar exatamente um minuto para vocês se organizarem, beberem água e definirem a energia de vocês. Podem se preparar!"
O minuto de preparação termina e os treze competidores se posicionam ao redor da imensa grade de postes fincados na areia. A tensão é visível. Hugo e Gregório trocam olhares focados, enquanto Clarisse, Sônia e Carolina se posicionam estrategicamente próximas, prontas para tentar blindar o tabuleiro contra os rivais. "Vamos dar início na Prova de Imunidade!" anuncia Glenda Kozlowski. "A ordem de jogada foi definida por sorteio. Cada movimento de corda conta. Podem começar!" A prova começa em um ritmo estudado e cerebral. Com a grade completamente limpa, as primeiras rodadas funcionam como um campo minado onde ninguém quer dar o primeiro passo em falso. Renato e Andrei assumem uma postura extremamente técnica nas primeiras jogadas, colocando cordas nas extremidades mais distantes da grade para evitar criar conexões fáceis no centro. No entanto, o formato da prova exige uma visão espacial apurada. À medida que o revezamento avança, o espaço central começa a ficar perigosamente congestionado. Gregório, jogando com muita agressividade, tenta cercar uma área inteira na lateral da grade para criar um monopólio de pontos. Ele passa a corda entre dois postes centrais, mas comete um erro crucial de cálculo, ao fechar o terceiro lado de uma linha, ele deixa a cela perfeitamente armada para o competidor seguinte. Xavier, que vinha logo atrás na ordem, não perdoa, estica a corda, fecha o quadrado e crava sua bandeira, eliminando as chances de Gregório pontuar naquela zona. Frustrado e sem conseguir se recuperar do erro tático na rodada seguinte, Gregório é o primeiro eliminado da prova. Logo em seguida, o clima esquenta com Rayane. Ainda visivelmente desestabilizada e com a cabeça quente devido à briga matinal com Carolina, Rayane joga com o estômago e não com a razão. Em vez de bloquear as jogadas das adversárias, ela foca em tentar fechar o caminho de Carolina à força. Ao fazer um movimento puramente emocional e sem visão de conjunto, ela interliga dois postes que abrem uma reação em cadeia de três celas abertas na diagonal. Sabendo que não teria como recuperar a pontuação, Rayane se atrapalha nas amarrações e é eliminada da etapa. Yago, que já vinha lidando com a desvantagem psicológica de não ter votado na noite anterior, tenta fazer uma estratégia de contenção nas bordas da grade de Alcatraz. Mas o cansaço físico acumulado pesa. Ele se confunde com o posicionamento vertical de uma das linhas periféricas, colocando a corda em um quadrante que já estava isolado. Sem somar pontos e vendo o bloco de Clarisse e Lidia dominar o lado leste do tabuleiro, Yago é o terceiro a deixar o desafio. Nas rodadas finais desta etapa, a disputa fica travada entre os estrategistas mais calmos. Renato e Andrei tentam criar uma aliança visual, jogando cordas que protejam os quadrados um do outro. Porém, o jogo individual cobra o seu preço. Lidia, com uma leitura de espaço impecável, percebe a armadilha da dupla. Ela atravessa uma corda longa em um ponto de inflexão, forçando Renato a dar um ponto de graça para Benedito e deixando Andrei encurralado entre duas celas já preenchidas. Sem margem matemática para alcançar os líderes da rodada após perderem seus blocos de controle: Renato esgota suas possibilidades de pontuação e é eliminado. Andrei, logo na sequência, não consegue fechar nenhuma cela no seu último feixe de cordas e também está fora. Glenda Kozlowski dá um passo à frente no campo de provas, olhando para a grade que agora já mostra os primeiros quadrados coloridos com bandeiras: "Gregório, Rayane, Yago, Renato e Andrei... A estratégia de vocês falhou na prisão de Alcatraz. Vocês estão oficialmente eliminados da prova de hoje." Os cinco competidores deixam a área interna da grade e se sentam na lateral, restando apenas oito participantes vivos na disputa pelo colar de imunidade.
