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segunda-feira, 11 de maio de 2026

SRA - Edge of Extinction: 8x23 - Fogo Dividido


A caminhada de volta ao acampamento é marcada por dois climas completamente distintos. Enquanto o grupo majoritário caminha à frente com a segurança de quem cumpriu a missão, Flora e Clarisse seguem alguns passos atrás, sob o manto da frustração. Flora mantém a mão no ombro de Clarisse, sentindo a tremedeira da aliada. O clima entre as duas é de uma revolta contida, mas fervilhante. "Respira, Clarisse. Não deixa eles verem que você está quebrada" Flora sussurra, mantendo o tom baixo para não ser ouvida pelos outros. "A Sônia era o seu porto seguro, eu sei, mas a gente ainda tem muito jogo pela frente." Clarisse limpa o rosto com um gesto brusco, a voz trêmula de indignação. "É um absurdo, Flora. Um completo absurdo! Olha para eles lá na frente. Plantas. O Yago não faz nada, a Carolina só sabe seguir o que o Benedito manda, e o Renato... o Renato é uma sombra. A Sônia estava entregando tudo, movendo o jogo, vivendo cada segundo, e é ela quem sai? Esse jogo é injusto com quem realmente joga." Flora assente, olhando com desdém para as costas de Benedito, que lidera o grupo logo à frente. "Você está coberta de razão. E o Benedito é o pior de todos, ele é o rei das plantas. Se não fosse o fato dele ser um atleta e vencer provas por puro esforço físico, ninguém lembraria que ele existe. Ele não tem jogo social, não tem carisma, só tem o colar. É uma pena que a gente tenha que conviver com a mediocridade deles até o fim." Enquanto isso, a poucos metros de distância, a atmosfera é de celebração entre os sobreviventes. Yago, ainda processando o que acabou de acontecer no Conselho, comenta com Hugo, com um sorriso de descrença. "Cara, você consegue acreditar? Top 8. A gente está no top 8! Eu olho para trás e nem sei como cheguei até aqui, parece que foi ontem que a gente estava naquele barco." Hugo, que caminha com as mãos nos bolsos e um semblante mais contido e focado, dá um tapinha no ombro de Yago. Ele não se deixa levar pela euforia momentânea. "O segredo é não olhar muito longe, Yago. Se a gente começar a pensar na final, a gente tropeça. A gente vai chegar lá, mas é vivendo um Conselho Tribal de cada vez. Hoje a gente eliminou a Sônia, mas amanhã é um novo dia e o alvo muda. Mantém o foco no que a gente combinou." O grupo chega ao acampamento, onde as tochas principais do refúgio ainda queimam. O silêncio da mata ao redor parece esconder os próximos passos que cada um dará na manhã seguinte, agora que o campo de batalha está ainda mais restrito.

