domingo, 18 de janeiro de 2026

TTRA: 1x15 - The Traitors Realidade Alternativa - O Jogo do Desvio


A manhã nasce fria no castelo. O silêncio dos corredores é quebrado apenas pelo eco distante de passos hesitantes. A porta do salão do café da manhã se abre. Amélie entra primeiro. O olhar atento percorre a mesa longa, como se procurasse um sinal invisível de ausência. Ela respira fundo antes de se aproximar da cadeira. Logo atrás, Matheus surge com expressão controlada, quase serena demais para aquele momento. Ele observa discretamente os lugares vazios, como se estivesse fazendo um cálculo silencioso. Icaro é o terceiro a entrar. Ele para por um segundo na porta, avaliando quem já está presente. Quando percebe que são apenas três, seu semblante endurece levemente. O silêncio entre eles é desconfortável. Amélie quebra a tensão: "Se somos os primeiros... Ainda não dá pra saber nada." Icaro responde em tom baixo: "É exatamente isso que piora." Matheus se senta com calma. "Às vezes a espera é mais cruel que a notícia." Os três evitam criar teorias em voz alta, mas os olhares falam por si. Cada cadeira vazia parece carregar um possível desfecho da madrugada. Um ruído no corredor chama a atenção deles. Alguém mais está se aproximando. O clima pesa. O som de passos no corredor se aproxima. A porta se abre novamente. Dora entra primeiro, postura ereta, expressão difícil de decifrar. Seus olhos percorrem rapidamente a mesa, identificando quem já está presente: Amélie, Matheus e Icaro. Por um segundo quase imperceptível, ela avalia o cenário, quatro cadeiras ocupadas ainda não formam resposta alguma. Logo atrás dela, Penélope cruza a porta. Diferente de Dora, ela entra mais devagar, como se já estivesse preparada para contar mentalmente os lugares vazios. Seu olhar se fixa nas cadeiras desocupadas antes mesmo de cumprimentar alguém. "Bom dia..." ela diz, mas o tom não carrega leveza. Amélie força um pequeno sorriso. Icaro permanece em silêncio. Matheus observa discretamente a reação das duas recém-chegadas. Dora se senta com naturalidade controlada. "Primeiro grupo ainda não diz nada", comenta, como se quisesse estabilizar o clima. Penélope puxa a cadeira ao lado de Amélie e sussurra: "Ou diz demais." Agora são cinco. Ainda faltam participantes. A tensão cresce, porque, a cada nova entrada, a matemática do jogo se aproxima da revelação inevitável. Passos voltam a ecoar no corredor.

Os passos no corredor voltam a ecoar, agora mais de um par. A porta se abre. Dimas entra primeiro, olhar atento, quase ansioso. Logo atrás dele vem Núbia, postura firme, expressão séria. Caio fecha o trio, respirando fundo antes de cruzar completamente o salão. Os que já estavam sentados fazem a contagem mental imediatamente. Amélie, Matheus, Icaro, Dora, Penélope. Agora Dimas, Núbia e Caio. Oito. O silêncio se torna mais pesado. Faltam dois. Marcela. Maurício. Ninguém diz em voz alta de imediato, mas os olhares se cruzam na mesma conclusão. Penélope é a primeira a verbalizar o que todos pensam: "Então... Ou é a Marcela... Ou é o Maurício." Dimas aperta os lábios. "Os dois estavam no centro ontem. Um pela missão... Outro pelas conversas." Núbia comenta que eliminar Marcela seria uma jogada ousada, já que ela ganhou credibilidade ao acertar a prova. "Isso cria desestabilização", diz, quase analisando friamente. Caio contrapõe: "Mas tirar o Maurício gera paranoia. Ele não estava tão exposto." Icaro observa que qualquer uma das duas saídas muda completamente a leitura da noite anterior. "Se for a Marcela, alguém quis enfraquecer quem estava ganhando confiança. Se for o Maurício... É estratégia para embaralhar tudo." Matheus permanece em silêncio, acompanhando cada reação à menção dos nomes. Dora observa quem parece mais afetado pela possibilidade de cada um. Penélope cruza os braços, claramente tentando antecipar o impacto político da ausência. O silêncio volta a dominar a mesa. A porta ainda está fechada. Qual dos dois não vai atravessá-la? A porta se abre uma última vez...

