Com o acampamento parecendo uma panela de pressão prestes a explodir, Benedito decide que é hora de usar sua experiência e jogo de cintura para quebrar o gelo. Ele entra na cabana em silêncio e, minutos depois, reaparece na clareira arrancando olhares de choque de todo mundo, ele surge desfilando na areia vestindo um dos biquínis asa-delta de neoprene de Lidia. Parando bem no meio do acampamento, fazendo pose de modelo e desfilando com as mãos na cintura, ele questiona em voz alta para quem quiser ouvir: "Gente, o figurino está aprovado? Vocês acham que eu devo ir assim para o Conselho Tribal hoje à noite ou a Glenda vai achar que estou desrespeitando as regras da elegância da ilha?" A imagem dele com as tiras do biquíni esticadas no limite é tão absurda que o acampamento desaba. Yago, Xavier e Andrei caem na risada instantaneamente. Clarisse, que estava limpando suas unhas perto do abrigo, solta uma gargalhada alta e provoca o aliado de imediato: "Olha, Benedito, se você for assim, a única coisa que você vai ganhar da Glenda é uma imunidade por coragem! Pelo menos o colar combina com a cor da estampa!" Nem todo mundo, porém, entra no clima de descontração. Isolada perto das pedras, Rayane apenas revira os olhos e balança a cabeça negativamente, achando a cena uma tremenda palhaçada para quem está na mira do voto. "Olha, para mim já deu. Sinceramente, eu não acho a menor graça nessas palhaçadas. O programa virou um circo completo. Uma hora as pessoas estão se estapeando por causa de arroz, na outra tem homem de cinquenta anos desfilando de biquíni de mulher para tentar fazer média com o acampamento. Isso aqui é um jogo de sobrevivência valendo um prêmio milionário, não é um show de comédia de quinta categoria." Alheio às críticas, Benedito continua com a performance no acampamento, fazendo um giro e arrancando mais risadas. Hugo, limpando as lágrimas dos olhos de tanto rir, resolve entrar na onda e elogia o veterano em tom de brincadeira: "Rapaz, vou te falar uma verdade aqui... Para a sua idade, Benedito, você ainda está com o corpo muito em dia! Essa lycra aí valorizou bastante a silhueta, viu?" Ouvindo a conversa enquanto ajeitava suas coisas na cabana, Lidia coloca a cabeça para fora e não perde a oportunidade de dar um empurrãozinho na piada, jogando lenha na fogueira com muito bom humor: "Olha aí, Hugo! Se você gostou tanto, você já pode levar tudo isso embrulhado para casa de presente! Aproveita que o Benedito está solteiríssimo na pista e procurando jogo aqui e fora da ilha!" O acampamento explode em risadas novamente. Hugo fica vermelho, dá um sorriso largo e devolve a brincadeira na hora, apontando para o próprio peito: "Opa, Lidia, calma aí! Desse jeito eu fico até tímido! O Benedito é um partidão, mas acho que a minha mochila não aguenta o peso de levar um modelo desses de volta no barco!" Por alguns minutos, o fantasma do Conselho Tribal e as divisões profundas de voto são esquecidos na areia, substituídos por uma leveza rara e muito necessária antes que a noite caia e as estratégias voltem a cobrar o seu preço de sangue.
