O Grupo Vermelho retorna ao acampamento em silêncio, a exaustão física do desafio de imunidade sendo rapidamente suplantada pelo peso da eliminação de Carolina. Ao chegarem na área comum, encontram Benedito, Clarisse e Flora já acomodados. O contraste entre os dois grupos é cortante: Enquanto o trio vermelho traz o semblante de quem acabou de sofrer uma perda, Benedito mantém uma neutralidade absoluta, enquanto Flora e Clarisse ostentam uma aura de vitória após a turbulência do dia anterior. Hugo, ainda processando a saída de sua aliada, não perde tempo em confrontar aquele que, secretamente, é o pilar de sua aliança. Ele caminha diretamente até Benedito, ignorando a presença das outras duas. "Benedito, a gente viu o Yago subir para o júri" Hugo diz, a voz baixa, mas carregada de uma urgência contida. "Explica isso. Como o Yago foi eliminado? A gente contava com ele." Benedito levanta-se devagar, mantendo o olhar firme. Ele olha para Hugo, depois para Renato e Lídia, avaliando o choque estampado nos rostos dos três. Ele sabe que eles perderam Carolina, e que a perda de Yago desequilibra ainda mais o plano que eles quatro arquitetaram. "Foi um cenário caótico" responde Benedito, com a voz gélida. "Houve um empate na votação. As regras nos obrigaram a definir a permanência através do desafio de fogo. Yago foi mais lento que a Flora. Não houve margem para manobra." Lídia recua um passo, visivelmente atordoada. "Fogo? Em um desempate? O Yago era nossa peça fundamental para o que vem a seguir, Benedito. Isso muda tudo." Renato, cruzando os braços, solta um suspiro de descrença. "Perdemos a Carolina no nosso conselho e agora você me diz que perdemos o Yago no de vocês? A gente está sendo dizimado um por um." Nesse instante, Flora e Clarisse, que observavam a cena de canto, começam a caminhar em direção aos quatro. Elas notam a desolação do trio vermelho e a tensão entre eles e Benedito, mas para as duas aliadas do Grupo Azul, a eliminação de Yago foi uma bênção que elas celebraram em silêncio. Ao passarem pelo grupo, Flora para e lança um olhar de puro escárnio para Hugo e Lídia. "Que cena patética" Flora diz, com um sorriso venenoso que não chega aos olhos. "Vocês estão todos aí, com essas caras de quem perderam o chão. Estão chocados porque o jogo não seguiu o roteiro que vocês desenharam no papel?" Clarisse, ao lado dela, solta uma risada debochada, revirando os olhos para a tristeza dos três vermelhos. "É quase comovente ver como vocês se apegam uns aos outros" Clarisse provoca, olhando para Renato. "Fiquem aí chorando a eliminação do Yago. Enquanto vocês perdem tempo lamentando, a gente só observa o grupo de vocês definhando. O luto de vocês é a nossa melhor forma de entretenimento." As duas seguem em frente, deixando Benedito e o trio vermelho em um silêncio tenso.