O clima, que já estava pesado após o retorno do Conselho, torna-se subitamente gélido. O grupo se preparava para o descanso, mas as palavras de Flora interrompem qualquer tentativa de silêncio. Ela se mantém de pé, com um sorriso sarcástico que não alcança seus olhos, observando a reação dos outros ao redor da fogueira. "Parabéns, pessoal" Flora diz, em um tom alto o suficiente para que ninguém pudesse ignorar. "Vocês fizeram um trabalho espetacular. Gastaram toda a energia de vocês focando em mim e me obrigaram a usar meu ídolo de imunidade à toa. Foi uma jogada brilhante, devo admitir. Mas agora, eu estou curiosa para saber quando é que vocês pretendem usar o ídolo que o Renato tem guardado." O silêncio que se segue é absoluto. Benedito, Hugo, Carolina e Yago travam seus movimentos. O choque é evidente, os olhares se voltam instantaneamente para Renato, que está encostado em um tronco, com o semblante subitamente tenso. Flora solta uma risada curta, regozijando-se com a confusão que acabou de semear. "Oh... Pelo visto, a notícia não circulou, não é?" ela debocha, alternando o olhar entre Renato e os outros. "O Renato não contou para os "aliados" dele que ele também tem um ídolo de imunidade? Que interessante. Achei que, em uma aliança tão forte quanto a de vocês, segredos desse tipo não existissem. Mas, pelo visto, vocês não são tão unidos assim, não é?" Benedito dá um passo à frente, sua mandíbula cerrada. Ele não olha para Flora, ele crava os olhos em Renato. "Renato, do que ela está falando? Que história é essa de ídolo?" Hugo, que até então mantinha a postura de quem detinha o controle do jogo, vira-se lentamente para o colega, com a voz baixa e perigosa: "É verdade? Você está sentado aqui com a gente, planejando cada voto, enquanto esconde um trunfo desses na manga?" Renato suspira, sentindo o peso do isolamento imediato. Ele não baixa o olhar, mas sua postura revela o desconforto de ter sido exposto. "É verdade" Renato responde, com a voz firme, apesar da pressão. "Eu tenho o ídolo. Mas não é como vocês estão pensando. Existe uma explicação para isso, e eu vou contar exatamente o que aconteceu." O grupo se fecha ao redor dele, a desconfiança substituindo o alívio da vitória anterior. O acampamento, antes um local de comemoração pela eliminação de Sônia, agora é o palco de uma nova e perigosa rachadura na aliança majoritária.

O sol mal havia despontado no horizonte quando o chamado de Glenda ecoou pelo acampamento, interrompendo qualquer tentativa de acerto de contas entre os aliados. A tensão da noite anterior, carregada pela revelação do ídolo de Renato, foi temporariamente suspensa pelo peso da necessidade, o jogo não parava para ninguém. Ao chegarem ao campo de provas, o cenário é intimidante. Estruturas de madeira bruta e cordas náuticas sugerem um desafio de resistência e agilidade. Glenda os aguarda, impávida, segurando o cobiçado colar. "Bom dia" ela começa, sua voz cortando o ar úmido da manhã. "A sobrevivência aqui não é um evento isolado, é um exercício constante de superação." Ela caminha até Benedito, que entrega o colar com uma expressão de quem relutantemente abre mão de sua única garantia de paz. Glenda o ergue, fazendo com que o metal brilhe sob o sol. "Mais uma vez, a imunidade está em jogo. Mas o jogo muda de ritmo hoje." Ela pausa, observando a reação de cada um. "Desta vez, a imunidade será disputada em duplicidade. A partir de agora, vocês serão divididos em dois grupos de quatro competidores. Cada grupo terá o seu próprio imunizado e, consequentemente, cada grupo enfrentará o seu próprio Conselho Tribal separado." Um burburinho de choque percorre a linha de participantes. O pânico nos olhos de alguns é evidente, a logística de dois conselhos muda completamente a proteção de quem se sentia seguro até então. Glenda ergue um saco de veludo escuro. "Sorte, estratégia ou destino? A divisão será decidida agora. Escolham uma pedra." O momento é de tensão absoluta. Um a um, eles mergulham a mão no saco, escolhendo o seu destino com a ponta dos dedos. Quando todos têm sua pedra em mãos, Glenda ordena que revelem as cores ao mesmo tempo. O choque da divisão é imediato. Grupo Azul: Benedito, Clarisse, Flora e Yago. Grupo Vermelho: Carolina, Hugo, Lídia e Renato. Benedito olha para o seu grupo e trava o maxilar, ter Flora e Clarisse ao seu lado suas maiores antagonistas torna o desafio de imunidade uma questão de vida ou morte pessoal. Já no Grupo Vermelho, o clima é de um silêncio cortante: Hugo e Carolina agora terão que encarar Renato, o homem que escondeu um ídolo de imunidade na noite anterior, no mesmo conselho tribal. Glenda observa a formação, satisfeita com a configuração explosiva. "As divisões estão feitas. Grupos Azul e Vermelho, preparem-se. O desafio de hoje vai testar o quão longe vocês estão dispostos a ir para garantir que a sua tocha continue acesa. Quem será o imunizado de cada grupo? E quem, em cada conselho, encontrará o caminho da saída?" As estruturas do campo de provas se abrem, revelando a complexidade da tarefa à frente. O jogo acaba de se tornar duas vezes mais letal.

