terça-feira, 20 de janeiro de 2026

TTRA: 1x17 - The Traitors Realidade Alternativa - Silêncio, Bilhetes e Sangue Frio


A manhã nasce fria no castelo. A névoa ainda cobre os jardins quando a porta da sala do café da manhã se abre lentamente. Dimas entra primeiro. A cabeça raspada reluz sob a luz suave do salão. Ele ainda carrega discretamente os efeitos da prova do dia anterior, o corpo mais lento, mas a postura firme. A imunidade conquistada parece invisível, mas pesa no ambiente. Ele observa a mesa. Todos os quadros ainda estão na parede. Nenhuma moldura retirada. Por enquanto. Segundos depois, Dora entra. O olhar dela vai direto para Dimas. "Bom dia." A voz é neutra. Controlada. "Bom dia", ele responde. Os dois se encaram por um instante mais longo do que o habitual. Dimas puxa uma cadeira. "Dormiu?" "Melhor do que eu imaginava", Dora responde, servindo café. "E você?" Ele dá um meio sorriso. "Depois de ontem... Eu apaguei." Um silêncio breve. Dora quebra primeiro: "Você mudou a dinâmica." Dimas inclina levemente a cabeça. "Eu só cumpri o desafio." "Não", ela corrige. "Você assumiu protagonismo." Ele sustenta o olhar. "Às vezes alguém precisa assumir." A frase paira no ar. Passos ecoam no corredor. Ambos automaticamente desviam o olhar para a porta. A tensão retorna. Quem será o próximo a entrar? Se todos chegarem... Significa que ninguém foi assassinado. Se alguém faltar... A imunidade de Dimas não o protege de tudo. A maçaneta começa a girar.

A maçaneta gira. O primeiro a entrar é Matheus. Ele faz uma varredura rápida pelo ambiente, um hábito que já virou marca registrada. Ao ver Dimas e Dora sentados, dá um leve aceno. "Bom dia." O tom é calmo demais para uma manhã como aquela. Dimas responde com firmeza: "Bom dia." Dora observa Matheus com atenção discreta. Ele parece tranquilo. Seguro. Matheus se serve de café antes de comentar: "Primeiros da fila hoje." "Alguém precisava começar", Dimas responde. A frase carrega mais de uma interpretação. Um novo som no corredor. Penélope surge na porta. Ela entra devagar, analisando a cena antes mesmo de falar qualquer coisa. Ao perceber que já há três pessoas à mesa, relaxa levemente os ombros. "Estamos completos até agora." Ninguém comenta, mas todos entendem o subtexto. Sem ausência. Sem cadeira vazia, por enquanto. Penélope se senta. O silêncio dura alguns segundos até que ela olha diretamente para Dimas. "Dormiu como imune?" Ele sustenta o olhar. "Dormi como alguém que cumpriu o que prometeu." Matheus apoia os cotovelos na mesa. "A imunidade muda o jogo." "Para quem?", Dora pergunta. Matheus sorri de canto. "Para quem estava no radar." Dimas não desvia. "Ou para quem precisa se posicionar melhor agora." Penélope percebe a tensão crescendo novamente, mas diferente da noite anterior. Agora não há acusação direta. Há cálculo. Quatro pessoas na mesa. Todos vivos. Mas o dia mal começou. Passos voltam a ecoar no corredor. A próxima entrada pode definir o clima da manhã.

Os passos no corredor se aproximam novamente. A porta se abre. Núbia entra primeiro. O olhar dela percorre a mesa rapidamente, Dimas, Dora, Matheus, Penélope. Todos ali. Ela respira mais leve ao perceber que não é a primeira ausência. "Bom dia", diz, tentando soar neutra. Logo atrás, Amélie surge. Ainda se movimenta com certo cuidado por causa da tala cenográfica do dia anterior. Ela entra olhando direto para as paredes. Conta mentalmente. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Seis. Sete. Ela engole em seco. "Só faltam dois." O nome não precisa ser dito. Caio e Icaro. O clima muda imediatamente. Dimas olha para a porta fechada. "Se um de nós não entra... Já sabemos." Matheus cruza os braços. "Entre Caio e Icaro, quem faria mais sentido?" Núbia responde quase no automático: "Icaro fala muito." Penélope completa: "E influencia." Dora observa em silêncio, mas escuta cada nuance. Amélie morde o lábio. "Caio é mais discreto... Talvez fácil de tirar sem levantar tanto alarde." Dimas pensa em voz alta: "Mas tirar alguém discreto mantém a gente confuso. Tirar alguém que fala muito pode reorganizar o jogo." Matheus olha para a porta novamente. "Se for o Icaro, a mesa perde voz." "Se for o Caio", Núbia rebate, "a gente perde termômetro." O silêncio volta a dominar a sala. A ausência começa a pesar fisicamente. Penélope sussurra: "Se os dois entrarem, é outra mensagem." Mas o tempo passa. E a porta permanece fechada. O som da maçaneta gira lentamente. O salão prende a respiração.