Com menos espaço disponível na grade, cada nó dado com a corda náutica vira uma decisão de vida ou morte no jogo. A calmaria e o silêncio tomam conta do campo de provas, quebrados apenas pelas instruções de Glenda. Flora, que vinha fazendo uma prova silenciosa nas bordas, se vê forçada a trazer suas jogadas para o miolo do tabuleiro. Ela tenta calcular uma aproximação segura perto do bloco controlado por Benedito. No entanto, sua natureza cautelosa joga contra ela em uma prova de agressividade, ao tentar travar uma linha vertical para se proteger, ela acaba deixando um "L" perfeito de três lados aberto. Xavier, com os olhos atentos, aproveita a brecha imediatamente, fecha a cela e elimina qualquer chance de reação da moça. Flora é a primeira eliminada da rodada. Logo em seguida, a atenção se volta para Lidia. Conhecida por sua mente brilhante e estratégica, ela tenta desenhar uma armadilha matemática para encurralar Clarisse e Carolina. Lidia estica uma corda complexa na diagonal da grade, tentando induzir o erro das adversárias. Mas a fadiga mental cobra o preço, Lidia calcula mal o revezamento de turnos e esquece que, ao deixar uma brecha, ela mesma ficaria vulnerável na rodada seguinte. Benedito lê a jogada de Lidia de forma impecável, atravessa a corda que faltava e rouba o ponto que sustentava a arquiteta do jogo. Sem pontuação suficiente para virar o placar, Lidia é eliminada da prova. Sônia, que estava jogando em extrema sintonia visual com Clarisse, tenta manter o plano do trio de proteger o centro do tabuleiro. Mas o calor intenso do meio-dia começa a afetar sua concentração. Ao receber sua vez de jogar, Sônia se atrapalha com a tensão da corda, prende o feixe em um poste que já havia sido isolado na primeira etapa e desperdiça completamente a sua rodada. Sem pontuar e vendo os adversários fecharem o cerco ao seu redor, Sônia se despede do desafio. A disputa pelos quadrados finais fica eletrizante entre Carolina, Hugo, Clarisse e Benedito. Carolina, ainda abalada emocionalmente pelos resquícios da briga com Rayane, tenta focar todas as suas forças nas celas do lado oeste. Ela consegue fechar um quadrado, mas a comemoração dura pouco. Ao tentar expandir seu território na jogada seguinte, ela dá um passo em falso e abre o flanco para Hugo. Sem mais cordas úteis para conectar em seu setor, Carolina esgota suas chances e é eliminada. Restando poucos espaços abertos na imensa estrutura de Alcatraz, Hugo se torna o alvo principal de Clarisse e Benedito, que jogam de forma impiedosa para isolar o competidor físico. Hugo estuda a grade, respira fundo e tenta forçar uma jogada de bloqueio para garantir pelo menos duas celas. Mas a matemática não fecha a seu favor. Clarisse coloca uma corda estratégica que invalida o plano de Hugo, forçando o rapaz a jogar em uma zona morta do tabuleiro. Sem conseguir fechar mais nenhum quadrado e vendo sua pontuação estagnar, Hugo é o último eliminado desta etapa. Glenda Kozlowski caminha até o centro do campo, apontando para os eliminados da rodada: "Flora, Lidia, Sônia, Carolina e Hugo... Vocês lutaram bravamente, mas a prisão de Alcatraz pegou vocês. Estão eliminados da prova." Os cinco competidores se juntam aos outros na lateral da estrutura. Restam agora apenas três participantes na disputa final pela imunidade.