A câmera corta para Lidia, que aparece no confessionário rindo abertamente, com uma expressão descontraída que raramente mostrava quando estava focada nas estratégias. "Gente, o Benedito de biquíni foi demais para mim. Mas o pessoal não sabe da missa a metade. Eu fiquei sabendo pelos bastidores que ele posou nu quando era bem mais jovem, lá nos anos 90! Eu juro para vocês, a primeira coisa que eu vou fazer assim que eu botar os pés fora desse programa e recuperar o meu celular é ir atrás dessa revista na internet. Porque vou te falar, viu? Olhando para ele hoje, ele ainda dá um caldo danado! Imagina na época!" Na sequência, Hugo assume o tronco do confessionário. Ele mantém o semblante leve e o tom de voz bem seguro de si ao comentar a repercussão da brincadeira com o veterano. "Eu achei a cena engraçadíssima e brinquei mesmo. Eu não tenho esse negócio de sexualidade frágil, sabe? Sou super de boa com isso. Não fico nem um pouco preocupado sobre como as pessoas vão reagir ou o que vão repercutir lá fora sobre a minha brincadeira com o Benedito. O clima aqui estava pesado demais, quase saindo faísca entre as meninas, e a gente precisava rir de alguma coisa. Foi saudável." Flora aparece na tela logo depois, cobrindo o rosto com as mãos e soltando uma risada tímida, mas bem-humorada, ainda tentando processar o desfile de biquíni na areia. "Olha... (risos) Coisas foram vistas naquele acampamento hoje que simplesmente não podem ser desvistas. Eu nunca imaginei que ia virar o dia encarando o Benedito com um biquíni asa-delta da Lidia enfiado daquele jeito. Foi um choque visual para o qual o meu psicológico não estava preparado de forma alguma!" Para fechar o bloco, o próprio arquiteto da diversão, Benedito, aparece no confessionário. Ele dá um sorriso largo, orgulhoso do impacto que causou na convivência do grupo. "Melhorar o clima entre as pessoas e arrancar um sorriso delas é o que eu faço da minha vida desde sempre. Está no meu sangue. Desde a época em que eu era mais jovem e trabalhava como gogoboy na noite, até agora que eu trabalho com a magia do circo, eu sei exatamente o que precisa ser feito para aliviar a tensão do ambiente e desarmar as pessoas quando os ânimos estão exaltados. Eu olhei para aquela praia e vi que o pessoal ia acabar se engolindo vivo se ninguém fizesse nada. Peguei o biquíni e fui. E quer saber? Eu acho que concluí essa tarefa com absoluto sucesso hoje!"
O clima de leveza trazido pela brincadeira de Benedito se dissipa no instante em que o sol começa a baixar no horizonte. Com o Conselho Tribal se aproximando, a paranoia volta a tomar conta da praia. Flora, decidida a testar a lealdade dos rapazes antes de fechar qualquer voto, chama Gregório para um canto mais reservado, perto das árvores que cercam o estoque de lenha. Ela vai direto ao ponto, mantendo a voz baixa: "Gregório, vamos falar de jogo limpo aqui. O nosso grupo e o seu grupo ainda estão aliados para eliminar alguém do trio da Clarisse hoje à noite? A nossa parceria continua de pé?" "Com certeza, Flora. Sem dúvida nenhuma" responde Gregório de imediato, sem hesitar. "O nosso foco hoje é desmantelar o lado de lá. A Clarisse está imune, mas a Sônia e a Carolina estão totalmente vulneráveis. O plano não mudou." Flora cruza os braços, estuda a expressão dele e balança a cabeça, mostrando que precisa de algo mais concreto: "Pois é, mas eu preciso de uma garantia real disso. Sendo bem sincera com você, os homens do meu grupo estão muito balançados. O Andrei e o Renato estão querendo votar em alguém do seu grupo hoje por puro medo de vocês atacarem a gente primeiro assim que o jogo afunilar. Eles estão assustados." Gregório dá um passo à frente, olha fixamente nos olhos de Flora e tenta passar o máximo de segurança possível, gesticulando com as mãos: "Flora, escuta o que eu estou te dizendo, eu prometo pelo que você quiser, pela minha família, pelo o que for mais sagrado, que isso não vai acontecer. Nós não vamos atacar vocês. A nossa palavra está mantida. O alvo hoje é o grupo da Clarisse e ponto final. Pode confiar em mim." O que nenhum dos dois percebe é que, atrás de uma folhagem densa a poucos metros dali, Lidia estava agachada, fingindo procurar seus pertences, mas com o ouvido colado na conversa. Assim que capta a promessa de Gregório e a entrega de Flora sobre o medo de Renato e Andrei, a arquiteta do jogo não perde tempo. Ela se esgueira pela mata e corre na direção oposta do acampamento, onde Andrei e Renato limpavam suas ferramentas. Lidia chega um pouco esbaforida e solta a bomba em tom de sussurro: "Meninos, nós temos um problema sério de vazamento aqui dentro. Acabei de pegar a Flora conversando escondida com o Gregório. Ela abriu o jogo para ele. Disse textualmente que vocês dois estão com medo e que estavam planejando votar no grupo dele hoje à noite para se defender. Ela entregou a nossa estratégia de bandeja!" Andrei para o que está fazendo na hora, com os olhos arregalados de indignação e o rosto vermelho de raiva: "Cara, eu não estou acreditando nisso! Não é possível que a Flora foi conversar com o Gregório desse jeito, pelas nossas costas, entregando o nosso medo e estragando o plano! Que loucura é essa?" Renato, mantendo a frieza habitual, mas com o maxilar visivelmente travado pela quebra de confiança, joga a ferramenta no chão e responde com uma calma perigosa: "Deixa comigo, Andrei. Não adianta a gente surtar agora. Eu vou conversar com ela agora mesmo e descobrir que história é essa de ficar dando satisfação para o Gregório."