Assim que o deboche de Flora e Clarisse se perde na mata, o silêncio que se instala entre o quarteto é pesado, mas pragmático. Eles se afastam um pouco mais do abrigo central, buscando a privacidade necessária para alinhar os cacos de sua estratégia. Benedito mantém a postura fria, a voz quase inaudível para quem estiver longe. "Elas acham que ganharam porque viram dois de nós caírem" começa Benedito, os olhos analisando o perímetro. "Mas elas esqueceram a aritmética. Nós ainda somos quatro. Se mantivermos nosso bloco unido, o voto não muda. Mesmo que uma delas ganhe a imunidade, a outra está exposta. Clarisse ou Flora, não importa qual, uma delas sai no próximo Conselho." Hugo assente, a determinação substituindo o choque inicial. Ele olha para Renato, lembrando-se da vantagem que o rapaz ainda guarda. "O Benedito tem razão. Temos os números" diz Hugo, baixando o tom. "Mas e você, Renato? O jogo virou. Aquele ídolo de imunidade ainda está com você? Se ele for usado, precisamos garantir que o voto do grupo seja certeiro." Renato, mantendo o semblante fechado, toca o bolso onde guarda o objeto que dita o ritmo do jogo. "Ele não vai ser guardado por muito mais tempo" responde Renato, seco. "O ídolo só tem validade até o próximo Conselho Tribal. Não tem como eu levar ele para a final como um trunfo secreto. De uma maneira ou de outra, ele vai ser jogado na mesa. O que importa é que, quando eu usá-lo, o nosso alvo caia." Em depoimento confessional, Lídia diz: "Estou em uma encruzilhada mental. É muito confortável ficar onde estou agora, colada no Benedito e fazendo parte desse bloco de quatro pessoas que parece inabalável. Me dá uma sensação de segurança. Mas... Eu não sou ingênua. Eu vejo a forma como o Benedito joga. Ele é calculista, ele é forte. Se eu chegar na final com ele ou com o que restou da aliança dele, eu perco. Sinto que chegou o momento de começar a pensar na minha própria sobrevivência. O Yago já foi, a Carolina já foi... talvez seja a hora de colocar um alvo nas costas do Benedito. Ele é a maior ameaça que eu tenho aqui, e se eu não agir logo, eu só vou estar ajudando a ele a construir o próprio pódio." O quarteto troca olhares rápidos. A aliança persiste, mas a semente da dúvida já foi plantada na mente de Lídia, e o segredo do ídolo de Renato promete tornar o próximo Conselho Tribal o mais volátil de toda a temporada.
Flora e Clarisse aproveitam um momento de trégua. Elas estão sentadas na borda, relaxadas como não conseguiam estar há semanas, rindo alto de uma piada interna sobre o desespero do grupo rival. "Sinceramente, Clarisse" Flora comenta, enxugando uma lágrima de tanto rir "se alguém me dissesse lá no início, quando a gente quase saiu no tapa nos primeiros dias, que nós terminaríamos como aliadas número um, eu teria mandado a pessoa internar. É surreal." Clarisse balança a cabeça, soltando uma risada genuína enquanto ajeita o cabelo. "Pois é! De inimigas mortais para as únicas sobreviventes que sobram para contar história. O jogo dá voltas que a gente nem imagina, Flora. É um babado atrás do outro, eu não estava preparada para essa reviravolta." Flora abre um sorriso astuto, embora seu olhar permaneça focado na mata ao redor, sempre em alerta. "O jogo é babado mesmo, mas ainda está longe de acabar. Temos quatro contra nós naquele bloco de lá. Precisamos ser cirúrgicas agora, qualquer movimento em falso e o nosso fogo apaga. Precisamos encontrar uma maneira de sobreviver a esse próximo conselho a todo custo." Nesse exato momento, Lídia aparece por entre as árvores. Ela caminha lentamente, com as mãos cruzadas atrás das costas, mantendo uma expressão neutra que contrasta com a leveza da conversa das duas. Ao se aproximar do poço, ela para a alguns metros, certificando-se de que não há mais ninguém por perto. Flora e Clarisse trocam um olhar rápido, o riso morrendo instantaneamente nos lábios. "O que você quer, Lídia?" Clarisse pergunta, o tom cortante e desconfiado. Lídia dá um passo à frente, mantendo a voz baixa, quase um sussurro que corta o som da água. "Eu sei exatamente como fazer para nós três sobrevivermos ao próximo Conselho Tribal. Mas o plano exige sacrifício." As duas aliadas se entreolham, intrigadas. Lídia mantém o contato visual fixo em Flora, ignorando momentaneamente a presença de Clarisse. "Para isso funcionar, Flora" Lídia continua, com uma seriedade gélida "você vai precisar garantir que a Clarisse vença a próxima prova de imunidade. Se ela estiver imune, as peças que eu preciso mover vão encaixar." Flora arqueia uma sobrancelha, o choque visível por trás de sua fachada inabalável. Clarisse, por sua vez, estreita os olhos, tentando decifrar se aquilo é uma proposta de salvação ou a armadilha mais perigosa que já viu no jogo.