O clima no campo de provas é de absoluto silêncio. Na lateral, os eliminados assistem fixamente a cada movimento. Hugo e Gregório torcem abertamente por Xavier, enquanto Sônia e Carolina observam Clarisse com as mãos unidas, torcendo pela sobrevivência do trio. Benedito, mantendo seu habitual sangue-frio, analisa os poucos vãos de madeira que restaram na grade. Ele sabe que a sua pontuação acumulada está muito próxima da de Xavier. Em uma jogada cirúrgica, Benedito estica a corda náutica na vertical, tentando fechar o penúltimo quadrante do lado norte para garantir o empate. No entanto, o ângulo da grade o trai, ao fazer a amarração, ele não percebe que a corda de baixo criava uma conexão indireta com o centro, deixando um último quadrado com três lados prontos para ser fechado. Xavier, com os reflexos afiados, não perde um único segundo. Ele dá um passo à frente, puxa a corda com força, fecha a cela e crava sua bandeira vermelha, roubando o ponto que Benedito tanto precisava. Sem mais jogadas possíveis e com a pontuação estagnada, Benedito é o primeiro eliminado da finalíssima, deixando a disputa no um contra um. Restam apenas as duas últimas celas abertas no tabuleiro inteiro, e a diferença entre os dois finalistas é de apenas um ponto a favor de Xavier. A tensão é palpável. Se Xavier fechar a próxima, ele ganha. Se Clarisse conseguir bloquear e virar, o colar é dela. Xavier joga primeiro. Ele tenta cercar a penúltima cela, colocando a corda na horizontal para forçar Clarisse a jogar na zona morta. Mas Clarisse, com o instinto de sobrevivência apurado ao limite e sabendo que era o principal alvo do acampamento, faz uma leitura brilhante do tabuleiro. Em vez de aceitar o bloqueio, ela usa uma regra de intersecção, atravessa a sua corda por baixo do nó de Xavier e fecha o penúltimo quadrado. Ponto para Clarisse! Tudo igual no placar! Agora, resta apenas uma única cela disponível na megaestrutura de Alcatraz. Quem colocar a última corda e fechar o quadrado vence o desafio. Xavier respira fundo, a mão suada segurando a corda. Pressionado pelo tempo, ele faz o movimento na vertical, tentando travar o espaço. Mas o destino da prova já estava traçado: o movimento de Xavier era exatamente o terceiro lado que faltava para completar o quadrado. Clarisse dá um sorriso vitorioso que ilumina seu rosto. Com passos firmes, ela caminha até a última abertura, puxa a corda náutica com toda a sua energia, fecha a última cela e crava sua bandeira com força na areia. O painel de pontuação final pisca: Clarisse é a vencedora! Na lateral, Sônia e Carolina explodem em gritos e comemoração, enquanto o grupo de Hugo e Gregório murcha instantaneamente, vendo o plano de eliminá-la desmoronar. Glenda Kozlowski caminha até o centro da estrutura de Alcatraz, com o colar de imunidade reluzindo em suas mãos, e se aproxima da vencedora: "Clarisse, que demonstração de foco, resiliência e pura estratégia sob pressão! Quando todos os olhares estavam voltados para você e o seu pescoço estava na reta, você veio aqui e dominou a prisão de Alcatraz. Parabéns!" Glenda então entrega o ídolo de imunidade para Clarisse, que respira aliviada, sabendo do poder que aquela joia carrega para o próximo Conselho Tribal. "Você está oficialmente imune e garantiu o seu lugar entre os doze finalistas da temporada. Ninguém pode votar em você hoje à noite." Clarisse agradece com um aceno firme, olhando de soslaio para os rivais. Glenda então se vira para os treze participantes: "Para os demais, o jogo continua e o perigo é real. O Conselho Tribal está logo ali e as alianças vão ter que ser testadas de verdade agora que o alvo principal está blindado. Peguem suas coisas. Vocês estão liberados de volta para o acampamento!"