Renato se afasta com passos firmes para confrontar Flora perto da praia, deixando o restante do grupo no acampamento. Lidia, percebendo que a ausência de Renato cria o cenário perfeito para uma jogada de mestre, assume o controle da situação e se aproxima rapidamente de Andrei e Benedito. "Escutem aqui vocês dois, prestem muita atenção" sussurra Lidia, com os olhos bem abertos e o tom de voz carregado de urgência. "A gente precisa mudar o plano agora. Nós temos que eliminar o Gregório hoje à noite. Se a Flora se sentiu confortável o bastante a ponto de ir até lá e entregar a nossa estratégia na cara dele, é porque tem alguma coisa ali. Tem caroço nesse angu, e o Gregório está controlando os fios. Se a gente não cortar a cabeça do polvo agora, nós somos os próximos." Benedito, que ouvia tudo atentamente enquanto ajeitava suas coisas, balança a cabeça de forma positiva, convencido pelo argumento: "Olha, Lidia... Você tem razão. O Gregório joga muito forte e essa conversa da Flora me deixou com a pulga atrás da orelha. Por mim, a gente tira ele." "Exatamente" endossa Lidia, aproximando-se ainda mais deles. "Só que tem um detalhe, nós precisamos fazer isso em absoluto segredo. Se a gente juntar os votos de nós três com os votos da Clarisse, da Sônia e da Carolina, nós somamos seis votos. É o suficiente para eliminar o Gregório e virar o jogo completamente, sem que ninguém espere o golpe." Andrei, embora revoltado com Flora, franze a testa e questiona com desconfiança: "Espera aí, Lidia. Por que a gente não pode contar essa estratégia para o Renato? Ele está com a gente nessa aliança desde o começo, não faz sentido deixar ele de fora de um voto desse tamanho." Lidia estala a língua e responde sem hesitar, cortando a ingenuidade de Andrei: "Andrei, o Renato é muito próximo da Flora. Se a gente contar para ele, a primeira coisa que ele vai fazer é tentar entender o lado dela, e a Flora vai acabar descobrindo. Se ela descobrir, ela corre de volta para o Gregório para se salvar, ele joga o Ídolo de Imunidade se tiver, ou muda os votos, e destrói a gente. O Renato vai estragar tudo sem querer. Tem que ser só entre nós três e as meninas. Entendido?" Andrei engole em seco, mas assente, entendendo o risco matemático. Enquanto a conspiração nascia nas suas costas, Renato aparece no confessionário, revelando uma camada estratégica profunda e um segredo que ninguém no acampamento ainda suspeitava. "Eu sei que a Flora se expôs indo falar com o Gregório, e sei que o pessoal do meu grupo está em pânico e querendo a cabeça dela por causa disso. Mas eu preciso blindar a Flora de qualquer jeito aqui dentro. Ela é a minha maior aliada, a pessoa que eu mais confio. Eu vou segurar a barra dela e protegê-la o máximo que eu puder, pelo menos até a gente chegar na fase em que começam as eliminações do Júri... Porque é aí que o meu Ídolo de Imunidade Secreto se torna ativo no jogo. Eu achei essa vantagem e não contei para ninguém. Até lá, eu preciso manter a Flora viva para ela ser o meu escudo e o meu voto de confiança na reta final."