O sol da manhã ainda está baixo quando Lídia chama Renato para uma caminhada pela trilha que contorna a costa da ilha. O som das ondas é o único companheiro enquanto se afastam o suficiente do acampamento para não serem ouvidos. Lídia caminha com passos firmes, olhando para o horizonte antes de quebrar o silêncio. "Renato, precisamos ser objetivos. A estratégia que desenhamos com o Benedito depende de estarmos prontos para o próximo passo. Você está realmente preparado para a eliminação da Flora no próximo conselho?" Renato para de andar bruscamente. O semblante, que antes era de uma apatia calculada, desmorona em uma expressão de dor genuína. Ele encara o chão, seus ombros baixando visivelmente. "Eu não queria que isso acontecesse" ele confessa, a voz embargada. "A Flora... Ela é a única que tem sido real aqui dentro. Eliminar a Flora é como cortar uma parte do que ainda me resta de sanidade neste lugar." em depoimento confessional, Renato está sentado em um tronco, as mãos no rosto. Ele começa a soluçar e respira fundo, tentando controlar as lágrimas enquanto fala para a câmera. "É um carinho absurdo, cara... Eu não sei nem explicar. Todo mundo aqui joga, todo mundo manipula, mas o que eu sinto pela Flora é diferente. Eu tenho mais consideração por ela do que tenho pelo Benedito ou pelo Hugo, que são meus aliados de jogo. É um paradoxo. O jogo te coloca contra a parede e te obriga a fazer coisas que você não quer, te obriga a tirar quem você gosta. Se eu tiver que votar nela... Vai ser a coisa mais difícil que eu já fiz nessa ilha. Eu odeio esse jogo por isso." Enquanto isso, no acampamento principal, o clima é de uma melancolia pesada. Hugo está sentado próximo aos restos da fogueira, olhando fixamente para o nada, com as mãos entrelaçadas. Ele ainda não consegue digerir a perda de Yago, que era seu porto seguro e o confidente com quem dividia os planos mais obscuros da aliança. Benedito, percebendo o estado de fragilidade de Hugo, aproxima-se com uma postura que raramente mostra: a de um mentor preocupado. Ele senta-se ao lado de Hugo e coloca a mão no ombro do aliado, exercendo uma pressão firme. "Eu sei o que ele significava para você, Hugo" Benedito diz, a voz mais baixa e humana do que o habitual. "O Yago era a nossa fundação. Mas ele não teria ido embora em vão. Se a gente vacilar agora, se você deixar esse luto te paralisar, o sacrifício dele perde o sentido. O jogo é cruel, e eles contam com a sua fraqueza." Hugo suspira, uma respiração trêmula, enquanto limpa os olhos rapidamente com as costas da mão. "Eu só não sei se consigo continuar jogando como se nada tivesse acontecido, Benedito. Parece que a qualquer momento vai ser um de nós dois saindo por aquela trilha." Benedito mantém o olhar fixo no fogo apagado, sua expressão endurecendo novamente. "Então que seja um deles. Vamos garantir que, no próximo conselho, a dor que você está sentindo agora seja a dor que eles vão carregar quando virem o jogo deles desmoronar. Concentre-se no alvo. A Flora é o nosso caminho."