O corredor está silencioso. Caio caminha sozinho até o confessionário. A expressão é tensa, mas controlada. Ele respira fundo antes de abrir a porta. O ambiente é pequeno. Iluminado apenas por velas. No centro, sobre a mesa, repousa o pergaminho lacrado. Ele já sabe o que aquilo pode significar. Caio se aproxima devagar. Passa os dedos pelo lacre antes de rompê-lo. O som do papel sendo aberto ecoa no silêncio. Ele começa a ler em voz baixa: "Caio... Nesta noite, enquanto você dormia sob o teto deste castelo, os traidores tomaram sua decisão." Ele engole em seco. Continua. "Seu nome foi escolhido. Sua jornada termina aqui." O olhar dele endurece por um segundo. Ele termina a leitura: "Você foi assassinado." O silêncio pesa. Caio fecha os olhos brevemente. "Faz sentido..." ele murmura. Ele apoia as mãos na mesa, processando. "Eu estava observando demais. Falando pouco... Mas conectando pontos." Um suspiro. "Eles não queriam alguém que escuta." Ele olha para a câmera. "Se eu pudesse falar uma coisa para eles lá fora... Diria para prestarem atenção em quem parece confortável demais." Um meio sorriso surge. "E para não confundirem silêncio com ausência." Ele dobra o pergaminho com cuidado. "Eu era fiel." A frase sai com firmeza. "E estava perto." Ele respira fundo mais uma vez. "Agora... É com vocês." Caio se levanta, encara o ambiente pela última vez e sai do confessionário. No salão do café, a cadeira dele ainda está vazia. E, em poucos minutos, o grupo vai entender o motivo.

A imagem escurece. O relógio marca 02h17. Velas tremulam no Conclave. Dora já está sentada à mesa redonda, os dedos entrelaçados. Matheus entra em silêncio e fecha a porta atrás de si. O som ecoa. Por alguns segundos, nenhum dos dois fala. Dora quebra o silêncio: "A gente precisa ser estratégico agora." Matheus caminha ao redor da mesa. "Icaro é barulhento. Mas o barulho dele distrai." Dora concorda com um leve aceno. "Exato. Ele aponta para todo mundo. Se a gente tira ele, o jogo pode ficar calmo demais... E o foco pode vir pra gente." Matheus para atrás da cadeira. "Caio não. Ele observa." Dora levanta os olhos. "Ele escuta mais do que fala. Um silêncio cúmplice." Matheus continua: "Ele quase não se expõe. Mas na mesa redonda... Ele começa a organizar o pensamento dos outros. Você percebeu?" Dora respira fundo. "Ele estava conectando peças." "E ninguém desconfia dele" completa Matheus. "Esse é o problema." A chama de uma vela oscila. Dora se inclina sobre a mesa. "Se a gente tira o ÍIaro, vira um espetáculo. Se a gente tira o Caio... Vira confusão." Matheus encara o retrato dos participantes pendurado na parede do Conclave. "Confusão é melhor pra nós." Dora finalmente diz, em voz baixa e firme: "Então é o Caio." O nome paira no ar. Matheus pega o punhal simbólico sobre a mesa e o posiciona sobre o retrato de Caio. "Ele é inteligente demais pra continuar aqui." Dora toca o retrato por um segundo. "Que ele nunca saiba o quão perto estava." Os dois trocam um olhar cúmplice. A vela central se apaga com um sopro de Dora.