O sol finalmente se põe na linha do horizonte, pintando o céu da ilha com tons de roxo e laranja escuro. O acampamento é tomado por uma atmosfera pesada e silenciosa. Com os archotes já acesos e as mochilas prontas ao lado do abrigo, os treze sobreviventes sabem que restam apenas minutos antes da caminhada em direção ao Conselho Tribal. Pequenos sussurros e trocas de olhares rápidos acontecem por todos os cantos. Afastada de toda a movimentação, sentada na beira da água e observando o mar revolto, Rayane arruma seus pertences sem a menor pressa. Ela está completamente alheia às reuniões de última hora que fervem na clareira. Para ela, o cenário já está desenhado e não há motivo para gastar saliva. "Eu cansei de bater na mesma tecla. Não adianta eu ficar correndo atrás de Yago, de Xavier ou de qualquer homem dessa praia para tentar articular voto. Eles estão cientes do que a Carolina faz, mas ninguém tem coragem de se indispor e eliminar ela agora. Estão todos confortáveis com o circo montado. Se for para eu rodar hoje, vou de cabeça erguida, mas não vou ficar implorando por justiça para quem joga na covardia." Na trilha que leva às bananeiras, Flora aproveita os últimos minutos de privacidade para falar abertamente com Renato. O semblante da moça é de pura indignação após descobrir a movimentação pesada de Lidia no acampamento. "Renato, eu vou ser bem clara com você. Eu não gostei nem um pouco da postura da Lidia hoje" desabafa Flora, mantendo o tom de voz baixo, mas firme. "Ela foi falar pelas minhas costas para o Andrei, distorceu a minha conversa com o Gregório e tentou queimar o meu filme com o grupo por puro oportunismo estratégico. Ela é perigosa. Eu acho sinceramente que a Lidia precisa sair do nosso grupo o mais rápido possível, antes que ela crie um problema real e destrua a nossa aliança por dentro." Renato ajeita a mochila nos ombros, olha para os lados para garantir que ninguém está por perto e responde com sua habitual frieza calculista, acalmando a aliada: "Flora, respira. Eu sei exatamente o que a Lidia está fazendo e sei como ela joga. Não entra na pilha dela agora. O jogo está muito tenso hoje, mas você pode ter certeza de uma coisa: esse momento dela vai chegar. Na hora certa, a gente corta as asas dela. Agora, foca em manter a postura no Conselho." Com todas as peças posicionadas no tabuleiro, entre promessas de lealdade, traições secretas e planos de blindagem... É hora de encarar Glenda Kozlowski e o fogo do Conselho Tribal.
A noite cai de vez sobre a ilha, trazendo consigo o som pesado das ondas que quebram na praia e o estalar sinistro dos galhos na floresta escura. O ar úmido da mata é cortado pelo brilho alaranjado de treze tochas que avançam em fila indiana. O silêncio da caminhada é absoluto, quebrado apenas pelo barulho dos passos na terra batida e pela respiração tensa dos competidores. À frente, a clareira do Conselho Tribal surge iluminada por grandes piras de fogo, revelando uma estrutura rústica de madeira e pedras que exala a gravidade do momento. No centro de tudo, atrás de seu púlpito, Glenda Kozlowski aguarda o grupo com uma expressão séria e atenta. Os treze sobreviventes, Andrei, Benedito, Carolina, Clarisse, Flora, Gregório, Hugo, Lidia, Rayane, Renato, Sônia, Xavier e Yago aproximam-se da área principal, com os rostos esculpidos pelas sombras das chamas. "Boa noite, sobreviventes" saúda Glenda, com a voz firme que ecoa pelo ambiente. "Por favor, aproximem-se e posicionem as suas tochas nos suportes ao fundo." Eles avançam um a um, encaixando os pedaços de madeira pesada nas fendas de pedra. O estalar do fogo parece mais alto naquele canto. Glenda os observa e faz a tradicional advertência que faz o estômago de muitos revirar: "Como vocês já bem sabem, essas tochas representam as vidas de vocês neste jogo. Enquanto elas estiverem acesas, vocês estão vivos na competição. Mas, uma vez que a sua tocha for apagada... Significa que o seu jogo acabou para sempre." Com o aviso ecoando na mente, os participantes começam a se direcionar para a área dos bancos de madeira rústica. O arrastar dos pés na areia e o barulho dos troncos sendo ocupados preenchem o espaço. Clarisse, ostentando o ídolo de imunidade bem visível, senta-se com uma postura altiva ao lado de Sônia e Carolina. Do outro lado, Gregório, Hugo e Xavier trocam olhares rápidos antes de se acomodarem, enquanto o grupo de Benedito, Lidia e Renato se espalha pelo meio, cada um tentando encontrar a posição mais confortável física e psicologicamente para as próximas horas. Assim que o último competidor se aquieta e o silêncio volta a reinar na clareira, quebrado apenas pelo sussurro do vento nas copas das árvores, Glenda apoia as mãos no púlpito, olha bem no olho de cada um deles e dá o pontapé inicial: "Muito bem. Agora que todos estão devidamente acomodados... Eu quero saber de vocês, estão prontos para destrinchar este novo Conselho Tribal?" Na primeira fileira, Gregório e Hugo assentem com a cabeça de forma rígida e compenetrada. Perto dali, Benedito solta um "com certeza, Glenda" verbal, tentando manter a pose descontraída da tarde, enquanto Rayane e Carolina apenas sustentam o olhar da apresentadora com respostas secas e sussurradas. Ninguém ali é ingênuo, a tensão que entrou com eles naquela clareira está prestes a transbordar.