Os seis sobreviventes, Benedito, Clarisse, Flora, Hugo, Lídia e Renato caminham pelo campo de provas, o solo batido sob seus pés marcando o início de mais uma batalha. A estrutura vertical, a tal "árvore de pinball", ergue-se imponente sob o sol escaldante, com seus pinos metálicos e rampas de madeira prometendo trajetórias caóticas para qualquer objeto que as toque. Glenda aguarda com uma expressão severa, o vento soprando levemente em seu rosto. "Sobreviventes, hoje a imunidade volta a estar em jogo" ela anuncia, com a voz autoritária ecoando pela clareira. "Mas antes de prosseguirmos, preciso que os atuais detentores entreguem seus colares. Hugo, Benedito, por favor." Os dois rapazes se aproximam, desfazendo os nós dos colares e depositando-os sobre uma mesa de apoio ao lado da apresentadora. O peso da ausência dos colares sobre seus peitos parece realçar a vulnerabilidade de ambos. "A partir de agora, este jogo é estritamente individual" Glenda continua, observando cada um dos seis. "Quem vencer esta prova não apenas garante a imunidade, como já assegura sua vaga no Top 5 da temporada." Ela gesticula para a estrutura complexa à frente deles. "Como vocês podem ver, cada um está posicionado atrás de uma linha de arremesso. À frente, a cerca de três metros, temos uma "árvore de pinball" de madeira com vários níveis de pinos, rampas e cestas. O objetivo é simples, mas exige domínio absoluto: Vocês devem arremessar estas esferas de madeira contra a estrutura. A bolinha precisa quicar nos obstáculos, ser capturada em uma das cestas ou calhas posicionadas no topo ou nas laterais e, assim que a esfera estiver em repouso, vocês devem correr até ela, recuperá-la e trazê-la de volta à base." Glenda faz uma pausa estratégica, seus olhos estreitando-se levemente. "Não pensem que será fácil. Conforme o tempo passar, a dificuldade aumentará drasticamente. Vocês serão obrigados a lançar mais de uma bolinha ao mesmo tempo, criando a janela perfeita para arremessar e recuperar sem deixar que nenhuma toque o chão. Se uma bolinha cair, vocês perdem." Ela olha para o cronômetro em sua mão. "Vocês têm um minuto para se organizarem, estudarem a trajetória dos pinos e prepararem o mental. Quando eu disser "valendo", a disputa pelo Top 5 começa. O tempo de vocês começa agora."
O sinal de Glenda ecoa pela clareira e a prova tem início. Os seis competidores lançam suas esferas com precisão cirúrgica. Benedito mantém um ritmo constante, enquanto Lídia e Hugo, focados, alternam entre o arremesso e o pique para recuperar as esferas antes que a gravidade as vença. Flora e Clarisse, lado a lado, demonstram uma habilidade surpreendente, sincronizando os movimentos para que as bolinhas nunca fiquem paradas nas calhas por muito tempo. O tempo avança implacável. A marca de cinco minutos é atingida e Glenda aumenta a carga: agora, todos precisam gerenciar duas esferas simultaneamente. O campo de provas vira um caos de movimento. Benedito respira fundo, mantendo a calma sob pressão, enquanto Hugo quase comete um erro ao tentar recuperar uma esfera na base, salvando-a por milímetros. O som das bolinhas de madeira batendo nos pinos metálicos é o único ritmo que rege o comportamento dos seis. Sete minutos de prova. A fadiga começa a pesar nos braços e a respiração se torna curta. Clarisse e Flora continuam impecáveis, quase robóticas em sua execução, enquanto a tensão entre Lídia e o restante do grupo se traduz em uma concentração ainda mais letal. Renato, contudo, começa a demonstrar os primeiros sinais de instabilidade; ele hesita em um dos arremessos, seus olhos transparecendo o cansaço mental que a estratégia do ídolo e a sobrevivência no jogo lhe impuseram nas últimas horas. O oitavo minuto chega como uma sentença. A complexidade do desafio exige que todos mantenham as esferas em movimento constante, uma dança de idas e vindas entre a linha de arremesso e a "árvore de pinball". Renato tenta ajustar sua segunda esfera, mas seus dedos suados falham no controle. A bolinha quica desajeitadamente na borda da calha superior, perde a inércia e, em uma trajetória cruel, despenca direto para o solo. Um baque seco ressoa na clareira. O silêncio que se segue é absoluto. Renato para no lugar, os olhos fixos na esfera de madeira que repousa inofensiva na terra. Glenda caminha até a posição dele, a voz cortante e sem margem para apelos. "Renato, sua bolinha tocou o chão. Você está eliminado da prova." Renato baixa a cabeça, exausto, e sai da linha de arremesso, deixando os outros cinco competidores em uma batalha que agora se torna ainda mais claustrofóbica.