O corredor está vazio quando Maurício caminha em direção ao confessionário. O silêncio da manhã parece mais denso ali, como se o castelo já soubesse o que ele ainda vai descobrir. Ele abre a porta. Sobre a pequena mesa de madeira, iluminado por uma luz direta, está o pergaminho selado com cera preta. Maurício engole em seco antes de se aproximar. Por alguns segundos, apenas observa o selo, como se ainda houvesse espaço para dúvida. Com cuidado, rompe a cera. Desenrola o pergaminho. Seus olhos percorrem as primeiras linhas, e a expressão muda quase imperceptivelmente. "Durante a madrugada... Você foi assassinado pelos Traidores." Ele solta um breve suspiro pelo nariz, mistura de decepção e compreensão. Continua lendo em voz baixa: "Sua jornada termina aqui. Sua lealdade foi forte... Mas, para os Traidores, você representava instabilidade demais." Maurício fecha os olhos por um instante. "Então era isso..." murmura. Ele dobra o pergaminho lentamente, pensativo. "No fim, o mais silencioso também incomoda." Há um pequeno sorriso resignado. Não é revolta, é a constatação de que, perto do fim, qualquer peça pode ser retirada para desequilibrar o tabuleiro. Antes de sair, ele olha uma última vez para o pergaminho. "Espero que eles percebam o que essa escolha significa." Ele coloca o papel de volta sobre a mesa e deixa o confessionário, sabendo que, no salão do café da manhã, uma cadeira ficará vazia por causa dele.

De volta ao Conclave, as velas ainda ardiam altas quando Dora e Matheus permaneciam frente a frente, o envelope preto repousando entre eles. Dora foi a primeira a verbalizar o que ambos já estavam considerando. "Maurício está silencioso demais... Mas não é invisível." Matheus assentiu lentamente. "Ele escuta tudo. E quase nunca se compromete cedo. Isso é perigoso perto do fim." Dora relembra a missão das obras. "Ele foi o fiel da balança. Quando decidiu, os outros seguiram. Isso mostra influência. E influência discreta é a mais difícil de combater." Matheus complementa: "Se ele começa a organizar votos, pode unir pessoas que hoje estão fragmentadas. Ele é o tipo que costura alianças sem que percebam." O silêncio pesa por alguns segundos. Dora então coloca em palavras o ponto central: "Eliminando ele, a gente não resolve um conflito óbvio. A gente cria um." Matheus entende imediatamente. "Porque ninguém estava preparado para ele sair." "Exato", ela confirma. "Se fosse Núbia, diriam que era esperado. Se fosse Marcela, veriam estratégia direta. Mas Maurício... Gera dúvida." Matheus conclui: "E dúvida, agora, é o nosso melhor aliado." Eles sabem que a escolha não é sobre o alvo mais barulhento, é sobre provocar desorientação. Dora pega o envelope. Matheus apaga uma das velas. A decisão é selada. Corte seco.

O silêncio no salão já está pesado quando os passos voltam a ecoar pelo corredor. Todos olham automaticamente para a porta. Ela se abre. Marcela entra. Por um segundo, ninguém reage, é apenas a confirmação do que todos já tinham entendido: Maurício não virá. Marcela percebe imediatamente a contagem mental nos rostos ao redor. Seus olhos percorrem a mesa. O lugar vazio. A ausência definitiva. Ela fecha a porta devagar atrás de si. "Então é isso..." murmura, antes mesmo de se sentar. Amélie leva a mão à boca, visivelmente abalada. Dimas balança a cabeça em negação. Caio olha fixamente para o lugar vazio, como se ainda esperasse que Maurício aparecesse. Núbia é a primeira a falar: "Isso muda completamente o cenário." Icaro concorda. "Ele não estava no centro das discussões. Não era o alvo mais óbvio." Penélope observa que justamente por isso a escolha é estratégica. "Eliminar alguém assim não é emocional. É cálculo." Marcela se senta lentamente. "Ele começou a ser mencionado ontem," ela diz, com a voz firme, mas controlada. "Alguém decidiu cortar antes que crescesse." Dora mantém a postura serena. Matheus também. Caio comenta: "Ou alguém quis embaralhar as leituras. Porque agora ninguém sabe mais para onde olhar." Amélie completa em tom mais baixo: "Isso não parece uma escolha impulsiva. Parece mensagem." O clima na mesa deixa de ser luto e vira análise. Se Maurício saiu, não foi por acaso. E a pergunta que paira no ar é inevitável: Quem se beneficia mais com essa ausência?