Glenda Kozlowski inclina-se ligeiramente para a frente, cruzando os dedos sobre o púlpito. O reflexo das labaredas dança em seus olhos enquanto ela estuda a fisionomia de cada um nos bancos de madeira. "De repente, olhando para este tabuleiro, vocês já são somente treze participantes nesta praia" começa a apresentadora, com o tom de voz pausado e cirúrgico. "Conforme o tempo passa e o jogo vai avançando de forma implacável, o afunilamento é inevitável. Em muito breve, vocês vão se tornar o Top 10 desta temporada. E quanto menos assentos nós temos aqui, mais a pressão aumenta. Eu quero saber de vocês: o quanto vocês se sentem ameaçados no momento atual do jogo?" Flora respira fundo, ajeita a postura no banco e pede a palavra. O semblante dela carrega uma mistura de mágoa e frustração que ela vinha acumulando desde a tarde. "Sendo bem sincera, Glenda... Eu me sinto muito mais ameaçada agora do que jamais me senti em qualquer outro dia nesta ilha" desabafa Flora, lançando um olhar rápido e cortante na direção onde Lidia está sentada. "É uma sensação horrível, ainda mais quando você começa a perceber que pessoas que estão próximas de você, que jogam do seu lado, podem estar se movimentando pelas suas costas e querendo queimar a sua imagem para o restante do acampamento só por conveniência tática..." Antes que Flora pudesse concluir o raciocínio e dar nomes aos bois, Rayane entra no meio da resposta, atravessando a voz em um tom ríspido que corta a calmaria do Conselho. "Eu sei exatamente como você se sente, Flora!" dispara Rayane, gesticulando com as mãos e virando o rosto na direção da rival. "É exatamente isso. Do nada, do absoluto nada, a Carolina resolveu tirar a máscara e mostrar a verdadeira face dela para todo mundo ver, me atacando de graça por causa de comida. Eu vou te falar, Glenda, eu estou assustada com o nível de falsidade que as pessoas atingem aqui dentro quando o calo aperta." Do outro lado do banco, Carolina solta uma risada alta, jogando a cabeça para trás em um deboche escancarado. Ela nega com a cabeça, olha para a apresentadora e rebate na hora, com a voz carregada de ironia: "Ah, por favor, né, Rayane? Me poupa do seu vitimismo! Dá risada, Glenda, porque é piada. Eu não sou e não vou deixar você me pintar como a vilã dessa história só porque eu exijo o mínimo de respeito com o coletivo. Você é que não aguenta ouvir as verdades na sua cara!" As duas começam a empertigar os corpos nos bancos, as vozes subindo de tom rapidamente e ameaçando transformar o Conselho em mais um barraco de acampamento. Percebendo a faísca mútua e a tensão subterrânea que corre entre os demais blocos, com Lidia mantendo o olhar fixo no chão e Renato observando tudo como um enxadrista, Glenda ergue a mão sutilmente, cortando o início do bate-boca. A apresentadora olha para o painel de sobreviventes, onde as divisões parecem mais expostas do que nunca sob a luz do fogo, e lança a pergunta que ecoa pesada na noite: "Diante de tudo isso que está vindo à tona... As alianças nesta praia são realmente frágeis como estão parecendo ser neste exato momento?"