A prova continua, mantendo um ritmo constante onde cada competidor é responsável por apenas uma esfera de cada vez. O campo de provas está imerso em uma atmosfera de tensão contida, os seis participantes originais, agora cinco após a eliminação de Renato, concentram-se no movimento repetitivo e preciso de arremessar, esperar a esfera ser capturada e correr para recuperá-la antes de reiniciar o ciclo. Benedito, que até este ponto demonstrava uma técnica impecável, começa a exibir sinais de uma fadiga sutil. O esforço repetitivo de buscar a esfera e retornar à linha de arremesso, combinado com a necessidade de acertar a estrutura metálica com o ângulo exato, começa a cobrar seu preço. Ao seu lado, Clarisse e Flora mantêm um ritmo quase mecânico, enquanto Hugo e Lídia se esforçam para não perder a cadência. Benedito prepara-se para mais uma rodada. Ele posiciona os pés, ajusta a postura e solta a esfera com um movimento firme. No entanto, o arremesso sai com um pouco mais de força do que o planejado. A bolinha atinge o pino superior com um estalo seco, ricocheteia para fora da estrutura de madeira e, em uma trajetória incontrolável, descreve um arco errático pelo ar. Benedito tenta reagir, dando um passo rápido à frente, mas a física está contra ele. A esfera escapa de sua visão periférica por um milésimo de segundo e, antes que ele possa estender o braço para interceptá-la, ela atinge a terra com um impacto direto. O barulho da esfera batendo no solo ressoa por todo o campo de provas. O movimento cessa instantaneamente. Benedito congela na posição, olhando para a bolinha que rola calmamente para longe, e depois volta seu olhar para Glenda, que já se aproxima com a expressão impenetrável. "Benedito, sua bolinha tocou o chão" anuncia a apresentadora, sua voz ecoando sem piedade. "Você está eliminado da prova." Benedito solta um suspiro pesado, a frustração evidente em seu rosto enquanto ele se afasta. Ele lança um último olhar para Hugo e Lídia antes de se retirar da área de competição. Agora, restam apenas quatro.
Glenda caminha pela linha de arremesso, o cronômetro em punho. A tensão entre os quatro restantes, Clarisse, Flora, Hugo e Lídia, é palpável, mas o silêncio é logo interrompido pela voz firme da apresentadora. "Atenção, sobreviventes. A dificuldade vai subir um degrau. Vocês têm 30 segundos para adicionar a segunda bolinha na plataforma e começar a gerenciar o fluxo duplo. Se uma única esfera tocar o chão, a prova termina para você. Preparar... Valendo!" O ritmo muda drasticamente. O que antes era uma cadência de ida e volta tornou-se uma dança caótica e frenética. Os quatro competidores agora precisam arremessar a primeira bolinha, correr para recuperá-la e, simultaneamente, manter a segunda em jogo, calculando janelas de tempo que não permitem hesitação. Clarisse e Flora, mantendo a parceria silenciosa, utilizam as rampas laterais com uma eficiência assustadora, enquanto Hugo se desdobra para manter as esferas em movimento constante, suando frio a cada ricochete nos pinos metálicos. Lídia, no entanto, começa a demonstrar o peso da pressão. Ela se move entre a base e a "árvore de pinball" com passos mais curtos e hesitantes, claramente sobrecarregada pelo ritmo imposto pela segunda esfera. O momento crítico acontece quando uma de suas esferas quica em um pino lateral e perde a velocidade esperada, parando precariamente na borda de uma das calhas. Lídia entra em pânico e, ao tentar corrigir o arremesso da segunda bolinha para não perdê-la, acaba perdendo o controle daquela que estava parada na calha. A esfera desliza lentamente, desafiando a gravidade por um segundo, antes de despencar. O som do impacto da madeira contra o solo é o sinal final. Lídia para no meio do caminho, o braço ainda estendido, o rosto revelando a derrota imediata. "Lídia, uma bolinha no chão. Você está eliminada" decreta Glenda, sem hesitar. Lídia respira fundo, a frustração evidente, e caminha para fora do campo de provas enquanto os três finalistas restantes, Clarisse, Flora e Hugo, não diminuem o ritmo, cientes de que a vaga no Top 5 agora depende apenas de quem resistir ao caos por mais tempo.