Assim que os treze sobreviventes pisam de volta na praia, o contraste de energias é absoluto. Enquanto o grupo de Hugo, Gregório e Xavier caminha em um silêncio sepulcral e frustrado, Clarisse entra no acampamento radiante, ajeitando o ídolo de imunidade com orgulho. Ela se aproxima de Sônia e Carolina perto da cabana e, de braços cruzados, fala em tom baixo, mas com os olhos brilhando de pura adrenalina: "Eu disse que não ia cair sem lutar, Sônia. Agora o jogo mudou completamente. Eles queriam a minha cabeça, mas eu estou blindada. Esse é o momento exato da gente agir e tomar o controle da praia. Me dá cobertura." Sem perder um único segundo de seu momentum de poder, Clarisse caminha decidida até o centro do acampamento, onde Andrei, Renato e Benedito conversavam perto do estoque de lenha. Ela para na frente dos três e, com uma postura firme e direta, faz o convite: "Meninos, nós podemos conversar um minutinho ali no canto? É importante." Os três se entreolham, assimilando o peso da vitória recente da moça. Benedito assente com a cabeça, Renato mantém seu semblante sério e Andrei dá de ombros. "Sim, vamos lá" responde Benedito. Os quatro começam a andar lentamente em direção à trilha do poço de água, afastando-se o suficiente para que os ouvidos atentos de Gregório e Hugo não consigam captar o teor da conversa. Ao chegarem perto do poço, Clarisse se encosta em uma árvore, olha bem nos olhos de cada um deles e joga as cartas na mesa com uma frieza cirúrgica: "Eu vou ser bem direta com vocês, porque o tempo corre contra todo mundo aqui e o Conselho é hoje à noite. A minha imunidade bagunçou o plano do outro lado, e agora nós temos dois caminhos muito claros para seguir neste acampamento." Ela faz uma pausa dramática, garantindo a atenção total do trio, e apresenta a primeira proposta: "O primeiro caminho é vocês se unirem oficialmente comigo, com a Sônia e com a Carolina hoje à noite. Se vocês toparem fechar esse bloco com a gente, nós temos os votos necessários para eliminar o Yago, o Xavier ou o Hugo de uma vez por todas, quebrando as pernas do Gregório." O semblante dos rapazes permanece neutro, processando os números. Clarisse então muda o tom de voz, tornando-o mais firme e sutilmente ameaçador ao apresentar a segunda alternativa: "E o segundo caminho... Bom, se vocês não quiserem fechar conosco, eu e as minhas amigas vamos nos unir imediatamente com o grupo do Hugo e do Gregório para eliminar um de vocês três hoje à noite. Para eles, qualquer cabeça do lado de lá serve, e eles topam na hora só para salvar a própria pele. Vocês sabem disso." Andrei respira fundo e cruza os braços. Renato desvia o olhar, pensativo. Clarisse dá um passo para trás, mostrando que não está ali para implorar por votos, mas sim para ditar as regras: "Eu vou dar um tempo para vocês digerirem isso, pensarem com calma e fazerem as contas. Mas eu quero uma resposta o mais breve possível. O jogo está na mão de vocês agora." Sem esperar por uma réplica imediata, Clarisse dá as costas e caminha de volta para a praia, deixando Andrei, Renato e Benedito sozinhos na penumbra do poço, isolados com o peso de uma decisão que pode definir o destino de cada um deles na temporada.