O som da maçaneta gira. Todos na sala do café da manhã prendem a respiração. A porta se abre. Icaro entra. Sozinho. O impacto é imediato. Penélope leva a mão à boca. Núbia fecha os olhos por um segundo, como se confirmasse o que já sabia. Amélie olha direto para a cadeira vazia. Dimas balança a cabeça lentamente. "Então é isso..." ele murmura. Icaro percebe o clima antes mesmo de perguntar. Ele olha ao redor. Conta as cadeiras. Para na ausência. "Caio." Ninguém responde. Não é preciso. Icaro passa a mão pelo rosto. "Eles vieram em mim... Mas mudaram." Matheus observa em silêncio, absorvendo cada reação. Dora mantém o semblante controlado, mas o olhar está atento demais. Núbia quebra o silêncio: "Por que Caio?" Penélope responde antes que alguém organize um raciocínio completo: "Porque ele estava quieto." Amélie concorda. "Quieto demais." Icaro puxa a cadeira e se senta devagar. "Ele estava começando a falar mais. Ontem ele me chamou no canto." Essa informação faz Dimas levantar o olhar. "Falou o quê?" Icaro respira fundo. "Que tinha duas pessoas que estavam confortáveis demais no jogo." O silêncio volta, agora mais pesado. Matheus cruza os braços. "E quem eram?" Icaro encara a mesa. "Ele não disse nomes. Mas disse que ia observar mais uma noite." Dora sente o golpe, mas mantém a postura. Núbia fala em tom firme: "Então mataram ele antes que ele falasse." Dimas completa: "Isso não é aleatório. Isso é prevenção." Amélie olha ao redor, avaliando cada micro expressão. "Os traidores estão com medo." A frase ecoa. Matheus inclina a cabeça levemente. "Ou estão um passo à frente." A cadeira vazia de Caio parece maior do que deveria. Icaro encara o espaço por alguns segundos. "Se eles acham que isso me cala, escolheram errado." A tensão cresce. Agora, mais do que tristeza, há desconfiança. O jogo mudou de tom.

O clima na sala está denso. A cadeira vazia de Caio parece ocupar espaço demais. Icaro ainda encara o lugar onde ele deveria estar. De repente, a porta se abre com firmeza. O som ecoa pelo salão. Selton Mello entra. Ele caminha lentamente pelo salão, os passos calculados, o olhar atravessando cada participante como se pudesse ler pensamentos. Ele para ao lado da mesa. Observa a cadeira vazia. Silêncio absoluto. Então começa, em tom grave: "No tabuleiro da desconfiança... Às vezes não cai quem fala mais alto." Ele começa a andar em direção à parede dos retratos. "Cai quem observa demais. Quem enxerga o fio invisível que costura as mentiras." Ele para diante do quadro de Caio. Passa os dedos pela moldura. "Caio acreditava que silêncio era estratégia." Vira-se levemente para o grupo. "Mas no escuro deste castelo... O silêncio também ecoa." Ele arranca o quadro da parede. O som do prego soltando é seco. Alguns participantes se sobressaltam. Selton encara a imagem por um segundo final. "Ele caminhava na linha tênue entre prudência e ameaça." Então, sem alterar o tom, solta o quadro. A moldura se espatifa no chão. O barulho corta o ar como um veredito. Penélope fecha os olhos. Icaro endurece o olhar. Dimas aperta os lábios. Selton continua, agora caminhando entre eles: "Os traidores não dormem. Eles calculam. Antecipam. Eliminam riscos antes que ganhem voz." Ele para no centro da sala. "Se os fiéis desejam sobreviver... Hoje precisam fazer mais do que suspeitar." Olha um por um. "Precisam acertar." Uma pausa. "A mesa redonda desta noite não será apenas mais uma votação." O olhar dele se intensifica. "Será uma prova de que vocês estão à altura da perda que sofreram." Silêncio absoluto. "Façam um ótimo trabalho." Ele se vira e caminha até a porta. Antes de sair, lança a última frase: "Porque os traidores... Já estão fazendo o deles." A porta se fecha. O som ecoa. E, pela primeira vez naquela manhã, ninguém consegue disfarçar o medo.