Glenda gesticula para que os participantes se aproximem da margem, apontando para o complexo de torres de madeira que se erguem sobre a água azul-turquesa, desafiando a gravidade e o equilíbrio. "Atenção às regras" a voz de Glenda domina o ambiente, cortando o barulho das ondas. "Este é um teste de resistência total. Ao meu sinal, vocês nadam até as torres de vigilância e escalam até o topo. Lá em cima, o desafio começa de verdade: vocês deverão atravessar uma trave de equilíbrio estreita e instável para alcançar a bandeira do seu grupo." Ela aponta para as bandeiras que tremulam ao vento, presas a mastros no topo das estruturas. "Recuperada a bandeira, vocês saltam na água, retornam à praia e a depositam na sua estação. Mas não acaba aí. Esse percurso deve ser repetido até que cada um de vocês transporte três bandeiras no total. O primeiro membro de cada grupo a completar a entrega das suas três unidades conquista a imunidade individual." O silêncio que segue é tenso. Os oito competidores analisam a distância, a altura das torres e a instabilidade das traves. Glenda, sem dar espaço para perguntas ou estratégias, volta-se para os competidores da cor vermelha. "Grupo Vermelho, saiam do campo de provas imediatamente. Vocês não podem assistir ao desempenho do Grupo Azul. Aguardem o chamado no local designado." Carolina, Hugo, Lídia e Renato trocam um olhar rápido, o peso da revelação da noite anterior ainda pairando sobre eles, antes de se retirarem da arena. Restam apenas Benedito, Clarisse, Flora e Yago na praia, os rostos focados e os corpos prontos para o esforço que virá. "Grupo Azul, um minuto para se posicionarem e organizarem a estratégia" Glenda anuncia, consultando seu cronômetro. — O tempo começa agora. Os quatro se reúnem rapidamente. Benedito, como líder natural, tenta dar ordens, mas a tensão é palpável. Flora mantém a postura, a mente já calculando cada movimento necessário para vencer e se salvar. Clarisse e Yago parecem processar o fôlego necessário para a maratona aquática. O cronômetro avança, e a contagem regressiva para o segundo Conselho Tribal duplo da temporada está prestes a começar.

Benedito é o primeiro a mergulhar, cortando a água com braçadas potentes e coordenadas. Ele assume a liderança imediata, usando sua envergadura para ganhar distância rapidamente. Yago segue logo atrás, mantendo um ritmo constante, enquanto Clarisse e Flora nadam lado a lado, tentando poupar energia para o esforço nas torres. O choque com a água fria é brutal, mas a adrenalina domina qualquer sensação física. Benedito alcança a base da primeira torre e começa a escalada, seus dedos cravando na madeira úmida. O esforço é visível em seus músculos tensionados. Ele chega ao topo e, sem hesitar, pisa na estreita trave de equilíbrio que oscila perigosamente com o vento marítimo. Abaixo dele, a água espirra conforme Yago escala a segunda torre. Clarisse, logo atrás, hesita por uma fração de segundo ao sentir a estrutura balançar sob seu peso, mas o olhar de Flora, que já está subindo a torre adjacente a faz recuperar a postura. Benedito, com um equilíbrio impressionante, chega à bandeira, captura-a e executa um salto perfeito na água. Enquanto ele nada de volta para a praia, o primeiro embate de egos acontece: Flora, já no topo da sua torre, consegue alcançar sua primeira bandeira com uma agilidade surpreendente, ignorando o balanço da trave e saltando logo em seguida, quase colada na trajetória de Benedito. O primeiro round da maratona começa a definir as distâncias: Benedito e Flora na frente, Yago logo atrás, e Clarisse um pouco mais desgastada, tentando encontrar seu ritmo para não ficar para trás logo na primeira de três bandeiras. Na praia, o som da respiração ofegante dos quatro começa a preencher o ambiente a cada retorno. A disputa pela imunidade está, oficialmente, em ebulição.