O silêncio que se segue à pergunta de Glenda é quebrado por Gregório. Ele se inclina para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e assume a palavra com um tom de voz firme e acusatório: "Glenda, a paranoia neste jogo faz com que as alianças sempre fiquem um pouco frágeis, isso é fato. No final das contas, nós não possuímos absolutamente nada além das nossas próprias palavras para confiar uns nos outros aqui dentro. E o pior é que, mesmo assim, tem gente nesta praia cuja palavra não vale absolutamente nada... Igualzinha à da Clarisse." Clarisse imediatamente revira os olhos de forma teatral, soltando um suspiro audível de pura exaustão. Ela se encosta no banco de madeira, olha para a apresentadora e rebate com deboche escancarado: "Olha, Glenda, eu sinceramente não aguento mais essa situação, é o mesmo disco riscado todo santo Conselho. Daqui a pouco eu vou ter que pedir uma ordem de restrição contra o Gregório, porque a obsessão dele com o meu nome já passou dos limites do jogo!" No calor das réplicas, Sônia pede a palavra, trazendo de volta um tom mais frio e realista para a discussão: "A verdade é que toda e qualquer aliança nesse jogo é frágil, dependendo das palavras e do momento em que forem usadas. A gente não pode ser hipócrita aqui. No final do dia, todo mundo que está sentado nesses bancos quer ganhar o prêmio final. Ninguém aqui cruzou aquele mar e entrou no programa para fazer outra pessoa ser milionária. Cada um está olhando para o próprio pescoço." Hugo aproveita a deixa de Sônia imediatamente. Ele olha na direção do grupo médio, mirando discretamente em Andrei e Renato, e complementa com uma indireta pesada: "É exatamente por isso que a Sônia falou, Glenda, que os combinados devem ser seguidos e não quebrados. Se a gente não tiver o mínimo de caráter para cumprir o que é fechado olho no olho na praia, o jogo vira uma bagunça e ninguém mais se sustenta aqui dentro."
"Se o clima já está nesse nível de tensão antes mesmo da votação, a contagem dos votos vai ser histórica" pontua Glenda Kozlowski, ajustando sua postura no púlpito. "Chegou a hora de decidir. Sobreviventes, vocês estão preparados para dar mais um voto da temporada?" Uma onda de confirmações verbais e acenos rígidos de cabeça percorre os bancos de madeira. O momento da diplomacia e das discussões havia terminado de forma definitiva. "Muito bem. Clarisse, você está imune hoje e não pode ser votada, mas deve votar. Pode se dirigir à cabine de votação." Os treze participantes começam a se levantar um a um, deixando a clareira do Conselho em direção ao espaço reservado na mata, onde apenas a luz de um lampião ilumina o pergaminho e o carvão. Clarisse é a primeira a subir. Com um sorriso confiante, ela escreve o nome de Gregório com letras firmes. "Para você aprender a me respeitar", sussurra para a câmera. Yago vai em seguida e deposita seu voto de forma rápida e silenciosa. Xavier caminha com passos pesados e vota seguindo o alinhamento de seu grupo. Quando Flora entra na cabine, a tensão em seu rosto é evidente. Ela segura o carvão com força, respira fundo antes de escrever e desabafa olhando diretamente para a lente: "Eu estou votando hoje no Xavier, mesmo que a minha verdadeira vontade e o meu coração quisessem escrever o nome da Lidia aqui neste papel. Mas o jogo agora exige estratégia de grupo. Como me disseram hoje mais cedo... Em breve esse momento chegará." Lidia entra logo depois, com um semblante frio e calculista. Sem hesitar, ela escreve o nome de Gregório, consolidando o plano secreto que articulou pelas costas de Renato. Andrei e Benedito são os próximos. A câmera corta para a chegada de Gregório na cabine. Ele exibe o pergaminho para a lente com total convicção: "Estou seguindo o plano inicial do nosso bloco. O voto hoje é na Sônia para desmantelar o trio que se acha dono da praia." Hugo entra na sequência. Renato sobe os degraus de madeira com passos calmos. Sônia e Carolina também votam. A última a subir é Rayane. Ela exibe o pergaminho com o nome de Carolina escrito em letras garrafais, com uma expressão de total desilusão: "Eu sei que esse vai ser o único voto dela nessa noite. Ninguém aqui teve coragem de me ouvir. Mas eu preciso ser fiel ao que eu vivi e manter a minha dignidade nesta praia." Após o último competidor retornar ao seu banco, Glenda Kozlowski se retira temporariamente da clareira. O silêncio no Conselho é quebrado apenas pelo estalar das piras de fogo. Segundos depois, a apresentadora ressurge trazendo a urna de madeira pesada em suas mãos e a posiciona no púlpito. Ela olha para os treze sobreviventes e faz o anúncio crucial: "Se algum de vocês estiver de posse de um Ídolo de Imunidade Secreto ou de qualquer outra vantagem no jogo e quiser utilizá-la... Este é o momento exato para se levantar e me entregar. Depois que eu começar a ler as cédulas, nenhum poder poderá ser ativado." Os participantes se olham de relance. Renato mantém as mãos firmes sobre os joelhos, guardando seu segredo com maestria. Ninguém se mexe. O silêncio permanece intocado. "Muito bem" diz Glenda, abrindo o fecho de metal da urna. "Ninguém se manifestou. Uma vez que os votos forem lidos, a decisão do Conselho Tribal será soberana e o eliminado da noite deverá pegar sua mochila imediatamente. Eu vou começar a leitura dos votos."