Afastados perto da trilha, Andrei, Renato e Benedito saem da região do poço de água e se reúnem em um ponto coberto da mata com Flora e Lidia. O trio repassa cada palavra da abordagem agressiva de Clarisse, deixando o grupo em alerta máximo. Ao ouvir os dois caminhos propostos pela vencedora da imunidade, Flora solta uma risada irônica, balançando a cabeça em total negação: "Gente, por favor... Não faz o menor sentido essa ameaça da Clarisse. Ela está blefando porque está com o ídolo de imunidade em mãos e quer salvar a Sônia. O nosso grupo pode muito bem ignorar o que ela disse, continuar unido com o bloco do Gregório e do Hugo, e votar para eliminar a Sônia ou a Carolina hoje à noite. A gente tem número para isso e desmantela o trio delas do mesmo jeito." Renato, que ouvia tudo com o semblante sério e os braços cruzados, adota uma postura bem mais cautelosa e pontua o seu receio: "Olha, Flora, eu não tenho tanta certeza se a gente pode confiar de olhos fechados nos rapazes do outro lado. O jogo está começando a afunilar de um jeito muito perigoso. Se a gente der a cabeça da Carolina ou da Sônia agora, quem garante que nós não seremos os próximos? O grupo do Gregório quer sangue, e eles vão querer mais em breve. Se a gente não se proteger, a gente vira alvo fácil." Lidia, percebendo a brecha perfeita e o racha de opiniões, decide usar a sua influência estratégica. Ela dá um passo à frente, olha para os quatro e fortalece a ideia de um contra-ataque cirúrgico: "O Renato tem razão em ter um pé atrás. Por isso, a jogada mais inteligente hoje não é ir na Sônia, mas sim mirar no Xavier. Se a gente votar no Xavier e usar essa força, nós balançamos as estruturas do Hugo e do Gregório de uma vez só, sem precisar deitar para as condições da Clarisse. A gente joga o nosso jogo." Flora ouve os argumentos, processa a matemática dos votos e, mantendo o pé no chão para evitar um tiro no pé, pondera: "Pode até ser, Lidia, mas fazer isso no escuro é muito arriscado. Eu ainda acho que, antes de tomarmos qualquer decisão definitiva ou assinarmos qualquer acordo, nós devemos conversar diretamente com os rapazes. Precisamos sentir o que o Gregório e o Hugo estão planejando depois dessa prova antes de fechar o nosso voto."
A trégua forçada pelo início da tarde dura muito pouco. Perto do meio-dia, os participantes se reúnem ao redor da fogueira para a distribuição do arroz que conquistaram como recompensa na última jornada. A tensão da briga matinal entre Rayane e Carolina ainda paira no ar como uma nuvem negra. Rayane assume o controle da colher de madeira, dividindo os grãos com cuidado nas pequenas tigelas de cada um. Quando chega a sua própria vez, ela serve sua porção e se senta em um tronco. Carolina, que observava cada movimento de braços cruzados do outro lado do fogo, descansa os olhos na tigela da rival e dispara em tom alto e acusatório: "Que bonito, hein, Rayane? Pelo visto, quem serve a mesa sempre belisca o melhor pedaço. Você está pegando uma porção visivelmente maior do que a que serviu para os outros. O arroz é de todo mundo aqui, sabia?" Rayane respira fundo, fixa os olhos no horizonte e continua mastigando, fingindo que a provocação não foi com ela. Mas Carolina não recua. Ela dá um passo à frente, aponta para a tigela de Rayane e força ainda mais a barra para desestabilizar a moça: "Vai fingir que está surda agora? Olha o tamanho da sua porção comparada com a da Flora! É muita cara de pau. Além de falsa, quer ser a dona da comida?" O limite de Rayane estoura. Ela bate a tigela de alumínio no chão com força, espalhando alguns grãos na areia, e se levanta num salto, encarando Carolina com os olhos injetados de fumaça e fúria: "Garota, cala a sua boca! Você não cansa de passar vergonha e caçar encrenca onde não tem? Eu peguei exatamente a mesma quantidade que todo mundo! Você está cega ou a sua obsessão por mim já virou doença? Vai caçar o que fazer!" "Obsessão por você? Ah, me poupa!" debocha Carolina, batendo palmas ironicamente. "Você é que não aguenta ser desmascarada na frente de todo mundo!" As duas começam a gritar e a trocar ofensas pesadas no meio do acampamento mais uma vez, repetindo o espetáculo deplorável da manhã e desgastando os ouvidos de quem só queria almoçar em paz. Um pouco mais afastados da fumaça, sentados perto do estoque de ferramentas, Gregório e Hugo assistem ao novo barraco balançando a cabeça em total sinal de desaprovação. Gregório limpa o canto da boca, olha para o parceiro e cochicha, visivelmente exausto da convivência tóxica: "Hugo, olha para isso. Não dá mais. Sendo bem sincero, depois de ver esse show de novo por causa de uma colher de arroz, eu estou totalmente disposto a mudar a rota e eliminar uma das duas no próximo Conselho Tribal. Se chutar a Carolina ou a Rayane significar que a gente vai finalmente ter um pouco de paz e silêncio para dormir nesse acampamento, meu voto é delas." Hugo olha para a discussão, passa a mão pelo rosto cansado e concorda de imediato com o aliado: "Rapaz, eu assino embaixo. O clima está insuportável, essa paranoia e esses gritos gratuitos drenam a energia de todo mundo para as provas. A gente não precisa disso aqui. Mas para esse plano funcionar e a gente não jogar voto fora, nós precisamos conversar sobre isso o quanto antes com o grupo do Benedito. Se eles toparem fechar o bloco conosco para limpar o acampamento, a gente resolve esse problema hoje à noite."