A prova se transforma em um teste de desgaste. As idas e vindas entre a praia e as torres começam a cobrar o preço físico dos competidores. Benedito mantém a liderança, mas seu fôlego já não é o mesmo; o salto constante e o mergulho exaustivo começam a deixar seus movimentos menos fluidos. Ele consegue depositar sua segunda bandeira, mas, ao voltar para a água para buscar a última, nota que Flora não está apenas acompanhando o ritmo, ela está encurtando a distância. Flora, operando com uma precisão cirúrgica, demonstra uma resistência inesperada. Ela ignora o cansaço que queima em seus braços e, em um movimento rápido na trave, recupera sua segunda bandeira com uma agilidade que faz parecer que ela não está sentindo a instabilidade da estrutura. Ao mergulhar e retornar à praia, ela consegue depositar a segunda bandeira quase simultaneamente a Benedito, que agora exibe gotas de suor misturadas à água salgada em seu rosto. Atrás deles, o cenário é de pura luta. Yago encontra dificuldades na segunda travessia; a trave, já molhada e escorregadia, faz com que ele se desequilibre duas vezes antes de conseguir se estabilizar, perdendo segundos preciosos. Clarisse, por sua vez, está exausta. Ela completa sua segunda bandeira com um esforço visível, seus olhos focados apenas em não desistir, embora a fadiga já limite seus movimentos. A tensão sobe quando, ao saírem para a terceira e decisiva bandeira, Benedito e Flora se cruzam nas escadas de acesso da torre central. O olhar de ambos é intenso, um desafio silencioso onde nenhum dos dois cede espaço. Benedito tenta acelerar a subida, mas sua mão escorrega na madeira úmida por um milésimo de segundo, dando a brecha que Flora precisava. Ela usa essa fração de segundo para ultrapassá-lo na escalada final, chegando à trave de equilíbrio para a busca da última bandeira com uma leve vantagem. O cansaço começa a transformar a técnica em força bruta, e a prova entra em seu momento mais crítico.

A disputa atinge seu ápice. Flora, com a ligeira vantagem conquistada na subida, pisa na trave de equilíbrio com os braços estendidos, buscando o centro de gravidade. A estrutura range e oscila violentamente sob o vento, mas ela avança com passos curtos e calculados. Benedito, logo atrás, não se deixa abalar. Ele ignora o esgotamento extremo que faz seus músculos tremerem e acelera a subida da torre, forçando o ritmo até o limite da exaustão. Flora chega à ponta da trave e estica o braço para alcançar a última bandeira. No momento em que seus dedos tocam o tecido, um forte golpe de vento desequilibra a trave. Ela vacila, os braços giram no ar em uma tentativa desesperada de se manter em pé, mas ela acaba perdendo o controle e cai na água, soltando um grito de frustração que ecoa por toda a praia. Benedito, que já estava na trave, não desperdiça a oportunidade. Com uma calma quase sobre-humana, ele ignora o caos ao lado, dá os últimos passos precisos e agarra a sua bandeira. Sem olhar para trás, ele salta da torre em um mergulho impecável, cortando a água com braçadas rápidas e poderosas. Ao tocar a areia, ele levanta-se num movimento explosivo, corre até sua estação e crava a terceira bandeira na base. "Imunidade!" grita Glenda, enquanto Benedito cai de joelhos na areia, ofegante, com o peito subindo e descendo descompassado. Flora emerge da água alguns segundos depois, exausta e visivelmente derrotada, enquanto Yago e Clarisse ainda tentam completar suas segundas bandeiras. Benedito, ainda no chão, levanta o olhar para o grupo, a imunidade é dele, e com ela, o poder de ditar os rumos do Conselho Tribal que decidirá o futuro de seus rivais no grupo azul.