O castelo parece maior depois da saída de Selton. O som do quadro de Caio quebrando ainda ecoa na memória de todos. Agora, espalhados pelos cômodos, os jogadores começam a se mover. O jogo realmente começa. Na biblioteca, Dimas e Icaro Entre estantes altas e poeira suspensa na luz da manhã, Dimas fala baixo: "Pra mim, isso foi prevenção." Icaro cruza os braços. "Também acho. Caio estava perto de alguém." "E ele falou com você ontem." Icaro hesita por um segundo. "Falou." Dimas observa a reação. "Você acha que foi por isso que mataram ele?" "Acho que foi porque ele estava confortável demais em observar." Dimas se aproxima. "Quem está confortável agora?" Icaro sustenta o olhar. "Dora." O nome cai pesado. No jardim interno... O vento balança levemente as folhas enquanto Núbia caminha de um lado para o outro. "Dora é fria demais." Amélie pensa antes de responder. "Ou é só controlada." "Você viu ela hoje? Não tremeu." Amélie cruza os braços. "Mas Matheus também não." Núbia para. "Então você está pensando nele?" Amélie respira fundo. "Estou pensando em quem se beneficia com o Caio fora. E isso não é aleatório." Na sala de música, Penélope entra com Matheus e fecha a porta atrás deles. "Estão começando a falar da Dora." Matheus mantém o tom neutro. "Era esperado." "E você? Vai votar nela?" Ele olha para o piano antes de responder. "Eu voto em quem estiver mais evidente na mesa." Penélope franze a testa. "Isso não é resposta." Matheus se aproxima. "Hoje, quem errar o alvo... Pode virar o próximo." Ela engole seco. "Eu estava pensando na Núbia." Matheus levanta levemente as sobrancelhas. "Por quê?" "Ela está direcionando demais." Ele absorve a informação. No corredor principal, Dora caminha devagar. Escuta fragmentos de conversas pelas portas entreabertas. Um nome aqui. Outro ali. Ela para diante de uma janela. Respira fundo. Sussurra para si mesma: "Se vierem em mim... Eu puxo alguém comigo." O castelo está dividido. Os nomes mais sussurrados começam a se repetir: Dora. Matheus. Núbia. E, discretamente, Icaro. A mesa redonda promete ser explosiva.

A luz entra pelas janelas altas da torre, criando sombras longas no chão de pedra. Amélie sobe sozinha. Ela precisava de silêncio. Precisava organizar os pensamentos. Ao passar por um aparador antigo, algo chama sua atenção. Um envelope pequeno, parcialmente escondido sob um livro antigo. Não tem nome. Só o selo do castelo. Ela hesita. Olha ao redor. Ninguém. Abre. Dentro, apenas uma frase escrita à mão: "Nem todo fiel teme a escuridão. Alguns aprendem a caminhar nela." O coração dela acelera. Não é um pergaminho oficial. Não é o formato usado para missões. É diferente. Ela vira o papel. No canto inferior, quase imperceptível, um detalhe: Um símbolo rabiscado. Uma meia-lua. Amélie franze a testa. Ela já viu aquilo. Fecha os olhos por um segundo, tentando puxar da memória. Flash rápido: Na noite anterior, enquanto todos se levantavam da mesa redonda, alguém mexendo em um caderno. A capa tinha um adesivo pequeno. Uma meia-lua desenhada. Os olhos dela se abrem. Icaro. Ele sempre anda com aquele caderno. Sempre. Ela dobra o bilhete e guarda discretamente. Minutos Depois Amélie chama Núbia para conversar. Mostra o bilhete. Núbia lê e arrepia. "Você achou onde?" "Na torre." "Isso é coisa de traidor." Amélie mantém o tom racional. "Ou de alguém tentando parecer traidor." Núbia pensa. "Mas por que esconder?" Amélie olha para o nada por um segundo. "Porque talvez não fosse pra eu achar." Depois na biblioteca, Amélie entra e fecha a porta. Mostra o papel. Penélope arregala os olhos. "Isso muda tudo." Dimas pega o bilhete. "Quem tem esse símbolo?" Amélie responde, firme: "Icaro." Silêncio. Dimas pensa alto: "Se Caio falou com ele ontem... E hoje ele sobrevive..." Penélope completa: "Pode ser que tenham protegido um dos seus." A peça começa a se encaixar. Não é prova. Mas é munição. E não envolve Dora. Nem Matheus. Agora o nome que começa a ganhar força no castelo é outro. Icaro.