O silêncio após a fala de Amélie dura apenas alguns segundos, mas é o suficiente para que os olhares voltem a se cruzar com mais intensidade. Dimas é quem rompe a tensão. "Se isso foi mensagem... Talvez seja porque a gente estava começando a sair do foco errado." Ele olha discretamente para Núbia. Penélope percebe e complementa: "O nome dela voltou a circular ontem." Núbia ergue o queixo imediatamente. "Então agora a culpa é minha de novo?" Caio tenta intervir, mas Dimas insiste: "Não é culpa. É padrão. Sempre que o jogo parece mudar de direção, algo acontece e a gente volta para o mesmo ponto." O ar fica mais pesado. Núbia respira fundo antes de responder: "Eu não controlava o voto dele. Não controlava as conversas dele. E definitivamente não controlei o que aconteceu essa madrugada." Icaro observa que eliminar Maurício também pode ser uma forma de manter Núbia como alvo constante. "Se tiram alguém que estava começando a ser discutido, o foco naturalmente retorna para quem já vinha sendo citado." Marcela então se inclina para frente. A voz dela sai firme. "Chega." Todos se voltam para ela. "Maurício não saiu porque era fraco. Saiu porque estava ficando relevante. Ele escutava, conectava pontos e começava a entender as movimentações." Ela olha ao redor da mesa, encarando um por um. "Se a gente transformar isso numa caça automática a quem já estava no radar, a gente faz exatamente o que os traidores querem." O salão fica em silêncio absoluto. Marcela continua: "Hoje não é dia de repetir suspeitas antigas. É dia de entender quem se beneficia com o caos." A tensão muda de direção. Núbia ainda está sob observação, mas agora há uma nova camada: Quem está manipulando para que ela permaneça lá? O jogo acaba de ganhar outra profundidade.

A discussão ainda reverbera quando as portas do salão se abrem com firmeza. O som ecoa pelas paredes de pedra. Selton Mello entra lentamente, atravessando o salão sob o silêncio absoluto dos participantes. Ninguém ousa continuar a conversa. Ele não vai direto à mesa. Caminha até a parede dos retratos. Seus dedos tocam a moldura de Maurício. "Durante a madrugada... Os Traidores caminharam pelos corredores deste castelo," começa ele, voz grave e controlada. "E escolheram não o mais barulhento... Mas o que começava a ouvir demais." Alguns olhares se abaixam. "Às vezes, no fim do jogo, não é a chama mais alta que incomoda." Ele retira o quadro da parede. "É a brasa que começa a aquecer o ambiente." Ele se vira para o grupo. "Maurício foi silenciado. Não por acaso. Mas por cálculo." Sem aviso, Selton deixa o retrato cair no chão de pedra. A moldura se parte com um estalo seco que ecoa pelo salão. O som parece mais alto do que deveria. Amélie fecha os olhos por um instante. Marcela aperta os lábios. Núbia mantém o olhar firme. Dora e Matheus permanecem imóveis. Selton encara o grupo. "Cada ausência aqui é uma peça retirada do tabuleiro. E quanto menos peças restam... Mais expostos vocês ficam." Ele dá um passo à frente. "O fim está mais próximo do que imaginam. E a verdade... Mais frágil." Uma breve pausa. "Preparem seus argumentos. Preparem suas convicções." Ele olha ao redor da mesa, um por um. "Porque esta noite... Vocês se enfrentam em uma nova mesa redonda." O silêncio que fica após sua saída é ainda mais pesado do que antes. Agora não é apenas sobre quem morreu. É sobre quem será exposto.