O grupo vermelho entra em cena. A atmosfera é carregada; Carolina, Hugo, Lídia e Renato ocupam suas posições iniciais. O peso da revelação sobre o ídolo de Renato na noite anterior transforma o desafio em algo muito mais pessoal do que apenas uma disputa por imunidade. Ao apito de Glenda, o impacto é imediato. Hugo, focado e impulsionado pela necessidade de manter seu controle no jogo, dispara na frente com braçadas largas, liderando a saída do mar. Renato, sentindo a pressão de ter que provar seu valor após a desconfiança de seus aliados, mergulha com fúria, colado na esteira de Hugo. Lídia e Carolina iniciam a natação com um ritmo mais cadenciado, tentando preservar o fôlego inicial. Ao alcançarem as torres, o contraste de estratégias fica claro: Hugo escala com uma rapidez técnica, seus movimentos são precisos, quase mecânicos. Ele chega ao topo, atravessa a trave com uma confiança visível e captura a primeira bandeira sem hesitar, saltando na água quase instantaneamente. Renato o segue de perto, mas sua pressa o faz cometer um erro bobo na escalada: ele tenta pular um degrau da escada de corda e acaba se enroscando, perdendo preciosos segundos enquanto Lídia e Carolina já começam a subir as torres laterais. Carolina, demonstrando uma força de vontade férrea, equilibra-se na trave instável com movimentos curtos e seguros, conseguindo sua primeira bandeira com uma eficiência que surpreende a todos na areia. Ao retornarem para a primeira deposição, Hugo já cravou sua bandeira na estação, enquanto Renato, recuperado do erro, tenta encurtar a distância. Lídia completa a primeira fase um pouco atrás, mas o ritmo do grupo vermelho parece mais acelerado do que o azul, como se a tensão entre eles estivesse funcionando como um combustível extra para a competição. Hugo está na ponta, seguido de perto por Renato, com Carolina e Lídia na cola, prontas para virar o jogo nas próximas duas voltas.

A prova entra em sua fase mais desgastante, e o clima entre os quatro competidores torna-se visivelmente tenso. Não há conversas, apenas o som das respirações pesadas e os respingos na água. Hugo, mantendo a liderança, começa a demonstrar os primeiros sinais de fadiga. Sua braçada, antes potente, perde a cadência, e o esforço para manter a estabilidade na trave exige cada vez mais esforço muscular. Renato, por outro lado, parece ter entrado em uma espécie de transe competitivo; cada erro que cometeu no início parece ser compensado por uma velocidade agressiva. Ele escala a torre com ferocidade, recupera a sua segunda bandeira e, ao mergulhar, quase colide com Hugo, que saía da água para buscar a sua. Lídia e Carolina estão presas em uma disputa particular. Elas completam a segunda bandeira praticamente juntas, mas a exaustão está começando a afetar a precisão de ambas. Carolina, ao tentar atravessar a trave, desequilibra-se drasticamente e precisa abaixar-se para se segurar, salvando-se de uma queda que poderia custar-lhe o resto da prova. Lídia, observando o erro da aliada, tenta imprimir um ritmo superior, mas suas pernas pesam como chumbo na água. Ao retornarem para a praia para a segunda deposição, o cenário está perigosamente equilibrado. Hugo deposita a bandeira, mas Renato chega dois segundos depois, cravando a sua na areia. A diferença entre eles é mínima, e a desconfiança que pairava entre eles no acampamento parece ter se transformado em uma competição frenética na água. Na terceira e última subida, a pressão psicológica atinge o limite: Hugo sabe que, se perder essa imunidade para Renato, a chance de ser alvo no Conselho Tribal aumenta drasticamente, e Renato sabe que precisa dessa vitória para, quem sabe, retomar um pouco da confiança perdida. A prova entra nos metros finais, onde o menor detalhe determinará quem garante a segurança e quem ficará vulnerável.