O ritmo no campo de provas atingiu um nível de insanidade que desafia a coordenação motora humana. O que começou como uma simples dinâmica de arremesso transformou-se em uma orquestra de caos, com quatro esferas circulando simultaneamente entre as mãos dos competidores e o labirinto de pinos metálicos. Clarisse, Flora e Hugo, os três finalistas, movem-se pelo espaço de três metros como se estivessem em transe, arremessando, correndo, recuperando e relançando em ciclos que não permitem sequer um segundo de respiração. O suor escorre pelo rosto de Flora. Ela mantém um foco absoluto, mas a necessidade de gerenciar o fluxo de quatro esferas ao mesmo tempo começa a exaurir sua capacidade de decisão. Cada pino atingido emite um som agudo, e o campo de provas parece vibrar com a intensidade da disputa. Clarisse e Hugo parecem estar em um patamar de sincronia quase sobrenatural, mas Flora, na tentativa de acelerar seu ritmo para não ficar para trás, força um arremesso de sua quarta esfera. A bolinha, arremessada com excesso de força, atinge o topo da estrutura e ricocheteia de forma imprevista contra a borda de uma cesta, saindo pela tangente com uma trajetória descendente veloz. Flora faz um movimento desesperado, um bote felino para tentar salvar a esfera antes que ela toque o solo, mas seu calcanhar prende-se em uma saliência do solo. Ela perde o equilíbrio e, enquanto tenta se estabilizar, a esfera escapa de sua mão e atinge o chão com um som seco e definitivo. O cronômetro para no exato momento em que Glenda, com os olhos fixos na esfera que rola inofensiva pela terra, levanta a mão para sinalizar o fim da trajetória de Flora na prova. "Flora, bolinha no chão. Você está eliminada" a voz de Glenda corta o ar com a frieza de uma sentença. Flora fica paralisada por um momento, a respiração ofegante, olhando para a bolinha que a tirou da disputa. Ela se retira lentamente, deixando Clarisse e Hugo sozinhos na linha de arremesso. O duelo final pela imunidade e pela vaga garantida no Top 5 começou.