Sônia se levanta do tronco com os olhos semicerrados e caminha decidida até o meio do fogo cruzado, batendo o pé na areia para cortar os gritos. A paciência dela com o espetáculo já tinha chegado ao limite. "Chega! Deu!" dita Sônia, com a voz firme que ecoa por toda a clareira. "Está ficando ridículo esse papelão de vocês duas todo santo dia. E o pior, desperdiçando comida na areia enquanto a gente passa fome aqui dentro! Chega desse show. Cada uma pega a sua porção agora e vai para um canto oposto desse acampamento se isolar. Sumam da minha frente!" O tom de autoridade de Sônia funciona como um balde de água fria. Ainda se encarando com faíscas nos olhos, as duas recuam. Rayane junta sua tigela do chão, limpa a sujeira bufando e marcha em direção à trilha da praia. Carolina dá uma última olhada de deboche, pega o seu prato e caminha a passos largos para os fundos da cabana, deixando a área da fogueira em um silêncio pesado. Perto dali, Flora, Andrei e Renato assistem ao desfecho do barraco com os braços cruzados. Flora respira fundo, aponta discretamente com o queixo na direção onde as duas brigonas se esconderam e questiona os aliados com um tom carregado de reprovação: "Vocês estão vendo isso? É sério mesmo, Andrei? É isso o que vocês querem deixar e alimentar no acampamento? Manter esse nível de convivência insuportável aqui dentro só por causa de voto?" Renato não desvia o olhar e, demonstrando a frieza necessária para alcançar a final, responde de forma direta e sem rodeios para a moça: "Se manter essa dinâmica aqui dentro significar que o nosso grupo vai conseguir avançar na competição e eliminar o Xavier hoje à noite, então a resposta é sim, Flora. O jogo não é um teste de simpatia. Se a gente precisar usar o caos delas como escudo para derrubar o homem forte do Gregório, eu aceito o barulho." Flora balança a cabeça negativamente, completamente inconformada com o pragmatismo dele. Ela cruza os braços e desvia o olhar para o mar, percebendo que a ética do jogo estava se esfarelando rápido demais na praia. A câmera corta para o isolamento do confessionário, onde Carolina aparece com o semblante tenso, passando as mãos pelo cabelo cheio de areia, visivelmente desgastada pela rotina de ataques. "Eu vou ser muito sincera com vocês, eu não estou aguentando mais olhar para a cara da Rayane. O ar falta no meu pulmão quando essa garota respira perto de mim. Ela me persegue por causa de prato de arroz, me persegue por causa de lenha, tudo é motivo para ela tentar me pintar como a vilã da edição. A minha estrutura psicológica está no limite aqui dentro. O meu maior medo hoje não é nem ir para o Conselho Tribal e ser votada... O meu medo real é eu não aguentar a provocação e acabar cometendo uma loucura que me tire desse programa expulsa. Eu preciso que ela saia daqui antes que eu perca a minha razão por completo."
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