A disputa pela terceira e última bandeira se torna um teste de resistência psicológica. Hugo e Renato chegam à base das torres de vigilância simultaneamente. A água espirra em todas as direções quando ambos iniciam a escalada final. Hugo, movido pela necessidade absoluta de manter o controle que ele pregava ao grupo no acampamento, sobe como se sua vida dependesse daquilo. Renato, exausto, tenta acompanhá-lo, mas seus dedos tremem devido ao ácido lático acumulado nos músculos. Eles alcançam o topo ao mesmo tempo. A trave de equilíbrio oscila freneticamente, balançando com a brisa do oceano. Hugo pisa na madeira com firmeza, seus olhos fixos na bandeira que tremula na ponta. Ele avança em passos curtos, ignorando o balanço, enquanto Renato hesita por um breve segundo o erro que lhe custaria tudo. Hugo, em um esforço final de pura vontade, inclina-se para a frente, estende o braço e arranca a bandeira do suporte com um puxão firme. Ao retomar o equilíbrio, ele não espera; ele executa um salto perfeito, mergulhando de cabeça nas águas profundas logo abaixo. Renato, desolado, ainda tenta alcançar a sua, mas a diferença já é insuperável. Hugo nada com a última reserva de energia que resta em seu corpo, a bandeira presa firmemente na mão esquerda. Ao tocar a areia da praia, ele não espera nem se levantar completamente, ele rasteja os últimos centímetros e crava a bandeira na sua estação, soltando um grito rouco de alívio e triunfo. "Imunidade para Hugo!" Glenda declara, o tom de voz cortando a exaustão absoluta do campo de provas. Renato surge na água logo atrás, observando a cena com uma mistura de frustração e derrota. Carolina e Lídia, que ainda lutavam para completar a sua segunda volta, param no meio da trave, percebendo que a prova chegou ao fim. Hugo, deitado de bruços na areia, respira profundamente enquanto o colar de imunidade é trazido por um assistente de produção. Ele garantiu sua segurança, mas a questão sobre o ídolo de Renato e as consequências daquela revelação ainda estarão esperando por eles no Conselho Tribal.

A separação dos grupos deixa uma atmosfera de desconfiança densa na mata. Enquanto o Grupo Azul segue para o norte, o Grupo Vermelho, Hugo, Lídia, Carolina e Renato caminha em silêncio absoluto para o lado oposto da ilha. A tensão, que já era alta, torna-se quase física a cada passo. Assim que chegam ao abrigo, a fachada de civilidade cai. Antes mesmo que Renato pudesse se acomodar ou buscar água, Hugo e Lídia o cercam. "O jogo mudou, Renato" Hugo dispara, a voz baixa, mas carregada de autoridade. "A gente precisa conversar sobre esse seu ídolo. Você manteve um segredo que alterou completamente a dinâmica desse grupo. Precisamos saber onde você está com a cabeça antes de irmos para aquele Conselho." Renato mantém a expressão neutra, mas seus olhos denunciam o cálculo constante. Em depoimento confessional, Renato revela: "Eu sinto o alvo nas minhas costas. Desde que a Flora abriu a boca ontem à noite, a minha relação com o Hugo e a Lídia não é mais a mesma. Eles estão me olhando não como um aliado, mas como uma ameaça que precisa ser neutralizada. Eu estou pensando seriamente em usar o meu ídolo neste conselho. É a minha única garantia. Se eu não usar, corro o risco real de ser a vítima dessa informação. Eles podem achar que me controlar é fácil, mas eu não vou ser o próximo a sair daqui de mãos abanando." Enquanto Renato se isola sob o pretexto de buscar lenha, Carolina chama Lídia para um canto afastado, longe dos ouvidos de Hugo. Em depoimento confessional, Carolina comenta: "A situação ficou caótica. O Renato ter escondido o ídolo foi uma facada nas costas de todo mundo. Eu e a Lídia, a gente precisa estar muito alinhadas agora. Se o Renato usar o ídolo, tudo muda. Se ele não usar, a gente precisa decidir se ele é o nosso voto ou se vamos atrás de uma estratégia mais arriscada. Eu espero que a gente consiga manter o foco e ficar juntas na hora de votar. O que vai acontecer nesse Conselho? Eu não faço ideia, mas hoje a sobrevivência depende de cada movimento." O acampamento vermelho, que antes era uma aliança sólida, agora se tornou um campo minado onde cada frase é um teste e cada olhar é uma suspeita. A pergunta que paira sobre eles não é apenas quem votará em quem, mas se o poder do ídolo de Renato será, de fato, jogado na mesa para implodir o que restou de confiança entre os quatro.