Assim que Selton deixa o salão, o grupo se dispersa quase automaticamente. Não há mais espaço para neutralidade. A mesa redonda daquela noite pode definir o rumo final do jogo. No jardim, Marcela chama Amélie para uma conversa reservada. "Se a gente votar só por repetição de suspeita, vamos errar de novo", ela diz. "A morte do Maurício foi estratégica. Isso não é movimento de quem está desesperado. É de quem está confortável." Amélie concorda, mas questiona: "Confortável... Ou protegido?" Marcela responde com cuidado: "Talvez os dois." O nome de Núbia volta a ser mencionado, mas agora com menos convicção e mais dúvida. A morte de Maurício abriu espaço para outra leitura: Alguém pode estar mantendo certos alvos vivos de propósito. Na biblioteca, Penélope conversa com Dimas e Caio. Ela está mais objetiva do que nunca. "Se a gente dividir voto hoje, a gente entrega o jogo." Dimas pergunta qual é o plano. Penélope diz que precisa sentir onde está a maioria antes de se comprometer, mas deixa claro que não pretende seguir apenas o fluxo. "Se for para errar, que seja com argumento sólido." Caio comenta que a morte de Maurício pode indicar que ele estava perto de descobrir algo. "Ou perto de organizar algo." O trio entende que o voto precisa ter coerência pública. Próximo à escadaria Icaro aborda Núbia diretamente. "Seu nome vai aparecer hoje. Você sabe disso." Núbia responde sem hesitar: "Então quem votar em mim vai precisar explicar por quê." Icaro observa que, quanto mais ela confrontar, mais pode parecer defensiva. Ela rebate: "Defensiva não. Cansada." Eles se encaram por alguns segundos. Ambos sabem que essa mesa redonda pode ser decisiva. 

Em um canto mais isolado, Dora conversa com Matheus em tom baixo. "Está fragmentado", ela observa. "E fragmentado é perigoso", ele responde. "Mas também é oportunidade." Eles sabem que não precisam liderar, apenas direcionar sutilmente. A noite se aproxima. Os argumentos estão sendo ensaiados. As suspeitas, reorganizadas. E a margem de erro... Quase inexistente. O céu já começa a escurecer quando dois passos se cruzam no corredor lateral do castelo. Penélope chama Marcela antes que ela entre no salão. "Espera." As duas param perto de uma janela alta, onde a luz do entardecer ainda invade o espaço. Penélope vai direto ao ponto: "Hoje não pode ser voto espalhado." Marcela cruza os braços, atenta. "Você está pensando em quem?" Penélope hesita por um segundo. "Se a gente for na Núbia de novo, precisa ser com algo novo. Senão vai parecer repetição automática." Marcela concorda. "E a morte do Maurício muda isso. Ele não era o mais exposto." Penélope então baixa um pouco a voz: "Eu estou começando a achar que alguém está confortável demais com essa divisão." Marcela sustenta o olhar. "Confortável... Ou conduzindo?" As duas sabem que estão falando de influência silenciosa, mas o nome não é dito. Penélope continua: "Se a gente errar hoje, a próxima mesa pode já ser final." O peso da frase fica no ar. Marcela responde com firmeza: "Então a gente precisa votar com lógica. Não com histórico." Um silêncio breve. Penélope faz a pergunta decisiva: "Se não for a Núbia... Você está disposta a mudar?" Marcela pensa. A morte de Maurício ainda ecoa na cabeça dela. "Estou disposta a votar em quem faz mais sentido agora. Mas não vou seguir fluxo." As duas trocam um último olhar, não é exatamente uma aliança, mas é um alinhamento temporário. Do outro lado do corredor, passos ecoam. A mesa redonda está prestes a começar.

O salão está em silêncio quando os participantes tomam seus lugares. O clima é mais pesado do que nas noites anteriores. As portas se abrem. Entra Selton Mello. Ele caminha lentamente até o centro da mesa. Não há pressa nos passos, mas há intenção. "Mais uma noite... E menos um de vocês." Ele olha para cada participante antes de continuar. "Maurício deixou o jogo sem direito a defesa. Vocês, ao menos, ainda terão essa chance." A tensão cresce. "Hoje, cada palavra dita aqui pode ser a última de alguém neste castelo. Vocês precisam decidir se estão mais perto da verdade... Ou mais perto de entregar a vitória aos traidores." Ele faz uma pausa longa. "A mesa redonda está aberta." Selton se afasta, permanecendo em pé, observando. O silêncio dura poucos segundos, mas parecem minutos. Icaro é o primeiro a quebrar o silêncio. "Eu não vou enrolar. Para mim, a Núbia continua fazendo menos esforço do que deveria." Alguns olhares se voltam imediatamente para ela. Icaro continua: "A morte do Maurício foi estratégica. Ele estava começando a organizar conversas. E quem mais se beneficiava com ele fora do radar?" Núbia respira fundo antes de responder. "Você me aponta desde a primeira semana. Se eu fosse traidora, você já teria conseguido convencer alguém." Marcela intervém. "Mas você também não trouxe nenhuma linha nova de raciocínio." Núbia rebate: "E vocês trouxeram? Ou só repetem meu nome porque é confortável?" O clima esquenta. Dimas entra na discussão: "Confortável é ficar sempre na defensiva." Núbia encara a mesa inteira. "Defensiva? Eu estou sendo acusada há dias. Vocês querem que eu sorria?" Penélope observa em silêncio, mas finalmente fala: "Não é sobre sorrir. É sobre estratégia. E alguém aqui está jogando muito seguro." A frase paira no ar. Não fica claro se ela está reforçando a acusação contra Núbia... Ou plantando dúvida sobre outra pessoa. Selton observa atento. A mesa já começou em confronto direto.