A iluminação é baixa. As chamas das velas tremulam, refletindo nos rostos tensos. Todos estão sentados. O silêncio é pesado. Selton Mello está de pé, observando. "Hoje" ele começa "vocês não estão apenas votando. Estão reagindo a um movimento calculado." Ele se senta. "Quem começa?" Amélie ergue o olhar. Respira fundo. "Eu." Todos se voltam para ela. "Hoje à tarde, eu encontrei algo na torre norte." Os olhares se cruzam. Icaro franze a testa, confuso. Amélie continua: "Um bilhete escondido. Não era oficial. Não era da produção." Ela tira o papel dobrado do bolso. O clima muda. Núbia observa atentamente. Dimas inclina o corpo para frente. Amélie lê: "Nem todo fiel teme a escuridão. Alguns aprendem a caminhar nela." Murmúrios surgem. Icaro pisca algumas vezes, tentando entender. "E tinha um símbolo" Amélie completa. "Uma meia-lua desenhada no canto." O silêncio se instala. Amélie vira o olhar diretamente para ele. "Icaro... Você anda com um caderno que tem exatamente esse símbolo." A acusação cai como uma lâmina. Icaro fica imóvel por um segundo. Depois solta uma pequena risada nervosa. "Isso é sério?" Dimas intervém: "Você pode mostrar seu caderno?" Icaro olha ao redor. Agora percebe. Eles estavam conversando. Sem ele. "Então era isso o dia inteiro..." Ele respira fundo. "Sim, meu caderno tem uma meia-lua. É um adesivo. Eu comprei antes de entrar aqui." Núbia rebate: "E o bilhete?" Eu nunca vi isso. Amélie mantém a firmeza. "Estava escondido." Icaro balança a cabeça. "Então alguém quer que pareça meu." Penélope observa: "Ou você deixou cair." O clima esquenta. Icaro finalmente entende a dimensão. O nome dele está na mesa. "Vocês acham mesmo que eu deixaria uma pista com meu próprio símbolo? Isso não faz sentido!" Dimas responde: "Traidores cometem erros quando ficam confiantes." Ícaro encara cada um. "Ou fiéis desesperados criam narrativas quando não têm nada concreto." Selton observa, atento. O ambiente está dividido. Amélie fala, mais uma vez: "Caio falou com você ontem. Hoje ele está morto. E agora aparece isso." Icaro sente o peso. "Caio falou comigo porque desconfiava de outra pessoa. E eu não vou entregar isso só porque estão me pressionando." Os olhos se estreitam ao redor da mesa. Agora não é só o bilhete. É a postura. É o tom. É a tensão. 

Icaro levanta a voz... "Querem falar de narrativa? Então vamos falar direito." O clima trava. Ele não olha mais para Amélie. Olha direto para Núbia. "Você passou o dia inteiro espalhando essa história." Núbia mantém o queixo erguido. "Eu só li o que estava no papel que Amélie me mostrou". "Não" Icaro rebate. "Você conduziu. Você repetiu meu nome em todos os cômodos." Dimas observa, atento. Icaro continua, agora mais firme: "Sempre que alguém sugeria outro nome... Você voltava para mim." Núbia solta um riso curto, incrédulo. "Porque existe um bilhete com seu símbolo." "Conveniente demais" ele corta. "Aparece do nada. Sem testemunha. Só você e Amélie viram primeiro." Amélie se mexe na cadeira. "Eu encontrei sozinha." "E decidiu mostrar justamente para quem?" Icaro insiste. "Para quem estava mais ansiosa por um alvo." O olhar dele volta para Núbia. "Você está confortável demais." A frase ecoa na sala. Um silêncio denso. Núbia finalmente responde, firme: "Eu estou confortável porque eu sou fiel." Penélope intervém imediatamente: "Icaro, isso está parecendo desespero." Dimas completa: "Atacar quem questiona você não resolve o bilhete." Icaro balança a cabeça. "Vocês estão cegos. Ela nunca é questionada. Nunca é alvo. Só aponta." Matheus fala pela primeira vez, calmo: "Núbia foi questionada ontem." "E ficou calma demais" Ícaro rebate. Dora cruza os braços. "Calma não é crime." Núbia olha ao redor, sentindo o peso da sala... Mas também o apoio. "Eu não precisei me defender porque não tinha nada contra mim." Amélie acrescenta: "Diferente de você agora." Icaro sente o cerco fechar. "Então é isso? Vocês decidiram antes mesmo de sentar aqui?" Dimas responde: "A gente decidiu depois do que apareceu." Icaro respira fundo. Última tentativa. "Se eu sair e for fiel... Vocês vão perceber tarde demais que protegeram a pessoa errada." Penélope responde sem hesitar: "Ou vamos perceber que eliminamos um traidor que tentou virar o jogo no último minuto." Selton observa, em silêncio absoluto. A tensão é quase palpável. Icaro olha para Núbia mais uma vez. "Se você estiver mentindo... Eu espero que o castelo te engula." Núbia sustenta o olhar. "E se você estiver?" O silêncio finaliza o embate. 