No lado norte da ilha, a dinâmica do Grupo Azul é marcada por um deboche ácido que tenta esconder o desespero de quem está na mira. Flora, ainda frustrada pela derrota na prova, não perde a chance de espetar Benedito, que ostenta o colar de imunidade com uma frieza calculada. "Impressionante, não é, Yago?" Flora diz, sentada sobre um tronco e limpando a areia das pernas com um gesto lento. "O "grande estrategista" Benedito e seu braço direito não faziam a menor ideia de que o Renato tinha um ídolo. Se ele tivesse escondido isso da gente, talvez a gente até entendesse, mas esconder dos próprios aliados?" Clarisse, sentada logo ao lado, solta uma risada curta e sem brilho, aproveitando o gancho: "É, o grupo deles é uma piada. Mas pelo menos eles têm a lealdade de fachada. Aqui, a gente nem sabe se vocês conseguem enxergar um palmo à frente do nariz." Benedito, que estava calmamente afiando uma estaca de madeira, levanta o olhar. Ele não demonstra irritação, apenas uma calma desdenhosa que parece irritar ainda mais as duas. "Vocês podem gastar todo o fôlego que quiserem rindo do grupo alheio" diz Benedito, sem mudar o tom de voz. "Mas, no lugar de vocês, eu estaria bem mais preocupada com o que vai acontecer daqui a pouco. Eu estou imune. O Yago está comigo. Vocês duas estão vulneráveis e, por mais que tentem criar confusão, a aritmética não favorece vocês. Se preocupem com o conselho, não com o Renato." em depoimento confessional, Flora comenta: "O Benedito pode posar de imune e intocável, mas ele sabe que a casa caiu. O grupo deles está em frangalhos depois daquela revelação. Eu sei exatamente o que estou fazendo. O meu plano para hoje é fechar o cerco. Vai dar empate. Não tem como fugir disso. Eles vão ser obrigados a votar de novo, a gente vai bater o pé, e no final, se o jogo exigir, eles que tirem na sorte para ver quem sai. Eu quero ver a cara do Benedito tendo que lidar com o caos que ele diz que a gente está criando." Já no depoimento confessional de Clarisse: "Eu confesso que estou preocupada. Muito preocupada. Ver a Sônia sair daquela forma me deixou em alerta total. O Benedito é obstinado, e o Yago... Bem, o Yago faz tudo o que o Benedito manda. Eu preciso de uma brecha. Espero, do fundo do meu coração, que exista alguma possibilidade real de o Benedito começar a ver o Yago como um empecilho, ou que a gente consiga colocar uma dúvida na cabeça deles. Se eu não conseguir virar esse voto, o meu jogo acaba hoje. E eu não vim até aqui para ser a próxima a apagar a tocha." O sol começa a se pôr, tingindo o céu de laranja e roxo. Enquanto o grupo se prepara para o Conselho Tribal, a tensão é palpável. Flora e Clarisse buscam desesperadamente uma falha na unidade de Benedito e Yago, enquanto a dupla majoritária mantém a guarda alta, ciente de que o menor deslize pode significar o fim da sua supremacia.


LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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