O clima já está inflamado quando Núbia se inclina para frente, apoiando as mãos na mesa. Desta vez, o olhar dela não está mais em Icaro. Está em Marcela. "Vocês querem falar de estratégia? Então vamos falar de quem está confortável demais aqui." O salão silencia. "Quem nunca foi pressionada de verdade? Quem sempre consegue atravessar a mesa redonda com o nome passando ileso?" Alguns olhares começam a se mover. "Marcela sempre comenta, sempre pondera... Mas nunca vira o centro real da suspeita. Isso é sorte? Ou é controle?" Marcela mantém a postura firme, mas o maxilar tensiona. "Você está tentando sobreviver." "Não," Núbia rebate, "eu estou tentando parar de ser o alvo automático enquanto quem articula fica assistindo." Penélope observa atenta. Icaro franze a testa. A palavra "articula" ecoa mais do que deveria. Marcela responde com calma calculada: "Se eu fosse traidora, você acha mesmo que eu deixaria seu nome circular por tantos dias? Isso não faz sentido." Mas a dúvida já foi plantada. Antes que a discussão se concentre apenas nelas duas, Marcela decide reagir. "Já que estamos falando de controle de narrativa... Vamos falar direito." Ela vira o corpo discretamente para Dimas. "O Maurício estava começando a desconfiar de alguém. E essa pessoa não era a Núbia." O ar parece congelar. Dimas ergue as sobrancelhas, surpreso. Marcela continua: "Ele comentou comigo que achava curioso como o Dimas sempre sabe quando entrar na conversa... E quando sair dela." Agora os olhares mudam de direção. Dimas ri de leve, mas é uma risada tensa. "Então participar é crime agora?" "Não," Marcela responde, "mas antecipar movimento demais pode ser." Icaro intervém: "Você está desviando, Marcela." "Ou estou ampliando," ela retruca. Penélope percebe o que está acontecendo: A mesa, que começou com Núbia praticamente como voto certo, agora está dividida em três frentes. Núbia, Marcela e Dimas. E ninguém tem maioria clara. Selton observa em silêncio, deixando que o caos estratégico se instale completamente. A votação se aproxima. E, pela primeira vez, qualquer nome pode sair por aquela porta.

Dimas se inclina para frente, encarando Marcela. "Você está fazendo exatamente o que acusou a Núbia de fazer. Está tentando sobreviver mudando o foco." Marcela não recua. "Eu estou ampliando a análise. Você prefere que a gente vote sempre na mesma pessoa até acabar o jogo?" Dimas responde firme: "Eu prefiro coerência. E, até cinco minutos atrás, você estava concordando que a Núbia era o nome mais lógico." "Lógico ou confortável?" ela rebate. O clima esquenta. "Você está com medo de que eu esteja certo?", Dimas provoca. Marcela sustenta o olhar. "Não. Estou com medo de que você esteja confortável demais." Alguns participantes trocam olhares tensos. O embate deixa de ser estratégico e começa a ganhar tom pessoal. Icaro intervém: "Vocês dois estão soando como se soubessem demais um do outro." A frase cai como uma bomba silenciosa. Quando parece que o foco vai se fixar definitivamente entre Marcela e Dimas, Amélie pede a palavra. "Eu preciso dizer uma coisa." Todos se voltam para ela. "Eu questionei a Núbia várias vezes. Mas hoje, a reação dela foi diferente. Não foi fuga. Foi ataque estruturado." Núbia olha surpresa. Amélie continua: "Se ela fosse traidora, manter o nome dela como escudo seria muito arriscado a essa altura. Talvez a gente esteja insistindo no erro." Dora concorda discretamente: "Também achei estranho. A acusação dela não foi aleatória." Agora a mesa muda novamente. Núbia deixa de ser o alvo óbvio. Marcela e Dimas continuam sob tensão direta. E Amélie, ao defender alguém que vinha sendo alvo constante, altera completamente o equilíbrio da votação. Selton observa em silêncio absoluto. A mesa está oficialmente imprevisível.