O duelo final entre Clarisse e Hugo se transforma em um teste de resistência física e mental. O som das esferas batendo na estrutura de madeira é incessante, um ritmo hipnótico que domina todo o campo de provas. Com quatro, e rapidamente cinco bolinhas em jogo, os dois competidores parecem robôs em movimento, circulando a estrutura com uma precisão cirúrgica. Hugo mantém a mandíbula travada, os músculos do braço tensionados pelo esforço repetitivo, enquanto Clarisse, embora exausta, mantém uma postura mais fluida, aproveitando o embalo de cada arremesso. Glenda, observando a exaustão dos dois finalistas, decide levar o desafio ao limite extremo da capacidade humana. "Atenção!" a voz da apresentadora ecoa sobre o barulho das madeiras. "Vamos elevar o nível final. Adicionem a sexta bolinha na plataforma agora! Vocês têm dez segundos para estabilizar o fluxo." O caos é instantâneo. A carga de seis esferas exige um tempo de reação que beira o impossível. Hugo, visivelmente sobrecarregado pela velocidade, tenta lançar a sexta esfera enquanto recupera a quinta. O esforço faz com que ele perca a cadência de seu ritmo respiratório. Sua mão hesita por uma fração de segundo na hora de capturar a bolinha que retorna de uma das calhas laterais. Ela escorrega por seus dedos e, antes que ele possa realizar qualquer manobra de recuperação, toca o solo com um som seco que interrompe toda a dinâmica da prova. Hugo para imediatamente, o peito subindo e descendo descompassadamente, enquanto observa a esfera rolar para longe. "Hugo, bolinha no chão!" declara Glenda, encerrando o desafio. "A prova acabou." Clarisse respira fundo, soltando a última bolinha que tinha em mãos e permitindo-se um sorriso de alívio puro enquanto olha para a estrutura. Ela se aproxima do centro, ainda processando a vitória. Glenda caminha até ela, ostentando o colar de imunidade com orgulho. "Clarisse, sua precisão e foco sob pressão absoluta garantiram sua sobrevivência. Você é a vencedora da prova de imunidade e, com isso, está oficialmente garantida no Top 5 desta temporada." A apresentadora coloca o colar sobre os ombros de Clarisse, que o segura firmemente, sentindo o peso da segurança que ele traz. "Sobreviventes... O esforço de hoje está encerrado" Glenda anuncia, voltando-se para o grupo. "Retornem ao acampamento. O caminho para a final está cada vez mais estreito."
Ao chegarem ao acampamento, o clima é de uma euforia contida, mesclada com a exaustão física da prova. Clarisse mal consegue conter o sorriso, passando a mão pelo colar de imunidade que ainda brilha em seu peito. "Eu ainda estou tentando processar" Clarisse comenta com Flora, enquanto caminham em direção à área coberta. "Aquela sexta bolinha parecia impossível. Eu só foquei no som das madeiras e tentei não pensar em mais nada." Flora abre um sorriso sincero e a abraça brevemente, um gesto raro de camaradagem naquela fase do jogo. "Foi merecido, Clarisse. Você foi implacável ali. Mas agora que a poeira baixou... Você já parou para pensar no plano da Lídia? Ela ficou bem calada depois da eliminação dela." Clarisse para de caminhar, o sorriso diminuindo enquanto olha ao redor, certificando-se de que não estão sendo ouvidas. "É justamente isso que me preocupa. O quanto você realmente confia nela, Flora?" Flora suspira, sentando-se em um tronco próximo e encarando o fogo, que começa a ser reacendido. "Sendo muito honesta? Neste momento, eu não tenho o luxo de escolher. Eu preciso confiar a minha vida nela, porque se eu não fizer isso, sou eu quem sai pela trilha no próximo conselho. É uma sobrevivência desesperada, e eu espero que ela saiba que, se ela me vender agora, ela perde o único voto que ainda é fiel a ela aqui dentro." Enquanto isso, a poucos metros dali, o ambiente é bem mais sombrio. Hugo caminha com a cabeça baixa, os ombros curvados, remoendo a derrota que lhe custou a garantia do Top 5. Ele se senta na beira da estrutura de dormir, as mãos entre os joelhos. Benedito se aproxima, mantendo o tom de voz baixo e firme, agindo como o estrategista que não permite que seus peões se percam em dúvidas. "Levanta a cabeça, Hugo. Perder uma prova não é perder o jogo. A imunidade da Clarisse muda o cenário, mas não muda o nosso destino." Hugo olha para Benedito, ainda visivelmente abalado. "Eu estava com ela, Benedito. Aquele colar era meu. Se eu sair, o que a gente construiu até aqui acaba." Benedito coloca a mão no ombro de Hugo, apertando com força, um gesto que tenta transmitir uma segurança quase absoluta. "Escuta o que eu estou dizendo: Não existe a menor chance de você ser eliminado no próximo conselho. A gente não trabalha mais com o "talvez". A gente vai tirar a Flora de uma vez por todas. O foco agora é esse. Deixa que a ansiedade tome conta dela, enquanto a gente garante que o nome escrito no papel seja o único que importa."
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