Glenda Kozlowski enfia a mão na urna e retira o primeiro pergaminho, desdobrando-o sob a luz das chamas. O acampamento inteiro prende a respiração. "Vou começar a leitura dos votos." Ela vira o papel para os participantes: "Primeiro voto da noite é para... Sônia. Um voto Sônia." Glenda puxa a segunda cédula, abre com calma e exibe para o grupo: "Um voto para Sônia e um voto para Gregório. Tudo igual." Ela estica o braço, retira o terceiro pergaminho e lê de forma pausada: "Dois votos para Sônia." Hugo e Gregório trocam um olhar rápido de aprovação. Glenda abre o quarto voto: "Estamos empatados. São dois votos para Sônia e dois votos para Gregório." A apresentadora mexe na urna e retira o próximo papel, mudando a dinâmica da noite: "Um voto para Xavier." Xavier franze a testa na primeira fileira, surpreso ao ver seu nome surgir tão cedo. Glenda puxa o sexto voto: "Três votos para Gregório." O semblante de Gregório começa a enrijecer. Ele percebe que os votos estão subindo rápido demais. Glenda abre a sétima cédula: "Um voto para Xavier, um voto para Carolina, dois votos para Sônia e três votos para Gregório." Carolina dá um sorriso irônico e olha de soslaio para Rayane, que continua de braços cruzados, encarando o fogo. A contagem entra em sua reta final. Glenda retira o nono voto: "Dois votos para Xavier." Renato observa atentamente, fazendo as contas de cabeça e esperando que os próximos votos fechem no aliado de Gregório. No entanto, o próximo voto destrói suas projeções. Glenda abre o papel: "Estamos novamente empatados com três votos para Gregório e três votos para Sônia." A tensão na clareira se torna quase insuportável. O barulho do vento nas árvores parece sumir. Glenda retira o décimo primeiro voto: "Quatro votos para Gregório." Ela não perde tempo e abre o décimo segundo pergaminho imediatamente: "Empatados novamente, com quatro votos Gregório e quatro votos Sônia." "Cinco votos para Gregório." Resta apenas um voto na urna. O silêncio é absoluto. Gregório e Sônia fixam os olhos no púlpito. Glenda Kozlowski mergulha a mão pela última vez na urna de madeira, retira o papel final e o desdobra com solenidade. Ela olha para o nome escrito e depois fita o grupo: "Com seis votos... Quem deixa o programa hoje é você, Gregório." Um choque silencioso atinge metade do acampamento. Hugo arregala os olhos, sem entender de onde vieram os votos excedentes, enquanto Renato vira a cabeça rapidamente para Lidia e Andrei, percebendo a jogada feita pelas suas costas. Do outro lado, Clarisse solta um suspiro audível de alívio, e Sônia apenas assente com a cabeça. "Gregório" diz Glenda, com a voz firme. "Por favor, pegue as suas coisas e me traga a sua tocha."