O salão está em completo silêncio quando Selton Mello retorna ao centro da mesa. Ele observa cada rosto, um por um. "Argumentos foram feitos. Acusações foram lançadas. Agora, a única coisa que resta... É a decisão." Ele pausa por um instante e finaliza: "Vocês votarão individualmente. Digam o nome e uma breve justificativa." A tensão é quase palpável. Dimas é o primeiro. "Meu voto é na Marcela. Acho que ela mudou o foco quando começou a sentir pressão. Para mim, isso é estratégia de defesa." Dora respira fundo. "Marcela. Hoje você tentou conduzir a narrativa apontando para o Dimas. Soou calculado." Marcela mantém a postura firme. "Meu voto é no Dimas. Acho que ele antecipa movimentos demais e reage rápido demais às acusações." Ela encara a mesa inteira. Matheus fala com objetividade. "Marcela. A mudança de alvo foi conveniente." Icaro não hesita. "Marcela. A morte do Maurício reforça minha desconfiança de alguém que articula nos bastidores." Núbia olha diretamente para Marcela. "Marcela. Se eu estou sendo apontada há dias, hoje eu precisei observar quem se movimenta por trás." Caio fala mais contido. "Marcela. Acho que você tentou ampliar demais quando o foco começou a apertar." Amélie respira fundo antes de falar. "Marcela. Sua argumentação foi forte, mas me pareceu estratégica demais." Por fim, Penélope. Ela segura o voto por um segundo antes de declarar: "Dimas. Ainda acho que ele participa das conversas com um timing muito preciso." Ela deposita o voto. Selton então revela: "Com sete votos... Marcela, você foi banida." O salão silencia completamente.

O salão parece encolher quando Marcela se levanta. O som da cadeira arrastando ecoa mais alto do que deveria. Ela caminha até o centro, o Círculo da Verdade, sob olhares tensos, alguns arrependidos, outros ainda inseguros. Selton Mello faz um gesto solene para que ela ocupe a marca iluminada no chão. O silêncio é absoluto. Marcela respira fundo. Os olhos brilham, mas a postura permanece firme. "Eu lutei para ampliar o jogo. Para não deixar a gente cair na repetição." Ela olha ao redor, encontrando o olhar de cada um. "Talvez eu tenha falado demais. Talvez eu tenha pensado demais." Uma pausa. "Mas eu nunca traí nenhum de vocês." Ela ergue o queixo. "Eu sou... Fiel." A palavra ecoa no salão como um estilhaço. Alguns participantes imediatamente abaixam a cabeça. Núbia fecha os olhos por um segundo. Dimas fica imóvel. Penélope leva a mão ao rosto, visivelmente impactada. O peso da decisão cai sobre todos ao mesmo tempo. Selton dá um passo à frente. "Mais uma vez..." Ele observa o grupo, quase com decepção calculada. "Vocês falharam em nome dos fiéis." O silêncio se torna constrangedor. "Enquanto vocês duelam entre si, os traidores seguem intocados. Protegidos pelo erro. Alimentados pela dúvida. Marcela deixa este castelo como fiel." Selton conclui, com firmeza: "Esta noite, os traidores voltam ao conclave. E vocês... Terão que conviver com mais um erro." Selton deixa o salão. O grupo permanece sentado. Agora menores. Agora mais inseguros. E muito mais vulneráveis.

Conheça os personagens: Amélie ClaveauxBernardo AzevedoBianca NogueiraCaio MontenegroDimas HadlichDora MachadoEstela MartinsFabricio MolinaroHelena BrandãoIcaro FigueiredoLeandro VasconcelosLorena BastosMarcela CoutinhoMatheus LacerdaMauricio CamposNathaniel PuigNúbia BianchiPenélope FalcãoRafael PachecoRosiane SetaSharon Sheetarah e Verônica Lux.

LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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