A tensão é quase insuportável. As lousas já estão viradas para baixo sobre a mesa. Selton Mello se levanta lentamente. Ele observa cada rosto. "Chegou o momento em que palavras deixam de ser suposições... E se tornam consequências." Silêncio absoluto. "Darei início à votação. Um a um, revelem seus votos e apresentem suas justificativas." Ele olha para Dimas. Dimas vira sua lousa. Icaro. "O bilhete não é uma prova definitiva... Mas sua reação foi. Você atacou antes de se defender." Selton assente. "Dora." Dora Ela vira a lousa com firmeza. Icaro. "Sua tentativa de inverter o jogo foi apressada demais. Parece medo." "Matheus." Ele ergue a lousa sem hesitar. Icaro. "Hoje, você foi o centro das informações. E não conseguiu dissipá-las." "Penélope." A mão dela treme levemente ao virar a lousa. Icaro "Se eu estiver errada, vou assumir. Mas não posso ignorar tudo que surgiu." "Núbia." Ela encara Icaro antes de revelar. Icaro. "Você tentou me transformar em alvo porque percebeu que estava encurralado." O clima pesa ainda mais. Selton respira fundo. "Amélie." Ela vira a lousa por último entre os seis. Icaro. "Eu encontrei o bilhete. Não posso fingir que não vi." Agora, todos os olhares se voltam para Icaro. Ele segura a lousa por alguns segundos antes de revelar. Vira de uma vez. Núbia. "Porque ela construiu essa narrativa. E se eu sair hoje, espero que vocês finalmente olhem para ela." O silêncio é total. Seis votos em Icaro. Um voto em Núbia. Selton caminha até o centro da mesa. "Com seis votos... Icaro, você está banido deste castelo." Ele faz uma pausa. "Por favor, revele para todos: Você é fiel... Ou traidor?"


O silêncio acompanha Icaro enquanto ele se levanta. Os passos ecoam pelo salão de pedra. Ele caminha até o centro do tapete marcado, o Círculo da Verdade. As velas ao redor parecem tremer mais forte. Icaro olha para cada um deles. Dimas evita o olhar por um segundo. Amélie aperta as mãos. Núbia mantém a postura, mas o maxilar está tenso. Icaro respira fundo. "Eu tentei avisar." Ele gira lentamente, encarando o grupo inteiro. "Eu não sou traidor." O silêncio pesa. Ele continua, agora com a voz mais firme: "Eu sou fiel." A palavra ecoa no salão. Um choque coletivo atravessa a mesa. Penélope leva as mãos ao rosto. "Não..." Dimas fecha os olhos por um instante, frustrado. Amélie fica imóvel, assimilando o erro. Núbia sente o impacto, o voto solitário dela agora parece pequeno demais diante da revelação. Icaro encara o grupo uma última vez. "Vocês acabaram de eliminar alguém que estava tentando ajudar." Ele olha diretamente para Núbia. "E continuam ignorando o que está bem na frente de vocês." Ele se afasta do círculo. O peso da decisão fica. Selton Mello se levanta lentamente. O olhar dele é quase decepcionado. "Mais uma vez..." Ele caminha ao redor da mesa. "Os fiéis apontaram para a própria sombra." Para atrás da cadeira vazia. "E erraram." A palavra é dita com frieza cirúrgica. "Enquanto isso... Os traidores assistem. Aprendem. E agradecem." Ele encara cada um. "A cada erro, o castelo se inclina mais para a escuridão." Uma pausa. "Boa noite." As velas parecem mais baixas. A culpa se instala. E, em algum lugar do castelo... Os verdadeiros traidores sorriem.