Gregório se levanta do banco em um solavanco, o rosto vermelho de incredulidade. Ele joga as mãos para o alto, olhando indignado para o grupo de Benedito, Renato e Andrei, percebendo que a promessa feita na praia havia se esfarelado. "Não é possível!" esbraveja ele, com a voz ecoando forte pela clareira. "Não é possível que mais uma vez os homens foram enganados e passados para trás nesse programa! Vocês são um bando de frouxos! Guardem o que eu estou falando, todo mundo aqui vai se arrepender amargamente de ter dado asas para a cobra. Vocês acabaram de entregar o jogo de bandeja!" Enquanto ele solta os cachorros e caminha pisando fundo para pegar sua mochila, Clarisse não se aguenta. Ela se levanta no banco e começa a sambar discretamente, balançando os ombros e comemorando a queda do seu maior rival com um sorriso provocativo estampado no rosto. Gregório finge que não vê a comemoração, pega a sua pesada tocha de madeira e a posiciona na fenda em frente a Glenda. A apresentadora segura o abafador de metal e, com um movimento firme, apaga a chama, subindo uma fumaça cinzenta que se dissipa na escuridão. "Gregório, a tribo decidiu" diz Glenda com solenidade. Ele dá as costas sem se despedir de quase ninguém, apenas com um aceno rápido para Hugo e Xavier, e some pela trilha escura, seguindo o caminho dos eliminados. Glenda Kozlowski permanece em silêncio, observando a silhueta de Gregório desaparecer completamente na penumbra da mata. Quando os ânimos se acalmam, ela se vira para os doze sobreviventes, encarando a tensão estampada em cada rosto. "Sobreviventes" começa Glenda. "A noite de hoje deixa uma lição muito clara para quem quer chegar ao Top 10. Como a Sônia e o Hugo bem pontuaram, neste jogo a palavra é a única moeda que vocês têm, mas ela desvaloriza muito rápido." Ela olha fixamente para o painel de participantes antes de concluir: "Vocês escolheram quebrar um combinado e eliminar uma força grande no acampamento para mudar as peças do tabuleiro. Mas lembrem-se: a paranoia e o caos que vocês usam como estratégia hoje para se proteger, podem muito bem ser o motivo da eliminação de vocês amanhã. Durmam com isso na cabeça. Peguem suas tochas. Podem voltar para o acampamento."
A fila única de participantes caminha em silêncio pela trilha escura, as chamas das doze tochas restantes balançando contra o vento da noite enquanto eles iniciam o retorno ao acampamento. O silêncio na mata é total, mas a mente de cada um ali dentro está fervendo com a nova realidade do jogo. A imagem da clareira vai sumindo e dá lugar ao depoimento final de Gregório, gravado logo após cruzar o portal de eliminação. Ele aparece de mochila nas costas, ainda com o peito arfando de indignação, mas com o olhar de quem viveu a experiência ao limite. "Eu saio inconformado, de verdade. Ver que caí em uma armadilha dessas, com gente que não sustenta o que fala por mais de duas horas na praia, é revoltante. Mas, olhando para trás, participar disso aqui foi uma das coisas mais intensas que já fiz na vida. Passar fome, dormir na areia molhada, sentir a fumaça na cara todo santo dia e testar o limite do corpo e da mente nas provas... Não é para qualquer um. Eu saio de cabeça erguida. Fui homem do início ao fim, joguei limpo e não precisei passar por cima da minha palavra para tentar sobreviver. Pena que os covardes herdaram a praia hoje." Enquanto a voz de Gregório ecoa em tom de despedida, a tela se divide para a revelação oficial e detalhada de cada uma das cédulas depositadas na urna: Andrei votou em Gregório, Benedito votou em Gregório, Carolina votou em Gregório, Clarisse votou em Gregório, Flora votou em Xavier, Gregório votou em Sônia, Hugo votou em Sônia, Lidia votou em Gregório, Rayane votou em Carolina, Renato votou em Xavier, Sônia votou em Gregório, Xavier votou em Sônia e Yago votou em Sônia.
Conheça os participantes: Andrei Cruz, Ayla Demir, Benedito Santana, Carolina Figliuzzi, Christiane Andrade, Clarisse Haas, Daphne Coelho, Félix Gonçalves, Flora Jardim, Gregório Martins, Hugo Pires, Lidia Pacheco, Oscar Rossi, Rayane Lekker, Renato Zema, Sônia Vargas, Thales Keller, Xavier Ludwig, Yago Teixeira e Yuki Sato.
Continuem acompanhando o blog para não perder nenhuma entrevista nova e nem os nossos projetos com o "BBRAU". Lembrando que quem quiser continuar acompanhando mais nas redes sociais ou entrar em contato, basta procurar no Facebook, Instagram e no Twitter por @odiariodebrunaj, combinado?
.jpg)
%20(6).gif)
%20(5).gif)
.gif)
%20(10).gif)
.gif)
%20(4).gif)
Nenhum comentário:
Postar um comentário