A porta se fecha. O castelo dorme. No centro da sala iluminada por velas, Dora e Matheus se encaram. O silêncio agora é diferente. É vitória contida. Matheus quebra primeiro: "Foi perfeito demais." Dora se aproxima da mesa redonda do Conclave, passando os dedos pela madeira. "Não foi perfeito." Ela corrige, calma. "Foi construído." Matheus observa, interessado. Dora continua: "Icaro já era inquieto. Falava demais. Questionava demais. Eu só precisei dar uma direção para o caos." Ela pega um pedaço de papel em branco da mesa. "O símbolo da meia-lua... Eu vi no caderno dele no segundo dia." Matheus sorri de leve. "Você reparou nisso?" "Eu reparo em tudo." Ela dobra o papel lentamente entre os dedos. "Quando percebi que precisávamos de um alvo que não nos envolvesse... Pensei em algo simples. Algo que parecesse descuido." Matheus se aproxima. "O bilhete." Dora confirma com um aceno. "Frase ambígua. Nada direto demais. Só o suficiente para parecer arrogância de traidor." Ela continua: "Escondi onde alguém curioso encontraria. Não onde fosse óbvio demais." "E você sabia que Amélie subiria lá" Matheus conclui. Dora inclina a cabeça. "Ela sempre procura lugares altos quando quer pensar." Um silêncio admirado se instala. Matheus cruza os braços. "E quando ele tentou acusar a Núbia..." Dora solta um pequeno riso. "Melhor ainda. Pareceu desespero." Ela encara a chama da vela. "A chave é nunca empurrar demais. Eu deixei que os outros repetissem o nome dele." Matheus respira fundo. "Hoje nós tiramos dois de uma vez." Dora o olha, firme. "Não. Hoje nós tiramos a confiança deles." A frase ecoa. Ela se aproxima do quadro com os rostos restantes. "Agora eles estão inseguros. Vão duvidar das próprias leituras." Matheus observa o tabuleiro. "E a Núbia?" Dora pensa por um segundo. "Ela quase virou alvo. Mas agora está protegida pelo erro coletivo." Ela encara Matheus. "Nosso próximo movimento precisa ser mais silencioso." A chama da vela oscila. Matheus sorri discretamente. "Eles continuam errando." Dora apaga a vela central com um sopro suave. "E nós continuamos aqui." Corte para o castelo escuro. Mais uma noite. Mais uma decisão se aproxima.

Conheça os personagens: Amélie ClaveauxBernardo AzevedoBianca NogueiraCaio MontenegroDimas HadlichDora MachadoEstela MartinsFabricio MolinaroHelena BrandãoIcaro FigueiredoLeandro VasconcelosLorena BastosMarcela CoutinhoMatheus LacerdaMauricio CamposNathaniel PuigNúbia BianchiPenélope FalcãoRafael PachecoRosiane SetaSharon Sheetarah e Verônica Lux.

LEMBRANDO QUE: Esta coluna é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Todos os direitos de criação das personagens e suas histórias são reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização. © 2015 - 2026

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2 comentários:

  1. Torcendo para meus traidores favoritos! Kkkk
    Dora perspicaz demais! Ela vai engolir o Matheus e vou rir.
    Pensei que tudo estava acabado para eles e virou o jogo.

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  2. Eitaaaaa, e só melhora a cada episódio, e a Núbia só vai ganhando destaque mas sinto que o tempo dela ja ta acabando o que é triste
    E quando finalmente começam a desconfiar de Dora e Matheus eles mudam tudooo, mas logo nao vao conseguir mais, um vai cair

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